Amor Amigo
34 Capítulo 34 – Nova Rotina
O dia amanheceu chuvoso e cinzento como há tempos não amanhecia. O casal teve um pouco de preguiça na hora de levantar e se preparar para ir à faculdade. Mesmo assim viram-se na obrigação.
Rosalie levantou e foi preparar a mamadeira de Noah. Enquanto ela se encarregava das coisas do filho, Emmett foi tomar seu banho. Ela voltou e deu a mamadeira ao filho enquanto ele ainda dormia. Quando tentou sair novamente da cama, ele se remexeu inquieto buscando o calor do seu corpo como sempre fazia. Mas, como mãe, Rasalie já reconhecia as manhas de seu pequeno. Puxou o travesseiro que tinha o cheiro de seu perfume e encostou ao lado Noah, que o abraçou ficando quieto logo em seguida.
Emmett saiu do banho exatamente quando Rosalie substituía a amadeira do filho pela chupeta para que ele permanecesse dormindo. Ela o beijou na testa antes de se afastar. E foi enquanto Emmett se vestia que ela tomou seu banho.
Minutos depois, os dois desciam as escadas para tomar café com a família.
Alice também estava na faculdade agora, o curso escolhido foi Nutrição. Seu interesse era trabalhar com a família, mas não descartava a hipótese de trabalhar em hospitais e clínicas, ou até mesmo academia. Mas, como sempre, reclamava ao ter que levantar cedo. E para não sair da rotina, estava bicuda sentada à mesa.
Edward tinha concluído os estudos há pouco tempo, como já era de se esperar, tornara-se o braço direito do pai nos negócios da família. Um não tomava decisão sem antes consultar o outro. Emmett estava se empenhando ao máximo para estar juntos a eles.
Em um acordo em família, Rosalie decidiu não trabalhar enquanto estivesse na faculdade. Queria ter um tempo livre para poder cuidar de Noah, não era justo com ele, nem com ela mesma, vê-lo somente a noite e, mesmo assim, possivelmente ele estaria dormindo. Como a família era bem-sucedida financeiramente pode desfrutar desse privilegio sem maiores problemas.
[...]
Estavam todos sentados à mesa, quando Rosalie tomou a palavra.
– Mamãe o meu quarto está uma bagunça, mas pode deixar que quando eu chegar darei um jeito em tudo antes de ir para o apartamento – ela passava margarina em uma fatia de pão enquanto falava. – Noah resolveu testar todos os brinquedos ontem à noite antes de dormir, na verdade, ele não queria nem dormir. Deu o maior trabalho para fazê-lo ir pra cama. Como se não bastasse querer ficar brincando durante a madrugada ainda queria ficar só de cuca – todos, com exceção de Alice, que estava bicuda, sorriram. – Tem um monte de caixas e papel de presentes jogados no chão. Depois do que ele aprontou, é possível que já tenha brinquedos quebrados também.
– Ah, tá – disse Alice, com a voz preguiçosa. – Já estava me perguntando o que vocês aprontaram durante a madrugada para o quarto ter ficado uma bagunça.
Um leve sorriso surgiu nos lábios de Emmett ao notar que a esposa ficara com as bochechas coradas.
– Alice... – murmurou Carlisle.
– O que papai? Eu não falei nada de mais. Eles podem, tipo, fazer guerra de travesseiros. Esse povo que uma hora dessas já estão pensando bobagens. Eu sou uma garota tão inocente, um verdadeiro anjinho de candura – ela piscou os olhos dando ênfase a sua última frase.
Carlisle não deu muita importância, apenas continuou tomando seu café. Vez por outra, dando uma olhada no jornal.
– Termina de tomar o seu café, Alice. E ver se não demora, não quero que chegue atrasada outra vez – sugeriu Esme. Ela olhou para Rosalie. – Precisa que eu prepare a mamadeira do Noah para quando ele acordar?
Após uma mordida na fatia de pão, cobrindo a boca com a mão, Rosalie respondeu.
– Não, não precisa mamãe. Eu já fiz isso, e ele tomou enquanto dormia. Agora ele deve demorar algumas horas para acordar. E, por favor, não se preocupe com a bagunça no quarto. Isso é meu dever, juro que vou deixar tudo como estava antes.
– Está tudo bem, Rose – Esme a tranquilizou. – Eu sei que fará isso, querida. Você é sempre organizada e cuidadosa, ao contrario de Alice – ela enfatizou a última frase.
– Aff!– resmungou Alice, incomodada.
– Vamos, Rose – disse Emmett ao ficar de pé. – E você também dona Alice. Estamos atrasados. De novo, pra variar...
Rosalie deu um gole, excessivamente exagerado, no seu suco de laranja enquanto ficava de pé. Alice continuava indiferente, entregue a preguiça matinal.
– Vamos Alice! – Rosalie a apressou depois de deixar seu copo com suco pela metade sobre a mesa.
– Ai – resmungou Alice –, essa vida de estudante parece uma historia sem fim. Entra ano, sai ano, é tudo a mesma coisa. Será que não podíamos pular direto para o sucesso e o glamour?! A parte em que conquistamos o sucesso profissional – ela ficou de pé, recolheu o material e se preparou para sair.
– Tudo na vida tem seu lado bom e ruim – argumentou Rosalie, enquanto recolhia seu material também.
– Que injustiça? – lamentou Alice, parando ao lado dela.
– Pois é... – foi tudo o que disse Rosalie.
Elas caminhavam rumo à porta sendo seguidas de perto por Emmett, quando ouviram Esme se queixar.
– Mas vocês não comeram quase nada.
– Nós comemos alguma coisa por lá, mamãe – avisou Alice. – Não se preocupe. Se existe uma coisa que eu não fico, é sem comer – sorriu, pela primeira vez naquela manhã. – E sem minhas jujubas – acrescentou encostando a mão na bolsa dando a entender que carregava suas adoradas jujubas ali dentro.
Rosalie sorriu enquanto Emmett a segurava pelo braço, e juntos seguiram até a porta principal sendo seguidos por Alice.
[...]
Horas mais tarde, naquele mesmo dia, Rosalie chegou da faculdade e, diferente do que acontecia com frequência, encontrou Noah quietinho no sofá da sala assistindo desenho animado na tevê. Seu ursinho de pelúcia cujo nome ele mesmo escolhera, Felpudo, estava embaixo do braço, o travesseiro de Rosalie ao lado, e seus dedinhos apertavam a ponta de uma fralda.
Geralmente quando chegava o encontrava destruindo a casa, deixando a avó desesperada, por medo de ele se machucar. Mas hoje, no entanto, não foi assim. E isso a surpreendeu, deixando-a preocupada também.
Noah não estava de pijama, mas, ainda assim, parecia bastante caidinho. Ele sempre fazia uma festa quando os pais chegavam e hoje não foi assim.
– Ei, meu príncipe – murmurou Rosalie, ansiosa, dispensando a bolsa e todo o material da faculdade sobre uma cadeira almofadada, no canto da sala. – Mamãe chegou filho – disse ela, como que pedindo que ele se animasse. Noah continuou quietinho, mas seus olhinhos brilharam ao vê-la.
Imediatamente Rosalie foi até ele e sentou-se na beirada do sofá pegando-o com cuidado, trazendo-o para sentar em seu colo – uma perninha ficando de cada lado de seu corpo. Noah a abraçou encostando a cabecinha no peito dela.
Embora preocupada, retribuiu o abraço e lhe deu um beijo no topo da cabeça.
Já desconfiada de que havia algo errado, ela olhou para Esme, que se aproximava.
– O que ele tem mamãe? Ele caiu? Se machucou? Está com dorzinha de barriga? O que ele tem? – pediu angustiada, afagando as costas do filho.
Esme se aproximou um pouco mais, e afagou os cabelos de Noah enquanto falava.
– Ele teve febre hoje...
– Febre – repetiu Rosalie, preocupada. Institivamente encostou a mão na testa do filho para sentir melhor sua temperatura. O afastou um pouco, de forma que pudesse olhá-lo com mais atenção. Noah gemeu sem querer se separar dela, que voltou abraçá-lo.
– Agora ele não está mais com febre. Faz algumas horas que a febre cedeu. Perguntei se estava sentindo alguma dorzinha, ele disse que não. Também não quis brincar, ficou aí quietinho vendo desenho o tempo inteiro.
Rosalie deu um beijinho nos cabelos do filho, olhando para Esme perguntou:
– Ele chorou ou pediu por mim?
– Sim – concordou Esme –, mas depois pegou seu travesseiro e ficou quietinho.
Ela segurou o rostinho do filho entre as mãos, beijando ambas as bochechas.
– Own, meu amor. Perdoa a mamãe, filho. A mamãe está aqui agora, e vai cuidar de você.
– Nossa que silêncio. Cadê o príncipe dessa casa? – comentou Alice assim que chegou a sala onde eles estavam. Surpreendeu-se ao ver Noah tão quieto no colo da mãe.
Depois de ter estacionado o carro em sua vaga na garagem, Emmett chegou à sala e fez a pergunta que Alice estava prestes a fazer.
– O que aconteceu? Ele se machucou? – ele se aproximou do sofá e bagunçou os cabelos do filho. – O que foi campeão?
Rosalie foi quem respondera sua pergunta.
– Ele teve febre hoje, amor.
– Febre – repetiu Emmett, encostando a mão na testa do filho assim como Rosalie havia feito minutos antes.
– A febre cedeu, mas, mesmo assim, estou preocupada – olhando para Esme, ela pediu. – Acha que pode ter sido por causa de algum alimento ou docinho que ele comeu na festinha ontem?
– É possível – respondeu Esme. – Bem, de qualquer forma, vamos ficar de olho para o caso de a febre voltar. Se isso acontecer, é melhor levá-lo ao médico.
– A barriguinha está doendo, filho? – pediu Emmett.
– Não papai – Noah respondeu, retirando a chupeta da boca ao falar. – Não tá dodói a baíguinha.
Rosalie ficou um pouco mais aliviada por ele ter falo com o pai. Carinhosamente lhe beijou o ombro, passando a beijar todo corpinho enquanto Noah se contorcia em seu colo, começando a sorrir.
– Mamãe. Mamãe – ele gargalhou, e Rosalie fingiu morder sua barriguinha erguendo a camiseta.
– Graças a Deus, príncipe lindo da titia – suspirou Alice. – Já estava ficando assustada. Eu vou subir e tomar um banho. Daqui a pouco eu volto para brincar com você, e te apertar todinho.
– Não titia, não pode – ele se recusou. Olhando para Emmett o chamou, esticando os bracinhos. – Papai.
Rosalie o manteve preso em um abraço. – Não, não vai com o papai coisa nenhuma. Agora é hora de a mamãe te encher de beijinhos. E cheirinhos...
Noah encostou as duas mãozinhas ao roso dela e disse:
– Te amo, mamãe.
– Oh meu Deus que coisa mais linda – murmurou a mãe coruja, beijando-o por inteiro.
Emmett sentou ao lado de Rosalie, e Noah pulou para seu colo.
– Foge filho! – brincou ele. – Vem para o colinho do papai. Foge dessa guerra de beijos.
Noah gargalhou, agarrando-se ao pescoço do pai enquanto Rosalie o segurava pela cintura tentando pegá-lo de volta.
– To fugino dessa mamãe que gota de muito beijinho – ele gritou, sentindo as mãos de Rosalie o pulsando de volta.
– Ah, é – zombou Rosalie. – Então a mamãe beijoqueira vai pegar o bebê e o papai e vai beijá-los por inteiro, até não aguentar mais – ela começou beijando as perninhas de Noah, e os pezinhos. Depois beijou o pescoço e rosto do marido.
– Foge papai – Noah gritou. – Foge pá bem longe dessa mamãe beijoqueila – pela primeira vez no dia, ele estava sendo ele mesmo. Se divertindo.
Perto deles, Esme sorria satisfeita vendo-o brincar com os pais.
– Que bom que ele se animou com a chegada de vocês – disse ela. – Já estava começando a me preocupar. Noah quieto, isso é novidade.
Depois de toda aquela guerra de beijos Rosalie se recompôs e ajeitou os cabelos, que lhe caiam ao rosto.
– A senhora poderia ter me ligado, ou para o Emmett. Não é justo ter que se preocupar tanto sozinha. De qualquer forma, obrigada por cuidar sempre tão bem do meu príncipe.
– Eu estava pensando em te ligar caso a febre não cedesse. Mas, graças a Deus, nem sinal de febre agora. E ele já está até animadinho. De qualquer forma, fique atenta para o caso dele ficar febril novamente. É bom evitar dar gelado pra ele hoje. Pode ter sido porque tomou muito sorvete ontem também, ele não está acostumado.
– Acho que sim... – murmurou Rosalie. – Estarei de olho nele, mamãe.
– Mamãe, mamãe, mamãe... – repetia Noah, ansioso pela atenção de Rosalie.
Quando ela virou para vê-lo se deparou com ele montado nas costas do pai, com os bracinhos esticados pra frente, enquanto lhe apertava as bochechas. Emmett parecia não estar nem aí para as traquinagens do filho.
– Está judiando do papai?! Não pode fazer isso amor.
– Não, mamãe. Só tô bincano. Não tô judiano do papai.
– Então tá – disse ela. E ao olhar para o marido completou. – Também não precisa deixar ele te massacrar assim, Emm.
Emmett sorriu, não dando muita importância para aquilo. Puxou Noah por sobre o ombro e o trouxe para seu colo novamente. Noah gargalhava se contorcendo.
– Não dói, Rose. Ele não tem força.
– Vocês são dois bobos, sabia?! – murmurou ao ficar de pé. – Eu vou arrumar a bagunça no quarto e juntar os brinquedos de Noah para a gente ir pra casa.
– Eu vou subir para tomar banho enquanto você arrumar as coisas – avisou Emmett.
– Tudo bem – concordou ela. – Mas traz o pentelho.
– Não sou pentelho, mamãe.
– É sim – disse ela, disfarçando um sorriso.
– Pentelho, pentelho. Noah pentelho. Pentelho, pentelho – ele cantarolou enquanto o pai subia as escadas levando-o nos ombros.
[...]
Minutos depois, com todas as coisas dentro do carro, eles se despediam de Esme e Alice. Noah estava no colo da mãe agora, e em suas mãozinhas estava um boneco do super-homem.
Rosalie o colocou na cadeirinha, no banco de trás, e voltou para sentar no banco do carona. Ela e Noah acenaram em despedida, e Emmett buzinou enquanto saia com o carro.
Eles conversaram durante o curto trajeto e quando chegaram ao apartamento, antes de seguir para o trabalho, Emmett descarregou o carro – todos os presentes que o filho ganhara no dia anterior, no aniversário.
Noah saiu correndo pelo apartamento, com os bracinhos erguidos, fingindo que seu boneco do super-homem estava voando.
– Cuidado filho – Rosalie o alertou depois de vê-lo passar relando na quina de um móvel.
– Rose. Amor, eu já estou indo – avisou Emmett.
– Ah – ela lamentou, abrindo os braços, caminhando na direção dele. E quando estava perto o bastante o abraçou. – Vai chegar tarde hoje?
– Eu acho que não. Qualquer coisa, eu ligo pra avisar.
Rosalie fez beicinho, propositalmente.
– Sinto falta das tardes que passávamos juntinhos na cama. Nunca pensei que isso fosse me fazer tanta falta. Ainda não me acostumei com você trabalhando durante o dia, depois da faculdade. É tudo tão estranho ainda – ela apertou os braços em volta da cintura dele.
Emmett retribuiu envolvendo-a em um abraço de urso.
– Mas veja pelo lado bom – disse ele. – Agora temos a noite inteira para ficar juntos, além de nos vermos na faculdade. Eu volto a tempo para o jantar, prometo.
Rosalie inclinou o queixo, buscando o olhar dele. – Promete mesmo?
Emmett inclinando-se para beijá-la. Uma de suas mãos deslizou pelas costas dela até alcançar o bumbum, onde segurou firme, forçando o corpo dela contra o seu.
– Temos muito a fazer quando eu voltar... – sussurrou.
Fingindo-se de desentendida, ela pediu.
– E o que seria esse muito?
Ele mordiscou de leve a orelha dela.
– Quer mesmo que eu te diga...?
– Acho melhor você me mostrar... – ela sussurrou em resposta.
– Foi exatamente o que pensei – disse ele. E antes de se afastar, completou. – Eu te amo.
– Eu também te amo, minha vida – ela olhou por sobre o ombro e chamou por Noah. – Vem filho! Vem dá um beijo no papai, ele já vai trabalhar.
Eles ouviram os passinhos de Noah enquanto ele corria. E quando apareceu, estava com os bracinhos abertos estendidos na direção de Emmett. Mas acabou tropeçando nos próprios pezinhos e caiu. Imediatamente seu choro preencheu o apartamento.
– Oh, meu Deus... – lamentou Rosalie.
No mesmo instante, Emmett o pegou no colo. Passando as mãos nos joelhos dele como se o gesto fosse fazer parar de doer.
– Papai. Papai... – ele murmurou entre o choro.
– Chora não campeão. Já passou. Foi só um susto.
– Machucou bebê? – pediu Rosalie.
– Tá dodói – ele anunciou dengoso.
– Tá dodói – repetiu ela, chegando mais perto. – Deixa a mamãe ver.
Com um beicinho adorável nos lábios, Noah ergueu uma perninha para que olhasse.
– Machucou o bebê. Deixa a mamãe dá um beijinho que sara – com muito carinho ela segurou a perninha dele e beijou o joelho. Ele ergueu a outra perninha. – Esse também filho?! – Noah piscou os olhinhos, cheios de lágrimas, e a mãe beijou o outro joelho. – Pronto o dodói já vai passar – ela esticou os braços para pegá-lo no colo. – Vem com a mamãe porque o papai vai trabalhar agora, amor.
Antes de ir com ela, Noah beijou o rosto de Emmett; um beijo babado e estalado.
– Tchau, papai.
– Tchau, filhão – se despediu beijando o rostinho dele. – Vai cuidar da mamãe até o papai voltar, não é?! – brincou.
– Aham... – Noah murmurou, afirmando com a cabeça.
Rosalie recebeu o filho, e se despediu do marido com um beijo rápido. Emmett pegou a pasta com suas coisas de trabalho e se encaminhou em direção à porta. Quando ele saiu, Noah começou a chorar.
– Papai – ele pediu, esticando o braço na direção da porta.
– Papai volta daqui a pouco, amor. Vamos tomar banho de banheira com a mamãe, vamos?! Mamãe deixa você brincar com brinquedinhos na espuma.
Ainda com o bracinho estendido, Noah afirmou com a cabeça. Rosalie ficou satisfeita, e um leve sorriso surgiu em seus lábios. Enquanto caminhava até a suíte, beijou o rostinho do filho algumas vezes.
Ela o deixou sentadinho na beirada da banheira e começou prepará-la para o banho. Quando estava tudo pronto, ficou de calcinha e sutiã e Noah, peladinho. Ele já estava se pendurando na borda para pegar as espumas com a mão, quando Rosalie o pegou e colocou dentro da banheira.
Ele ficou todo empolgado atirando espuma de um lado para o outro. Um patinho e um barco de borracha se juntaram a brincadeira. Pouco a pouco, o piso do banheiro foi ficando molhado e cheio de espumas.
Rosalie o observava enquanto prendia os cabelos em um coque no alto da cabeça. Entrou na banheira e quando se sentou retirou o sutiã deixando-o ao lado dos frasquinhos de sais de banho.
Minutos depois, eles saíram da banheira e Rosalie foi fazer seus trabalhos da faculdade. Sobre a mesa da sala de jantar, ela espalhou todo o material que usaria. Enquanto isso Noah brincava pelo apartamento; usando uma manta presa ao pescoço fingindo ser um super-herói. Vez ou outra, ele chegava pertinho dela se esfregando em busca de carinho. Ela o pegava no colo, lhe dava alguns beijinhos e cafunes, logo depois ele pulava no chão e saia correndo outra vez, erguendo a manta no alto para parecer que ela voava ao vento. Rosalie sempre sorria vendo-o fazer isso.
Mais de uma vez ela precisou parar o que estava fazendo. Primeiro, para dar o lanche ao filho. Depois para limpá-lo após usar o troninho. Em outro momento para colocar água no copinho dele. Horas mais tarde, para lhe dar mamadeira da noite.
Concluiu os trabalhos que precisavam ser entregues naquela semana com Noah dormindo em seu colo, a chupeta pendendo no canto da boca, e a cabeça pendurada para um lado. Fazia algum tempo que ele havia deixado à brincadeira de super-herói e retirado à manta do pescoço.
Antes de ficar de pé, Rosalie o ajeitou no colo, de maneira que pudesse levá-lo para a cama. Bastou colocá-lo na caminha de solteiro, do quarto dele, para Noah ameaçar um chorinho. Ela se deitou na beirada da cama, com as costas tocando na grade lateral, tendo Noah pertinho de seu corpo. Ficou lhe fazendo cafuné nos cabelinhos louros, percorrendo os dedos até as pontas, desfazendo os cachinhos que logo se formavam novamente. Ela não viu as horas passarem. Acabou dormindo depois de mais um dia exaustivo entre os conciliar os estudos e cuidar de uma criança.
E quando Emmett chegou do trabalho, trazendo o jantar pronto, de um dos restaurantes da família, encontrou o apartamento em silêncio.
– Rose?... – ele a chamou à medida que caminhava até a sala de estar. – Amor? – ao passar pela sala de jantar, notou a mesa abarrotada de material da faculdade. Alguns brinquedos de Noah espalhados pelo chão. Uma caneca de café e uma mamadeira vazia ao lado de alguns livros. Uma fralda suja de achocolatado pendurada no encosto da cadeira, a única afastada da mesa. Presumiu que Rosalie estivesse sentada ali antes.
Pela previa imagem do ambiente, chegou à conclusão de que ela só poderia estar dormindo. Certamente pegara no sono quando foi pôr Noah para dormir.
Antes de ir procurá-la, ele foi até a cozinha e deixou as sacolas com o jantar sobre o balcão. Evitando fazer barulho, foi até a suíte. A porta estava aberta, mas, ao olhar lá dentro, percebeu que a cama estava vazia. Isso lhe deu uma certeza, ela estava no quarto ao lado, o quarto de Noah.
Assim como na suíte, a porta também estava aberta. O quarto estava iluminado apenas por um pequeno abajur, que refletia no teto luzes em formato de estrelas. Emmett olhou em volta e se deparou com os dois dormindo abraçadinhos como sempre faziam. Ao vê-los assim, um sorriso involuntário alcançara seus lábios.
Da mesma forma cautelosa com que entrara no quarto, voltou à cozinha. Preparou a própria mesa da cozinha, para dois. Retornou a sala de jantar, recolheu a caneca e a mamadeira e os levou para a cozinha, deixando dentro da pia para serem lavados depois. Pôs a cadeira de volta no lugar e levou a fralda suja para a área de serviço. Recolheu os brinquedos do filho e os guardou no cesto que ficava na sala de tevê. Pegou uma garrafa de vinho no bar, duas taças, e levou para a cozinha. Preparou um clima a luz de velas, porém, deixou para acendê-los depois.
Antes de chamar Rosalie, preferiu tomar um banho. Vestiu-se para ficar em casa mesmo, nada especial demais. Sentindo-se renovado depois do banho, ele foi então acordá-la. Entrou no quarto do filho e os encontrou dormindo ainda na mesma posição.
Devagar ele se aproximou da cama, agachou-se e sussurrou para a esposa.
– Rose... Acorda amor – inclinou-se para frente e depositou um beijo no pescoço dela. – Já estou aqui. Acorda sua dorminhoca. Vem jantar comigo – sorriu, roçando de leve os lábios na pele macia e perfumada do pescoço dela.
Ainda de olhos fechados, ela ameaçou um sorriso, encolhendo os ombros, sentindo um leve arrepiar. Ergueu o braço com certa preguiça, e ao alcançar o rosto do marido lhe fez um carinho.
– Chegou agora? – pediu em um sussurro, evitando que Noah acordasse.
Emmett segurou a mão que acariciava seu rosto e beijou a palma.
– Já faz alguns minutos – ele sussurrou de volta.
– E porque não me chamou?
– Eu queria te fazer uma surpresa.
– E qual é? – ela pareceu um pouco ansiosa agora.
– Vem. Levanta daí – pediu ele, lhe estendo a mão, oferecendo ajuda.
Rosalie bocejou enquanto se afastava devagar. Mesmo assim, Noah esticou os bracinhos exigindo que ela não se afastasse. Cuidadosamente, substituiu seu corpo pelo travesseiro com seu perfume. Ajeitou o filho em uma posição mais confortável e o cobriu. Já de pé ao lado da cama, ela se inclinou e beijou a cabeça de Noah. Emmett repetiu o mesmo gesto de carinho que a esposa havia feito.
Ela segurou na mão do marido enquanto saiam do quarto do filho. Ele a puxou para mais perto de seu corpo e lhe beijou os cabelos dourados.
No umbral da porta da cozinha, Rosalie parou e ergueu o pescoço buscando o olhar de Emmett, que lhe deu um beijo breve.
– Desculpe por não ter sido na sala de jantar. Seu material da faculdade estava todo lá, não quis “bagunçá-los” – ele explicou.
Ela se inclinou pra frente, ficando nas pontinhas dos pés, e beijou o queixo dele.
– Ficou perfeito – afirmou orgulhosa. – Obrigada, amor. Você é sempre um doce. Às vezes me pergunto se você existe mesmo.
Emmett lhe deu um beijinho na ponta do nariz.
– Mas é claro que eu existo. E estou bem aqui, pronto para te amar por toda a vida.
Novamente Rosalie lhe beijou o queixo e, dessa vez, cantarolou, em um tom suave, o trecho de uma música brasileira, intitulada eu sei que vou te amar – dos compositores Vinícius de Moraes e Tom Jobim –, sua favorita.
– Eu sei que vou te amar... Por toda a minha vida eu vou te amar... A cada despedida eu vou te amar...
E Emmett completou:
– Desesperadamente, eu sei que vou te amar...
Eles se entreolharam. Beijaram-se e foi um beijo calmo e sereno, perdendo-se na sensação maravilhosa de bem-estar.
Emmett puxou a cadeira para Rosalie sentar. Acendeu as velas e apagou as luzes. Depois sentou-se na cadeira de frente para ela. O jantar foi servido em um clima romântico e agradável. A comida estava saborosa e a escolha do vinho combinara perfeitamente.
Enquanto isso, Noah dormia tranquilo no calor e aconchego de seu quarto. Protegido do frio e da maldade dos homens. Mas completamente a mercê do destino...
O casal finalizou o clima romântico do jantar a luz de velas na cama onde fizeram amor sobre os lençóis macios, a meia luz de um abajur. A porta da sacada aberta evidenciando, no alto do céu, um luar prateado. A brisa fria da noite soprando as cortinas em um farfalhar suave e constante.
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