Amor Amigo
31 Capítulo 31 – Deslize
No dia seguinte, por volta do horário do almoço, Emmett acordou e, junto com Rosalie, decidiram contar para a família que era chegada a hora de voltar para o apartamento. Não dava mais para enrolar. Precisavam reencontrar a intimidade de casal.
O momento era extremamente propicio uma vez que toda família estava reunida à mesa. Embora Alice tenha falado mais do que deveria e Esme tenha ficado um pouco triste, todos acabaram entendendo que ter seu próprio cantinho era tudo o que um casal de recém-casados buscava e precisava. E para que adiar esse momento se já tinham esse cantinho. Dessa forma, o retorno ao apartamento ficou marcado para dali dois dias. Onde ganhariam tempo para arrumar as cosias sem pressa, e caria na folga de Emmett. Seria a primeira noite, depois de meses, no apartamento, ele não queria deixar a esposa e o filho sozinhos.
Uma vez tudo esclarecido, Emmett foi assistir televisão na sala e acabou dormindo no sofá. Por volta das dezesseis horas Rosalie deixou um bilhete avisando que iria, com Alice, levar Noah para um passeio na pracinha. Esme também não estava em casa, havia ido às compras na companhia da funcionaria, por isso ele acabou ficando sozinho na mansão.
Como a pracinha ficava a apenas algumas quadras dali, elas foram andando. Ambas usavam roupas de verão; shorts jeans, camiseta e sandálias rasteirinhas. Rosalie empurrava o carrinho de bebê com Noah, sentadinho, atento a tudo a sua volta. Nas mãozinhas, ele segura um brinquedinho de borracha que fazia barulho ao ser apertado.
Ao lado dela, Alice falava sem parar. Falava sobre tudo um pouco. Vez ou outra Rosalie se via sorrindo e concordando com algo. Era gostoso estar na companhia da irmã, Alice fazia tudo parecer divertido. Descontraído e livre de preocupação.
O sol estava perdendo força naquele inicio de fim tarde, árvores cediam sua sombra agradável com um farfalhar de folhas constantes.
Na pracinha, encontraram um banco vazio sob a sombra de um carvalho velho e destorcido. Decidiram que ali ficariam por alguns instantes, até decidirem algo melhor para fazer. Rosalie deixou o carrinho virado para o parquinho, para que assim Noah pudesse ver as outras crianças brincando. Embora muito pequeno ainda, ele se mostrava bastante interessado.
Algumas crianças corriam de um lado para o outro e gritavam felizes. Algumas acompanhadas pela babá, outras pela própria mãe. Naoh parecia gostar bastante do que via. Seus bracinhos e pernas se agitaram parecendo querer se juntar a brincadeira. O brinquedinho de borracha que estava em suas mãozinhas acabou caindo no chão de terra. Rosalie o recolheu, mas não voltou a entregar para ele.
Uma adolescente de cabelos vermelhos passou em frente a elas, passeando com um cachorro – um labrador preto. Noah ficou animadíssimo olhando para o animal com olhinhos curiosos. Como se estivesse vendo a coisa mais incrível de sua vida.
– É o au, au, amor – murmurou Rosalie, indicando o cachorro com o dedo. – É o au, au... Está vendo filho, que bonito. Que lindo o au, au.
Noah olhou do cachorro para a mãe e soltou um gritinho. Tanto Rosalie quanto Alice acabaram gargalhando. Era extremamente divertido ver as expressões do rostinho dele. Ele se interessava por quase tudo o que via. Estava começando a descobrir o mundo, com suas formas e cores.
Interessada na reação do sobrinho, Alice tentou imitar o som de um cachorro latindo. A reação de Noah foi imediata, seus olhinhos azuis se arregalaram com curiosidade e espanto. Ele olhava do animal para a tia, e depois para a mãe. E de repente, se agitou dentro do carrinho estendendo os braços como se quisesse sair de lá. Com tanta saliência, a chupeta acabou caindo no chão.
– Ah, seu safadinho – comentou Alice. – Agora a chupeta ficou suja. Vai ficar sem chupeta viu só. Perdeu bebê. Perdeu...
Ele se esticou todo para fora do carrinho, sendo mantido ali somente pelo cinto de segurança, tentando encontrar a chupeta, com os olhinhos ansiosos. E quando se deu conta de que sua preciosa chupeta havia sumido, fez um beicinho enorme olhando para a tia.
– Não tem mais chupeta. Já era! O au, au pegou. O au, au pegou a chupeta do bebê. Au, au malvado. Volta aqui au, au... Traz a chupeta do bebê.
Ele continuava olhando para a mãe, o beicinho tremendo e os olhinhos cheios de lágrimas.
– Não amor. Não chora... – bastou ouvir a voz da mãe para ele começar a chorar. – Ô filho, não chora amor. A mamãe vai lavar a chupeta. É mentira da titia, o au, au não pegou, não – Rosalie pegou a chupeta que Alice escondia entre as mãos. – Olha, ela está bem aqui – Noah olhou para as mãos da mãe e um sorriso banguela, em um rostinho cheio de lágrimas, surgiu. – Viu, mamãe pegou a chupeta – ela olhou para Alice. – Você olha ele pra mim? Vou até ali, no bebedouro, lavar a chupeta e já volto.
– Vai lá – disse Alice, mexendo nos pezinhos de Noah tentando distrai-lo.
Mesmo assim ele não desviou os olhinhos da mãe. Quando Rosalie começou a se afastar ele, imediatamente, ameaçou um chorinho.
– Noah, mamãe está aqui. Não precisa chorar... Mamãe vai ali e já volta – ele estendeu os bracinhos, mas ela não o pegou. – Mamãe já volta.
Ele não chorou, mas ficou de olhinhos vidrados nas costas dela à medida que se afastava.
O bebedouro se localizava no centro do parquinho, mas ela teve que esperar um pouco, havia algumas crianças na fila para beber água. Se se virasse de costas poderia ver Noah, e, de onde ele estava também podia vê-la, mesmo com as crianças correndo de um lado para o outro.
Alice tentava distrai-lo a sua própria maneira. Com caras e bocas, fazendo gracinhas. Ela estava em uma dessas tentativas exageradas quando ouviu alguém assoviar – o som vindo de trás da árvore ao lado. Desconfiada, virou o rosto na mesma direção em busca da origem do assovio. Sem mostrar a cara, a pessoa tornou assoviar. Alice continuou olhando até que o dono do assovio se mostrou pra ela. Ela abriu um sorriso enorme ao reconhecê-lo. Era Jasper, seu namorico de escola cujo pai não aceitava.
– O que você está fazendo aí? – pediu ela, feliz e ao mesmo tempo muito surpresa.
– Vem cá – ele a chamou, gesticulando com uma das mãos.
– Não posso, estou cuidando do Noah. Rose foi lavar a chupeta dele que caiu no chão.
– Vai me deixar ir embora sem ganhar nem mesmo um beijinho? – comentou. Alice rolou os olhos. – Só um beijinho e eu prometo que fico quieto. Sua irmã nem vai perceber que estive aqui.
– Não sei... – disse ela, um tanto incerta.
Ele fez sinal com o dedo indicador, fingindo carinha triste.
– Só um beijinho – propôs.
Alice tornou a rolar os olhos. – Está bem, mas só um beijinho, ok?! – ela olhou o sobrinho no carrinho. – Fica quietinho aí que a titia já volta – avisou, cutucando na barriguinha de Noah, que sorriu.
Sem pensar nas consequências que seu ato poderia ter, Alice saltitou feliz para o lado de Jasper. Ele, sem pedir permissão, a puxou para detrás da árvore e lhe roubou um beijo, segurando-a firme pela cintura juntando o corpo dela ao seu. Um adolescente ansioso.
Noah continuava sentadinho olhando as costas da mãe ao longe. Ele agitou as mãozinhas, balbuciou algo na linguagem de bebê e ameaçou um choro. Porém, alguém parou em sua frente atraindo a atenção de seus olhinhos.
A moça elegante, de cabelos cor de mognos, ajoelhou-se em frente ao carrinho do bebê. Suas mãos bem cuidadas, de unhas compridas, afagaram a mãozinha roliça de Noah.
– Olá, coisa linda – disse Heidi. – Como você é lindo. É o bebê mais lindo que já vi – Noah a olhava com curiosidade. – Mesmo tendo herdado os cabelos louros de sua mãe, você se parece muito com seu pai, sabia?! – ela se inclinou e beijou a mãozinha dele. Depois ficou de pé e se inclinou para tirá-lo do carrinho. Noah ficou agitado sem querer ir com ela. Mesmo assim Heidi o pegou. – Como você é lindo... – sussurrou aconchegando-o contra o peito, com uma mão apoiando a cabecinha e a outra as costas dele. Ela lhe beijou a testa e o rostinho. – Onde está a desnaturada de sua mãe? – ele ameaçou chorar e então Heidi começou a andar com ele pelo parquinho. Se distanciando cada vez mais de onde estavam.
Sem perceber nada de estranho Rosalie começou a caminhar de volta, sacudindo a chupeta como se tentasse secá-la. De repente, um frio estranho atravessou seu coração de tal maneira que a fez fraquejar. Automaticamente aumentou o passo. Ao chegar onde o carinho estava e não encontrar o filho fez o desespero crescer esmagando seu coração, pensando no pior.
Tentando manter o controle, olhou em volta buscando a presença de Alice. Algo que indicasse que seu bebê estava bem. Que era um susto infundado, que Noah estava com a tia em algum lugar perto dali. Mas não foi isso que aconteceu. Ela não viu ninguém.
– Alice! – gritou ela. – Alice.
Toda atrapalhada, limpando o canto da boca, Alice saiu de trás da árvore.
– Onde está o Noah? – gritou novamente, apavorada ao ver que o filho não estava com a tia.
Surpresa com a pergunta, Alice respondeu sem ao menos pensar.
– Ele está no carrinho – como que para confirmar sua resposta apressou-se pulando na frente do carrinho, assombrando-se ao encontrá-lo vazio. – Cadê o Noah? – ela repetiu o mesmo que a mãe aflita gostaria de saber.
– Sou eu quem te pergunto – Rosalie esbravejou. – Onde está o meu filho, Alice? Eu o deixei com você apenas alguns minutos. Eu confiei em você – anunciou com a voz trêmula sendo tomada pelo medo.
– Ele estava bem aqui... – sussurrou Alice, apavorada. – Ele estava aqui o tempo inteiro.
– O que você fez? – exigiu Rosalie, segurando-a pelos ombros sentindo os batimentos do coração aumentar drasticamente. A respiração se tornando pesada como consequência do pênico que a tomava. – Eu confiei em você – tornou a repetir.
– Desculpe – pediu Alice, apavorada, começando a chorar.
E naquele mesmo instante, Jasper saiu de trás da árvore. Os ombros de Rosalie cederam quando o viu. Entendia agora o porquê de Alice ter deixado seu filho sozinho e isso a decepcionou, além de deixá-la furiosa.
– Eu confiei em você... – ela disparou novamente, agora com lágrimas nos olhos. – Meu bebezinho... Eu confie em você – sussurrou aos prantos. E então se virou buscando a presença do filho, querendo acreditar que ele estava por perto. Olhou em todas as direções, aflita.
– Me desculpe Rose... – Alice pediu, também, chorando.
– Suas desculpas não me servem de nada – retrucou magoada, sendo tomada por uma raiva que até mesmo ela desconhecia tamanho poder.
Sem saber o que fazer, Alice olhou para o namorado.
– O que eu faço Jasper?
– Vamos ajudá-la a procurar pelo bebê.
– E se não encontrarmos?
– Claro que vamos encontrá-lo – garantiu, e então a beijou na testa tentando tranquilizá-la.
– Eu não vou voltar para casa nunca mais... – confidenciou chorosa. – Emmett vai me matar. Eu sei que vai...
– Ninguém vai te matar, nós vamos encontrá-lo.
– Quem pode tê-lo levado? Quem, Jazz? Quem? O que foi que eu fiz... Meu Deus.
– Não faço a menor ideia – ele segurou o rosto dela entre as mãos –, mas nós vamos encontrá-lo.
Aflita como jamais esteve antes, Rosalie seguia de um lado para o outro perguntando para todas as pessoas que encontrava pelo caminho se alguém o tinha visto. Para seu desespero, todos negavam.
– Noah! – gritou ela, desesperada, olhando em todas as direções. Seus cabelos sendo soprado pela brisa, chicoteando o rosto. Tinha a certeza de que não conseguiria ficar de pé se aquele pesadelo não terminasse o quanto antes. Não podia ser verdade. Não podia ficar sem Noah. Foi então que teve a impressão de tê-lo ouvido chorar perto dali. – Noah! – gritou novamente, porém, dessa vez, esperançosa.
Tentava prestar atenção no som do chorinho, para ter certeza de onde vinha, mas as batidas audíveis de seu coração atrapalhavam os outros sentidos. Foi então que o viu. Heidi caminhava, despreocupada, em sua direção, enquanto Noah chorava em seus braços. Rosalie aumentou o passo indo ao encontro dela empurrando quem cruzasse seu caminho. Qualquer coisa para tirá-lo dos braços de Heidi o quanto antes.
Movida pelo o instinto, arrancou o filho dos braços da única inimiga que teve em toda vida. A garota que fez de sua vida um inferno enquanto esteve no instituto, e mesmo fora dele armou das suas.
A mãe angustiada abraçava seu bebê e o beijava. Tudo isso enquanto verificava se ele estava machucado, cada pedacinho de seu corpo.
– A mamãe está aqui amor... – sussurrou, com os lábios próximos aos cabelinhos louros dele. Fechou os olhos brevemente, agradecendo a Deus por tê-lo de volta em seus braços. Sentindo o coração ser aliviado, libertado de uma aflição sem igual.
– Nossa, para que tudo isso?! – ironizou Heidi. – Eu só estava dando um passeio com o garoto.
Grande erro. Rosalie abriu os olhos, tomada por uma raiva repentina. Sem dar chance alguma de defesa, esbofeteou o rosto de Heidi fazendo com que o rosto dela seguisse o movimento da agressão.
– Fique longe do meu filho – alertou enfurecida.
Heidi voltou a olhá-la, porém com a mão no rosto, sentindo a pele queimar no local da agressão.
– Não deveria ter feito isso... – murmurou Heidi, olhando-a com raiva.
– Você já me fez muito mal. E eu nunca soube os seus reais motivos. O que te motivava a me odiar tanto. Mas saiba que se tentar fazer algo contra meu filho, eu acabo com você.
– Isso é uma ameaça?
– É um aviso – corrigiu Rosalie. E então se virou de costas, o corpo inteiro ainda tremendo pelo susto de quase ter perdido o filho, ninando-o tentando fazê-lo parar de chorar. Durante esse processo verificou mais uma vez se ele estava machucado.
Alice correu, parando abruptamente ao de Rosalie, sua respiração arrastada e ofegante.
– Graças a Deus você o encontrou – ela ergueu as mãos para afagar as costas do sobrinho, mas Rosalie se afastou impedindo-a de fazer isso. – Rose... – pediu chorosa. Jasper estava ao seu lado agora.
– Não quero falar com você Alice – ralhou ela, magoada. – Não quero que toque em meu filho.
Sem prévio aviso começou a andar afastando-se cada vez mais de Alice, que começou a segui-la, apressada.
– Rose... Desculpe-me, por favor, irmã – Alice tinha os olhos cheios de lágrimas e uma suplica verdadeira inquietava seu coração. Suportaria qualquer coisa, menos que Rosalie a odiasse, era sua irmã do coração, a amava desde o dia em que os vira numa madrugada chuvosa, sozinhos, a mercê do próprio destino.
– Eu confiei a você meu bem mais precioso – murmurou decepcionada, caminhando sem ao menos olhar para trás. Ajeitou Noah em um braço apenas, deixando o outro braço livre para poder empurrar o carrinho.
Assim como era difícil para Alice vê-la decepcionada consigo, também era difícil para Rosalie. Alice foi a única irmã que conheceu durante a vida toda. A primeira pessoa a quem confiou, ainda na infância, depois de Emmett. Doía acreditar que essa mesma pessoa foi tão displicente em cuidar de seu bebezinho. Doía saber que já não podia confiar nela... na irmã que tanto amava.
– Rose, por favor... – Alice implorava, tropeçando pelo caminho, desesperada pelo seu perdão.
Magoada demais para pensar com clareza, e ter o filho chorando em seus braços não ajudava, ela aumentou o passo empurrando o carrinho vazio de forma atrapalhada.
Depois de adquirir certa distância de Alice, parou um pouco e beijou a cabecinha loura do filho. Alice se encheu de esperança pensando que fosse a sua espera, mas se enganara completamente. Ela parou apenas para dar o peito ao filho tentando desesperadamente fazê-lo parar de chorar. Não sabia o motivo do choro e isso a deixava impotente. Como previra, Noah parou de chorar assim que encostou a boca ao peito, sugando, dessa vez, sem pressa. Rosalie o ajeitou em uma posição que ficasse menos desconfortável e usou a fralda de tecido para cobrir o seio.
Mesmo sendo um tanto complicado levar o filho no peito e empurrar o carrinho ao mesmo tempo, ela voltou a andar. Não estava disposta a ouvir o que Alice tinha a dizer em sua defesa.
Alice até esteve perto de alcançá-la, mas Jasper a impediu alegando que Rosalie estava muito ferida. Era melhor deixá-la sozinha, ou do contrario, acabaria falando coisas que não queria. Coisas das quais se arrependeria depois.
Um pouco mais adiante, perto da avenida, Rosalie sentiu o coração gelar dentro do peito e uma forte onda de medo se apossar de suas entranhas. Royce King havia acabado de passar em um de seus carros de luxo, na avenida.
O corpo inteiro de Rosalie retesou naquele mesmo instante. Apavorada, não soube para onde ir. Afastou a mão que segurava a alça do carrinho e abraçou o filho protetoramente. Seu peito arfava seguindo o ritmo frenético e angustiante das batidas do coração atemorizado.
Noah agitou a mãozinha, impaciente, sentindo toda a tensão da mãe passando pra si. Ele ameaçou um chorinho, mas Rosalie o ninou afagando lhe as costas. Ajeitou a fralda novamente quando ele a puxou com a mãozinha, nervoso com o nervosismo dela.
Enquanto esteve parada ali, apavorada com a passagem repentina de Royce, ainda se recuperando do susto na pracinha, Alice e Jasper a alcançaram.
Antes de dirigir à palavra a irmã magoada, Alice agarrou a alça do carrinho do bebê que estava vazio. Rosalie acabou tomando um baita susto, saltando para o lado oposto.
– Ei, está tudo bem – Jasper a tranquilizou tocando-lhe o ombro gentilmente.
Ela não reagiu muito bem ao gesto. Sacudiu o ombro como que dizendo para não tocá-la.
– Rose, por favor, eu estou te pedindo... Me perdoa – insistiu Alice.
Rosalie a olhou brevemente antes de voltar a andar. E, naquele simples gesto, Alice pode notar quanta raiva e magoa os olhos da irmã carregava. Agira mal em deixar Noah sozinho, e agora sabia disso melhor do que ninguém.
Embora não obtivesse sinais de que seria perdoada continuou seguindo-a, agora empurrando o carrinho vazio. Jasper ia logo ao seu lado. Mas ao se aproximarem do quarteirão onde ficava a mansão da família, Alice lhe fez um pedido.
– Jazz, é melhor você ir embora... Eu já estou bastante encrencada. Se o papai te vê vai ser pior.
Ele assentiu com um maneio de cabeça. – Nos vemos depois então? – arriscou.
Ela concordou maneando a cabeça afirmativamente depois de um suspiro de pesar. Jasper a beijou no rosto e passou para o outro lado da rua, para em seguida virar na esquina e sumir de vista.
Sem a presença do namoradinho ao seu lado, chorou ainda mais, vendo a irmã a apenas alguns passos a sua frente. Tão magoada por sua causa como nunca a vira antes.
Em frente aos portões da mansão, Alice tentou mais um pedido de desculpas.
– Rose, por favor... Eu estou arrependida e envergonhada também. Eu sei que está no seu direito de me repudiar, mas eu estou morrendo de medo. Se você entrar em casa assim todo mundo vai querer saber o que aconteceu. Mamãe vai brigar comigo. Papai vai me deixar de castigo o resto da vida. Edward vai apoia-los, e Emmett vai querer me matar... Por favor, fala comigo. Me perdoa.
Revoltada, Rosalie virou-se na direção dela abruptamente.
– Deveria ter pensando nisso antes de deixar meu filho sozinho. Acha que seu pedido de desculpas seria o suficiente se alguém tivesse levado meu filho embora?! Se Heidi o tivesse levado, ou lhe feito mal.
– Sei que não seria... – respondeu com sinceridade. Foi nesse momento que ela percebeu que Noah havia levantado a cabecinha para ver o que estava acontecendo, deixando assim o seio da mãe exposto. – Rose seu seio está aparecendo – avisou rapidamente.
Rosalie agiu por reflexo e tapou o seio com a fralda do filho, lançando em volta um olhar breve, para se certificar de que ninguém estava vendo. Uma nova preocupação juntando-se ao conflito dos últimos minutos. Seria mais um motivo para Emmett ficar furioso, só que dessa vez, com ela.
Alice empurrou os portões depois de abri-los com a chave, e chegou para o lado deixando Rosalie ir à frente. Uma vez do outro lado, ela arrumou a blusa e o sutiã. Olhou para o filho, pela primeira vez depois que ele havia deixado o peito, e o encontrou com a boquinha escorrendo leite. Usou a mesma fralda de tecido para limpar a boquinha dele, e lhe beijou o rosto.
De repente, depois de cruzar aqueles portões, o medo que sentira ao ver Royce King passar de carro, desapareceu. Mas o pavor que sentiu em não saber onde Noah estava, minutos atrás, ainda a perturbava.
Alice não disse mais nada. Quieta a acompanhou até a porta principal da casa. Ela entrou na frente dessa vez e deixou o carrinho do bebê no hall, ao lado da mesinha de vidro. Mesmo morrendo de medo do que aconteceria a seguir, seguiu adiante.
Assim como Alice, Rosalie tinha o rosto manchado de lágrimas. As bochechas coradas e os olhos assustados.
Ela encontrou o marido vindo da cozinha, ele lhe sorriu exibindo as covinhas que ela tanto adorava, feliz em vê-la de volta. Mas Rosalie não retribuiu o sorriso. Em vez disso o abraçou desesperadamente, escondendo o rosto no peito largo dele, com Noah entre os dois sem entender nada.
Preocupado, Emmett passou os braços em volta do corpo dela sentindo toda a tensão que carregava. Com extremo carinho lhe beijou os cabelos.
– Ei, o que houve? – sussurrou contra os fios dourados.
Do outro lado da ampla sala de estar, Alice abaixou o olhar sabendo o que estava por vir. Sabendo que estava perdida.
Sentindo o poder das palavras do marido e o calor de seu corpo, Rosalie deixou a armadura de cair. Seu corpo inteiro começou a tremer com soluços fortes causados pelo choro continuo.
– O que aconteceu, amor? – pediu preocupado, afastando-se minimamente para poder olhá-la nos olhos. Depois olhou o bebê se certificando de que ele estava bem. – Ei – murmurou, limpando as lágrimas no rosto dela –, me diz o que aconteceu amor. Eu não posso fazer nada se não souber o que aconteceu.
Ela o abraçou com um pouco mais de urgência, ele retribuiu mesmo não sabendo a origem de todo aquele desequilíbrio emocional. De tanta angustia e fragilidade. Noah encostou a mãozinha no rosto da mãe, olhando-a sem entender nada.
De cabeça baixa, Alice tomou a iniciativa de falar, mesmo que apavorada.
– É tudo minha culpa... – devagar ela ergueu o olhar até encontrar com o de Emmett. – Ela me pediu para olhar o Noah enquanto ia lavar a chupeta dele... e eu errei. O deixei sozinho. Mas eu juro que não foi por maldade – apreçou-se nervosa, vendo o olhar de Emmett se tornar enraivecido. – Mas foi somente alguns segundos, minutos talvez... Heidi apareceu não sei de onde e o pegou – Alice engasgou com as palavras, morrendo de medo. – Ela saiu com ele, andando pela pracinha. Tomamos o maior susto quando não o encontramos. A Rose pensou que alguém o tivesse levado. O procuramos por todos os lados e Rose o encontrou com Heidi e desde então não quer falar comigo – ela soluçou realmente arrependida do que fez. – Quando estávamos voltando pra casa ela viu Royce passando de caro e... Acho que ficou com medo, não sei. Ela não fala comigo.
Emmett sabia o quanto a esposa temia aquele homem, e não era pra menos depois do que ele lhe fez. Se mostrando compreensivo beijou a testa da esposa e depois a cabecinha loura do filho. Rosalie ainda chorava, e Noah segurava uma mecha dos cabelos dela levando à boca.
– O que você tem na cabeça, Alice?! – ele esbravejou rispidamente.
– Eu já pedi desculpas... Não foi por mal. Não tive a intenção. Eu juro que nunca mais voltarei a fazer isso.
Alice não conseguiu encará-lo tampouco permanecer ali para mais explicações. Apavorada com a expressão no rosto dele, ela subiu as escadas correndo.
Emmett voltou-se para a esposa e o filho novamente. Retirou Noah dos braços dela, depois voltou a abraçá-la, lhe beijando o topo da cabeça.
– Está tudo bem... – sussurrou. – Eu estou aqui para cuidar e proteger vocês – Rosalie apertou os dedos no tecido da camisa sem mangas que ele usava. – Noah está bem e está com a gente. E Royce não vai voltar a se aproximar de você. Eu não vou permitir. Nunca. Está me ouvindo?! Nunca. Olha pra mim, Rose – devagar ela ergueu o olhar. Você confia em mim, não confia? – pediu. Ela maneou a cabeça afirmando. Ele lhe deu um beijinho rápido, e como sempre Noah resmungou.
Sentindo-se mais aliviada, ela ameaçou um sorriso e ergueu a mão para tocar o rostinho do filho carinhosamente.
Emmett a beijou novamente, porém, um beijo intenso dessa vez. Noah, resmungando, agitou as mãozinhas, mesmo sem intenção, acabou batendo no rosto dos dois. Como ninguém lhe deu atenção começou chorar.
– Que bebezão ciumento esse do papai, viu – brincou Emmett, beijando o rostinho do filho. – Não seja assim filhão. Tem que dividir a mamãe com o papai.
Naquele momento não houve medo que se sobrepusesse aos dois grandes amores de sua vida. Rosalie sorriu, embora em seu rosto ainda houvesse vestígios de lágrimas. Noah ergueu a mãozinha na direção do rosto dela novamente, e ela a segurou beijando seus dedinhos.
– Te amo – sussurrou Emmett, passando uma mecha dos cabelos dourados da esposa para trás da orelha.
– Eu também te amo – ela sussurrou em resposta.
Mesmo envolvidos em uma bolha pessoal, eles ouviram Alice erguer a voz e falar do alto da escada.
– Vocês me perdoam?
O casal ergueu o olhar seguindo a direção do som da voz. Depois de uma breve troca de olhar, responderam ao mesmo tempo.
– Só porque te amamos.
Alice sentiu como se um peso enorme fosse retirado de suas costas e o seu sorriso trazido de volta das sombras do medo. Ela abriu um sorriso, mesmo com lágrimas no rosto, um verdadeiro sorriso do gato de cheshire. No minuto seguinte, descia as escadas correndo.
Quando estava perto o bastante, os abraçou e teve o gesto retribuído com o mesmo carinho.
Fale com o autor