Amor Amigo
33 Capítulo 33 – Um Dia Especial
Tempos atuais...
O tempo passou e o amor daquela pequena família só crescera e solidificara. Os tornara ainda mais íntimos e maduros.
Noah estava cada dia mais bonito e mais traquino, também. Amava os pais com a mesma intensidade, mas seu grude com a mãe nunca mudou.
Rosalie retomou os estudos na época em que Noah estava com sete meses. Aplicada, logo depois entrou para faculdade. Ela ingressara na área de Serviço Social – assistente social – e está dando o melhor de si. Depois de tudo o que passou na infância, depois da morte dos pais. Sua conturbada e sofrida estadia no instituo, ela não pensou duas vezes quanto à escolha de sua profissão.
Quanto a Emmett. Ele está cursando administração. Como havia terminado o colegial quando decidiram se casar e tornarem-se pais, ganhou um ano à frente de Rosalie nos estudos universitário.
O interesse de Emmett era trabalhar com os Cullen administrando a rede de restaurantes da família. Com essa decisão, deixou o emprego no Pub para trás e passou a trabalhar meio período apenas, nos negócios da família, pondo em pratica o que aprendia na universidade.
A relação em família estava melhor que nunca. Eles cresceram muito como indivíduos e como pais. Tinham planos para terem mais filhos, mas, dessa vez, estavam decididos concluir os estudos antes. Rosalie vinha tomando todo o cuidado para evitar uma gravidez antes do final do curso. Mas, se acontecesse seria tão bem vindo quanto à gestação de Noah.
Entretanto, até agora, Noah mantinha seu reinado como filho único. Único neto, único sobrinho.
Era seu aniversário de três anos, a família e os amigos estavam todos reunidos na mansão para festejar a data tão especial.
O jardim inteiro estava decorado seguindo o tema da festa. Muitos brinquedos para recreação foram instalados sobre o gramado. A sala de jogos havia sido esvaziada para pôr as mesas dos docinhos e algumas para os convidados que optassem por não ficar no jardim.
A decoração fora inspirada no filme Carros, da Disney Pixar. O trabalho foi perfeito, deixando o jardim parecer uma replica do cenário do filme; a cidadezinha chamada Radiator Springs, e as rodovias. O bolo era uma reprodução saborosa do Relâmpago McQueen sobre uma pista de corrida.
Noah estava todo sorridente no colo do pai, com a mãe ao lado, enquanto todos cantavam os parabéns. Os olhinhos brilhando, e as mãozinhas batendo uma na outra assim como todos os convidados faziam.
Algum tempo depois, após muitas fotos, e saborear muitos docinhos, ele foi brincar com as outas crianças.
Violet e Noah haviam se tornado grandes amigos, estavam sempre brincando juntos ou ajudando um ao outro. Violet era um ano e meio mais velha, mas isso não afetava em nada a amizade dos dois. Com o tempo, ela ficou ainda mais parecida com a mãe – longos cabelos louros e olhos verdes, pele clara feito cera. Bastava desconhecidos os virem juntos, para imaginar serem irmãos.
De longe, Rosalie viu Violet segurar nas mãozinhas de Noah enquanto o chamava para brincar de roda.
– Viu só, ele é igualzinho ao pai – ela ouviu Emmett comentar atrás de suas costas, quando virou para ver com ele falava, o encontrou conversando com Garrett e Edward, que estava com a noiva Isabella. – Desde pequeno já sabe com qual mulher vai se casar – completou orgulhoso, recordando o passado.
– Não estou vendo nada disso – argumentou Edward. – Estou vendo apenas duas crianças brincando – sorriu.
– Cuidado com seu filho – avisou Garrett –, porque eu cuido e defendo a minha princesinha com unhas e dentes – ele sorria parecendo se divertir com tudo aquilo.
Um sorriso travesso surgiu nos lábios de Emmett.
– Quando eu era criança também só brincava com a Rose. Inocentes como erámos, fizemos até um pacto e juramos nunca nos separar. Acreditávamos ter nos tornado irmãos de sangue. Olha só que bobinhos. Mas quando chegamos à adolescência, aí a coisa complicou; meus sentimentos e os dela começaram a mudar completamente. Eu me apaixonei perdidamente, Rose demorou um pouco mais para entender o que sentia. Na verdade, acho que ela não queria aceitar que me amava não como irmão, mas como homem. Toda vez que eu a via mexer nos cabelos ficava com a maior cara de babaca e, sinceramente, fico até hoje.
Rosalie se aproximou e o abraçou meio que de lado, pela cintura. Emmett ergueu o braço e a trouxe para mais perto de seu corpo. Encostou os lábios nos cabelos dela e depositou um beijo demorado.
– A única coisa boa que encontrei naquele instituto, foi o meu Emmett – ela comentou. – E a segunda melhor coisa que fizemos juntos foi ter fugido de lá.
– E primeira qual foi? – perguntou Isabella, distraída.
Rosalie olhou para Emmett depois para Isabella, e então disse:
– O Noah.
– Ah, fala sério! – respondeu Isabella, envergonhada. – Eu deveria ter pensando nisso. Era óbvio, estava na cara.
– Boa, amor – elogiou Emmett, beijando-lhe a têmpora direita.
– Ai vocês dois viu – zombava Alice ao se aproximar de mãos dadas com Jasper. Depois de muito insistir, eles acabaram conseguindo a permissão de Carlisle para namorarem.
Do outro lado do jardim, Carlisle conversava com Esme, Carmen e Eleazar e mais um casal de amigos. Irina passeava com o namorado pelo jardim enquanto conversavam. Vez ou outra, uma criança passava correndo e esbarrava neles. Tanya, infelizmente, não pode comparecer; tinha viajado para Paris com o noivo, visitar a família dele. Mas fizera questão de deixar o presente de Noah com Carmen.
Rasalie ainda estava abraçada a Emmett, quando ouviu o choro estridente de Noah. Institivamente, tanto ela quanto o marido olharam na direção de onde vinha o choro. Ela se afastou de Emmett ao ver Noah caminhando em sua direção, aos prantos, com a mãozinha na testa.
Apressada, foi encontro dele e o pegou no colo. Verificou o local para ter certeza de que não era nada grave.
– Já vai passar amor – disse ela, beijando o local. Noah agarrou-se ao pescoço dela, encostando seus rostos um ao outro. Rosalie o abraçou, bem apertadinho. Emmett foi ao encontro deles, e aproveitou para verificar a testa do filho assim como a mãe havia feito.
– Dodói mamãe. Dodói... – Noah choramingou, fungando, encostando o dedinho na testa.
– Já vai passar amor – Rosalie tentou tranquiliza-lo enquanto limpava as lágrimas no rostinho dele, com a mão.
Toda vestidinha parecendo uma boneca, os cabelos louros soltos ao vento, Violet se aproximou.
– Ele bateu com testa na do outro garoto, tia Rose – dizia ela apontando na direção de onde estava o outro menino, que não deveria ter mais que nove anos. Filho de um dos amigos de Emmett, da faculdade.
– Oh meu Deus – murmurou Rosalie sentindo dó do filho, que ainda chorava. – Não chora amor – ela lhe beijou o rostinho. – Já vai passar. O dodói já vai passar.
Sem que estivesse esperando, Esme se aproximou trazendo uma bolsa de gelo.
– Bebê lindo da vovó. Não chora assim, meu amor – murmurou Esme, afagando as costas de Noah. Devagar encostou a bolsa de gelo na testa dele, que gemeu, talvez mais de dengo que de dor.
– Mamãe – ele murmurou dengoso. Rosalie beijou seu rostinho mais uma vez. – Papai? – pediu.
– Papai está aqui bebê – comentou Emmett. – Olha o papai aqui, pertinho da mamãe. Quer vir no colo do papai?
– Quelo – concordou entre uma fungada e outra, estendendo os bracinhos para Emmett.
Rosalie deixou que ele fosse com o pai, e aproveitou para pegar a bolsa de gelo que Esme segurava.
– Pode deixar que eu faço isso, mamãe. Obrigada – Esme entregou para ela, e antes de se afastar beijou o rostinho de Noah.
Carmen e Kate se aproximaram para saber se estava tudo bem. Como não era nada grave, eles voltaram a se distrair com a festinha. Música infantil soava alto pelo jardim. Muitas crianças brincavam, fazendo barulho e sorrindo.
Noah ainda estava nos braços do pai, mas já não chorava mais. Estava amuado, ficando sonolento. Rosalie não deixou que ele dormisse cutucando sua barriguinha.
– Noah. Noah olha para a mamãe, filho – ele abriu os olhinhos um tanto forçado, piscando para focar a imagem da mãe. – Não pode dormir bebê. Você bateu a cabecinha. Não pode.
Emmett beijou o rostinho dele, seguido de um cheirinho.
– Vamos brincar com o papai no carrinho do Relâmpago McQueen? Vamos, filhão?
Noah balançou a cabeça afirmativamente, sem demostrar muita motivação.
– Cadê o beijo da mamãe?! – Rosalie pediu. Ele fez um biquinho com os lábios e ela o beijou. – Coisa linda da mamãe. Eu te amo – completou cutucando a barriguinha dele, que se encolheu com carinha sapeca.
Ela deu uma piscadela para Emmett, e ele lhe sorriu em troca. Sem pressa, ele foi até onde estavam dois carrinhos motorizados. Inclinou-se colocando Noah sentadinho dentro de um, e lhe deu as primeiras instruções.
Um pouco afastada dos dois, Rosalie os observava com adoração. E quando Noah atropelou o pé do pai, com as rodas do carrinho, ela caiu na gargalhada. No momento seguinte, Emmett pulava em um pé só. Não porque estivesse doendo tanto assim, era mais para fazer o filho sorrir. E funcionou, Noah estava gargalhando gostosamente, com o pescoço inclinado pra trás, olhando a falsa expressão de dor no rosto do pai.
Quando voltou a firmar os dois pés no chão, Emmett tirou Noah de dentro do carrinho e o chacoalhou enquanto distribuía beijos por todo o seu rostinho. Algumas vezes intercalando entre o rosto e a barriguinha.
– Quem é o bebezão do papai? – pediu em meio à brincadeira.
Entre gargalhadas, Noah chamou pela mãe.
– Mamãe. Mamãe.
– Não vou te levar para a mamãe – contestou Emmett em meio a risos –, se você não me disser quem é o bebezão do papai.
– Noah – disse ele, gargalhando – é bebê da mamãe.
Novamente Rosalie gargalhou, só que dessa vez, da ousadia do filho.
No mesmo instante, Emmett parou de brincar fingindo estar triste. Pouco a pouco, Noah foi parando de gargalhar encarando o pai. Piscou os olhinhos cheios de lágrimas enquanto os lábios pendiam em um beicinho.
– Papai... – pediu, preocupado. – Papai – ele insistiu encostando a mãozinha no rosto de Emmett.
Rosalie então interviu. – Oh amor, não faz isso. Ele vai chorar outra vez. É aniversário dele, não faz isso Emm.
– É mentira do papai, filho. Papai não está triste, não. Ó – disse ele, abrindo um sorriso exageradamente grande.
Noah desfez o beicinho e imitou o sorriso do pai. Ambos ficaram se olhando, esbanjando sorrisos gigantescos com covinhas a mostra. Emmett começou a fazer caretas e Noah continuou imitando até que juntos caíram na gargalhada.
[...]
Horas mais tarde...
Depois que todos os convidados foram embora, e a família se reuniu à mesa do jantar. O casal se recolheu com o filho. O mesmo quarto de sempre. O bercinho de Noah ainda estava lá, vire e mexe ele acabava dormindo nele, meio apertado, mas, mesmo assim, insisteia.
O casal estava cansado do dia corrido com a festinha e os convidados, mas Noah, no entanto, não queria saber de dormir. Estava a todo vapor, correndo de um lado para o outro, destruindo as embalagens dos presentes que ganhara. Queria dar atenção a todos os brinquedos novos e acabava não sabendo o que fazer. Causando uma bagunça enorme no quarto.
Há cerca de dez minutos Rosalie tentava vestir nele o pijama, mas Noah insistia em correr de um lado para o outro, só de cueca. Depois do banho Emmett vestiu nele uma cueca boxer, com estampas de ursinhos, e ele ficou todo empolgado se achando um rapazinho.
– Vem pôr o pijama, filho – insistia totalmente fadigada.
– Não – ele se recusou, curvando as sobrancelhas. – Não quelo mamãe.
– Vem vestir o pijaminha para dormir gostosinho. Vem amor.
– Não, mamãe – ele bateu o pé no chão. – Eu góto assim.
Naquele instante, Emmett acabava de sair do banheiro, usando apenas uma cueca boxer preta. Noah correu para o lado dele buscando seu apoio.
– Eu tô igualzinho o papai – ele comentou feliz.
– É isso aí filhão – comentou Emmett, bagunçando os cabelos louros dele. – Fala pra mamãe que a gente prefere dormir assim. É mais confortável... E é coisa de homem. Pijama é coisa de mariquinha.
Noah, todo saliente repetiu.
– A gente góta assim, mamãe. Pijama é coisa de maliquinha – ele olhou para o pai novamente, erguendo a cabecinha para vê-lo melhor. – Noah e papai tá igualzinho – sorriu orgulhoso. Emmett tornou a bagunçar os cabelos dele, também sorrindo.
– Mas você é pequeno filho, precisa se agasalhar para não ficar dodói.
– Para mamãe – pediu com muxoxos de choro. – Eu quelo ficá igual o papai.
Emmett estendeu a mão, pedindo a de Noah.
– Vem filho, vamos desfilar para a mamãe. Assim ela acha a gente lindão e fica caladinha.
Com um sorriso traquina, Noah estendeu a mãozinha para o pai. Todo orgulhoso por estar usando uma cueca parecida com a dele.
De mãos dadas, pai e filho começaram a desfilar pelo quarto. Noah sempre imitando tudo o que Emmett fazia, enchendo-o de orgulho enquanto se divertiam juntos.
– Lindos! – Rosalie os elogiou, fingindo ser uma moça qualquer na plateia. Noah olhou da mãe para o pai, sorrindo, se achando o máximo. Feliz da vida por estar agindo igual ao pai.
– Agora filhão, manda um beijo pra mamãe – instruiu Emmett.
Noah beijou a palma da mãozinha roliça, soprando o beijo para Rosalie. A mãe coruja se ajoelhou na cama fingindo capturar, com ambas as mãos, o beijo no ar.
– Que beijo gostoso filho – disse ela, sorrindo.
Noah lhe sorriu de volta esbanjando as covinhas herdadas do pai.
– Oto, mamãe – disse ele, soprando outro beijo, com o rostinho feliz.
– Que coisa mais linda esse bebê da mamãe, meu Deus – murmurou Rosalie. – Coisa mais gostosa da vida. Vontade de morder todinho.
– E o papai? – pediu ele, olhando de um para o outro.
– O papai? – disse ela. – O papai é o bebezão e Noah é o bebezinho. Os dois amores da mamãe.
Balançando a mãozinha de Noah, Emmett pediu:
– E a mamãe é o que da gente, filho?
– Mamãe é nossa paxão – recitou Noah, olhando para ela, os olhos brilhando de adoração.
– Oh meu Deus que coisa mais linda – murmurou Rosalie lhe soprando um beijo. Olhando para o marido ela sussurrou, seguido de uma piscadela. – Te amo.
Emmett retribuiu, sussurrando em resposta:
– Eu também te amo.
Empolgado, Noah deixou os dois de lado e voltou a dar inteira atenção aos seus novos brinquedos. Enquanto corria para brincar com um, derrubava o outro pelo caminho e acabava tropeçando.
– Ai – lamentou Rosalie –, ele vai quebrar tudo.
Emmett se aproximou da cama, subiu no colchão e andou de joelhos até ficar ao lado de Rosalie. Afastou os cabelos dela dos ombros e depositou um beijo. Ela estava usando um pijama de seda que deixavam seus ombros completamente desnudos.
– Te amo tanto... – sussurrou ela, deslizando os dedos por entre os curtos fios de cabelo dele.
Emmett tornou a lhe beijar o ombro. – Te amo cada dia um pouco mais – sussurrou ao pé do ouvido, a voz cadenciada.
– Adoro quando vocês brincam juntos – confessou Rosalie com a voz suave.
– Eu adoro que você esteja por perto, se divertindo com a gente – disse ele após mais beijo no ombro dela.
O clima de romance entre o casal foi interrompido pelo barulho de brinquedos sendo atirados ao chão. No mesmo instante, ambos olharam na mesma direção procurando a origem do barulho.
– Acho que ele não vai dormir hoje – comentou Emmett.
– Ele está muito empolgado com tantos brinquedos novos. O pessoal exagerou dessa vez – acrescentou Rosalie olhando o filho brincar. Um tanto travesso.
– Enquanto ele brinca ali, nós ficamos impossibilitados de brincar aqui – murmurou, traçando caminho com a palma da mão nos ombros de Rosalie, que se arrepiava a cada toque.
– Esse é o preço que pagamos por ter um bebê em casa – disse ela, levando na brincadeira, beijando-o levemente nos lábios.
– Sendo assim, acho que vou dormir – declarou ele, cansado.
Com um toque suave, Rosalie lhe afagou o rosto.
– Dorme bem, amor. Eu vou ficar mais um tempinho de olho nesse pentelho serelepe. Quem sabe ele não se cansa e vem dormir.
– Não quer que te ajude a fazê-lo dormir?
Ela balançou a cabeça negativamente. – Não precisa. Pode dormir. Eu vou deixar ele brincar mais um tiquinho.
– Tem certeza, depois não vá dizer que sou um pai que não colabora.
– Não sei de onde você tirou isso, Emmett – queixou-se, espalmando a mão no rosto dele. – Vai dormir, vai. Acho que o sono já está afetando seus neurônios – empurrou o rosto dele com a mão. – Vai dormir.
– Tudo bem, eu vou dormir mesmo. Mas se precisar de ajuda com a ferinha aí, é só me cutucar.
– Só cutucar – disse ela, com deboche. – Sei...
– Qual é Rose. Eu acordo, sim. E se for o caso de eu não acordar, me derrube da cama.
– Estou brincando ô cabeção.
– Boa noite – disse ele, inclinando-se pra frente, beijando de leve o canto dos lábios dela.
Emmett se deitou enquanto Rosalie ainda o observava. Ele se remexeu um pouco até encontrar a posição correta de seu sono. Rosalie rolou os olhos vendo-o se esparramar inquieto. Quando enfim ele ficou quieto, ela o cobriu com o edredom até a altura cintura. Inclinou-se pra frente e depositou um beijo nos músculos das costas dele, antes de voltar à atenção inteiramente ao filho.
Noah estava agora gritando como se fosse um ninja. Ele brincava com dois bonecos, desses que parecem algum tipo de super-herói, vez ou outra fazia sons com a boca como se algo estivesse quebrando.
– Vem pôr o pijaminha, vem filho – pediu Rosalie, com um suspiro cansado.
Ele sacudiu a cabeça, balançando os cachinhos dourados, das pontas de seus cabelos.
– Não, mamãe. Eu tô bincando.
– Vem amor. Ó o papai quer dormir e você está fazendo barulho. Ele vai ficar chateado.
Noah esticou o pescoço tentando alcançar a figurado pai, deitado na cama.
– Papai já domiu, mamãe. Ó já domiu – ele constatou, com o dedinho indicador erguido no ar.
– Ele está com soninho. E a mamãe também amor. Olha, o seu gagauzinho está esfriando. Vem filho – disse ela, estendendo a mão na direção da mamadeira, que estava sobre a mesinha de cabeceira.
– Não quelo... – choramingou.
– Vem Noah – ela implorou. – Mamãe está caindo de sono, bebê. E ainda preciso acordar cedo pra ir pra faculdade. Você vai ficar brincando com a vovó, e eu estarei caindo de sono.
Ele se recusou mais uma vez, balançando a cabeça negativamente.
Rosalie suspirou. – Ok, mamãe não queria ter que fazer isso, mas já que o bebê não obedece – Noah a olhou, preocupado. Ela soube que logo venceria o jogo. – Eu vou apagar a luz e você vai ficar aí sozinho no escuro. E o lobo mau, xi, nem sei onde deve estar essa hora.
– Não – pediu, com carinha de choro.
– Não – repetiu Rosalie. – Então vem pra mamãe vestir seu pijaminha. E tomar a mamadeira. Vem logo.
– Não góto de pijama, mamãe. Góto igual o papai.
– Então vem pôr só a fralda.
– Não – recusou-se novamente, dessa vez com a mãozinha na cueca, como se estivesse protegendo-a.
Emmett se remexeu embaixo do cobertor, e sua voz soou autoritária.
– Noah, já chega. Obedeça a mamãe.
Noah fez beicinho, mantendo os olhinhos vidrados nas costas do pai.
– Viu só, o papai não gostou – avisou Rosalie. – Vem com a mamãe pro papai não ficar bravo, vem amor.
Noah continuou sentado no chão, com o pescoço erguido, tendo o rostinho choroso. Os bonecos haviam sidos abandonados no chão, de qualquer jeito.
– Está bem, então não vai dormir com a mamãe. Pronto acabou – resmungou ela, deitando ao lado de Emmett. Antes mesmo que pudesse fingir que estava dormindo, Noah começou a chorar chamando por ela.
– Mamãe. Mamãe...
Rosalie sentou na cama novamente. O quarto ainda estava iluminado.
– Oh amor não chora, não – ela abriu os braços. – Vem com a mamãe vem. Eu vou apagar todas as luzes daqui a pouco – avisou.
Chorando, Noah ficou de pé. As duas mãozinhas apertando o pintinho, como se estivesse segurando para não fazer xixi ali mesmo.
– Quer fazer xixi, filho?
Ele balançou a cabeça afirmativamente. Rosalie saiu da cama, foi até onde ele estava e o pegou no colo. No banheiro, retirou a cuequinha dele e o colou de pé em frente ao troninho.
– Segure o pintinho igual o papai ensinou filho – instruiu, de pé ao lado dele.
Ainda chorando, Noah segurou o pintinho, mas errou a mira. Rosalie acabou tendo que ajudá-lo.
– Mamãe... – ele choramingou olhando pra ela.
– Não chora amor. Mamãe não vai te deixar sozinho no escuro. Era brincadeira. Chora, não.
Ela o pegou no colo novamente e se aproximou da pia para lavarem as mãos. Voltou com ele para o quarto e o colocou peladinho deitado na cama.
– Papai – ele murmurou, entre uma fungada e outra, encostando o dedinho indicador nas costas de Emmett, enquanto Rosalie lhe colocava a fralda. Não era frequente, mas vira e mexe ele ainda fazia xixi na cama. Ela preferia prevenir a ter que acordar com os lençóis molhados.
– Ele não está bravo não, filho.
Noah sentou na cama e engatinhou até chegar perto do pai. Se jogou sobre o corpo dele e lhe beijou o rosto. De olhos fechados, Emmett esboçou um sorriso.
– O bebê vai dormir agora? – pediu ele, com a voz carregada de sono.
Noah balançou a cabeça afirmativamente. Emmett lhe beijou a mãozinha roliça. Rosalie o pegou, e vestiu nele a blusinha do pijama.
– Vem mamar, vem filho – ela pegou a mamadeira com uma mão e com a outra, trouxe Noah para seu colo. Recostou-se aos travesseiros e entregou a mamadeira para ele, que se aconchegou ao colo levando a mamadeira à boca.
Ele ficou quietinho segurando a mamadeira com uma mão e a outra estendeu para tocar o rosto da mãe. Fez um leve carinho no queixo de Rosalie, e passou a piscar os olhinhos em um ritmo cada vez mais lento.
Rosalie beijou a mãozinha, enquanto lhe acariciava os cabelos, deslizando os dedos por entre os cachinhos nas pontas. E quando ele terminou, ficou dormindo grudadinho a ela.
Pouco a pouco também foi ficando sonolenta, mas ainda pode sentir os braços de Emmett envolvendo-a, por trás, em um abraço gostoso. Sentiu o calor dos lábios dele quando lhe beijou a nuca. Ela ergueu a mão por sobre o ombro e lhe afagou o rosto.
Tarde da noite, no silêncio que se instalou no quarto ambos dormiram tranquilamente.
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