Amor à segunda vista
10 Segure a minha mão esta noite
Há dias que não vejo Hinata, nem sei se ela ainda está em Tóquio. Meus pais estão inconsoláveis, acho que tudo isso abalou a amizade deles. Afinal, quem gostaria de saber que seu melhor amigo não aprova seu filho? Meu pai certamente não. Diante disso, parece que todos estão de luto nessa casa, eu por perder Hina sem nem poder lutar e, meus pais, por praticamente perderem uma amizade de anos.
Pelo que parece, a mãe de Hinata que argumentava a meu favor, para que a filha frequentasse minha casa e convivesse comigo. Já Hiashi-san, bom, ele não gosta tanto assim de mim como eu pensava. O pior de tudo isso, é nem ter a certeza de que Hina está por perto ainda e, se ela foi embora, nem pude me despedir. Sinto um nó se formar na boca do meu estômago instantaneamente, a verdade é que, estou completamente perdido sem minha hime, é que eu não sei o que fazer sem minha Hyuuga dos olhos de lua, é que eu preciso dela aqui, comigo. Sempre precisei, isso não mudará. Sem ela eu não sou nada.
Sofro. Sofro ao constatar que a tive por perto em todos os anos da minha vida e, por um capricho do destino, ou de Hiashi, eu a perdi. Como viver? Como aceitar?
Sofro, sofro ainda mais por saber que não fiz nada para impedir, eu a deixei ir. Será que Hinata já saiu de Tóquio? Como ela se sente agora? Estaria melhor sem mim?
Sofro, sofro por saber que talvez não a veja mais; pior, a hime pode encontrar alguém melhor que eu, assim como o pai dela disse.
Alguém melhor que eu fará Hinata feliz, mas o meu mundo é dela.
Então eu choro, choro para expurgar toda a raiva crescente dentro de mim. Ódio, ressentimento, culpa; tudo isso por não ter feito nada para impedir essa catástrofe que se abateu sobre mim. Sobre nós. Choro por saber que eu a perdi, mas será que eu a tive algum dia? Quase esperneio comigo mesmo, sentindo ainda mais raiva de mim, cada vez mais.
A dor chega a sufocar meu peito, eu mal consigo respirar. Parece que meu castelinho de areia está desmoronando, logo agora que eu o adornei; ondas imensas o atingiram e ele foi ao chão. Dramático, eu sei. Porém, é como me sinto. É como dizem; o primeiro amor deixa marcas em nossos corações, principalmente, quando este advém de uma amizade intensa. Como é o caso meu e da hime. É que eu não sei mais ficar sem ela, meu mundo sem aquela Hyuuga parece não ter mais cor, é tudo tão cinza. Muito embora, eu saiba que não poderia intervir na decisão final de Hiashi, algo em meu interior se contrai, sempre que me lembro da forma que Hinata me olhou, como se me pedisse socorro. Mas, eu não a socorri.
Suspiro.
A ampulheta do nosso relacionamento indica que o tempo a acabou, ela se foi; o que restou é saudades. Sinto apenas o gostinho do que já foi um beijo, como se a doçura dos lábios de Hinata ainda estivessem nos meus. Me confortando, ou me torturando, não tenho certeza do que.
Dói, dói aqui dentro, uma dor aguda, bem no centro do meu coração. Eu precisava de mais tempo, eu queria mais.
Tempo, tudo que não tive com ela. Aliás, talvez eu tenha tido; afinal, somos amigos de infância. No entanto, todos esses sentimentos só afloraram há pouco, não posso me culpar por isso. Ainda sou inexperiente, tenho muito o que aprender, mas, de uma coisa eu sei, de uma forma ou de outra; Hinata sempre foi importante demais para mim. Preciosa demais para mim.
— Naruto! — ouço me pai quase berrar do andar de baixo.
Por Kami, ou por sei lá qual força superior regente deste universo, eu não posso ter um momento de paz se quer? Só quero me lamúriar aqui, sozinho. Nem isso tenho o direito? Eu só quero sofrer comigo mesmo, sabe quando você planeja tudo de cabeça, só que o desfecho não sai nada como o planejado? Pois é, assim que me sinto. No entanto, percebo, desde já, que meu pai não preza minha sanidade mental; se prezasse, por certo não estaria me gritando agora, como se o destino do mundo dependesse de mim! Porém, sou filho dele e, como tal, preciso obedecê-lo, mesmo quando quero gritar a plenos pulmões que me deixem ter um pouco de sossego.
Hinata entrou no meu coração de sapato e tudo, só o que quero é poder ficar aqui, com ela. Nem que seja em meus próprios pensamentos. Só uma pessoa pode me fazer feliz e é ela, Hinata Hyuuga.
— Naruto, pelo amor de kami! — dessa vez é minha mãe.
— O que foi, mãe? Será que posso sofrer em paz, ou até mesmo isso me será negado? — me revolto e meus olhos passam pelo meu pai, depois voltam para a mulher chorosa à minha frente. — O que aconteceu agora? — meu coração fica pequenino como um grão de feijão.
Não vou suportar nada além do que já me aconteceu. Meu coração já está dilacerado.
— Naruto, você precisa encontrar Hinata na rodoviária, antes que ela saia de Tóquio. Nós estamos indo ao hospital, os pais dela sofreram um acidente grave, estão entre a vida e a morte. Você precisa confortar essa menina.
Mal tenho tempo de assimilar, não penso, não raciocino. Só saio de casa como um furacão, louco, sem nem saber ao certo para onde devo ir. Por que isso está acontecendo?
Meu pai não me impede, pelo contrário, só recebo algumas coordenadas em meu celular e; por fim, sei aonde devo estar. Ao lado da minha Hyuuga. Contudo, mesmo indo ao encontro dela, não sei o que irei dizer. Que acidente foi esse? Como assim? Por que tudo isso está acontecendo com a garota mais doce e encantadora que eu já conheci na vida? E Hanabi? Tão pequena e indefesa, por Kami, que nada aconteça aos pais delas é só o que peço!
Tento contatar Hinata, sem sucesso, por certo Hiashi tomou providências para que eu não me aproximasse dela, óbvio. Injustiça, só o que passa pela minha cabeça.
Me movo por osmose, apenas pela lembrança de como se anda, meu coração jaz na boca. Ansioso por notícias, boas notícias, acredito que em breve eu as terei. Nada há de acontecer, eu encontrarei minha hime e ficarei ao seu lado frente a qualquer obstáculo ou dificuldade. Tudo vai dar certo, não é mesmo? Ao menos é o que mentalizo sem parar, me apego a essa centelha de esperança para seguir procurando. Não quero, nem posso ver Hinata triste. Os pais dela ficarão bem, eu creio nisso.
Depois de especular de onde sairá o transporte que partirá em sentido a Kyoto, torcendo infinitamente para Hinata estar nesse ônibus. Rezando para ela não ter ido embora ainda, me abandonado.
Dou de cara com o ônibus parado, o motorista já na direção, pronto para sair. Corro até ele e, antes que a porta se feche, entro enlouquecido, focando meus olhos em todos os rostos do local.
— Me desculpe, preciso encontrar alguém. — faço uma pequena mesura para o motorista, para que ele não me expulse do ônibus.
Então, como em milésimos de segundos, dois olhos perolados e vermelhos fitam os meus. Sinto-me enrigecer imediatamente, ela está chorando.
Corro até Hinata, sem me dar conta de que todos me fitam, curiosos, questionadores, julgando-me, talvez. Não sei precisar, não me importo.
— Hime! — ela se joga em meus braços e desata a chorar ainda mais.
Afago seus cabelos, acalmando-a em silêncio.
— Shii... Eu estou aqui. — aperto-a ainda mais contra mim. — Tudo vai ficar bem.
— Ei, nós precisamos ir. — o motorista se levanta e vem em nossa direção.
Diversos pares de olhos nos escrutinam, por certo, questionando o porquê de todo esse drama.
— Podem partir, obrigado pela compreensão. — faço outra mesura e puxo Hinata pela mão, delicadamente. — Ela vem comigo, houve um engano aqui.
— Tudo bem. — o estrangeiro responde em um japonês carregado de sotaque e dá de ombros, voltando para a direção.
— Naruto... — ouço um sussurro, assim que estamos fora.
— Hime, eu... — as palavras não querem sair. — Você precisa ser forte. — respiro fundo, lendo a mensagem que acabou de chegar em meu celular.
Meu coração quebra em mil pedaços imediatamente, eu já sinto a dor de Hinata, de Hanabi. Não posso lhes dar essa notícia, não assim, só o que consigo fazer é puxar Hinata para mim, tentando, inutilmente, transferir minha força para ela. Para que Hinata suporte o que virá a seguir. Enquanto os pais de Hinata vinham atrás da filha mais velha para impedi-la de partir rumo à outra cidade, o destino fora mais rápido, ceifando a vida do patriarca dos Hyuuga. Ou seja, minhas palavras não serão suficientes para confortar o coração de Hinata nesse momento. Infelizmente, quisera eu, poder tirar-lhe toda a dor que essa perda por certo causará. Mas sou impotente, só posso abraçá-la e enxugar as incontáveis lágrimas de tristeza que escorrem por seu rosto. Assim que, finalmente, consigo lhe contar o porquê de eu estar aqui.
Mantenho-me firme, forço-me, aliás, por Hinata, tão somente por ela e ninguém mais.
Eu preciso ser seu porto seguro.
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