Among the Shadows

32 Capítulo 32 - Ataque inesperado


Notas iniciais
Hey! Dessa vez eu nem demorei muito... Acho que finalmente me livre dos meus bloqueios ( tanto que até fiz um planejamento pequeno para organizar minhas ideias e relacionar com a série) Enfim, ultimamente vocês estão bem mais calados que o de costume, tanto que acho que fui abandonada e estou falando sozinha e escrevendo para o nada. Por favor, me contem o que estão achando, apareçam em pequenos comentárioszinhos só para que essa autora aqui fique mais feliz. Enfim, espero que ainda leiam a fic. Boa leitura, espero que gostem

POV Allyra

Até então os planos ocorrem da melhor maneira possível. Os grupos se reúnem em uma clareira para acertar os últimos detalhes. Os líderes de cada grupo checam as armas, as barreiras nos carros e revisando as formações. Observo de longe, encostada em Daryl, o discurso de Maggie, Rick e Ezekiel.

—Como você está com tudo isso?- pergunta Daryl e eu me viro para olha-lo nos olhos.

—Não é minha primeira guerra- digo e ele cruza os braços me analisando.

—É claro que não é. Mas acho que é a primeira contra seu próprio pai, Allyra- diz sério e eu sorrio de lado diante de sua preocupação.

—Vai dar tudo certo, Daryl- digo me aproximando e o abraçando. Acredito que seja meio errado estar ignorando o discurso bem feito do pessoal, mas sei o que eles estão falando, de qualquer forma.

—Odeio você-resmunga finalmente passando o braço ao meu redor de maneira tensa. Não importa o quão juntos estamos, na frente das pessoas ainda é algo tenso. É quase fofo que ele trave desse jeito.- Odeio que esteja nas linhas de frente e que me deixe preocupado. Antes de você eu não tinha que me preocupar tanto.

—Antes de mim você não era tão feliz- devolvi me afastando e o encarando. Levanto na ponta dos pés e chego a seu ouvido – Nem tinha tanto sexo.

Ele se afasta e me olha meio chocado, o que me faz cair na risada.

—Idiota-resmunga e me puxa de volta para o abraço.

—Também te amo- digo me encostando melhor nele.

Aos poucos o entusiasmo se apodera do pessoal e sei que é hora de seguir em frente com os planos. Viro-me em um rompante e roubo um beijo de Daryl, me afastando em seguida, sabendo que ele está com aquela cara tímida meio brava de sempre.

—Tome cuidado, guarda sempre alta, chegue em Hilltop em segurança- digo para Maggie que me abraça com força.

—O mesmo para você, Lyra- diz me abraçando- Meu bebê precisa de uma madrinha.

Aceno em concordância, apertando os lábios enquanto a promessa a Glenn passa por minha cabeça, depois seguindo até o carro, onde Sasha me espera.

(...)

Percorremos o caminho até o nosso posto avançado sem problemas. Odeio estar afastada de Daryl em mais uma missão, mas sei que ele e Rick formam uma dupla implacável. Encontro com o resto do grupo nas proximidades do local, e entramos com os carros juntos e de repente. Os salvadores são pegos de surpresa, e usamos isso ao nosso favor, saindo do carro e atirando, todos protegidos por nossas barreiras.

Não nos preocupamos em ganhar muito espaço, não quando o plano principal é utilizar os caídos do lado de lá. Eles nem sequer veem a merda chegando a eles.

—Allyra, não é?- grita uma mulher, e eu reconheço a voz com a de Liane. – A vadia a casa retorna

—Hey, querida- grito de volta, girando e atingindo o cara ao lado dela no coração. Ela me olha puta e eu dou uma piscadinha.

—Negan vai acabar com você- ela grita, cheia de raiva e rancor, o que só me faz tentar atingi-la com mais empenho. A mira está comprometida por diversas barreiras.- Eu sempre soube que você era uma traidora de merda. Sempre soube que não merecia o carinho que ele te dava.

—Qual o problema, Liane? Queria o pai pra você?- grito de volta, e utilizo da distração de alguns deles para avançar atirando. Aaron me olha bravo e eu movo os lábios falando um “ confie em mim” sem som. Ele acena em concordância.

—Adoraria chama-lo de daddy, se me é que me entende.- diz e eu rolo os olhos.

—Pena que ele não te quis pra ser uma das putas dele.- digo observando-a por um reflexo. Só preciso que ela se descontrole um pouco. Não vejo seu irmão traiçoeiro em nenhum lugar, e espero que esteja morto.

—Todos sempre disseram que você é uma tempestade ambulante, mas na verdade é só uma garota mimada que está contra o papai- grita de volta e se ergue atirando. Um deles passa de raspão em Aaron e eu sinto o ódio típico passando por minhas veias, pegando fogo. Aperto a arma com mais força e espero que ela recarregue.

Ergo-me assim que a abertura que preciso se abre e atiro contra ela, atingindo-a no ombro e em seguida na mão. A arma cai e o desespero atinge seu rosto conforme vê os mortos se erguendo do seu lado. Muitos deles. Salvadores despreparados caem um atrás do outro, e nós paramos com os tiros aguardando. Ela é cercada e mordida. Os que estavam dentro da construção fuleira saem em apoio, mas também caem.

Assim que praticamente todos estão mortos entramos em ação novamente, limpando o lugar com tiros certeiros. É tudo questão de minutos. Pulo a barreira com arma em mão e ando por entre os mortos, observando se alguém ainda respira. Não o fazem, anão ser Liane.

—Meu irmão vai acabar coma sua raça- ela cospe sangue e fixa os olhos nos meus. Me lembra um pouco uma criminosa amargurada que capturei antes dessa merda toda.

—Elian não tem peito suficiente para isso, Liane- digo com sinceridade, apontando a arma para sua cabeça. Levando em consideração que ela e o irmão são os maiores torturadores do lugar, suponho que ela merecesse permanecer vive em dor até o ultimo suspiro, mas ao fazer isso eu estaria dando um passo para mais perto da linha de perigo, aquela cuja passagem é perigosa.

Respiro fundo e atiro. Solto a respiração devagar, olhando os corpos ao meu redor. Até onde é apenas sobre sobreviver? No final das contas eu sempre estive dançando na borda dessa linha. Matar não é algo novo pra alguém que trabalhava em linha de frente o FBI, apesar de que as mortes eram bem mais raras do que no fim do mundo. A conscistencia daquilo era prisão.Até onde não é prazer por morte? Suspiro cansada e empurro as reflexões para o fundo da mente.

Faço sinal para Aaron e Tolby e seguimos para a construção armados e preparados para qualquer eventualidade. Observo Sasha guiando um pequeno grupo em reconhecimento pelo lado exterior.

Apesar de um cara que surgiu do nada, pulando em cima de mim, em desespero para fuga, a exploração lá dentro é tranquila e como o esperado conseguimos muitas armas e munições. Carregamos todos os carros rapidamente, sem deixar uma bala sequer para trás.

—Seguimos para o próximo ponto de encontro?- pergunta Aaron e eu aceno em concordância, esperando que tenha dado tudo certo com o grupo de Daryl e Rick.

Todos entramos em nossos respectivos carros e seguimos.

—Nós nunca falamos sobre tudo o que aconteceu- murmura Sasha ao meu lado e eu me viro meio confusa- Você sabe, sobre Negan ser seu pai.

—Não achei que falaríamos- digo franzindo a testa.

—Sei que alguns te culpam, e te olham como se tudo fosse sua culpa- diz e eu me limito a acenar, com os olhos fixos na estrada. – No inicio te culpei também. Não engoli muito bem quando nos explicou em Hilltop, ou como voltou viva mesmo que Glenn tivesse morrido na missão.

—Direito seu- digo sem emoção, mesmo que por dentro algo chegue a doer.

—Erro meu- corrige e eu me viro para olha-la.- Passei tempo suficiente nesse mundo para entender as coisas e saber que é um absurdo culpar alguém pelas ações de outra, não importa se o sangue é o mesmo. Você merece respeito e vem salvando nossa bunda sempre que possível. Desculpe por isso. Eu estava cegada pela morte de Abraham.

—Uma pessoa que você ama morreu e eu era alguém que você poderia culpar. Eu entendo- digo com sinceridade, olhando-a de lado- Obrigada por mudar de ideia.

Ela acena em concordância. O resto do caminho ocorre em silêncio.

(...)

No ponto de encontro estão Daryl, Rick e seu respectivo grupo. É um dos menores.

—Armas?- pergunto assim que desço do carro, sabendo que aqui é onde as armas de maior potencia ficam.

Rick nega com a cabeça e só então noto que está com um bebê nos braços.

—Não haviam armas- responde e eu soco o carro frustrada

—Era para estarem aqui, merda- xingo e Daryl segura minha mão antes que o segundo soco ocorra.

—Vamos acha-las, Little Monster.- diz e eu me viro para ele com cara de descrença.

—Allyra- Rick me chama e eu me viro para escuta-lo- Você por acaso saberia de quem é o bebê?

—Eu? Não- respondo com sinceridade e ele me olha com um olhar descrente- Desculpe Rick, eu sou filha do Negan mas não sei de todos os capangas dele e seus respectivos nenéns.

—Acho que matei o pai dela- diz e eu suspiro com pesar.

—Muito possível. Não acho que os pais dela a mandariam pra cá atoa- digo com sinceridade e ele suspira.

—Temos de leva-la para Hilltop- diz e eu aceno em concordância.

—Podemos fazer isso- diz Aaron e se move para pega-la com carinho- Eric está machucado e preciso leva-lo para lá mesmo.

—Otimo.- diz e se volta para resolver outras coisas.

—O que há?- pergunto a Daryl que olha para o nada sério.

—Matei alguém- diz e eu o olho questionadora.- Alguém que foi do meu grupo a muito tempo atrás. Estava com a arma apontada para Rick e eu nem sequer parei para pensar no que estava fazendo antes de disparar minha flecha em seu crânio.

—Resultados de uma guerra- digo e pego em sua mão, em sinal de que estou aqui.

Os grupos são divididos novamente, alguns seguindo para Alexandria para dar noticias a Mich e Carl. Aaron e Eric seguem para Hilltop. Dois carros seguem para um ponto de encontro com John e eu e Sasha seguimos para o pessoal do reino, junto com Rick e Daryl.

Encontramos um Ezekiel feliz diante do fato de que não perdeu ninguém nas intensivas. Sorrio também, satisfeita. Ele dispensa parte dos lutadores, mandando-os de volta para a comunidade, enquanto a outra parte segue em frente para o ultimo posto avançado a ser derrubado.

Seguimos a pé, uma vez que esse ultimo se encontra no meio de um a mata razoavelmente fechada próximo daqui. Outras pessoas levam nossos carros. Paramos próximos a cerca, analisando as entradas bem fechadas.

—Acho que podemos tentar pelo portão principal- diz Rick e eu aceno em concordância. As entradas laterais não seriam uma boa de onde estamos, pois teríamos que dar a volta.

Assim que passamos o primeiro portão, adentrando em uma espécie de garagem e seguimos com cautela por todo o complexo mal iluminado. A maioria deles está alheia a tudo, reunidos em uma sala jogando poker e bebendo. Se resumem a vinte homens, que caem diante de nossa ofensiva de tiros. Sasha acaba com os vigias da outra ala com tiros a distancia e certeiros. Os outros quatro são encontrados pelos corredores. As armas de alto poder estão aqui e suspiro aliviada diante disso.

Daryl,Rick e Carol seguem para as próximas salas conferindo se há mais alguém e eu, Ezekiel e Sasha ficamos para trás conferindo as armas e provisões.

Voltamos juntos para a garagem, carregando caixas. Metade em cada jipe, que usaremos para sair dessa espelunca. Estou colocando uma caixa na traseira do jipe quando as coisas acontecem rápido demais para eu processar.

Sasha me entrega uma caixa quando o portão da garagem é aberto bruscamente e a próxima coisa que processo é o barulho de tiros, sangue espirrando em meu rosto e Sasha caindo em cima de mim com um buraco na cabeça. Caio para trás, surpresa e atordoada, em um emaranhado de caixas de armas e sangue. O corpo dela pesa sobre o meu e eu fico imóvel quando ouço vozes gritando por mãos ao alto. Reconheço vagamente a voz como de Elian, mas estou perdida demais processando a morte de Sasha e o sangue que continua a pingar em mim, quente e viscoso. Trinco os dentes e me obrigo a ignorar tudo isso. Arrasto-me silenciosamente pelo chão, abrindo a caixa mais próxima a mim

—Então vocês que vieram acabando com os postos de Negan?- diz com desdém. Não consigo ver os meus de onde estou.

—E quem é você?- resmunga Daryl e sei pela distancia da voz que está abrigado atrás de alguma caixa.

—Elian, ou Negan se preferirem- responde eu aperto os dentes um pouco mais. – Uau, é realmente uma delicia surpreender vocês. Simon estava certo sobre isso. Allyra está por aqui também? Faz tempo que não a vejo. Sinto falta de ver os cabelos ruivos dela por ai.

Reviro os olhos para mim mesma, e sigo para a outra caixa. Abro-a em silencio e sorrio ao ver seu conteúdo.

Os tiros trocados recomeçam, agora com o meu lado revidando, mas eu fixo os olhos no jipe mais próximo da entrada, carregado pela metade, que está na linha de alcance deles. Elian veio pelas armas, obviamente, e nos fez afastar do primeiro jipe. Um dos salvadores entra e da a partida. Com a cobertura dos outros ele consegue começar a sair da garagem.

Xingo baixo sabendo que vou ter de ir para a linha de tiro, apoio a bazuca no ombro e me ergo com a pistola em mãos, atirando nos que estão no meu caminho. Jogo a pistola no chão e uso minha força toda pra atirar com a bazuca apoiada no ombro. A intensidade do tiro me faz dar dois passos para trás, e o jipe explode, acabando com a chance de armas saírem daqui. Com a explosão vários salvadores são atingidos, alguns por destroços, outros labaredas, e essa é a abertura para Daryl, Rick e Carol voltarem a atirar. Ezekiel também se junta. Com o caos eles ganham vantagem e acabam com os salvadores que permaneciam aqui dentro.

Nossa sorte estava no fato de que a formação estava toda do lado de fora, assim foram atingidos pela explosão de alguma maneira. Os que estavam aqui dentro são derrubados por tiros.

Coloco a bazuca no chão com uma careta. Um destravar de arma perto de mim me faz virar em um pulo para encontrar Elian com uma arma apontada para a minha cabeça.

—Ah querida, você é sempre uma explosão- diz e os olhos me encaram daquela maneira maliciosa e nojenta- Pena que vai morrer assim.

—Mesmo?- pergunto olhando-o séria com certo descaso. Os outros estão ocupados mais a frente.

—Mesmo com todo esse sangue no rosto...Devo dizer que você me tira o folego, Allyra- diz e eu ameaço pegar a arma- Não. Arma no chão.

Ergo as mãos em rendição, pegando minha segunda arma na cintura e jogando no chão. O pessoal finalmente aparece, apontando armas.

—Podem atirar em mim, mas mato ela antes de morrer- diz e soa meio louco para mim.

Eles hesitam por um momento, mas abaixam a arma. Sei que estão estudando o que fazer. Vejo os olhos de Daryl brilharem em ódio.

—Lança no chão — diz voltando a me olhar, arma mirando minha cabeça. –Nada pessoal, Allyra. Sabe como é a historia. Eu nunca perco, menos ainda para garotas.

Aceno em concordância e movo as mãos para a lança.

—Sabe como é a historia, né?- digo pegando a lança lentamente.- Para mim você vai perder, por diversos motivos.

—Mesmo?- pergunta com descaso e certa ironia.

—Mesmo.- concordo tirando a lança do suporte com movimentos lentos.- As historias que o pessoal espalha são verdade. Eu tenho mais que olhos revoltos.

Ele ri e essa é a distração que eu precisava. Seguro a lança melhor e atiro em seu peito com toda a minha força. A ultima coisa que ele faz é me encarar com olhos surpresos e engasgar com o próprio sangue, caindo para trás em seguida.

—Arda no inferno, diabo- resmungo seguindo até ele e puxando a lança de seu peito.

Daryl chega até mim em um piscar de olhos e me ergue do chão em um abraço apertado inesperado, principalmente pelo fato de terem tantas pessoas na sala.

—Só me mata do coração- resmunga me apertando contra si. O abraço de volta com força.

—Tem gente por perto, você sabe- digo baixinho e ele me põe no chão lentamente.

—Não me importo- diz e me beija. Retribuo, mas não é nada intenso e fundo. É só para ver que ambos estão ali.

Nos afastamos rapidamente e eu tenho a oportunidade de olhar ao redor. Todo o grupo do reino que permaneceu na missão está caído no chão, exceto por três caras, Jerry e Ezekiel. Meu coração se aperta diante de tanta perda. Ezekiel está abalado, abaixado junto ao seu povo. Sasha está caída ao lado do segundo – e ultimo carregado – jipe. Lembro-me de seu sangue em mim, e do quão rápido sua vida se esvaiu e me sinto enjoada.

Ninguém sabe o que dizer diante disso, então ficamos em silencio. Carol também está cheia de sangue, mas parece bem. Colocamos todos os corpos em outros veículos, para que recebam funerais apropriados.

—Sinto muito- digo me aproximando de um Ezekiel silencioso e afetado. Ele ergue os olhos negros para mim de maneira triste.

—É como você sempre disse, Allyra. Guerra trás perdas- diz baixinho e eu aceno, me movendo para abraça-los- É por isso que nunca quis entrar em uma com ele antes.

—Sinto mais ainda em dizer isso, Ezekiel, mas é só o começo.- digo solidária e ele acena em concordância.

—Eu sei.- responde e então nos afastamos. Jerry ajuda-o a entrar no carro. Carol segue-os em seguida, entrando em outro caminhonete.

Daryl me puxa para o jipe, e vejo Rick em outra caminhonete, o corpo de Sasha na parte de trás. Vamos enterra-la junto com Abe. Os carros seguem juntos para a rodovia, passando pela fumaça do jipe destruído lá fora, os corpos de Salvadores caídos pelo chão, chamuscados e baleados.

Encosto a cabeça no bando e suspiro. Como sempre estou super consciente da presença de Daryl ao meu lado e isso me acalma um pouco. Vejo Shiva correndo por entre a mata na direção do posto, suponho que atrás de Ezekiel. Penso em gritar para que ele a veja, mas isso acontece por si só. O carro do rei para no acostamento e ele assovia. A figura da tigresa muda de direção na hora e pouco tempo depois vejo-a entrar no carro pelo retrovisor.

Dessa vez mesmo o som do assovio do rei teve algo de triste, creio que pelas vidas de seu povo que foram perdidas.