Among the Shadows

33 Capítulo 33- Virada de Jogo


Notas iniciais
Hey pessoal, como vocês estão? Espero que bem. Muitos de vocês viraram fantasminhas e eu queria pedir que voltassem a se manifestar, por favor. Obrigada a Cris Mellark pelo comentário ♥ Espero que gostem

POV Daryl

Depois de todo esse sufoco, os grupos se dividem e seguem para suas respectivas comunidades. Não é algo absurdo, irresponsável ou impensado, mas sim um pequeno intervalo enquanto esperamos pela sequencia do plano. Um grupo do reino permanece em um dos postos tomados, com a intenção de deter o poder sobre o prédio, e alguns outros de todas as comunidades estão espalhados por perto em vigia, além de atiradores estratégicos próximos ao santuário.

Allyra está suja de sangue e quieta ao meu lado, os olhos tempestuosos fixos na estrada.

—Não importa o quanto nós planejamos, mortes ainda ocorrem- diz frustrada e se vira para me olhar.

—Não é nossa culpa- digo, mas sei que ela sabe disso.

—Eu sei.- diz séria- São consequências, mas isso não deixa as pessoas menos mortas.

Permaneço em silencio, sem saber como prosseguir com o assunto ou aliviar o peso com o qual sei que ela está lidando. Algo parecido pesa em minhas costas. O silêncio no carro é ensurdecedor para mim, porque entre todos os silêncios da minha vida, nenhum deles foi por muito tempo com ela.

Rick passa a caminhonete na frente, chegando pela esquerda – ele passou por outros caminhos para pegar relatórios que ficaram em lugares específicos deixados por cada grupo- e faz sinal para a abertura do portão. Depois de um momento Spencer abre e seguimos para a segurança dos muros de Alexandria. Para o lar.

Allyra salta do carro e se estica antes de rodear e ficar ao meu lado. Avisto Carl se movendo em nossa direção e sorrio pra mim mesmo.

—Ele vai mandar nisso aqui, não vai?- pergunta Allyra, como se conseguisse ler meus pensamentos.

—Espero que sim, ruiva. Espero que sim- digo com sinceridade.

Michonne também se aproxima. Informamos sobre as mortes com todo o pesar possível e atualizamos todos eles sobre o que ocorreu até então.

—Então o Santuário está isolado de fato?- pergunta Eugene com súbito interesse e eu me viro para analisa-lo por um instante. O covarde de merda não está em nenhum tipo de ajuda.

Depois de uma reunião exaustiva, puxo Allyra em direção a nossa casa. Precisamos descansar para seguir em frente com toda essa merda.

Esquentamos uns enlatados, e nos sentamos a mesa, comendo e discutindo algumas outras coisas sobre planos, e Allyra está frenética observando possíveis falhas e melhorias. John passa e avisa que vai dormir na casa que lhe cederam a algum tempo.

—A verdade é que só passei aqui para ter certeza de que você vai descansar. Precisa parar por um momento- diz sério para a prima, os olhos fixos nos dela.

—Eu vou, juro que vou- diz calmamente, entre uma colherada e outra de comida. Volta para a mesa e se senta no meu colo.

—Conheço você. Quando missões acontecem você entra em estado de alerta permanente e nunca descansa. Não vim falar com você- diz e ela o olha confusa. Passo meu braço livre pela cintura dela.- Vim falar com Daryl.

Ergo o olhar e resmungo para que continue.

—Vai cuidar dela?- pergunta e eu rola os olhos.

—Eu sempre cuido dela- digo e ele sorri de lado.

—Espero que continue assim.

Ele puxa a ruiva pela mão e a abraça, se despedindo em seguida e saindo porta a fora. Ele está certo quanto ao fato dela não ser boa em desligar, mesmo que um pouco, então a puxo para mim novamente e aspiro seu cheiro.

—Vamos subir, tomar um banho relaxante e dormir um pouco- digo contra seu ouvido e ela suspira.

—Daryl...

—Por favor, Little Monster.- peço me afastando e olhando-a nos olhos.

Ela se ergue na ponta dos pés e me beija de um modo lento e profundo.

—Ok- diz por fim, ainda com as mãos no meu pescoço.

(...)

Queremos fazer o tumulo de Sasha junto ao de Abraham, e por essa razão seguimos para Hilltop pela manhã. Viajamos rapidamente e em um grupo pequeno, apesar do fato de que alguns outros queriam estar aqui para se despedir.

—Estamos todos caindo- diz Maggie, enquanto encara a cova que está sendo cavada por Rick e Jesus.- Do pessoal da fazenda sobram poucos, e agora os da prisão também. Quantos mais iremos cair antes de acabarmos em cinzas?- pergunta angustiada e eu me viro para encara-la.

—Se acabarmos em cinzas vamos dar um jeito de ressurgir- digo pensando no que Allyra me disse a muito tempo atrás sobre o principio da Fênix- Não podemos acabar, não seria justo.

—Não seria justo com quem?- pergunta e eu dou de ombros.

—Com nenhum de nós que permanece vivo e com nenhum daqueles que se sacrificaram por nós.

—Você mudou tanto de lá para cá- diz e eu resmungo, o que a faz sorrir- e ainda assim é você.

—Todos mudamos- digo com sinceridade- É uma das consequências do apocalipse.

—No seu caso é consequência de Allyra mesmo- diz sorrindo divertida- Nós todos fomos endurecidos pelo apocalipse, mas você já era assim antes. Sofreu o processo contrario e ela é a maior responsável.

Ela está certa, mas tudo o que faço é resmungar novamente. Ouço – pela primeira vez em um bom tempo- Merle rindo no fundo de minha mente.

O funeral de Sasha é pequeno e sem grandes discursos. Na guerra não há tempo para homenagens e dores. Essas são deixadas no fundo de cada uma das pessoas, para serem libertadas no fim. De qualquer forma, não restaram muitas pessoas para sofrerem por ela.

—Qual é a dos reféns?- pergunto assim que nos voltamos para o centro da comunidade e posso observar o cercado estranho que criaram ali.

—Jesus os manteve vivos na intensiva dele, e os trouxe para cá- responde Maggie e parece irritada.

—Jesus fez o que?- pergunta Allyra se aproximando e parando do lado da amiga.

—Rendeu todos aqueles caras- diz apontando para o cercado- Algo sobre a diferença entre nós e eles.

Allyra rola os olhos irritada e se move em direção ao tal cercado. Eu e Maggie a seguimos.

—Fazia um tempo que eu não via você, ruivinha- diz um cara de cabelos longos, se levantando e se aproximando da cerca- Soube que virou uma traidora. Tsc tsc, papai deve estar tão decepcionado com a queridinha dele.

Ela o ignora, analisando os outros caras presentes ali, e acredito que esteja procurando conhecidos.

—Vai me ignorar mesmo, Lambertini? Se nos tirar daqui podemos colocar esses cães no lugar deles e assumir a comunidade.

Allyra puxa a pistola do coldre em um movimento rápido e aponta para a cabeça dele.

—Nunca tive muito saco para você, e agora tenho ainda menos- avisa e está até mesmo tranquila.

O cara a olha com desdém, sem recuar, e um loiro entra no meio.

—Desculpe- pede e ela acena sem tirar os olhos do cabeludo.

—Allyra- chama Jesus, aparecendo como um cão de guarda e um tom de voz que não me agrada nem um pouco. –Abaixa essa arma agora.

Eu me movo para ficar mais próximo da Little Monster, mas Maggie me puxa de volta.

—Deixe ela resolver- sussurra e eu trinco os dentes.

Allyra gira a arma na mão, mas não a abaixa ou guarda.

—Acho que temos que conversar, Paul- diz e ele acena, com a expressão fechada.

—Sim, todos nós- responde por fim.

Nos afastamos do cercado e seguimos para a casa grande, até o antigo escritório de Gregory, que agora é de Maggie.

—Não pode simplesmente apontar armas para eles, quando estão desarmados daquela forma- diz Jesus assim que entramos na sala.

—E você não pode falar comigo como se mandasse em alguma merda, Paul.- responde no mesmo instante, batendo a porta com um baque.- Sabe o risco ao qual está expondo essa comunidade, porra?

—Sei que se renderam e merecem uma chance de viver. Você mesma disse inúmeras vezes que existem trabalhadores incocentes no santuário. Como diferenciaríamos?

—Sim, existem e é muito fácil diferencia-los dos capangas de merda. Quer diferencia-los? É fácil Onde estavam quando se renderam?

—Num posto avançado de armas- responde e ela sorri com desdém, daquele jeito irritado que ela faz as vezes.

—Então ai está sua resposta. Negan não manda trabalhadores para protegerem armas ou fazer parte de expedições. Os trabalhadores ficam no Santuario, como empregados, fazendo a grande roda de hierarquias continuar a rodar. Você acha que ele deixaria que duvidosos saíssem de sua maldita vista?

—Ainda assim não pode julgar se são todos maus, Allyra- responde dando dois passos a frente e a encarando. Ela não se intimida, apenas o encara mais firmemente- Até ontem era das linhas de frente de Negan.

— E é exatamente por isso que posso dizer com certeza que isso é um risco enorme. De onde olhei vi pelo menos cinco capangas de risco que só querem subir na hierarquia e que não tem escrúpulos. Você quer saber de humanidade e bondade? Estamos no maldito fim do mundo e a linha não é mais tão tênue ou o mundo preto e branco. Isso é risco que não precisamos correr.

—Isso é o que você pensa.

—Tem razão. Os pontos de vista estão variados, mas tenha em mente que possíveis problemas vindos dali estarão em suas costas.

Ele pisca atordoado.

—Se você apontar a arma para eles, indefesos daquele jeito, eu vou...

—Vai o que?- pergunta o interrompendo. — Vai brigar comigo? Vai lutar comigo? Não tenho medo de você, Jesus. Até um momento atrás até te respeitava por se manter a sua opinião, mas não o faço mais.

É algo incrível ver o peso das palavras dela atingirem-no diretamente. O radio em meu cinto começa a chiar e ficamos todos tensos no mesmo instante. Pego-o com pressa, mas antes que eu responda Rick o faz pelo dele.

—Qual a situação?- ouço Rick perguntando.

—Estão reagindo. Precisamos de reforços, Rick. Precisamos agora- alguém responde entre os chiados. Parece preocupado.

Xingo alto e me movo para fora da sala, seguido de perto pelos outros.

—Aquele desgraçado- resmunga Allyra. Nos reunimos com grande parte do grupo em frente a casa grande.

(....)

A partir do momento em que o rádio emitiu o pedido de socorro tudo se acelerou e a tensão se apossou de todos nós. Rick se comunicou com o Reino e Michonne, que com Carl, estava no poder de Alexandria, e os grupos começaram a se mover.

Eu, Allyra, Rick, Maggie e Jesus entramos em um carro e seguimos para lá, com um pequeno grupo de Hilltop em outros carros. Todos bem armados, e seguindo rapidamente.

—Ele provavelmente está abrindo caminho- diz Allyra enquanto eu dirijo- Não com o que, mas ele está.

—Podemos bloquea-los novamente- diz Maggie e Rick nega.

—Chega de bloqueios – diz e eu concordo.- Precisamos acabar com isso. Tem alguma ideia para acelerar o plano antigo?

—Pulamos para a parte do cerco, mantemos a guerra nos arredores do Santuário, assim não causamos estragos em nossas próprias comunidades nem colocamos muitos dos nossos. Se eles ficarem isolados e sem os postos, aos quais já tomamos todos, podemos seguir bem. Se os trabalhadores pegarem em armas vamos ter problemas para manter o cerco, mas ainda assim podemos desde que utilizemos de nossas barreiras. Invadir é a melhor opção.- Allyra parece convicta, e eu confio nela.

—Podemos estudar a planta que você e John conseguiram assim que montamos o cerco- diz Maggie. –Daryl lida com as defesas.

—E os reféns?- pergunta Jesus

—Os de Hilltop?- pergunto e ele nega- Não vamos fazer reféns na primeira parte da guerra.

—Mas...

—Sem mas, Jesus- diz Maggie pondo um ponto final.

(...)

O que encontramos é uma porra de uma confusão. Eles limparam grande parte do pátio da frente e bloquearam o de trás, aparentemente com armas de grande porte. Cerca de cinco equipes estão fora do santuário e eles organizaram atiradores de elite nas janelas que quebramos, com alguns bloqueios improvisados, para dar uma mínima proteção a eles. Os nossos atiradores posicionados tentam retardar o avanço, mas são poucos.

Paro o carro a distancia e todos saltamos com armas em punho.

—Você fica no meio- resmungo para Maggie que me olha aborrecida- Não era nem para você estar aqui, Maggie. Tem uma criança na sua barriga a qual todos queremos viva e saudável.

Ela permanece com a expressão fechada, mas cede ao meu pedido/ordem. Rick assume uma equipe, e se afasta. Outros carros chegam e todos nos espalhamos rapidamente, utilizando de paredes como proteção e iniciando a troca de tiros direta. Procuro manter Allyra e Maggie por perto, mas é difícil quando a outra parte de minha equipe chega.

—Mantenha os olhos em Maggie e tome cuidado- digo para Allyra assim que vejo que vou ter de avançar sem elas, quebrando a defesa deles.

—Uau, você até que é bom dando ordens- diz e eu balanço a cabeça em negação.

—Você não faz ideia- digo baixo para que só ela escute e sigo em frente, deixando-a ali estática.

Avançar é difícil, mas em conjunto com a equipe de Rick no lado de lá, conseguimos. Atiradores do Reino também se juntam. Nosso maior problema são os atiradores das janelas, mas algum tempo depois noto que temos atiradores respondendo e que aos poucos os tiros do alto começam a cessar. Algo me diz que as respostas do nosso lado tem dedo de Allyra.

Começamos a sofrer perdas, e vejo pelo menos cinco de nós caindo. Cuidamos para que não voltem, e continuamos o avanço. Conseguimos quebra-los e executa-los, então volto para a proteção das paredes. Assumo o poder da torre mais próxima ao portão e mando atiradores para cima.

Um dos caras de Ezequiel assume minha equipe, com um recado de que precisam de mim para finalizar algum plano e eu volto imediatamente, com cuidado para evitar pontos de tiro limpo.

—Qual parte do não manteremos reféns você não entendeu?- ouço Maggie resmungar quando Jesus aparece com três caras reféns. Allyra não se dá ao trabalho de dizer nada, apenas pega a arma.

Jesus se joga contra ela tentando desarma-la e os dois começam uma briga de corpo a corpo. Puxo minha arma e atiro no cara que avança para cima de Maggie com uma faca, virando a mira para o que puxa uma arma do cós da calça. O terceiro começa a fugir e é abatido por Morgan.

Eu vejo vermelho e simplesmente me movo em direção a Jesus e Allyra que se engafinham em uma briga. Ele tem experiência com lutas marciais, mas ela também, então tenho prazer de ver ela se livrando das tentativas dele de segura-la e devolvendo com socos e chutes certeiros. Ele cai no chão com um soco dela e eu o puxo pela gola.

—Qual a porra do seu problema?- pergunto olhando-o de frente, minhas mãos apertando sua gola com força- Vou deixar a coisas claras para você, inferno. Você não encosta na minha mulher. Ninguém encosta.

Soco-o no rosto duas vezes seguidas e o faço olhar para mim de novo assim que cospe sangue no chão.

—Quer salvar vidas, ter humanidade? Cuide do seu povo. Quer que inocentes tenham chances? Ajude nessa porra de guerra para que acabemos com aquele filho da puta e possamos dar a chance para os trabalhadores lá dentro. Depois que Negan e os tenentes estiverem mortos, você pode tentar salvar vidas, até lá faça por ajudar seu povo ou volte para a comunidade cuide dos desgraçados que deixou lá.

Solto-o sem aviso e ele vai para o chão, ofegando. Não sei o que passa pela cabeça dele, mas não me importa.

—Encoste em Allyra novamente e eu faço mais que quebrar sua cara- digo sério- E eu não sou o único risco que vai estar correndo, uma vez que ela também é um furacão.

Viro as costas e sigo até Allyra e Maggie.

(...)

POV Allyra

Eu nunca gostei que brigassem minhas lutas por mim, mas ver Daryl Dixon me defender aquele jeito é simplesmente lindo demais, caramba. Por essa razão apenas fico parada assistindo enquanto ele joga verdades na cara de um Jesus desestabilizado. É, desestabilizado. Ele quer tão desesperadamente continuar bom e humano, que não mede muito as consequências do que faz, e isso é o tipo de atitude perigosa que não dá para tolerar, mesmo em alguém tão importante quanto ele.

Ele ainda fumega de raiva quando se afasta e chega até mim e Maggie. Não me dou ao trabalho de dizer nada, ou de ligar para os tiros que ecoam ao fundo, apenas dou dois passos e o beijo, ali mesmo, em frente a todo mundo.

—Sua mulher, é?- pergunto quando nos separamos e ele sorri de lado, sem graça.

—Você tinha alguma duvida?- pergunta e eu balanço em negativa.

—Não, mas não posso negar que é ótimo de ouvir.- dou de ombros.

John e Rick se aproximam, com Ezekiel os seguindo de perto. Seguimos para dentro de um dos prédios próximos e nos estabelecemos em uma sala vazia.

—Não podemos continuar com a ideia do cerco- avisa John e sei o que ele quer dizer. – Não com as janelas nos deixando tão expostos.

—Duvido que tenham muita munição para as armas de longa distancia depois de limparem o pátio central, mas tenho uma ideia quanto a isso- digo e é verdade. Estou pensando nisso desde que distribui os atiradores nas torres e prédios ao redor para acabar com os atiradores das janelas.

—Qual o plano, Ally?- pergunta o rei e eu respiro fundo.

—Vamos virar a jogada deles contra eles- digo e me viro para a planta que John trouxe- Vamos abrir o bloqueio que fizeram e atrair os walkers de volta com algumas explosões. As cercas estão bem preservadas então vamos fecha-las.

—Mas e o ataque direto? Você disse sobre ataque direto- diz Rick e eu aceno.

—Vamos faze-lo por trás- diz John pegando meu pensamento. – Ao trazer os walkers de volta para cá, vamos prende-los. Quebramos as cercas e concentramos o cerco do lado oposto, assim poderemos invadir de lá. Sem as janelas eles vão estar as cegas.

—Exato-digo e olhos para a planta novamente- O problema vai ser a porta principal, mas podemos quebra-la, assim como o muro ao redor, com um caminhão.

—Boa, garota- diz e ergue a mão para o High five, ao qual respondo de imediato.

—Podemos romper o bloqueio com uma pequena equipe de cinco pessoas- diz Daryl e eu aceno em concordância. – Vamos precisar de cobertura dos atiradores e pessoas posicionadas para fechar os portões frontais depois com um caminhão.

—Alguém vai ter de sair em busca de um caminhão- diz Rick fazendo as contas- Vamos usar um para tampar o buraco que fizemos para os walkers entrarem e um para quebrar o lado de lá.

—Temos um no reino- informa Ezekiel- Jerry pode ir busca-lo.

—ótimo. – respondo por fim.

Daryl fica encarregado de escolher os outros que vão nos acompanhar na abertura do bloqueio para atrair os walkers. Maggie fica responsável pelos atiradores que vão nos dar cobertura. Rick comanda equipes para montar o cerco e dividir pessoas para ficarem responsáveis por observar esse lado e as laterais e os outros para turnos.

—Vou entrar – informa John e eu o olho chocada

—Vai o que?- pergunto atordoada.

—Entrar. Precisamos do apoio dos trabalhadores e eu posso ganhar alguns antes do Negan. Assim posso organizar para que os tenentes e capangas de merda estejam nas linhas de tiro.

—Sua cabeça está tão na mira quanto a minha, John- resmungo e ele bufa.

—Conseguir as pessoas de dentro seria a nossa deixa, Lyra- diz e eu balanço a cabeça.

—Não vale o risco, baby- digo séria- Não vale.

Ele respira fundo, claramente frustrado.

— Podemos manter o cerco e esperar desestabiliza-los, mas não há garantias. Se eu pelo menos falasse com Mark ou alguns dos meus...

—Não vamos esperar que se desestabilizem, John- digo olhando para os nossos sendo organizados- Vamos fazer assim que terminarmos o cerco.

—Você é louca- acusa e eu suspiro.

—Ele também, e é por isso que não vamos esperar. Ele já virou o jogo uma vez, não vamos deixar que o faça de novo. Perdemos cerca de dez pessoas hoje.

—Ele quatro equipes, já que uma bateu em retirada. – diz e eu aceno.

—Eu sei.

(...)

Daryl escolheu Morgan, Tara e John para nos acompanhar na entrada para abrir o bloqueio. Rick ficou responsável por colocar o caminhão na abertura assim que o fizéssemos.

Entramos assim que o céu adquire um tom mais escuro, caindo em um crepúsculo que diminui a visibilidade para qualquer um de dentro do Santuario. John instala a bomba no extremo oposto do pátio, enquanto nós seguimos para o bloqueio. Estamos todos com mantas sujas de tripas de walkers por cima da roupa, para ajudar a evitar problemas com mordidas e algo assim. Juntos conseguimos puxar o portão improvisado por eles o máximo possível, e John aciona a bomba no mesmo momento, fazendo com que a maioria deles siga o barulho hipnotizada. Alguns retardatários nos atrapalham, nos descobrindoe a vançando, mas as chamas são vivas demais para que a maioria se mantenha. Atravessamos por outro lado com cuidado e nos mantemos quietos anão ser por facadas ocasionais.

John pula a cerca, Rick fecha a abertura. Aaron e algumas pessoas de hilltop fazem barulhos nas cercas, fazendo com que todos eles passem. Quando quase nenhum resta fechamos o portão. Essa parte é mais difícil e Tara quase é mordida, sendo salva por Morgan.

Acabamos com os poucos retardatários que ficaram desse lado e abrimos a cerca para sair. Temos acesso direto pelo lado de trás, que não tem janelas para por nosso cerco em risco. Vigias permanecem em lugares estretegicos do outro lado, mas começamos a nos organizar de cá. Suspiro aliviada ao chegar onde os carros começam a estacionar em barreira e suspiro aliviada. O plano foi um sucesso.

(...)

Daryl está me ajudando a tirar a manta nojenta de mim quando os últimos carros de Alexandria chegam liderados por Michonne.

—Carl ficou como líder?- pergunto me aproximando e ela abre um sorriso orgulhoso.

—O garoto nasceu para isso- diz e eu aceno em concordância, sentindo um pouco desse orgulho também.- Ele e Enid estão no comando e tenho certeza de que vão fazer isso muito bem.

—Ótimo- digo aliviada.- Uau, Eugene por aqui? Por essa eu não esperava.

—Ele disse que pode ser muito útil com estratégias- diz e eu dou de ombros. Pelo menos inteligente ele é, então talvez esteja certo.

Vejo Spencer no meio dos que chegam agora e rolo os olhos, sabendo que ele não vai ser de muita adição.

Vou checar Maggie, agora já é noite total.

(...)

Estou sentada no chão, ao lado de Maggie, quando Eugene aparece e pede para falar comigo. Maggie me olha preocupada e eu dou de ombros, também sem entender o que ele poderia querer e me levanto seguindo até ele.

—Sei que temos nossas diferenças- começa assim que estamos afastados- Mas não seria inteligente manter nenhum tipo de conflito entre nós em uma guerra. Confio em você

—Ok- respondo sem saber ao certo o que ele espera.

—E também sei que é muito capaz- diz e eu volto a acenar. Ele está enrolando- Por isso vim até você. Tolby estava me ajudando com um ideia no lado oeste e sofreu um acidente. Poderia me ajudar por favor?

Franzo a testa.

—Que acidente?

—Acho que quebrou a perna- responde e eu xingo.

—Por que não falou isso antes? – resmungo- Mostre o caminho

Ele assume a frente apressado e eu o sigo com pressa.

—Que ideia é essa afinal?- pergunto enquanto o sigo, raciocinando o que ele poderia fazer no lado oeste e onde diabos estaria o vigia responsável por ali.

—Como é uma fabrica e permanece com um tanto considerável de energia pensei que se acessasse a fiação dali poderia fazer a energia deles falhar.

É uma boa, admito para mim mesma, mas não acho que ele conseguiria pela fiação daquele ponto. É pouca e não acho que atinja o gerador de dentro. Guardo isso para mim, o cara finalmente está pensando em fazer algo de bom. Continuamos a andar apressados.

O lugar está escuro e meu senso de alerta faz eu endireitar a postura.

—Onde ele está?- pergunto movendo a mão para lança, por precaução.

—Logo ali a frente- responde continuando a andar.

—Cuidado Eugene, algo está errado- digo baixo, me aproximando.

Vejo pela visão periférica que o vigia, um cara do reino, está caído no chão e giro rapidamente para Eugene.

—Abaixe- digo sabendo que tem algo errado, puxando-o pelo braço. Ele vira e sopra algo em meu rosto, que me faz tossir e dar dois passos para trás.

Reconheço como terra e algo mais, que vai diretamente em meu rosto, atingindo o nariz e olhos. Passo uma das mãos no rosto por instinto e um pouco disso sai. Ouço passos atrás de mim e enquanto pisco tentando recuperar a visão alguém me agarra por trás.

—Parece que você não vai ter a chance de quebrar meus dentes- diz uma voz masculina que reconheço como de Spencer- Mas seu pai talvez quebre os seus.

Ele coloca um lenço sobre meu nariz e boca, com um cheiro forte que me deixa zonza. Eu me debato, chuto sua canela e arranho seu rosto com força, sentindo o sangue escorrer por minhas unhas e ele urrar de dor, mas o que quer que tenha no pano é forte e tudo fica embaralhado, meus movimentos lentos, meu corpo pesado.

Pisco com força, tentando entender o que está acontecendo. Eugene abre a porta na lateral e dois salvadores esperam ali. Spencer se move para me arrastar, e eu vou amolecendo em seus braços, a inconsciência em tomando. Vejo um vulto escondido na mata e apago em seguida.

Notas finais
E então, o que acharam?