Among Us

3 Good To Us.


Notas iniciais
*Bom pra nós. Hello!!! Atingindo mais um marco, o capítulo vai ser todo em pov geral. Espero que gostem e desculpe pelos erros ou clichês. Boa Leitura ♥

Geral.

Angeles se encontrava sentada na sala de Publicidade da UCLA, rodeando a caneta preta pelos papéis sem realmente escrever, não conseguia se concentrar em nada desde que pôs os olhos naquele homem misterioso, sua mente não podia ser tão traiçoeira ao ponto de não deixá-la prestar atenção em sua aula preferida. Arfou vagarosamente ao lembrar de como foi a conversa, do quanto tinha sido pega de surpresa pelo Sr. Castillo. Nunca esperava que uma conversa de negócios fosse tão intensa, mas aquela havia sido, por algum desconhecido motivo ele havia mexido com seu psicológico. Era como se ainda pudesse sentir seu perfume impregnado em suas narinas.

Arrumou-se na cadeira ainda com os pensamentos vagando longe, mas precisamente na Castillo Enterprise onde trabalhava aquele moreno tão intenso como tudo o que fazia. Ruborizou mordendo os lábios ao lembrar do modo quente como tinha a olhado, havia sido tudo surreal, mas talvez só ela houvesse percebido. Bufou contrariada apertando a caneta contra seus finos e pálidos dedos com a ideia de ter flertado sozinha… Ok, não foi um flerte! — Repreendeu-se.

— Angie! — Francesca a cutucou sussurrando pela amiga.

Angie continuava imersa em seus pensamentos, imaginava o quanto ele tinha algo de diferente e imaginava o quanto queria descobrir porque ele a intrigava tanto. Sorriu distraída.

— Angie!! — Fran a chamou mais alto.

Ela assustou-se sobressaltando da cadeira. Nunca havia se distraído tanto! Olhou para a amiga que fez um gesto apontando pra frente com sua cabeça, sabia que tinha se metido em encrenca. Virou a cabeça devagar e prendeu a respiração ao ver que a professora a fitava com seriedade.

— Srta. Robbins…

Murmurou timidamente com um sorriso amarelo. A mulher magra a olhou repreendendo por cima dos óculos.

— Lhe fiz uma pergunta Srta. Saramego. Não aceito distrações na aula, sendo assim é melhor ficar em casa da próxima.

Ouviu risadinhas ao fundo, e se encolheu na cadeira.

— E-eu sei. Me desculpe, eu sinto muito mesmo não acontecerá novamente. — Respondeu atrapalhadamente em um tom baixo.

— Eu espero! — Desdenhou rude.

— Então… Queria me perguntar algo?

A professora a analisou, Angeles sabia que era capaz de responder qualquer coisa que perguntasse. A mulher abriu um pequeno sorriso desafiador, sua boca ficou entreaberta indicando que ia manifestar-se, todos na sala se concentraram nas duas, mas por um milagre divino ou intervenção dos deuses o trinar irritante ecoou por todo o ambiente revelando que as aulas haviam terminado. Não pode evitar de que um suspiro aliviado lhe ocorresse, arrumou suas coisas jogando na mochila despreocupadamente.

Salva pelo gongo” — Pensou sentindo sua deusa interior dançar macarena animadamente dentro de si.

Alguns alunos ainda dispersavam-se, Angie sorriu amarelo para a amiga que tinha um olhar desconfiado. Andaram em passos lentos para fora da sala, chegando até os corredores lotados da universidade onde se localizavam os armários.

— O que foi aquilo?

Fran questionou curiosamente guardando seus livros no armário azul. Angie fazia o mesmo, e sem que a amiga percebesse sorriu fraco lembrando do verdadeiro motivo de sua distração.

— Não sei… Estou com um pouco de cólica, talvez seja isso. — Deu ombros amenizando, sem grandes explicações.

Fran assentiu parecendo se convencer da explicação, tirou de seu armário uma cartela de remédio para cólica e deu para a loira ao seu lado. Angeles sorriu pegando a cartela e a guardando em sua bolsa.

— Obrigada Fran.

— Não precisa agradecer. Vamos pra casa?

— Hmm, acho que vou dar uma passada no Butlers e comer algo.

Resmungou fechando o armário, a morena estranhou porém concordou. Ambas andaram vagarosamente pelo corredor ainda lotado, até chegarem ao enorme estacionamento onde Francesca destravou seu lindo uno azul que tanto amava.

— Tem certeza de que não vai comigo?

— Tenho sim… É pertinho de casa, pego um táxi e daqui a pouco chego.

Disse baixo, entretanto o tom divertido não abandonava sua voz. Fran concordou.

— Tudo bem, até mais tarde então.

Dito isso Angie acenou e saiu calmamente até chegar na entrada/saída principal, o que tinha acontecido na sala? Nunca foi chamada atenção e pela primeira vez havia sido repreendida. Nem ela havia entendido o que estava sentindo, seus pensamentos eram uma verdadeira confusão.

Pegou seus fones de ouvido pondo o iPod na sua playlist favorita, foi durante 15 minutos perdida nas melodias clássicas, cantarolava perdidamente sua música preferida da playlist quando sentiu seu corpo esbarrar no de outra pessoa, grande por sinal, a fazendo voltar pra realidade. Cambaleou um passo atrás com sua mente gritando alerta vermelho com luzes fluorescentes e neon ao ver que era nada menos que o Sr. Castillo à sua frente. Ele a encarava com um olhar divertido, segurando firmemente em seus braços para que não tropeçasse deixando seus corpos a uma distância de “alerta”, fato que não passou desapercebido por Angie.

Angie estreitou os olhos por conta do pouco sol o analisando, usava um belíssimo paletó cinza e seus cabelos arrumados num perfeito topete para o lado, sem contar no seu perfume… Cheirava divinamente bem, o mesmo cheiro que havia ficado em sua mente desde que o viu. O toque quente e firme dele fizeram-na arrepiar, sentindo suas pernas amolecerem como gelatinas. Mas claro que tentou disfarçar ao máximo o modo como seu corpo reagia a ele, e sua aparente surpresa também.

— Angie? Tá tudo bem? Te machuquei? — Perguntou a fitando minuciosamente. Tomou um ar ao perceber o quanto ela estava linda, o quanto queria beijá-la ali mesmo sem se importar se seriam vistos ou não. Estavam próximos até demais, o suficiente pra que sentisse seu cheiro delicioso de morango.

Merda, mil vezes merda! O que ele fazia ali? Angie pensava agitada. Porém ruborizou de leve o fitando.

— Eu tô bem… Não precisa se preocupar.

Sua voz baixou mais do que gostaria, dando-lhe um ar envergonhado. Riu sozinha, não imaginava ele sem vários seguranças ao seu lado ou andando naqueles luxosos carros esportivos. De qualquer forma o imaginava, isso era importante.

— O que foi?

Ao vê-la ali sorrindo tão descontraída, percebeu que a queria. Queria que ela fosse sua.

— Nada, nada… Não sabia que andava assim na rua.

Brincou soltando o ar aos poucos. Ele soltou com delicadeza seus braços.

— Tem muitas coisas que não sabe sobre mim. — Afirmou sério. Angeles corou querendo saber cada uma dessas coisas desse homem tão intrigante. – Mas e você? O que fazia por aqui Srta. Saramego?

Mordeu os lábios fitando o chão para disfarçar a aparente vergonha, então agora tinham voltado para o jogo de palavras. German continuou a encarando, hipnotizado por aquele ato tão sutil e tão quente ao mesmo tempo, desejou fortemente fazer isso. Queria morder aqueles lábios carnudos e beijá-la até não poder mais.

— Eu vim tomar um café…

Encolheu os ombros sentindo toda a tensão que ele a passava.

— Eu também. — Disse com seu rotineiro tom severo sem deixar de encará-la. Angie ficou surpresa. – Quer entrar?

Analisou suas metódicas opções insegura, iria pra casa correndo e se remoeria por ter recusado o gentil convite ou ficaria e descobriria o porque ele a intrigava tanto? Era um encontro?

— Quero dizer… Já estamos aqui em frente.

Angie entreabriu os lábios ainda sem acreditar que ele realmente a chamava pra um encontro como conhecidos, mas ainda sim um encontro, Francesca certamente ia surtar. Abriu um singelo sorriso ruborizada.

— Tudo bem.

Ele sorriu, e por Deus que sorriso perfeito tinha. Retribuiu virando-se pra entrar, não deixou de notar que German pôs a mão firme em sua cintura a conduzindo pra dentro do requintado ambiente com estilo vintage, logo que entraram atraíram alguns olhares deixando Angeles mais corada se é que era possível.

Como se lanchar com German Castillo já não fosse motivo suficiente para me deixar com vergonha! — O pensamento de Angie a caçoou mesmo com sua deusa interior soltando fogos de artifícios. Quando ia puxar a cadeira, German se colocou a frente puxando a cadeira para que ela sentasse. Era extremamente educado, e ganhava mais um ponto com ela.

— Obrigada… — Murmurou dando um leve sorriso de lado, sentando-se. Ele acenou com a cabeça fazendo o mesmo.

Sentaram-se frente a frente, German tamborilou a mesa com seus dedos a mirando firme ainda hipnotizado por sua beleza nórdica e seus estonteantes olhos verdes como duas esmeraldas puras. Com Angie não era diferente, o encarava encantada sentindo seu estômago revirar forte, e por um segundo quis que ele a beijasse profundo e intensamente mas se repreendeu no mesmo segundo por esse pensamento, os olhos castanhos dele eram simplesmente perfeitos. A fitavam numa profundidade como se quisesse enxergar sua alma.

Queriam que esse contato visual durasse, mas foram interrompidos pelo garçom.

— O que vão querer?

Angie desviou o olhar pra o chão desconcertada. Nunca havia sentido essa conexão por ninguém, German sorriu descontraído.

— Um cappuccino com creme, e um uma fatia de torta holandesa.

O garçom virou para Angie que fingia mirar o cardápio.

— O mesmo, por favor…

Logo que o garçom saiu, German continuou a encará-la.

— Faz que curso na UCLA? — Perguntou interessado.

— Publicidade… Por que?

— Nada, só quero que saiba que ontem falei sério. Minha proposta sobre o estágio ainda estará de pé, quando quiser é só me avisar.

Angeles mordeu o lábio inferior, apesar de a proposta ser irresistível não era dessa forma que pretendia conseguir um estágio desse nível, o que as pessoas pensariam? German semicerrou os olhos excitado, aquilo era com certeza seu ponto fraco. Ela era seu ponto fraco.

— Sr. Castillo, eu fico grata mas não posso aceitar por enquanto.

— Por enquanto? — Divertiu-se ao vê-la ruborizar. Era linda!

— Então pensa em aceitar?

Angie negou com a cabeça rindo. Ele é terrível! Pensou.

Terrivelmente maravilhoso. Seu pensamento maldoso a corrigiu.

— Só pense, é de meu interesse que venha trabalhar conosco Angie. Prometa que irá pensar.

Seu tom endureceu, a arrepiando até seu íntimo. Coisa que ele não percebeu.

— Prometo que vou pensar, Sr. Castillo.

Disse obedientemente, repousando uma das mãos sobre a mesa. Mal sabia que German sorria internamente ao perceber o quanto era uma submissa de nascença, o quanto ele a queria sendo a submissa dele realizando todos os seus desejos.

— E então, você namora? — Questionou tentando manter sua voz normal contendo a enorme curiosidade que o pairava, pra que não percebesse as segundas intenções na pergunta.

Angie riu praticamente desconhecendo o significado da palavra namorar, além de que ainda era virgem. Coisa que pra uma mulher de vinte e dois anos não era considerada normal, mas nunca se importou com rótulos.

— Não, mas por que tanta descrição?

Repousou o queixo sobre as mãos na mesa, o encarando curiosamente. German havia sido pego de surpresa, não esperava por essa pergunta.

— Porque todos os relacionamentos devem ser mantidos fora da minha empresa. — Cuspiu sério, mesmo estando mentindo, seu tom era duro… Inabalável até. Angie assentiu nervosa, mas tratou de relaxar com um sorriso vívido coisa que German adorou.

— Não, eu não namoro. Meu tempo é muito corrido pra um relacionamento Sr. Castillo, e também não encontrei alguém que queira.

German se endireitou na cadeira ainda mais interessado, se é que era possível. Era um fato que ela o atraía mais do que imaginava, queria tê-la como sua, sua submissa realizando todos seus desejos mais impróprios e o pensamento o agradava muito.

Os pedidos chegaram, interrompendo suas linhas de pensamentos, estavam envolvidos demais para sequer conseguirem pensar em algo além do que queriam. Angie ainda não tinha certeza sobre o que sentira, mas tinha certeza que seja lá o que for ele também havia sentido a mesma coisa. Ela bebeu um gole do delicioso cappuccino deixando algumas gotas escaparem por fora de sua boca e logo limpando com o guardanapo de pano, pequeno detalhe que não passou impune por German que a fitava como uma águia.

Seus olhos ser fartaram com a imagem dela.

— Não é necessário me chamar Sr. Castillo o tempo todo. Me chame de German, apenas.

Assentiu em silêncio.

— Coma tudo. — Ordenou.

Angeles estranhou porém o obedeceu saboreando cada pedacinho da torta holandesa, fechou os olhos sentindo seu estômago agradecer pela primeira refeição que fizera hoje. German observava o modo gracioso e sexy que saboreava sua torta, os lábios vermelhos se entrefechado envolta da colher prateada o fez querer saber que habilidades tinha com a boca, desejou firme que sua boca tivesse em alguma parte do seu corpo repetindo o mesmo movimento.

Aquilo havia sido algo normal, mas mexera com sua libido... Ele nunca mais deixaria de pedir tortas apenas para vê-la saboreando excitantemente, amaldiçoou até a sétima geração de quem tinha dado genes tão sexy a ela, e percebeu que estava excitado. De novo.

Angie deduziu que aquilo não fora um simples pedido, era como se tivesse mandando… Um tom de ordem. Apertou os lábios o rotulando de controlador, mas como já havia mencionado não ligava muito para os rótulos. Talvez fosse o cappuccino, ou os hormônios a todo vapor, o nervosismo ou até mesmo a companhia, mas decidiu fazer uma pergunta que nunca faria a qualquer outra pessoa. Entretanto, quais seriam as chances reais disso acontecer novamente? Encontrar German Castillo andando por aí elegantemente e esbarrar com ele era quase que surreal.

Sua testa enrubesceu ao imaginar quantas mulheres ele tinha aos pés, uma onda de ciúmes a corroeu. Todas as que quisesse, sem dúvidas! Ela própria se respondeu.

O que ele ia querer comigo? Sua mente ironizava.

— Então você gosta de controle?

German sorriu surpreendido, com tamanha esperteza. Ela tinha percebido o que poucos perceberiam, e mais uma vez não esperava por aquilo. Relaxou com um suspiro segurando a xícara do cappuccino com força.

— Acho que isso é essencial para a vida, então exerço controle em tudo o que faço.

Respondeu com calma, sem interromper o olhar do rosto angelical. Por segundo Angie sentiu um formigamento abaixo do umbigo, um rastro de lascívia percorreu aquela região e ela apertou cautelosamente as pernas pra parar aquilo. Pela primeira vez tinha ficado excitada com um homem apenas com suas palavras, mas não era qualquer homem.

Era German.

— Você tem uma cara de quem gosta de ler. Estou certo?

Angie desviou o olhar com vergonha por ter ficado excitada com o pouco que ele havia dito sobre o controle, imaginou ele tendo controle sobre ela de outros modos quentes e varreu o pensamento pra longe ao perceber que ele esperava sua resposta impaciente. Corou soltando um riso nasal.

— Sim. Está certo, German.

Ele abriu um largo sorriso revelando os dentes perfeitamente brancos e alinhados. E ela riu mais relaxada.

Merda, que sorriso lindo! German pensava sentindo-se agradado, inexplicavelmente bem.

— Sou uma grande amante da literatura inglesa. — Confessou baixo.

— Quem fez você se apaixonar pela literatura? Agatha Christie, Shakespeare, ou Charles Dickens?

Angie arregalou os olhos com admiração ao ver que era culto e gostava literatura, sentiu uma palpitação no seu coração. Sua deusa interior comemorava como se fosse seu príncipe encantado.

— Jane Austen.

German a analisou pela milésima vez, parecia surpreso. Romântica? Precisava saber.

— Meu palpite era Shakespeare. — Ela riu mais descontraída. – Então você é uma romântica nata?

Mesmo sabendo a resposta teve de perguntar, não poderia existir nenhum tipo de romantismo em sua vida. O único tipo de relacionamento que lhe interessava era sexo, apenas sexo casual com relações sadomasoquistas. Angie parecer querer mais, na verdade merecia mais… Não poderia nem sonhar com aquele outro lado sombrio de sua vida, ia decepcionar-se.

— Um pouco… — Divertiu-se tomando um bom gole de seu café. German estava tenso, arrumou-se na cadeira com certa impaciência. – Tá bem, sou muito romântica… Acredito em amor verdadeiro, acredito no meet cute, acredito em tudo o que diz a respeito do amor. Minha amiga diz que sou bem antiquada as vezes.

Brincou com suas próprias palavras. Mas German continuava sério em meio das revelações um pouco cafonas até, aquilo nunca daria certo. Cometeriam um grande erro se envolvessem, mas precisa tê-la de algum jeito em seus braços. Saciar o desejo voraz que tinha por ela, era apenas desejo e sabia disso.

Angie havia percebido o quanto sua expressão havia mudado, o quanto tinha ficado sisudo em menos de um milésimo de segundo, tinha falado algo errado?

— O que houve? Falei algo errado? — Contornou com evidente confusão.

German tomou uma grande lufada de ar, como diria quais os tipos de relação queria? Certamente se assustaria e iria pra longe, e ele a queria perto. Precisava.

Não poderia dizer, isso o deixava irritado. Nunca precisou fazer nada do início.

— Eu… — Pela primeira vez havia o visto ficar sem palavras, mas por pouco tempo. – Isso não daria certo. Nunca.

Angie enrugou a testa ainda confusa, sua deusa interior sinalizava “alerta” novamente.

— O que?

— Eu não sou pra você, estou procurando apenas algo casual. — Revelou terminando seu cappuccino. Angie ficara surpresa com a revelação, não esperava.

Então por que ele a tinha convidado para esse café? Vai ver sentira pena, ou foi só por obrigação já que estavam a frente da cafeteria.

— Já entendi. — Disse com um misto de chateação, raiva e até mesmo indignação.

Por certo não procurava nada. Se levantou da cadeira deixando um dinheiro em cima da mesa, se dirigindo até a porta, quando saiu do lugar German segura firme em seu braço. Um toque sutil, porém perceptível em cada célula do seu corpo.

— Será que pode me soltar? Preciso ir pra casa…

Resmungou. Ele respira fundo, sentindo-se mal por ter dito tão diretamente.

— Espera. Me desculpa?

Seu polegar fez uma leve carícia no braço fino dela deixando um rastro quente por onde seus dedos passavam deliciando-se com a maciez da pele alva, por dentro se derretia ao toque dele no entanto por fora ficou séria. Quase como um iceberg.

— Pelo quê?

— Por ter te dado alguma esperança falsa.

Angie o olhou nos olhos intensos, não tinha nenhum resquício de nada! Como poderia saber o que passava com ele? Baixou a cabeça, desviando os olhos para a movimentada avenida.

— Não precisa se desculpar, eu não estou procurando nada.

Seu tom saiu um pouco mais rude do que gostaria, ele assentiu contrariado.

— Se puder me soltar eu preciso ir pra casa. Tô com pressa. — Mentiu.

— Não parecia, estava muito à vontade lá dentro.

Angeles bufou disfarçadamente, querendo segurar um sorriso. Ele tinha dito a verdade, havia se sentido solta com sua companhia. Uma agradável companhia por sinal.

— Eu realmente preciso ir. — O olhou nos olhos castanhos por alguns segundos sustentando o olhar, não conseguia decifrá-lo. German assentiu a soltando.

— Com licença Sr. Castillo.

Angeles virou-se sem esperar que ele se despedisse e seguiu pra casa, por mais que quisesse ficar. Queria ficar e aproveitar a companhia pra sempre, pensamento que ficou no mais oculto de seu íntimo.

German observava Angie sumir de sua vista, percebia o quanto era linda assim como cada parte dela. Não poderia deixá-la escapar assim, precisava ser dele de um jeito ou de outro, e um plano inusitado começava a surgir em sua mente. Seu telefone tocou interrompendo sua linha de raciocínio.

— Sr. Castillo, posso ir buscá-lo? Tem um compromisso na empresa em 10 minutos.

A partir de hoje, seu sobrenome teria outro significado… O veria de outro modo. Sempre o remeteria ao modo como Angie o chamava.

— Sim Jamie, por favor. Estarei no Butlers.

Desligou o telefone confuso, o que estava acontecendo com ele? Nunca se sentiu assim, tão demasiado atraído por uma só mulher, podendo ter a que quisesse. Balançou a cabeça, em algum canto sua mente gritou que Angeles iria bagunçar sua vida. Completamente.

Ela de algum modo era diferente. Ele a queria e ia até o inferno pra conseguir isso.

Angie abriu a porta de casa, encontrando Francesca na sala estudando. Sorriu fraco assim que pôs os olhos na amiga, que ao vê-la fez um olhar sugestivo com um breve sorriso.

— Olá. — A cumprimentou. Precisava falar tudo o que havia acontecido.

— Chegou tarde… Deixei pizza pra você.

Fran comunicou. A loira percebera como a amiga parecia nervosa, mas achou que era coisa da sua cabeça, foi até a cozinha bebendo um copo d’água. Francesca sabia com quem estivera, mas esperaria até Angeles falasse.

— Você me parece estranha, aconteceu algo? — Levantou-se seguindo a amiga até a cozinha.

Precisava falar, sentiu que explodiria de raiva caso não contasse.

— Encontrei com German no Butlers. — Revelou sem graça.

Fran fingiu surpresa.

— E então…?

Olhou pra baixo rapidamente forçando um sorriso, havia ficado tão chateada que não sabia nem o que falar.

— Foi… — Procurou as palavras certas. Como dizer que tinha gostado dele ainda mais que ontem?

— O que aquele bastardo milionário fez com você, amiga?

Angie riu diante da aparente indignação de Francesca.

— Nada. Na verdade é melhor conversamos sobre isso depois, tenho que me arrumar pro trabalho. — Terminou de beber sua água. Fran concordou.

— Tudo bem, se quiser conversar é só me chamar.

Angeles assentiu inquieta, German Castillo ainda ia lhe deixar maluca com tantas sensações estranhas que causava nela. Sem falar nada, subiu pra se vestir. Ao menos assim ocuparia a cabeça e não pensaria na conversa confusa que tiveram. Francesca voltou sua atenção pra o notebook, e ao se certificar que Angeles já tinha subido mesmo voltou a sua leitura pra manchete da The Times, um dos mais renomados de Londres.

O milionário German Castillo, é visto com novo affair”

Balançou a cabeça negativamente ao ver uma foto dos dois sentados na cafeteria conversando, o que Angie acharia disso? Toda essa exposição devido a ele, e seus milhares de paparazzis. Não seria uma boa hora, sabia o quão frágil a amiga era. E foi aí que teve a certeza que German iria definitivamente virar suas vidas de pernas pro ar.

Notas finais
Não demoro a postar TBPOM!! Até. :)