Among Us
4 Dangerous.
Notas iniciais
Angeles Saramego.
Suas mãos percorriam todo meu corpo fazendo cada centímetro da pele exposta arrepiar, segurei a respiração ao erguer a cabeça vendo German me envolvendo com força em seus braços fortes enquanto se ajeitava comigo na cama fazendo com que ficássemos frente a frente, o coração palpitou cheio de emoções que nem sabia descrever.
Acarinhei seu rosto lentamente sentindo sua barba por crescer espetar levemente minha mão, com cuidado pus a mão em seu peitoral exposto repousando a mão bem onde seu coração batia tão desreguladamente quanto o meu. Sustentei nossos olhares buscando respostas, eu queria mais.
— Por que estou aqui German?
Vi seu pequeno sorriso desmanchar-se ficando reto lhe oferecendo um semblante duro, sério. German suspirou dedilhando meu braço por cima do lençol branco que me cobria, eu o queria era isso que importava.
— Você está aqui porque eu sou incapaz de te deixar sozinha. — Respondeu-me baixo.
Arregalei os olhos surpresa, mas antes que pudesse raciocinar o beijei profundamente unindo seu corpo ao meu. Cada célula minha vibrava por está com ele, nos separamos e para minha surpresa a imagem dele foi ficando distorcida… Longe. Tentei segurar seu braço desesperadamente para que não me deixasse só mas foi uma tentativa em vão pois sua imagem dissolveu-se como areia no vento, chorei copiosamente ao perceber que não estava mais comigo, tinha me deixado. Havia ficado sozinha, com uma saudade inexplicável.
…
Abri meus olhos agitada, com desnorteio procurei por German ou por qualquer resquício do que havia vivido no sonho mas por sorte ou não estava sozinha no quarto, respirei aliviada pegando o celular para checar a hora. Arregalei os olhos ao ver que estava mais que atrasada! Já tinha passado metade da primeira aula. Por que raios Fran não me acordou?
Bufei com irritação pulando da cama, corri para o banheiro fazendo minha higiene matinal e indo apressadamente para o roupeiro pegando a primeira roupa que vi. Vesti uma calça jeans justa, uma blusa branca simples, coloquei uma jaqueta de couro e calcei botas pretas de salto baixo que batiam na metade da panturrilha. Deixei o cabelo solto mesmo com alguns fios rebeldes, passei um perfume e sem passar nada no rosto peguei minha bolsa saindo do quarto veloz.
Passei pela cozinha em passos rápidos com o pensamento que esse atraso não passaria impune pela minha querida professora Srta. Robbins, liguei a Nina (meu fusca, carinhosamente apelidado por mim) e saí de casa acelerando ao máximo possível, seria burrice pegar os últimos trinta minutos de aula mas era melhor que levar falta e manchar o histórico. Amaldiçoei Francesca por não ter me acordado, no final das contas ela não tinha culpa. O culpado era German que me dizia todas aquelas coisas e me fazia criar expectativas, respirei fundo tentando me controlar, a culpa era minha.
Estacionei Nina na vaga o mais perto possível da entrada da faculdade, peguei minhas coisas e travei o carro caminhando com pressa em direção ao campus de Publicidade. Enquanto ia em direção a classe percebi que alguns alunos dispersos no corredor me observavam estranhos, não consegui entender então apenas ignorei indo em direção a minha sala de Redação Publicitária. Minha deusa interior se escondia detrás de um sofá vermelho em seu monoambiente, tentei acalmar a respiração que soava desregulada e dei três leves batidas na porta. Não demorou para que a porta fosse aberta por Srta. Robbins com um estranho sorriso que ao me ver se desmanchou num semblante duro, sorri amarelo extremamente envergonhada por esse atraso… Nunca tinha me ocorrido antes. Ela me mirou de cima abaixo, deixando-me ainda mais constrangida.
— Oi…
Sem falar nada quis fechar a porta, mas fui mais rápida e pus o pé no meio a impedindo.
— Espera! Por favor! — Pedi desesperada, nem morta poderia perder esse conteúdo.
— Sabe que não tolero atrasos Srta. Saramego. Ainda mais de quase uma aula…
Baixei o olhar.
— Desculpe-me, eu errei. Asseguro-lhe que não vai acontecer de novo, só me deixe entrar por favor… — Supliquei.
Ela revirou os olhos, dando-me passagem.
— Depois vamos conversar senhorita. Entre.
Assenti corada, entrei na sala atraindo alguns olhares curiosos e fui direto para o fundo a cadeira vazia que existia ao lado da parede. Mesmo meu corpo estando ali, meus pensamentos estavam naquela empresa… Mas precisamente na Castillo Enterprise, em German. Seus olhos profundos e intensos ao mesmo tempo que duros como se quisesse esconder algo das pessoas, seu breve sorriso, seu interesse, nossa conversa… Tudo nele me intrigava, a curiosidade me fazia querê-lo de uma forma que nem eu saberia explicar. Uma pergunta crucial rondava minha mente, por que ele iria querer alguma coisa comigo?
Meus pensamentos vagavam longe, não conseguia manter a concentração então apenas fingia e concordava quando a professora voltava seu olhar para mim.
O resto das aulas passaram-se arrastadas, mal vi Francesca hoje, ao final das doze o sinal ecoou liberando vários de alguns cursos e meu celular bipou indicando uma mensagem de Fran dizendo que não sairia da aula de computação gráfica agora, mandei um ok guardando o celular. Quando fui guardar algumas coisas no armário senti minha nuca ficar quente, virei-me ao perceber que tinha um grupo de alunas do curso de Comunicação cochichando e me observando ao mesmo tempo que riam, joguei tudo dentro do armário irritada e virei-me novamente com rispidez os encarando séria. Meninas magrelas do clube de cheerleader’ cochichavam entre risos.
— Do que vocês tanto riem?
Cruzei meus braços indignada.
— De você ser a nova mascote do milionário. — Uma loira esguia disse com risos entre sua voz fina.
Semicerrei os olhos sem entender nada, mascote? Do que essas malucas falavam?
— O que? — Questionei sem entender absolutamente uma grama do que diziam.
As outras se seguravam pra não rir, seria só uma implicância boba?
— Além de mascote, é burra. — Disse Ludmila quase gargalhando como se tivessem contado a melhor piada do universo. A única que eu realmente “conhecia” naquele grupo.
Aquela com certeza tinha sido a gota d’água, minha vontade era de arrancar todos os falsos apliques delas com minhas próprias mãos. Mas tinham vários fatores que minha deusa colocava num post-it neon com pisca–piscas coloridos me lembrando severamente o motivo para não fazer isso.
1º – Não sabia brigar.
2º – Tinha medo delas.
3º – Era tímida demais para começar ou me meter em qualquer briga.
4º – Com certeza terminaria na sala da coordenadora do meu curso, Srta. Robbins.
5º – Hoje não é um dia que Srta. Robbins está me adorando.
— Pra mim chega! Vocês são umas… — Esbravejei brava com toda aquela situação.
Entretanto como o universo é irônico, antes que eu terminasse o que havia pensado que não era muito bom, Thiago chega me “abraçando” de lado, meio que me virando pra ele.
Elas saíram rindo enquanto eu ficava ali numa situação pateticamente indignada.
— Tranquila! Não é bom se meter em problemas com elas… — Thiago me embalou em seus braços.
Assenti com um olhar confuso e desolado por deixá-las escapar tão malditamente fácil, encostei minha testa em seu peito sentindo-o repousar o queixo no topo da minha cabeça. Ele tinha razão, era meu último ano, com certeza não seria a melhor opção me meter em encrenca com as cheerleaders idiotas.
— Eu sei que você está chateada pelo que aconteceu, mas… — Interrompi o “abraço” afastando-me e o fitando séria com um misto de confusão. De que raios ele falava?
— Do que você está falando? — Questionei.
Thiago me mirou com seus olhos verdes numa perplexidade incrível, que até me assustei.
— Então quer dizer que você não sabe o que está acontecendo?
Concordei.
— Tem certeza? — Assegurou-se desconcertado. Droga, aí tinha e não era coisa boa.
— Absoluta. O que aconteceu?
Falei baixo semicerrando os olhos o intimidando para que me dissesse algo. Thiago passou a mão por seus fios loiros o bagunçando, dando-lhe um ar despojado.
— Não checou a internet? — Interrogou alterado porém cauteloso. Neguei. – Então vem comigo.
Estendeu sua mão, alternei o olhar com receio entre sua mão e seu rosto calmo.
— Confia em mim, você tem que ver algo.
Dando-me por vencida peguei sua mão deixando ele me levar até o refeitório vazio, onde tinha uma espécie de banca só com jornais. Ele pegou um dos jornais e sem deixar que eu visse nada, andou comigo até uma das mesas, nos sentamos e brinquei com meus dedos impaciente.
— O que houve? Por que tanto suspense? — Brinquei tentando aliviar a tensão.
— Olha isso…
Antes que eu respondesse Thiago pôs o jornal em cima da mesa, fiquei boquiaberta ao ver a manchete principal da NYT’ onde tinha uma montagem de fotos minha e de German conversando descontraidamente no Butlers, e uma dele me segurando na saída da cafeteria. Meus olhos esbugalharam-se revelando o quão aturdida eu havia ficado com aquilo, li e reli a manchete várias vezes pra me certificar de que era realmente aquilo que dizia.
“O milionário German Castillo é visto com novo affair não identificada, em cafeteria no centro de Londres”
— Você está bem? — Thiago me tirou da linha de pensamento. Desviei o olhar da manchete enojada, affair? Assenti forçando um breve sorriso. – Angie, essa não é a única que circula.
Não pude evitar a surpresa, quantas mais tinham envolvendo meu nome? Agora tudo fazia sentindo, os olhares, cochichos, o que as cheerleaders falaram… Minha deusa interior balançava a cabeça magoada, era isso que as pessoas me classificavam? Affair de um milionário? Mascote do famoso German Castillo? Por interesse, talvez? Eu pouco me importava com o dinheiro dele e pra qual posição social que ele estava, só não queria meu nome envolvido nessas confusões.
— Eu quero ver as outras. — Pedi séria. Thiago concordou, tirando o celular do bolso e digitando alguma coisa. Logo ele me mostrava uma matéria no The Times que dizia o mesmo.
— Eu sinto muito.
Ele colocou a mão em cima da minha fazendo uma leve carícia, fechei os olhos e me segurei ao máximo para não deixar algumas lágrimas teimosas caírem. Minha pequena Deusa me olhava com uma cara irônica enquanto me perguntava: “Sério que você vai chorar por isso?” Ela tinha razão, por mais magoada que eu tivesse não ia chorar por essa estupidez. Continuei com um sorriso fraco forçado, me levantando da cadeira.
— Tá tudo bem, eu vou pensar em algo. Mas preciso ir agora.
Arrumei a bolsa no ombro, fincando as unhas da alça grossa de couro. Thiago levantou-se me fitando, procurando qualquer sinal que denunciasse que o choro ia vir.
— Você tem certeza que está bem mesmo para dirigir? Eu posso te levar se quiser…
Mordi o lábio séria, era um doce de pessoa.
— Não precisa, vou direto pro trabalho agora. E sim, eu estou bem mesmo.
Thiago concordou. Me despedi dele com um beijo na bochecha e saí o mais veloz que pude do campus, na verdade eu sabia exatamente onde tinha que ir.
…
Estacionei o fusca na sombra em frente ao prédio, ao sair do carro uma ventania bateu bagunçando meu cabelo mas nem liguei de tão magoada que havia ficado com o que vi, levantei meu olhar vendo todo aquele império de vidro e um arrepio percorreu minha espinha ao me perguntar se era realmente uma boa ideia confrontá-lo. Balancei a cabeça espantando qualquer vestígio de dúvida que quisesse me assolar, atravessei a avenida entrando na Castillo’s Enterprise segura de que fazia o certo, afinal era meu nome ali. Me peguei repassando várias vezes tudo o que tinha tomado nota mental pra falar para German, o quanto havia ficado chateada com as manchetes nacionais e internacionais, foi um erro grande termos nos conhecido, German só ia me trazer problemas.
— Srta. Saramego que surpresa vê-la aqui novamente. — Uma das loiras plastificadas da recepção que me levou até a sala do German cumprimentou-me esboçando um sorriso, se não me engano o nome dela era Karen.
— Obrigada Karen, na verdade vim falar com o Ger… Sr. Castillo. — Corrigi-me a tempo de falar tão informalmente. Ela concordou metódica, checando o computador.
— Marcou algum horário?
Neguei automaticamente corada, que burrice! O que eu pensava em vir aqui assim? Agora que eu estava aqui, precisava falar com ele, ansiava fortemente vê-lo apesar de tudo.
— Não, mas… Mas é urgente. — Supliquei.
Karen fez sinal positivo com a cabeça, e ligou pra sala de German.
— Desculpe interromper Sr. Castillo, é que a Srta. Saramego está aqui e disse que é urgente. — Ela fez pausa. Meus nervos ficaram a flor da pele. – Não sei, posso permiti-la? Tudo bem, vou mandá-la subir.
Ela desligou voltando sua atenção pra mim, um sorriso formou-se revelando seus dentes branquíssimos todos alinhados corretamente, um nervoso subiu meu corpo o consumindo.
— Pode subir, srta. Saramego. O Sr. Castillo a aguarda.
— Obrigada.
Sorri fraco saindo da recepção, me dirigi categoricamente ao elevador apertando várias vezes o botão pra que chegasse logo. Uma vez que as portas se abriram entrei frenética apertei a cobertura que era onde se situava a sala de German, as portas do elevador se fecharam me fazendo ser consumida por um mix de inquietação e nervoso ali dentro daquele espaço, procurei refrear minha respiração descompassada ao máximo quando ouvi um bipe indicando que tinha chegado ao destino escolhido.
Respira e Inspira Angie.
Me olhei no espelho passando as mãos nos fios rebeldes os arrumando, saí do elevador indo até a sala de German minha pequena Deusa fazia cartazes pedido para que me acalmasse e assim o fiz, dei duas batidas fortes na porta ouvindo um “entre” na sua voz máscula. Entrei o encontrando de costas para mim, falando ao telefone com alguém e parecia irritado. Céus como ficava sexy assim!
“Controle-se Angeles!” Minha Deusa pedia constrangida. Andei até ficar perto de sua mesa, encostando-me no pilar decorado que tinha ali apenas o escutando, mesmo de costas ele fez um sinal para que eu esperasse.
— Como assim ele não fechou negócio? — Sua respiração descompassou-se. – Mas que merda ele pensa que está fazendo? Precisamos da empresa na jogada! — Pausa e um suspiro exasperado. – Não, eu não quero saber! Mande ele falar diretamente comigo a tarde, e se não comparecer os dois serão demitidos! — Pausa. – Estarei no aguardo Carlos.
Ele tirou o telefone do ouvido com a voz mais branda, inconscientemente sorri fraco, German virou-se e sua expressão sisuda deu lugar a sombra de um sorriso magnífico. Desencostei-me do pilar ao vê-lo andar até mim com seus olhos castanhos parecendo que iam me perfurar, ele analisou-me por inteiro e segurei um arfo frustrado ao me perguntar se gostava do que via.
— Olá Srta. Saramego. — Cumprimentou-me com a voz carregada.
— Olá, Sr. Castillo.
Mordi meu lábio sentindo uma tensão forte entre nós.
— Está linda, sabia?
Ruborizei diante de seu elogio, como ele podia mexer tanto comigo? Parei de morder meu lábio ao perceber que me encarava diretamente deixando-me ainda mais envergonhada, como se fosse possível.
— Obrigada…
Agradeci séria.
— A que devo a honra dessa visita tão inesperada? Karen disse que era urgente… — Sua testa enrugou mostrando que havia ficado curioso. Pigarreei me afastando um pouco dele.
— Quero saber por que droga você autorizou a manchete que me classificava como seu affair, ou como as cheerleaders disseram, sua mascote. — Esbravejei irritada. Como pude ser tão ingênua?
German me olhou confuso, trastornado até.
— Angie, que manchete é essa?
O fitei surpresa, era impossível que não soubesse de nada!
— Não se finja de bobo German, com certeza isso tem seu dedo no meio! E estou chateada com toda essa exposição e de o que seus redatores estúpidos acham de mim.
Expliquei aumentando a voz em dois decibéis, nervosa. Ele passou as mãos pelo topete perfeito o bagunçando demonstrando seu nervosismo, e aquilo havia sido tão sexy.
— Primeiro, eu não sei de verdade o que está falando! Segundo, nunca faria nada que te magoasse e não são meus redatores… — Ele deu um passo a frente, aproximando-se de mim. Afastei um passo pra trás. – Pode me mostrar que matérias são essas? Eu posso dar um jeito, Angie.
Respirei profundo ao sentir seu olhar sobre mim.
— Deixa eu ver Angie. — Ordenou sério.
Tirei meu celular da bolsa pesquisando as duas matérias que tinha visto e logo que achei o entreguei o telefone para que visse.
German aparentou está tão ou mais surpreso que eu, como fingia bem… Não poderia acreditar que não tinha nenhum dedo dele nessa história.
— Merda…
Murmurou relendo a notícia, ele voltou seu olhar pra mim parecendo aflito.
— Não sei como isso aconteceu…
Cruzei meus braços insatisfeita com aquela resposta idiota. Ele era um idiota.
— Não acredito em você, affair German? O que estava pensando? Não somos absolutamente nada, a única coisa que fizemos foi tomar um café que eu já considero um erro. Sabia que as pessoas me olham e cochicham na faculdade?
Despejei áspera. Mesmo diante de minha afirmação German não mudou a postura, continuou inabalável.
— Eu não sabia disso Angeles! E nunca classificaria você como um affair, acredite. — German afrouxou a gravata brusco. – Eu vou dar um jeito de tirar isso, não se preocupe.
Ri irônica.
— Agora que já me consideraram sua mascote na faculdade? É a droga do meu nome envolvido, o que todos vão pensar? Que estou com um milionário por interesse? — Questionei quase deixando algumas lágrimas invadirem meu rosto, claramente decepcionada.
— Vai ficar tudo bem, não faça tempestade num copo d’água Angie! Já disse que vou me livrar dessas merdas. — Disse ríspido, já perdendo a paciência. – Acho melhor você sair, tenho uma reunião.
Semicerrei os olhos sem acreditar que havia me expulsado, balancei a cabeça negativamente.
— Te odeio Sr. Castillo!
Cuspi as palavras mentirosamente, quando ia me virar pra sair German segura nos meus braços puxando-me de volta com força, todo meu corpo se arrepiou entrando em contato com seu toque. Como se eu fosse uma boneca de pano me encostou no pilar ainda segurando em meus braços, seu corpo se mantinha a pouquíssima distância do meu ficando quase colados, as respirações ofegantes se encontrando. Era perigoso demais.
— Espera Angie! — Seu olhar oscilava entre meus lábios e meus olhos. – Me desculpa, não deveria ter falado assim com você.
Arfei entreabrindo os lábios, sem desviar o olhar dele.
— Não se preocupe, eu vou dar um jeito em toda essa merda. Te prometo, fica tranquila está bem?
Seu rosto próximo demais do meu me fazia ter borboletas no estômago, concordei com a cabeça aturdida. Mordi meu lábio inferior nervosa, eu precisava de respostas.
— Quero muito morder esses lábios agora, então pare de mordê-los. — Ordenou rouco.
Parei de mordê-lo atônita a sua confissão, cada célula do meu corpo vibrava em resposta a suas palavras.
— Eu também quero muito que faça isso.
Comuniquei num fio de voz. Toda arrepiada.
— Droga Angie, não me tente. Não sei se vou parar se começar… — Sua voz entonou mais grave, e sexy.
Sua mão que repousava no meu braço, moveu-se até o meu pescoço o acariciando com o polegar. Encostei a cabeça no pilar fechando os olhos, sentindo seu contato cálido queimar minha pele deixando um rastro de prazer, sem fazer o menor esforço. Abri meus olhos voltando a realidade.
— Foda-se tudo!
Vociferou com a voz tão cheia de desejo, seus dominadores olhos escuros quase lendo minha mente. German pôs suas mãos no meu pescoço o segurando firme e antes que pudesse raciocinar me beijou ardente, seus lábios ávidos se moviam com força contra os meus me enchendo de luxúria, retribuí a altura envolvendo meus braços na sua nuca tão desesperada por ele. Sem que pudesse conter suspiros ornados pelo prazer saiam dos meus lábios, ele encostou seu corpo no meu me permitindo senti-lo por inteiro.
Gemi movendo os lábios me entregando completamente a ele, sua língua entrou furiosa tomando todo o espaço e ao encontrar minha língua as duas moviam-se fazendo uma dança sensual ao mesmo tempo que travavam uma batalha pela dominação, sua mão que antes estava em minha nuca pegou um de meus braços o encostando bruscamente na parede acima de minha cabeça o prendendo ali. Seu gosto era completamente embriagante, tão maravilhoso como eu nunca havia provado antes, o beijei entregue a ele. O desejava mais do que poderia imaginar.
Sua boca esfomeada quase me fazia pedir por mais, nos afastamos logo que o ar começou a ficar escasso, mas isso não o impediu de me dá vários selinhos demorados descendo sua boca para meu pescoço enquanto eu ofegava segurando um gemido ao sentir seus lábios quentes contra a pele fina. Segurei em seus braços fortes, sentindo a mão que estava no pescoço descer até minha cintura segurando-a firme puxando meu corpo para si ainda mais, quase como se quisesse me fundir consigo. E como um balde de água fria percebi a droga que fazíamos, como eu havia me deixado levar assim? Como se tivesse acordado de um transe, o afastei com muito custo. German fitou-me confuso e tão ofegante quanto eu.
— O que aconteceu? — German questionou soltando minha cintura ao perceber que queria me afastar.
Respirei fundo, controlando minha respiração.
— Você saí por aí beijando todo mudo mesmo?
Retruquei brava.
— Não. Com certeza não.
Revirei os olhos.
— Mal nos conhecemos, isso foi errado. Ontem me disse uma coisa, e hoje me beija… Não te entendo.
Ele tirou a gravata jogando-a em cima de sua mesa.
— Tem razão, não precisa me entender. Mas eu sei que gostou.
Não pude evitar que uma risada sarcástica, o pior é que ele tinha razão.
— Isso não podia ter acontecido, é sério German… Olha, é melhor voltar pra casa.
Ele não falou nada, era tão confuso e tão cheio de bagagens que eu nunca conseguia decifrar seus olhos.
— Espero que consiga resolver isso. Foi uma péssima ideia ter vindo aqui, com licença Sr. Castillo.
Virei-me sem dar tempo de que falasse nada, saí daquela sala o mais rápido que pude. Meu coração palpitava com tanta força que por um minuto achei que fosse pular do meu peito, definitivamente conhecer German Castillo havia sido um grande erro. Assim que o elevador abriu as portas, saí passando pela recepção lépida sem cumprimentar ninguém, atravessei a avenida que por sorte não passava nenhum carro e logo que entrei no fusca pude respirar de alívio.
Liguei o carro, recordando a cada segundo de nossos lábios juntos quase criando um incêndio. Ri sozinha balançando a cabeça num sinal negativo, o melhor a fazer era ir pra casa relaxar um pouco antes de ir trabalhar. Precisava esquecê-lo, mas como faria isso se acabei de ter o melhor beijo da minha vida?
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