Perseu repousava na cama, Auterpe estava ao redor, preocupada, seu irmão havia chegado ao castelo praticamente morto, Merope precisou usar todos os feitiços que conhecia para fazer ele respirar, mas não foi exatamente o poder dela que fez isso.

—Ora, ora, se deixou morrer por ela? – a voz era conhecida, o túnel negro onde ele andava parecia assustador, uma tocha acendeu, revelando a presença de um velho conhecido, Hades estava ali, segurava seu cajado e estava sem capa.

—Eu morri? – Perseu olhou para o deus.

—Ahn...é o que acontece quando você é perfurado em lugares vitais – Hades deu de ombros – Mas sua morte não me surpreende, o que realmente me deixou surpreso foi você ter feito isso por ela.

—Eu faria tudo de novo – Perseu olhou para trás, não havia saída, apenas escuridão — Eu a amo.

—Ah, amor...amor, é algo muito lindo – começaram a caminhar lado a lado, a cada passo uma tocha se acendia e a anterior era apagada, como se o fogo pulasse de tocha em tocha – Me diga, se arrepende de algo?

—De não ter a sequestrado quando retornei para Saphiral – um meio sorriso brotou no rosto dele.

—Gosto dessa modalidade de namoro – o deus riu.

—Agora é tarde demais, ela tem um filho de um maníaco que iria atrás dela até o tártaro e eu estou morto – Perseu deu de ombros.

—O que quer dizer que Saphiral tem um rainha...de dias, mas uma rainha – Hades olhou para o rei – Minha protegida pessoal, aliás – o rei olhou confuso e ia dizer que o primeiro deus a ver a menina foi Hermes – Deixe disso, sou muito mais legal que Hermes! – caminharam mais dois passos – Bom, talvez sua pequena tenha problemas, um bebê não é o melhor candidato a governante e tem todos aqueles perseguidores de herdeiros... — Perseu estava desolado, visivelmente triste, havia ficado pior agora que Hades lembrou desse detalhe – Quer saber? Volte! Pelos cães infernais, eu queria ela aqui, decoraria os Campos Eliseos com seus belos cabelos brancos!

—Voltar? – Perseu olhou confuso.

—Sim, garoto, é surdo? Suma daqui, não o quero, não agora, não com seu coração no mundo dos humanos – Hades fez um movimento com a mão como se o enxotasse – Volte para seu reino, terá muita coisa para resolver ainda. – não houve tempo de Perseu questionar, apenas se sentiu ser sugado e então o ar entrar ardido em suas narinas, ele sentou na cama subitamente, Auterpe suspirou de alívio.

—Vivo! Você está vivo! – a rainha quase gritou e correu ao encontro do irmão e parou quando ia o abraçar, lembrando dos ferimentos, apenas beijou sua bochecha e deu espaço.

—Eu... – ele se deixou cair na cama, foi quando notou a presença de Merope e Linor – O que esse doido faz aqui? – a resina o obrigava a dizer somente a verdade e tem um motivo para a sociedade ser construída de mentiras.

—Precisava de ajuda para tirar as resinas do seu corpo – Merope falou – Foi o melhor que consegui – deu de ombros inconformada.

—Imagine se fosse o pior – Linor franziu o cenho com esse comentário, ele podia errar as vezes, mas não era sempre.

—Farei o que conseguir, majestade – o garoto se aproximou, ele tinha duas pinças nas mãos e Merope segurava uma poção para dor.

Auterpe assistiu a retirada das resinas enquanto pensava em mais cedo, quando o grupo saiu atrás de Estela, ela e William ficaram responsáveis pelos bebês, os primeiros minutos foram desconfortáveis, como se fossem desconhecidos. Ela olhava para ele com Evie no colo e lembrava de como foi um pai perfeito para Orion.

—Entende meus motivos agora? – Auterpe olhou para ele, que estava concentrado na bebê.

—Entendo, não os aceito, mas entendo – William deitou a bebê ao lado do irmão, era fofo os ver junto – Olhando eles assim nem parece que quase mataram Estela – riu, a rainha o acompanhou – Senti sua falta – sussurrou, Auterpe sorriu e deslizou sua mão até a dele.

—Também senti a sua; desculpe não ter contado tudo que precisava saber – ela se aproximou dele – Desculpe – a rainha beijou seu antigo rei honorário, William retribuiu docemente.

—Tudo bem, eu me excedi, agi como meu irmão – William fez uma cara de nojo da qual a mulher riu – Sinto saudades dele.

—Nosso filho está bem, tenha certeza disso – Auterpe acariciou o rosto dele – Mas tem alguém que precisará de um tio para a proteger – virou para o berço, encarando Evie, Eilon teria toda a fúria do pai e todo seu exército para cuidar dele.

—Estevão não se incomodou com os olhos azuis dela – William acariciou o rosto da bebê.

—Mas a nomeou como Eveline, eu achei um castigo – Auterpe torceu o nariz – Gostaria que você ficasse comigo, porém largar essa criança sozinha com seu irmão será muita crueldade.

—Ela tem Estela – Auterpe olhou desacreditada para o homem – O que? Minha cunhada facilmente se ofereceria para ser saco de pancadas no lugar da filha – ele riu, mas não houve companhia – Eu sei, preciso cuidar dela.

Esses momentos maravilhosos foram antes de ouvir os barulhos de desespero no quarto de Perseu, para onde ela foi no mesmo instante, correndo assustada pensando no pior e definitivamente a situação não era boa. Auterpe permaneceu ao lado dele durante todo o tempo.

Estela entrou no quarto um tanto assustada, estava suja de sangue, Estevão logo atrás, William encarou o casal arregalando os olhos.

—Você está ferida? – William perguntou.

—Perseu – Estela balbuciou, ainda estava em choque pelo que ouviu do rei de olhos azuis, era tão sincero, parecia ter saído do fundo de sua alma e tocado diretamente a dela, Estevão nunca havia dito palavras tão doces, nem quando queria a conquistar, nem quando perderam o bebê... – O homem queria Auterpe... – William a olhou nos olhos – Ele queria matar Orion, ela tinha razão, aqui não é um lugar seguro para bebês.

—Não se preocupe, vamos embora logo – Estevão pousou a mão no ombro dela.

—Auterpe tinha razão, aquelas mulheres protegem meu filho – William deixou um sorriso escapar, sentia-se mal por ter duvidado dela.

Mandrik entrou no quarto, Leodak estava deitado na cama e Navi lia um livro em uma das mesas, os dois homens encararam o cavaleiro parado na porta.

—Vocês lutam com coisas muito esquisitas – falou sacudindo os braços. Navi riu. – Aquela coisa consumiu com minha espada!

—Achei que repudiasse o dragão nela – Navi mantinha o sorriso no rosto.

—Sim, mas a lâmina era a melhor do outro lado – Leodak soltou as presilha do peitoral de aço, o que foi pago com um beijo – Se não fosse pela armadura, eu estava morto morto!

—Agradeça a Estevão – debochou Leodak.

—Prefiro voltar nu para aquela campo de batalha – foi o suficiente para todos rirem.

O castelo das safiras ficou em total silêncio por três dias, que foi quando Perseu sentiu-se recuperado para levantar, ele teve uma ajuda divina, Asclépio o visitou e o curou, então ele decidiu que era hora de acabar com aquilo, finalizar a aliança que lhe trouxe tanta alegria quanto tristeza, ele precisava fechar o portal.

Naquela manhã ele convocou uma reunião com Estevão, que levou Mandrik, Estela e William, que mais estava acompanhando Auterpe do que acompanhando o irmão. Sentados na mesa quase todos sugeriam algo, que era imediatamente acatado pelo outro rei, a rainha dos rubis estava incomodada com aquilo, Estevão estava ganhando tudo que queria, mas, em contra partida, Perseu também poderia pedir qualquer coisa que seria dado, será que o rei de Calasir abriria mão de sua rainha para firmar a aliança? Talvez, mas jamais abriria mão do menino e Estela ficaria infeliz sem um de seus filhos.

—Seria só isso? – Navi perguntou fechando a lista de pedidos – Vou reunir tudo e embarcar, levará uns dois dias.

— Eu tenho um pedido – pela primeira vez Estela falou na reunião – Gostaria que abrissem o portal uma vez a cada doze luas para que o nosso povo transite entre o povo de vocês e vice-versa e haja comércio, de nada adiantará levarmos os itens agora e nunca mais retornar, o mesmo vale para vocês – Estevão ficou surpreso com a astúcia da esposa, jamais imaginou que ela pediria algo assim, quase no mesmo instante ficou irritado por não ter pensado nisso primeiro.

—Claro, podemos providenciar – Perseu sorriu, ele entendeu que Estela não estava preocupada com o comércio ou qualquer outra coisa, o rei das safiras conseguia ver a súplica nos olhos dela, e tudo que viesse dela seria aceito.

Eles se retiraram quando a reunião terminou, Auterpe confrontou Perseu, dizendo que aquilo era irresponsável, que ele simplesmente acatou tudo que Estevão pediu.

—Eu não aceitei por ele, aceitei por Estela e Artemisa – foi o suficiente para a rainha se calar.

Auterpe foi ao quarto de Estela, ela estava com as amas de leite, conseguia ver a frustração no rosto da rainha, olhava com atenção para as mulheres que alimentavam seus filhos,a rainha dos rubis fez um sinal para que a outra o seguisse, Estela suspirou e a seguiu.

—Quero te mostrar uma coisa – sorriu entrelaçando o braço no dela, elas seguiram por um corredor até uma enorme porta, a qual Auterpe abriu suavemente, revelando um magnífico quarto, era um cômodo enorme, todo pintado de branco com alguns tons de dourado e rosa; havia duas camas, uma que parecia nova, e era, essa cama tinha um dossel rosa e leves tons de azul e linhas douradas. Atrás da cabeceira da cama havia um desenho, mas seguia o mosaico de pedras cor de rosa, um desenho de um jardim e cada flor continha asas, e pintado de dourado havia uma vareta e em torno dela tinham duas serpentes, que se enrolam, em sentido inverso. O mesmo objeto que o homem segurava quando foi ver Evie estava desenhado na parede. Acima da cama estava escrita Artemisa, com um fio de lã rosa, Estela notou algo no canto da parede, destoava do restante, era uma chave dourada dentro de uma moldura e na mesinha de cabeceira tinha um objeto estranho, era uma pequena escultura de um cão de três cabeças.

—Artemisa? – olhou para Auterpe.

—Você a chama de Evie – sorriu – Esse é um quarto de rainha, será dela quando vir para Saphiral, seja a passeio, seja para governar – uma pontada acertou o coração de Estela, Perseu havia preparo tudo aquilo para a bebê deles? Não duvidava depois das palavras que ele disse.

—Auterpe? O que faz aqui? – Perseu apareceu na porta, olhou da irmã para a garota – Estela, eu posso explicar...

—Vou deixar vocês sozinhos – Auterpe saiu e fechou a porta na sequência, deixando os dois para o lado de dentro, Perseu deu passos suaves para se aproximar da garota, que não fugiu, diferente do que ele achou que faria.

—Isso é para Evie? – Perseu assentiu.

—Aqui ela será Artemisa, princesa e herdeira de Saphiral – ele pegou na mão dela – Você pode recusar...

—Jamais faria isso com nossa filha – eles se encararam – Eu quero que um dia ela venha para cá, conheça seu povo, seu reino e o pai dela – Perseu sorriu – Jamais pediria para abrir o portal se não quisesse que ela o atravessasse. – ele acariciou o rosto dela – Eu sinto muito pelo que falei, não queria ser rude com você – ela levou a mão na bochecha dele – E gostaria muito de ter uma vida ao seu lado – encostaram as testas – Mas tenho que voltar, tenho Jaspe, Sinler e os filhotes dele, tenho obrigações com o povo que me fez rainha.

—Estevão a fez rainha – o sorriso de desmanchou.

—Um título não é o que te torna rei ou rainha, isso acontece quando o povo te reconhece como tal, quando você se sacrifica por eles – ela mantinha suas testas juntas, embalando suavemente seus corpos.

—O que você sacrificou pelo seu povo? – as mãos dele desceram para a cintura dela.

—Minha felicidade – Estela olhou nos olhos de Perseu, lembraria por toda sua vida o que haviam tido e o quão lindo foi, poderia morar no abraço dele – Eu também amo você – sussurrou antes de selar os lábios um no outro, transformando o toque em um beijo suave e calmo – Sempre te amarei – Estela se afastou e saiu pela porta sem olhar para trás, não queria mostrar para Perseu o quanto seus olhos estavam cheios de lágrimas, ela sentiria falta dele, dos toques dele, da calma e do amor dele.

Perseu ficou parado no meio do quarto, as lágrimas desciam por seu rosto calmamente, ela estava fazendo o que era o certo, Estela tinha razão, ela precisava voltar para Calasir, era sua terra, ou pelo menos, a terra que a adotou, sabia que não o fizeram por medo, era impossível ter medo dela, Estevão sabia disso melhor que ninguém e usava isso ao seu favor.

Estela secou as lágrimas no caminho até o quarto, não poderia entrar chorando, assim que abriu a porta viu Estevão e William, cada um com um bebê no colo, entrou e se aproximou deles, dando um beijo nos filhos antes de o fazer no marido, que sorriu para ela.

—O que é essa fita dourada? – Estevão perguntou, ela engoliu em seco, como explicaria que um homem estranho entrou e colocou isso na filha dela antes de sumir?

—Auterpe deu – mentiu – Disse que era um presente, uma lembrança que rainhas costumam dar para meninas que nascem em seus reinos – a mentira era boa, Auterpe não iria revelar a verdade, ao menos ela esperava que não.

Mandrik estava deitado na cama depois de um longo banho, estava completamente relaxado, sorria para o teto enquanto Leodak estava com a cabeça em seu peito, onde fazia círculos imaginários na pele enquanto o cavaleiro acariciava seus cabelos pensando que naquela posição só não confundiria ele com Estevão porque o rei era muito maior. Navi entrou no quarto, fechando a porta antes que alguém os visse.

—A partida de vocês está próxima – anunciou e Leodak sentou na cama.

—Como ficaremos? – o loiro perguntou desolado.

—Eu ainda vou ver – Navi não queria abandonar sua dupla, eles haviam se tornado um só, não gostaria de se separar, eram perfeito juntos.

Era isso que ele trataria com Perseu naquele entardecer, o conselheiro chegou um tanto receoso, contou como se envolveu com os do outro lado, como sentia amor por eles, pelos dois e o rei, contrariando suas expectativas, atendeu seu pedido, dizendo que já havia pessoas demais sofrendo por amor para ele também sofrer, o liberou de suas funções de conselheiro, designaria outro, talvez Merope, iria ver ainda. Navi o abraçou, sorrindo, um sorriso mais largo que seu rosto, a notícia foi muito bem recebida por Mandrik e Leodak.

Então chegou a vez de Mandrik conversar com seu rei, avisar que Navi iria com eles, assim como as amas de leite. Ele chamou Estevão para uma sala vazia, talvez Estevão não recebesse a ideia bem, não sabia.

—O que precisa? – Estevão falou sentando numa poltrona.

—Eu...bem, Navi ficará conosco... – o rei arqueou a sobrancelha – Em Calasir. Ele irá – Estevão sorriu pelo nervosismo do conselheiro.

—Por que está nervoso? – o amigo sorriu.

—Porque você já aceita Leodak, mais um seria abuso – Mandrik bebeu um longo gole de vinho.

—E desde quando você se preocupa em não ser abusado? – eles riram – Você pode ter um harém de homens, se quiser, sou seu amigo, te apoio, como você me apoiou – Estevão sorriu verdadeiramente.

—Eu não apoiei seu casamento com a rata – Mandrik riu.

—Não, mas te perdoo – um sorriso brincou nos lábios do outro – Leve seu garoto, eu quero felicidade no meu reino!

—Vai mesmo mandar fazer uma estátua de Eilon? – perguntou depois de um certo silêncio.

—Sim, quando ele crescer, atingir a maioridade e de preferência montar um dragão – encolheu os ombros e os relaxou – Grandes tempos nos esperam.

—A última vez que você disse isso eu passei um ano lutando ao seu lado – ele riu sentando na frente do amigo.

Enquanto Estevão e Mandrik conversavam na sala, Perseu caminhou até o quarto de Estela em passos rápidos, ele bateu na porta suavemente, a qual ela abriu, o quarto estava vazio, o que era bom, não havia nenhuma das amas, nem Auterpe, nem William e o melhor, não havia Estevão; ele entrou sorrindo para ela.

—Eu queria a ver – olhou para o berço, Estela foi na frente, eles pararam lado a lado, admirando os bebês, Evie se mexeu, resmungou e abriu os olhos, Perseu sorriu e a pegou com cuidado e delicadeza – Minha pequena, um dia você voltará aqui e dormirá em seu próprio quarto – beijou a testa da menina e olhou para Estela, que sorria com a cena – Ela é tão linda – Perseu sorriu bobo – O refúgio da minha herdeira será diferente, mas estará igualmente protegida – beijou os cabelos da mãe.

—Eu cuidarei dela – afagou os cabelinhos da bebê – Quando for a hora sei que irá voltar e nada a impedirá.

—Sim – Perseu sorriu, acomodou a menina em um braço e enfiou a mão no bolso, retirando duas pulseiras – Esse é um presente de um deus para os gêmeos – Estela as pegou, analisou com cuidado, era uma bela joia, havia pequenos desenhos no ouro, parou na pedra verde – É uma safira verde, não é uma esmeralda. – ela sorriu e encaixou no pequeno pulso de Evie, fazendo o mesmo com Eilon – Por que casar os dois?

—Porque é como fazíamos em Deragona – ela acariciou o rosto do menino – Mas sinto que não será com Artemisa que Eilon casará – Perseu sorriu ao ouvir a voz de Estela pronunciando o nome que ele escolheu para a filha.

O coração do rei das safiras pesou quando saiu do quarto pensando que logo o portal seria fechado porque a realeza de Calasir partiria, levando sua filha na comitiva, no entanto, ele sabia que era o melhor, Artemisa estaria segura no outro lado e bem sabia que William iria vir todo ano em busca de Orion, nem que fosse para passarem uns dias juntos, talvez, quando a menina ficasse grande suficiente, poderia pedir para ele a trazer junto, sabia que William não negaria isso.

Auterpe chamou o pai do seu filho até o jardim, venda do os olhos dele com uma tira de seda rosa que encontrou em sua gaveta, o avisou de cada degrau, o desviou de qualquer coisa que fosse o machucar, até que parou e levantou a faixa, a visão que William teve aqueceu seu coração, fez um sorriso brotar em seu rosto e lágrimas em seus olhos.

—Meu filho – ele tomou o bebê dos braços da mulher que o carregava – Meu amor, como você está? Papai sentiu muita saudade sua – cheirou os cabelos e beijou a pequena testa.

—Pedi para as guardiãs trazerem ele rapidamente, enquanto não tem ameaças eminentes – Auterpe se aproximou e beijou o pequeno – Me prometa que virá o visitar quando o portal abrir novamente.

—Não preciso nem prometer, é óbvio que irei vir – beijou o bebê novamente.

No fim da tarde, quando a cúpula de proteção seria erguida, William entregou Orion para a guardiã, sem escândalos dessa vez, apenas uma ou outra lágrima, entendia porque aquilo era certo e o quanto seu filho precisava ser protegido, deu um último beijo prometendo que em breve viria o ver. A mulher foi embora e ele abraçou Auterpe.

—Obrigado, obrigado por me dar um filho tão lindo.

Auterpe sorriu, em breve precisaria se despedir de William também e não sabia se estava pronta para isso.