Notas iniciais
Não era pra ter ficado tão grande assim... Mas, não consigo evitar... ~Enjoy~♥

Auterpe avaliava a carta sorrindo, finalmente voltaria para Ruphira, não ficaria em um Reino onde mulheres não tem voz, nem nada, entretanto Navi esticou a mão para pegar a carta.

—O que foi? – A princesa perguntou.

—Eu quero ver uma coisa. – Ela hesitou de começou. – Eu quem escrevo as cartas do Rei Perseu; quero ver uma coisa. – Auterpe entregou depois de uns segundos. Ao contrário da Princesa o Conselheiro revirou a carta palavra por palavra, linha por linha e colocou a mão na boca por uns segundos, ninguém além da Princesa percebeu.

—O que foi Navi? Que cara é essa? Escrevem melhor que você? – Todos olharam pra ele, Estela tinha sua atenção nele.

—Aan. A Princesa leu a carta com atenção?

—Tem algo de errado? – Estevão perguntou, á segundos a Princesa estava contente, e agora o clima mudou. – Aconteceu algo? A invasão deu errado? – Ele entendia como invasões eram complicadas, seu reino já esteve em ruínas. Pelo visto o Rei teimoso precisaria de ajuda.

—O que eu não vi com atenção? – Auterpe perguntando deixando a comida de lado. – Responde Navi! – O Conselho engoliu em seco, porém, discretamente Mandrik apertou o joelho dele.

—Quem assinou a carta foi o Heratho. – Ela concordou. – Em todas as batalhas quem assina a carta é o Rei. – Ela acenou devagar. – Ele não mandaria um Guardião assinar a carta se não estivesse (...) em perigo.

—Impossível! – Auterpe exclamou. – Foi uma batalha limpa! A coroa caiu. Ele está com ferimentos, mas, é normal, é normal ele se machucar. – Navi negou. – Não é? – William percebeu o vacilo na voz da Princesa e segurou em sua mão, ela segurou de volta. A fênix ainda estava pousada no ombro de Estela. – Explica como em um duelo limpo, mais limpo que ele teve, ele pode ficar em perigo?

—Ele não recomenda o retorno a Saphiral. Mesmo em lutas limpas, ou não, ele assina nas cartas. Eu escrevo, mas, ele assina. – Auterpe entendeu, e segurou a respiração.

—Como Perseu se feriu? – Ela levantou com tudo da mesa e se dirigiu a seu quarto. William tentou acompanha-la, mas, até ele queria entender como. Navi estava hesitante e nervoso, ele conhecia bem Perseu, nunca seria seu feitio irritar ou preocupar sua irmã.

—Mas, é seguro para o retorno da Princesa? – William perguntou preocupado, será por causa disso que Auterpe ficou frustrada e nervosa?

—Sim. Ela irá para Ruphira, que é distante de Saphiral.

—Então, porque ela ficou nervosa? – Estevão perguntou. – No que isso afeta ela? Se são Reinos distantes?

—O Rei Perseu nunca se fere em batalhas, não o suficiente para outra pessoa assinar sua carta. Seja o que ele fez, ele fez rápido e sem preparo nenhum.

—Mas, Auterpe disse que ele é um ótimo estrategista. – William voltou a perguntar. – Tem certeza que você não está tentando assustar ela?

—Eu tenho certeza que ele não está fazendo isso. – Mandrik interveio.

—Não estou falando com você. – William retrucou.

—Se calme William. – Estevão mandou, e o outro se sentou calado. – Tenho certeza que você conhece o seu Rei bem o suficiente para saber que ele pode ter se ferido. – Antes dele dizer algo, Estevão continuou. – No entretanto, como ele se machucaria com aquele dragão marinho gigantesco?

—Bem...

—Ao contrário de você; ele não usa os animais dele para defesa e se amostrar. – William disse irritado se levantando. – Ele acha isso cruel. Ou seja, ele luta com as mãos.

—Pelo menos ele luta, e não evita nenhuma batalha! – Estevão começou a provocar o irmão. Antes que se escalasse mais, Mandrik segurou o Rei e Estela se levantou colocando a mão sobre o ombro do cunhado.

—Eu verei como Auterpe está. – Ela sabia que aquela discussão se seguiria por um longo tempo, ainda mais porque William citou os dragões que Estevão usou contra aquelas pessoas uma vez. Porém, da última vez foi preciso, foi por castigo, o que ela aceitou que era o certo a se fazer, aliás, mataram seu primeiro bebê; naquela situação foi aceitável. Já a primeira, ela não queria opinar.

A fênix ainda estava do seu lado, e por um momento ela parou, porque a ave pousou em seu ombro? Era do Reino de Perseu e Auterpe, no mínimo, ele deveria ter pousado no ombro de Auterpe, mas, não. Eis, que se o que o Conselheiro falou for verdade, será que ele estava machucado? Qual seria o nível de machucado dele? Os bebês estavam calmos, então ela dava passos calmos, devagar em direção ao quarto de Auterpe. Depois do que passou da última vez, não queria que os bebês começassem a brigar de novo. Não queria ter pesadelos, não queria sentir que iria morrer. Ela bateu na porta e a Princesa disse para ela entrar. Ela estava de pé na janela, observando o ambiente mais uma vez.

—Está tudo bem? – Auterpe perguntou fazendo um movimento para que Estela se sentasse em sua cama. – Quer alguma coisa? Posso ajudar em algo? – Ela secou suas lágrimas e deu atenção a Rainha.

—Estou bem, vim saber, como você está. Você parecia muito abalada. – Auterpe deu um sorriso.

—Melerofonte gostou de você. – Estela ergueu uma sobrancelha, não entendeu. – A fênix. O nome dele é Melerofonte. E é do Perseu. – Ela se sentou do lado de Estela na cama. – Não me surpreende que ele queira ficar do seu lado. – Estela começou a ficar nervosa, citar o Rei de cabelos brancos sempre remetia às duas noites marcantes; pra ela. Uma na praia das lavandas, que com certeza foi sem dúvidas uma das melhores da sua vida, e da noite em foi discutido em como ela sentiria que ela tinha um filho dele. – Estevão ou William seguiriam você?

—Não. – Ela respondeu receosa. – Estavam. – Ela iria começar a dizer muitas coisas, pra esconder seu nervosismo, mas, não adiantaria, Auterpe parecia ler sua alma, sua mente e seus pensamentos.

—Um dos seus bebês não foi feito para você gerar. – Auterpe disse calmamente segurando em suas mãos. Estela ficou sem ar. E eu senti. – Ela colocou a mão na barriga de Estela por uns segundos, não o suficiente para eles se mexerem e começarem a lutar. – E eu sei que você saiba qual seu corpo não foi feito para gerar. – Houve um longo silêncio. – Eu não vou te julgar. Eu já briguei com Perseu. – Estela estava imóvel. – Eles vão lutar porque não se aceitam. E vão te machucar.

—Eles vão me matar? – Era dolorido, quer

—Não. Eles vão se matar! – Estela abaixou a cabeça, queria chorar, Auterpe estava tão bem, e mesmo que seu bebê mexesse ela sabia que a Princesa não iria sucumbir a dor. E agora saber que seus filhos poderiam se matar aquilo era amedrontador. – A fênix. – A princesa apontou para a ave. – Vai acalmar o bebê que você não está preparada para gerar. – Auterpe queria acariciar a cabeça de Estela, para ela saber que ela não precisava ter medo, ou sentir-se sozinha, mas, a fênix do seu irmão protegeria sangue de Saphiral.

—Eu não vou aguentar quase dez luas deles lutando

—Oh. – Auterpe queria dizer que bebês do outro lado nascem muito mais rápido. Mas, preferiu que ela descobrisse por si mesma, pois seria uma surpresa boa e um grande alivio. – (...) A fênix vai te deixar apenas com a dor de uma criança. – Estela queria parecer mais calma.

—Você ficou abalada com o que o Conselheiro do seu irmão disse? – A Princesa ficou atônita. E respirou fundo.

—Perseu é muito bom em combates. Se machucar não está nas características dele. – Ela mexia as mãos, parecia nervosa. – Eu não compreendo como um duelo limpo o machucaria.

—O que seria um duelo limpo? Eu ouvi William dizendo que ele não usa os dragões dele. Se ele usar é um duelo sangrento?

—Um duelo limpo é quando ele não usa nenhuma arma. Um duelo sangrento ele usa uma espada. E ele é bom em duelos limpos. É mais rápido, ágil e é maneira mais rápida de acabar com um sofrimento.

—Tem alguma coisa que ele não seja bom? – Ela queria desviar a frustração de Auterpe.

—Em relações amorosas. – Ela sorriu para a Rainha. – Mas, ele é um bom Rei. Mas, o fato de meras Esmeraldas terem jogado uma Maldição de Porcelana nele, não me deixa mais tranquila.

—O que é Maldição de Porcelana?

—Sinceramente Rainha, eu não sei. Nunca ouvir falar disso... – Ela se levantou rápido demais e sentiu um chute. Então se acalmou. – Precisamos arrumar as coisas para irmos para Ruphira! Você vai amar Ruphira! – Ela fez uma pausa. – Espero que vocês tenham roupas coloridas.

—Porque?

—Não queremos começar uma guerra, não é? Vou ver o que Hamal e Tmalo indicam para vocês. – Ela ajudou Estela a se levantar. – Vamos Estela, finalmente você vai ser um pouquinho livre. – Antes que ela mencionasse a dor, Auterpe inclinou a cabeça com um sorriso. – Temos água quente para você, então, não se preocupe com a dor. Você é mais forte do que aparenta. – Estela sorriu, nesse momento William bateu a porta e pediu licença para entrar.

—Está melhor? – Ele tinha uma feição de preocupado.

—Claro que estou. Vamos para Ruphira. – William entrou no quarto e a abraçou. Gostava de vê-la feliz, finalmente iria vê-la como uma Rainha, veria como é seu lado e talvez, vendo Auterpe sendo independente, Estela, sua cunhada pegasse o mesmo exemplo. Pois, Estela tinha tudo a seu favor, precisava apenas parar de ter medo. E acreditar. – E claro, precisamos arrumar outras cores para vocês. – Ela olhou para Estela, acho que você ficaria divina de roxo!

—Aan... Estevão não iria gostar. – William disse baixinho.

—Então, ele prefere morrer a usar outra cor? – Ele passou a mão na testa pensativo. – Foi o que eu pensei. – E dizendo isso ela deu um beijo em William. – Céus, Perseu não levou as roupas dele embora. – Ela revirou os olhos. – Ele é o irmão mais velho. – Ela foi até a porta. – Hamal! Quero ajuda! Tmalo! Preciso de ajuda.

William sorriu para Estela de forma cumplice como sempre faziam. Ele tem sido uma ótima companhia, ele estava mais calmo, mais tranquilo e muito animado, com certeza estava animado por Auterpe voltar para casa. Como ela queria voltar para sua casa em Deragona e refazer tudo, talvez logo isso seria possível, Sinler tinha colocado ovos, ela estava esperando filhos cavaleiros de dragão e com certeza, não seria mais a única, mais deragoniano viriam e logo, povoariam aquele lugar.

—Se sente bem para ir? – William perguntou para ela.

—Acho que sim. Vai ser bom conhecer um lugar novo, sem ninguém que iria te atacar. – Ela concordou, porém, desviou o olhar.

—O que foi cunhadinha?

—Estevão não vai querer que eu vá de outra cor. Você sabe... – William pensou um pouco.

—E se, você usasse roxo só para ir para Ruphira? Pode usar verde depois, aliás, você tem que estar confortável e você está grávida. – Ele focou em seus olhos verdes claros por um tempo, queria que ela entendesse que no final ela tinha uma escolha, ao menos de roupas, ao menos uma vez. – E mudar de cor é ótimo, não acha?

—Queria que Estevão compreendesse isso. – O garoto depositou um beijo na testa dela.

—Eu vou arrumar algo roxo! – Estela sorriu, eles eram um bom casal. Auterpe voltou ao quarto com um vestido roxo simples, sem muita costura, que não apertava o corpo, com longas mangas e um desenho dourado de uma serpente. Estevão enlouqueceria se a visse com algo que não fosse um dragão.

—Eu não posso usar isso Princesa. – Estela recusou elegantemente. Auterpe fez um bico de despontada. – Não é um dragão, Estevão ficaria chateado de não mostrar que ele é um Rei de outro reino. – Auterpe riu.

—Mas, não precisa muito pra eles saberem disso, ele tem cabelos normais. Por favor. A cor mais normal que eu já vi em um Rei foi dourado, como o sol. – Estela ficou surpresa. – Se não puder usar, guarde, é um presente meu. – Ela segurou o vestido.

—Obrigada Princesa Auterpe.

—Me chama de Auterpe. Sem Princesa! Vamos, arrumar nossas coisas!

Eles passaram o resto do dia organizando as coisas que seriam levadas, na viagem de três dias, assim que Estela entrou no quarto com o vestido em mãos, Estevão a olhou sem entender. Ele estava tomando um gole de vinho, e parou.

—O que é isso querida?

—Bem, Auterpe disse que seria bom se fossemos com uma roupa sem ser. – Ele pegou o vestido de suas mãos. – É um presente dela!

—Mas, você não precisa disso, usamos verde. Não combina com nosso Reino. – Ele não deixou Estela dizer nada. – Ela vai entender que como somos os visitantes vamos como nos sentimos a vontade. Assim como eles vieram à vontade.

—Eles acabaram de terminar uma guerra. E se acontecer outra? – Ele colocou o dedo na boca dela para que ela ficasse em silêncio.

—Pode ser isso que ela quer que você pense. Não acredito que uma cor de roupa cause um alvoroço. Como Rei e Rainha de Calasir, da casa de Balaur, nós vamos usar verde. – Estela concordou. Sabia que não tinha como discordar. – E essa ave aí? – Estevão tentou tirar a fênix do ombro dela, porém, quase levou uma bicada. – Ouh! É uma ave muito bonita mesmo. Como demoramos tanto tempo para achar esse lugar? Se não fosse Franny... – Estela esticou os dedos para que ela saísse de seu ombro e a deixou pousar em um ponto do quarto. – O Rei Perseu podia dividir esses animais fantásticos conosco, seriamos reverenciados por todos os cantos.

—Mas, são dele. Não acho que ele gostaria de. – De repente a luta com seus bebês começou, cada movimento foi sentido por ela, e suas pernas perderam a força, Estevão a segurou antes que ela caísse, ela segurava sua barriga, como se acariciá-la fosse fazer eles pararem de lutar, os movimentos violentos poderiam ser sentidos com o mero toque dela, em um grito rápido, já começaram a esquentar a água para poderem colocar ela dentro para que as dores parassem.

E por um momento ele pensou se seria bom ou não irem nessa viagem. Mas, ele já havia concordado. Estava levando Linor, e levaria qualquer tipo de ervas para ameninar essas dores, havia muita coisa do outro lado que ele queria para si, para enfim se tornar intocável. Ele observou Estela na água quente. Eles estavam calmos.

—Acha viável levar Estela para essa viagem? – Linor perguntou preocupado. – Antes que Estevão pensasse a respeito, Estela segurou na mão do marido e deu um sorriso para ele.

—Eu quero ir querido. – Ela disse baixinho. – Vou ficar bem. – Estevão concordou, ela sabia que a fênix tinha que está por perto, pois, se um bebê estivesse quieto, o outro se mexeria tranquilamente. No final, será que Perseu sabia disso? Tinha noção? Ou em como sua visão caindo no abismo, ele estava se perguntando se era ou não possível?

*

Eles zarparam ao nascer do dia, todas as malas estavam prontas, os soldados que iriam com eles, e quais deixariam o covil bem protegido, Estevão não explicou porque, mas, disse que seria melhor se os dragões, não fossem incomodados ou estressados. Estevão, Estela, Mandrik, Leodak, William, Linor e outros soldados se juntaram à Auterpe, Navi, Hamal e Tmalo, sobre o navio de velas cor de rosa. O que foi trocado para velas roxas. O navio por dentro era gigante, parecia uma mansão, haviam quartos, quadros, espaço para as malas e para qualquer outra pessoa. Era incrível. O navio se mexia rapidamente e suavemente graças as escamas de monstro marinho, ou seja, não era possível sentirem o balançar do navio. Franny ofereceu-se se para guia-los até o portal, porém, Auterpe disse educadamente que eles iriam a outro lugar, não no reino que ele encontrou, e a viagem seguiu com Tmalo e Navi fazendo o retorno por Ruphira que era um pouco mais longe de onde Franny viu o portal.

Melerofonte se manteve por perto de Estela grande parte da viagem, e ela dormir grande parte da viagem, assim, como a Rainha de Calasir. Isso favoreceu para que Mandrik e Estevão se reunissem, em m dos quartos do navio afastado dos demais para beber vinho e conversarem sobre como iriam abordar uma aliança vantajosa para eles, apenas o fato de terem uma ave de uma coloração tão linda, tão inteligente e única, junto com o dragão marinho que ele tinha, significava que se eles fossem espertos, fariam uma aliança que seria ótima para Estevão, sim, ele tinha dois dragões, logo viriam mais, claro, ele tinha um herdeiro, em breve viriam mais, as pedras preciosas que os membros da comitiva do Rei contaram, que claramente ele não precisava, e ele usaria para enfeitar mais o seu reino.

—Não sei se conseguiríamos uma aliança muito vantajosa. – Mandrik disse bebendo um gole de vinho. – Ele nem deixou ajudarmos ele na guerra. Qual seria nossa vantagem com ele?

—Eu acredito que ele precise de reinos desse lado para seus novos Guardiões. – Estevão deu um longo gole. – Descobri que aquele Nottpos é desse lado.

—Do nosso lado?

—Sim, significando que seria mais fácil mantermos eles conosco, até eles serem levados para o outro lado. Daríamos abrigo e comida. – Houve uma pausa. – Qual seria o outro motivo querer fazer uma aliança se não fosse por isso?

—Pode ser, por esse lado faz sentido. Ou ele não teria vindo tão rapidamente.

—E como ele é muito bondoso, vai aceitar nossa estadia e claro, entregar o que precisaríamos. – Estevão disse brindando com Mandrik antes de darem mais um gole, pelo visto seria tudo muito fácil.

O último dia de viagem fizerem com que toda a tripulação subisse ao convés para admirar a vista, mesmo que tudo que eles pudessem ver fosse o longo e vasto mar. Foi quando Tmalo pediu para que eles segurassem em alguma coisa. Auterpe foi para frente do navio e viu o que parecia ser uma enorme montanha e ilha em alto mar, dividida em dois, com uma minúscula passagem, foi quando todos sentiram um choque passar pelos corpos, uma energia que abraçava e fazia cócegas por cada parte do corpo, os fazendo fechar os olhos; e quando abriram viram muito mais do que apenas o mar.

Estela estava encantada, enquanto os demais estavam boquiabertos, incluindo quem era de Saphiral, eles nunca foram para Ruphira. As casas de lá eram decoradas em metais e diversas pedras preciosas, algumas árvores brotavam do mar, e eram frutíferas, haviam inúmeros dragões voando sobre o local, Estela contou nove, dois azuis, cinco cinzas e dois roxos, de vários tipos, haviam muitas montanhas que formavam uma grande floresta, e nela haviam construções que de longe podia se perceber que eram de ouro. O grande acumulo de peixes e animais aquáticos que rodavam sobre o navio à medida que avançavam mostrava o quanto aquele lugar além de lindo era ricamente vivo. Haviam outras criaturas além dos dragões que voavam, mas, ninguém conseguia identificar o que era. Quando chegaram perto ao ponto, não havia nenhum navio, além do que acabara de chegar. Assim que Auterpe desceu alguns moradores observaram de longe, e em seguida correram em direção à ela. O resto ficou observando no navio.

—Vossa Majestade voltou! – Um jovem de cabelos prateados e com roupas cheias de plumas roxas se aproximou da Rainha que ao fazer uma reverencia parou. – Está gestante! – Auterpe riu. – Foi com algum deus? – Houve um silêncio. – Se for com...

—Não Lennus! – Ela exclamou o interrompendo. É de um mortal. – Ela acenou para William que acenou de volta timidamente. Ela fez um sinal para que ele descesse do navio. William observava todo o ambiente, era literalmente um show de cores, vivo e aparentemente muito alegre. – William, esse é Lennus, meu Conselheiro real. – O Conselheiro fez uma reverencia e William o imitou. Auterpe sorriu, achou fofo.

—E suponho que seja a comitiva visitante. – Lennus encarou Navi que torceu o nariz. Percebendo que aquilo poderia virar uma briga, ela tomou a frente.

—São meus convidados. Meu amado povo de Ruphira. – Ela segurou na mão de William, ele estava usando um colete roxo que ele encontrou no mercado antes deles partirem, era simples, não tinha muitos adornos, mais combinava com a blusa branca que ele usava por baixo. – Quero apresentar o Rei de Calasir e a Rainha de Calasir, da casa de Balaur; Estevão e Estela. – Eles desceram devagar, e quando chegaram ao perto de Auterpe perceberam que havia uma multidão ao redor deles. – Ela também está grávida, por isso, vamos com calma. – William admirava como ela estava feliz. – Temos o Conselheiro deles Mandrik, alguns guardas e o curandeiro deles. E seremos todos muito receptivos com eles! – Houve um grande grito de alegria e algumas crianças entregaram flores para Auterpe e para toda comitiva de Estevão.

Isso é incrível!— Estevão sussurrou para Mandrik. – Eles sempre fazem isso, será?

—E os outros? – William apontou para comitiva de Perseu. Auterpe olhou para eles.

—Vocês querem descer? – Tmalo negou junto com Hamal. – Eles são os De Cleóta, e eu acho que eles não querem descer. – Tmalo cutucou Navi. Ele iria deixar os “companheiros” em Ruphira? Navi olhou para Mandrik fazendo um sinal para ele se aproximar. Discretamente ele o fez, enquanto Auterpe elogiava Estela e dizia que ela estava esperando gêmeos, foi quando jovens garotas trouxeram panos para ela, Auterpe quase pulou de alegria, era para seus bebês, os gêmeos dela.

—Eu não posso ficar aqui com vocês.

—Porque não? O povo parece muito receptivo. – Navi os olhou novamente.

—Eles são. Mas, são Rubis, nós somos Safiras e temos que ver como o Rei Perseu está. Estarei em Saphiral quando vocês visitarem lá. – Mandrik acenou positivamente dando um beijo rápido em seus lábios. Ele se voltou para Auterpe. – A Princesa de Saphiral está bem? Confortável?

—Estou. Diga ao meu irmão que cheguei bem. E que verei ele em breve. – A fênix que estava com Estela não saiu de seu ombro e quando ela foi dizer para levarem a ave de volta, Auterpe segurou na mão dela, fazendo um gesto com a cabeça para ela não fazer isso.

—Estaremos à sua espera! – Navi disse levando o navio depois que os soldados descarregaram as malas deles. Na verdade, não todas, algumas ficaram e foram para Saphiral, pois Estevão queria fazer negócios com Perseu.

—Auterpe eles são muito animados. Você preparou isso para nossa vinda? – William perguntou animado.

—Não, eles sempre fazem isso quando estou fora, eles estão sempre á minha disposição, eles são adoráveis. Acho que podemos caminhar até o castelo.

Não era longe, nem havia subidas, porém, antes dela perguntar se poderia pedir uma carruagem para Estela já que ela precisaria mais para evitar se cansar muito, uma mulher alta, de pele escura, de aparência jovem e forte, adornada com flores e penas surgiu na frente de Auterpe que se afastou com tudo.

—Auterpe...

—Huixtocihuatl... – Ela respondeu fazendo uma reverencia, assim como todos os habitantes, os convidados foram os últimos a fazerem isso, porém a mulher impediu que Estela o fizesse, e tinha um motivo. Ela estava grávida, e na presença daquela deusa os bebês poderiam nascer de imediato. – Quanta honra!

—A Princesa então, está esperando um Herdeiro. – A deusa olhou em volta. – Se levantem. Quem é o pai dessa criança? Por acaso é um deus ou.

—É ele! – Ela apresentou William que estava petrificado, a mulher era alta e sinceramente, não usava muitos tecidos para cobrir as pernas e a barriga. Mas, só pelo tamanho e como ela apareceu deu mais medo do que outra coisa.

—E suponho que você seja um Rei. – Ele negou. – Como assim? Auterpe!

—Um instante, deusa. Eu sei que eu serei coroada. – Ela acenou. – Mas, por acaso, William, poderia ser coroado como Rei também?

—O que? – Estevão quase gritou; ele lutou para ser um Rei, batalhou e trabalho durou pra estar onde estava e apenas porque William engravidou uma princesa ele seria coroado Rei?

—Quer que coroemos ele como Rei de Ruphira?

—Honorário. – Ela pediu devagar. – Enquanto ele estiver aqui quero que ele seja Rei. Poderia me dar mais esse presente, deusa da fertilidade? — Estela observava como Auterpe se portava de frente a pessoa de maior autoridade, ela não acreditava em deuses assim, mas, estava ali na sua frente, surgiu de repente, e agora estava analisando William que parecia estar suando.

—O jovem pai deseja ter essa honra honoraria? – Auterpe olhou para William, ele tinha todo direito de negar, se ele negasse, ela seria coroada sozinha.

—Eu... Acho que sim.

—Acha ou tem certeza? – A deusa perguntou. Ele engoliu em seco e olhou para Auterpe que deu um sorriso. Seu nervosismo passou.

—Aceito ser Rei temporário de Ruphira. – Disse nervoso, e a Princesa o abraçou. Estevão estava chocado. Estela estava encantada.

—Princesa Auterpe, está convidada para sua coroação ao anoitecer. – A deusa disse e do mesmo jeito que surgiu, desapareceu. Segundos depois ela se virou e deu um beijo em William. – Ah, claro, vamos arrumar uma carruagem para os Reis de Calasir.

—Eu achei que você já era Rainha. – Estela comentou.

—Mas, eu sou, apenas faltava a coroação. – Ela suspirou feliz. – Eu gostaria que Perseu estivesse aqui para ver isso.

—Você viu a coroação dele? – Estevão perguntou curioso.

—Eu não lembro, tínhamos três anos.

—Claro. – Estevão deu uma boa olhada ao redor, se William fosse mesmo esperto, aproveitaria aquele Reino como um minerador, havia tanto ouro e joias no lugar que ele seria estupido que não se aproveitasse da “bondade” do povo daquele reino.

—Estela, você vai gostar dos meus dragões, talvez eles também deixassem você montar neles.

—Aan. Mas, eu não tenho um vínculo com eles e.

—Você tem um bom coração, é o que eles sentem, é o maior vinculo que um cavaleiro tem com seu dragão aqui em Ruphira.

—Pode ser perigoso. – Linor disse. Auterpe revirou os olhos.

—Rei Estevão, você quer passear com os dragões junto da Rainha Estela? Apenas para mostrar para Linor que. – Ela nem terminou de falar e entusiasmado ele respondeu segurando na mão de Estela.

—Claro que sim. Seria magnifico! Adoraríamos...

Hãn, claro que ele adoraria. Auterpe pensou consigo mesma, aquele homem era egocêntrico ao extremo. E se ela não mantivesse os olhos abertos roubaria seu povo por serem bondosos demais.

Notas finais
{Você sabia que quando você comenta em um capítulo, motiva o autor? Algumas histórias são descontinuadas por falta de incentivo... O incentivo é a melhor forma de ajudar um escritor.} ~♥Beijos da Autora♥~