Amnesia
5 Capítulo 5 - Sobre a volta para Casa
Notas iniciais
Era estranho te ouvir rir depois de tanto tempo, principalmente sabendo que estava rindo com ele.
Eu observava vocês dois pela brecha da porta. Sua mão direita sobre a mão dele, que por sinal estava em cima de sua coxa. Me pergunto se caso não tivesse te conhecido naquele dia, você ainda estaria com ele?
– Eren? — o médico me chamou – Acredito que hoje possamos fazer mais alguns exames e então Levi poderá enfim voltar para casa.
“Casa”. Ele com certeza não se lembrava de nosso pequeno apartamento.
– Será mesmo uma boa ideia? — indaguei enquanto encarava o doutor.
– Claro que sim. – ele pôs a mão no meu ombro, dando umas batidinhas. – Ele pode se lembrar de algo se tiver contato com as memórias que teve com você. – foi quando senti-me aquecido por um raio de esperança.
– Está certo. – abri um sorriso.
O caminho para casa foi silencioso. Pensar que Levi não disse sequer uma palavra sobre “voltar para casa” me assustava.
– É estranho passar a morar com um estranho. – disse ele enquanto entrava em casa. – Me lembra um pouco a faculdade. – soltei um risinho ao ouvir isso, mas ele não havia dito com um tom de brincadeira. – Onde fica o meu quarto? — ele me encarou com o seu olhar indiferente de sempre.
– Nosso quarto. – corrigi e ele revirou os olhos. O levei até lá e ele levou a mão até a testa, massageando-a devagar.
– Isso aqui está uma bagunça. – de fato. Estava praticamente intocado pois havia largado tudo de qualquer jeito no dia do acidente. – Sério, eu não posso dormir em um lugar desses.
– Eu não tive muito tempo pra arrumar. Me desculpe. – justifiquei — De qualquer forma, irei arrumar. – fui em direção ao lençol para trocá-lo e ele deu um forte tapa em minha mão.
– Só me diga onde ficam as roupas de cama.
Era como nos velhos tempos.
Quando começamos a morar juntos Levi não me deixava chegar perto dos produtos de limpeza, da máquina de lavar e nem sequer da cozinha. Eu tinha minha pequena lista de restrições e as únicas coisas que eu estava autorizado a fazer eram por a mesa, tirá-la e lavar os pratos.
Levi sempre gostou de tudo do jeito dele e é bom ver que pelo menos isso não mudou.
Após o jantar nós nos sentamos no sofá. Levi estava como um gato arisco e eu sentia que qualquer movimento poderia afastá-lo de modo com que eu o perdesse de vista.
– Nunca imaginei que teria uma casa com uma espécie de esposa e uma pequena família feliz. – ele disse encarando os porta-retratos em cima da mesa de canto, onde ficava o telefone. – Eu era feliz? — ele então me fitou e eu fiquei sem reação. Por um segundo aquele rosto indiferente me parecia bastante confuso.
– Eramos felizes. – sorri. – Se importa se eu te perguntar do que você se lembra?
– Acho que não. Bem... – ele fitou o chão por alguns segundos e então voltou a me encarar. – Lembro-me de me formar e de boa parte do tempo que passei com Erwin. Isso ocupa boa parte de minhas lembranças.
– Entendo... Lembra da sua festa de noivado com Hanji? — assim que perguntei, Levi franziu o cenho. Ele continuou me encarando e então me olhou de cima a baixo.
– Você estava lá, não é, Jaeger? — ele sorriu de canto
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