Amnesia
6 [Happy Ending] Sobre Nós
Notas iniciais
Não sei quanto tempo faz desde que passei a ter este sentimento, a única coisa que sei é que não quero que ele se acabe.
Não me dei conta de que estava abraçando a cintura Levi enquanto chorava com o rosto enfiado sobre seu peito. Ele afagava minha cabeça de modo gentil, raramente o fazia. Queria ficar ali um pouco mais, chorar um pouco mais.
– Está bem, Eren. – ele deu batidinhas na minha costa para que eu o soltasse. O fiz enquanto enxugava as lágrimas. – O que houve? — ele perguntou.
– Como assim? — perguntei confuso.
– Por que diabos você está chorando? — ele arqueou uma das sobrancelhas. – O que aconteceu?
– Como assim, Levi? Você está brincando comigo?
– Por que eu brincaria? — voltou a sua expressão indiferente. – O que eu te fiz dessa vez?
– Levi... qual é a última coisa da qual você se lembra?
– Eu estava voltando pra casa pra comer macarronada de reconciliação com você. Não me lembro de como cheguei... – ele disse, fitando o chão. – Sinto como se tivesse dormido depois de uma bela dose de uísque.
Não sabia o que fazer, muito menos o que sentir. Isso era normal? Era um problema? Era algo bom ou ruim?
– E quanto a Erwin? — perguntei, mordendo o lábio inferior.
– Por que tocar nesse assunto depois de tanto tempo? Estou com você, não estou?
Não sabia muito bem o que estava sentindo naquele momento. Tudo que sabia era que estava sentado sobre as pernas de Levi enquanto o beijava.
*
– Bem senhor Levi, tudo o que eu vejo aqui é um caso de amnesia pós-traumática. Você não conseguiu reter as memórias que teve durante e depois do acidente e voltou ao ponto de partida. – disse o médico, terminando de examinar Levi.
– Isso pode vir a prejudicar a minha saúde? — ele perguntou.
– Como você não teve uma grave lesão no cérebro, creio que se tomar seus remédios tudo irá voltar ao normal. Digamos que o pior já passou e que é provável que tudo fique bem daqui por diante. Talvez você veja alguns flashes do que houve durante o período em que estava hospitalizado, mas isso é normal. É possível, também, que essas memórias nunca voltem, mas isso só o tempo poderá nos dizer. – ele disse com um sorriso enquanto colocava as mãos nos bolsos.
Levi se levantou e saiu. O médico me chamou para que pudéssemos conversar a sós.
– Ele só precisava de um empurrão para se lembrar, não é?
– Acho que sim. Levá-lo para casa de fato foi uma boa ideia. – sorri.
– Continue cuidando bem dele, Jaeger.
– Pode deixar. – disse, dando a volta e saindo da sala. – Vamos? — perguntei a Levi.
– Vamos. – ele pegou minha mão.
Levi havia mudado.
E isso não só envolvia mais sorrisos, como também mais carinho da parte dele. Era como se aquele interminável pesadelo houvesse virado um belo sonho.
... Mas é claro que até mesmo nos belos sonhos temos a sensação de cair às vezes.
– Será que nós podemos conversar? — Erwin perguntou a Levi. Não sei como e nem porquê, mas o maldito estava de pé em frente a porta no nosso maldito apartamento.
– Acho que não temos nada para conversar. – Levi disse, já fechando a porta, quando Erwin o impediu.
– Eu acho que temos. São pequenos assuntos inacabados.
Pude ouvir Levi suspirar e olhar para mim como se dissesse “Por favor saia”. Fui para o quarto e me joguei na cama, afundando a cara no travesseiro. E se tivessem mais momentos bons do que ruins ali? Se suas memórias voltassem? Se as conversas que tiveram fossem o suficiente para que Levi se apaixonasse de novo?
Tudo isso me deixava desesperado.
Pensei em escutar a conversa, mas sabia que se Levi me pegasse eu estaria em apuros. Apenas fiquei deitado olhando para o teto, por um longo, longo tempo...
– Eren? EREN! – Levi disse, me sacudindo. – Levante logo, o jantar está na mesa. Vá comer antes que esfrie. – ele se levantou.
Olhei pela janela e estava escuro, não acredito que cai no sono. Estendi a mão para que ele pudesse me ajudar a levantar e assim que ele a pegou eu o puxei. Não tentou fugir ou se debateu, apenas ficou parado como uma estátua.
– Me solta, Eren. – disse, ainda sem se mexer.
– Como foi sua conversa com o Erwin? — perguntei, abraçando-o mais forte. Passei minha perna por sua cintura para puxá-lo mais para perto.
– Amigável.
– Se lembrou de algo?
– Não há o que lembrar quando se trata de Erwin Smith. – ele suspirou — Ele é um filhinho de papai, só isso.
– Só isso? — perguntei apenas para confirmar.
– Só isso. – ele deu um sorriso de canto.
*
– Ainda não entendi porque estamos aqui. – eu disse – Você ainda está de licença, não está?
– Estou, mas acho que sair pra comer fora é bom às vezes. – Levi respondeu, bebericando o vinho.
“Vista sua melhor roupa” foi tudo o que ele disse antes de sairmos de casa. E agora estávamos ali, no restaurante onde ele trabalha, em uma das melhores mesas comendo e bebendo de modo divertido.
Era estranho pelo fato de que ele odeia sair de casa pelo fato de que o mundo é um lugar muito sujo, em todos os sentidos. Mas isso não parecia estar se aplicando agora ele estava até sorrindo! Me pergunto se ele está ficando bêbado ou se tem algo na minha cara que me faça parecer engraçado.
– Tudo bem mesmo, Levi?
– Na verdade, não está. – ele ficou sério. – Sabe, Eren, depois de muito pensar e...
Ele continuava falando, mas eu não conseguia ouvir. Eu só conseguia pensar no quanto esse tempo deve ter sido uma tortura pra ele e no quanto ele quer se livrar de mim, a ponto de me trazer em um restaurante caro para amenizar a dor. Eu não acredito que ele vai me deixar, eu não acredito que ele vai me deixar...
– Quero me casar com você, Eren.
– Escuta, eu sei que tenho sido grudendo e que... Espera. O quê?
– Eu amo você, Eren Jaeger, e quero me casar com você. – Levi disse com um pequeno sorriso nos lábios. Se levantou e se ajoelhou ao meu lado, abrindo uma caixa aveludada que continha uma aliança dourada. – Você aceita?
Acho que não preciso dizer o que veio depois, não é?
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