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8 Capitulo 08: Nossa casa
Acordei sentido a respiração de Sebastian abaixo de mim, o quarto estava escuro e minha cabeça doía.
— Bas. – minha voz estava rouca provavelmente pela falta de uso.
— Sim meu anjo. – sua voz estava calma.
— Minha cabeça dói. – abrasei mais o corpo dele.
— Vou pegar um remédio, fique aqui. – ele se levantou como se conhecesse bem o quarto e saiu pro corredor que estava escuro também.
Fiquei por um momento vendo a porta aberta tentando entender o que estava acontecendo, eu tinha certeza que ali era a porta do corredor, me levantei de vagar percebendo que estava vestida com o vestido de antes, procurei o abajur do criado mudo ao lado da cama e não achei nenhum dos dois, dei a volta na cama indo em direção da porta que ele tinha saído quando um volto entrou por ela, meu coração acelerou com o susto.
— O que está fazendo? – ele parou na minha frente.
— Onde estamos? – ele saiu indo para o que parecia uma mesa.
— Venha volte para a cama. – ele me guiou de volta para a cama e voltou para a mesa me trazendo depois um copo e um comprimido.
O quarto era iluminado por uma luz que entrava pela brecha de uma janela que não me lembro no quarto também, ali deveria ser a porta de vidro para a sacada, meu cérebro estava quase me dando uma bicuda para que eu entendesse que não estávamos mais no quarto de hotel. Tomei o remédio tentando processar aquilo por um minuto.
— Deite, logo sua cabeça melhora. – me colocou deitada e deitou ao meu lado.
— Onde estamos? – minha voz era assustada, afinal tinha acordado em um lugar diferente e desconhecido.
— Em casa. – sua voz ainda era calma, mas era possível sentir seu nervosismo.
— Na sua casa? – tentei raciocinar.
— Nossa casa. – ele se aproximou me abraçando e me puxando para deitar em seu peito.
— Bas, eu não entendo. – tentei ficar calma, ele não iria me machucar.
— Você é minha. – sua voz era possessiva mais uma vez.
Levantei-me e tentei olhar em seus olhos mesmo que no escuro.
— Pensei que não mentíssemos. – eu tentava organizar minha mente que parecia estar preste a entrar em curto.
— Eu não estou mentindo. – sua voz agora parecia furiosa quando se sentou me levando junto.
Fiquei por um momento em silencio.
— Você me sequestrou? – minha mente tentava entrar em acordo com a realidade sem acreditar que ele teria feito algo ruim comigo.
— É claro que não, eu te trouxe para casa, agora descanse. – ele riu um pouco e acariciou minha cabeça.
Ele deu um beijo no topo da minha cabeça e saiu do quarto fechando a porta, meu cérebro estava a toda tentando processar o que tinha acontecido e por um momento eu me recusei a aceitar que isso estava acontecendo, era o Sebastian, ele nunca me machucaria, claro que eu o conhecia a pouco tempo, mas nós conversávamos a um tempo considerado, levantei-me devagar indo em direção a porta que estava aberta, pelo menos não era um cativeiro, tentei ver o lado bom enquanto saia pelo corredor escuro, tinha várias portas fechadas, mas eu não tentei ver se estavam trancadas, eu só tinha que seguir em frente, ouvi um barulho do que parecia ser uma TV ligada, desci as escadas de madeira no fim do corredor o mais silenciosa quanto pude, e a voz do jornalista estava mais alto.
“ — Estamos ao vivo de dos nossos estudes com mais informações sobre o caso das garotas estrangeras foram encontradas morta, os casos estão se agravaram, mas uma câmera de um hotel de uma jovem desaparecida deu um rosto ao nosso suspeito. – ao lado do jornalista que estava em um estudo simples estava passando um vídeo de Sebastian me carregando pelo corredor do que parecia ser meu hotel, seu rosto estava meio encoberto pelo boné, mas sem dúvida era ele. – Não temos ainda um nome do mesmo, porem a polícia confirma que a jovem Selena Marie Salem era Brasileira e estava de férias com amigos, os mesmo não quiseram dar entrevistas, mas em um dos seus relatos a jovem Rebecca Whiter disse que a amiga tinha um “conhecido” de um chat chamado Sebastian que disse que foi encontra-la porem a mesma alega que a Selena não lhe contou nada sobre o mesmo e nem mesmo confirmou tal encontro, meu nome e Jonh direito do informativo. “
Um comercial aleatório começou e eu senti meu coração afundar por um momento, Sebastian era suspeito de cometer os assassinatos e me sequestrar, por um momento senti meu corpo formigar.
— O que está fazendo aí? – me assustei quando uma voz veio de dentro do cômodo que tinha a TV.
— E verdade? – senti meus olhos ficarem úmidos.
Ele saiu da sala caminhando na minha direção, senti meu corpo se retesar de medo e incerteza, eu não podia crer que aquele homem tão doce comigo era um assassino a sangue frio, nossos olhos estavam cravados um no outro.
— Sim. – ele estava agora em pé na ponta da escada e meu corpo subiu um degrau indo para trás como se tivesse levado um tapa diante da verdade.
— Por que? – minha voz era baixa, mas eu sabia que ele tinha me ouvida já que seu olhos se fecharam por um momento abrindo novamente demonstrando desespero.
— Elas mereciam, eram meninas más. – ele subiu um degrau em minha direção e meu corpo mais uma vez se afastou.
— Por que? O que elas fizeram? – minha mente ainda tentava achar uma razão, um motivo, qualquer coisa para tentar achar logica, por Deus eu estava tentando achar uma desculpa para o assassinato dessas mulheres inocentes.
— Elas não eram você. – sua resposta simples me pegou de surpresa.
— Você as matou porque elas não eram eu, então porque mata-las era só deixar elas irem... – meu cérebro agora trabalhava com um ritmo acelerado tentando processar essa nova informação.
— NÃO. – seu grito repentino me fez calar automaticamente e meu corpo tremeu com o susto e medo. — Elas tinham que morrer elas eram más, elas não gostavam de você. – agora ele parecia um louco falando e senti pela primeira vez minhas pernas falharem e eu cai sentada no degrau.
— Do que está falando? – eu tentei entender, eu sabia que a louca era eu tentando entender a mente de um assassino, mas quem poderia me culpar sabendo que no fim eu amava ele a muito tempo, mesmo sem jamais tê-lo visto antes, eu já amava o modo como me tratava e falava comigo.
— Todas elas estavam naquele fórum aquele dia que nos conhecemos, todas elas foram más com você, todos elas eram garotas fúteis, todas elas mereciam morrer, e algumas delas mereceram por tratar você mal recentemente. – ele agora tinha um olhar sério e sua respiração estava rápida.
— Me tratar mal? – ele se aproximou se ajoelhando no degrau ficando da minha altura.
— Uma delas te empurrou no aeroporto, a outra estava falando mal de você na praia, elas mereceram o que tiveram, elas iam pegar você... – ele parecia estava orgulhoso do que me falava, mas tudo só me deixava mais enjoada então o interrompi.
— Você as matou só por isso, Sebastian eram pessoas, tinha famílias, vidas, sonhos, você as matou por minha causa? – as lagrimas começaram a descer de forma abundante e ele secou as que desciam pelo meu rosto com os polegares.
— Shiu, está tudo bem eu protegi você deles, eles não vão te machucar. – minha visão escureceu e eu acabei indo para frente e antes de perder a consciência ouvi sua voz.
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