Amizade Colorida
1 Uma confusão em clima de festa
Era quase ano novo e a casa dos Weasley, como sempre, estava abarrotada de pessoas e de sorrisos. Embora o ano de 1998 tenha sido um ano de luto, a família tinha muito pelo que continuar e fez questão de fortalecer seus laços afetivos de sangue e de amizade para que nos últimos dias de dezembro eles celebrassem a vida e homenageassem os que se foram com todo amor e carinho que eles mereciam.
Interrompendo as conversas paralelas, Molly pediu que todos se reunissem ao redor das mesas postas nos jardins para que ela pudesse servir o jantar, iniciando aquele momento com um emocionante discurso sobre como aquele espaço embora cheio, ainda sentia a ausência de Fred, Lupin e Tonks. Arthur, com os olhos cheios de lágrimas, colocou-se ao lado de sua esposa e a abraçou, desenfeitiçando a vitrola que tocava músicas natalinas e pedindo que todos fizessem um minuto de silêncio.
Dentre todos que ali estavam, George foi um dos que mais sentiu o peso daquele momento. Fred não era simplesmente seu irmão gêmeo, era como se fosse uma parte dele que agora estava ausente. Claro que o tempo estava ajudando a diminuir a dor, mas vez ou outra tudo vinha com uma intensidade que ele não conseguia lidar muito bem e nesses momentos ele preferia dar uma volta no quintal da casa e respirar profundamente o ar puro para se acalmar.
– Merda! Calculei mal. – praguejou uma voz no fundo da casa, próximo a onde ficavam as galinhas – Ainda bem que pratiquei feitiços estéticos a semana toda.
– Quem está aí? – George perguntou com a varinha em punho.
– Hermione! – ela respondeu surgindo enquanto sua roupa, cabelos e sapatos eram magicamente consertados e penas voavam de volta para o galinheiro – Eu só consegui sair agora da comemoração com minha família e… tudo bem com você? – ela deteve-se ao notar a expressão dele e perguntou preocupada.
– O de sempre. – ele tentou sorrir, mas uma lágrima escorreu na mesma hora – Não queria que ficassem com pena de mim e pesasse o clima da festa.
Solidária, Hermione abriu os braços para acolhê-lo e os dois ficaram assim por uns bons minutos. Nesse meio tempo, a música da festa voltou a tocar e o burburinho de conversas felizes chegou até eles mostrando que tudo estava tranquilo naquela direção:
– Sabe o que seria muito legal? – George falou após se recompor, ainda abraçado à Hermione – Se eu fizesse uma reentrada triunfal.
– O que está planejando? – Hermione perguntou preocupada, soltando-se do abraço e deparou-se com um sorriso malicioso do Weasley em sua frente.
Num movimento ágil, George a ergueu do chão e a colocou nos braços, caminhando rumo ao jardim da frente em meio a protestos e ameaças de Hermione que estava vermelha como um pimentão maduro:
– Olha só quem eu encontrei perdida no meio dos animais. – o rapaz disse alto e a pôs no chão.
– Eu vou te azarar George Weasley! – Hermione reclamou e afundou-se na sua cadeira, mortificada – Não digam nada, por favor.
– Eu estava calada. – Ginny sorriu para ela e lutou para não dar uma gargalhada ao ver a expressão de choque no rosto de sua mãe – Mamãe, pessoal… não liguem pro meu irmão. Ele é um palhaço, vocês sabem.
– O que você estava fazendo lá atrás? – Ron perguntou num sussurro e Hermione não respondeu, apenas virou taça atrás de taça de vinho.
– Calma garota. – Harry disse, tomando a quarta da mão dela – Não quer fazer outra cena, né?
– Ai Harry, por favor! Só me deixem me normalizar novamente! – ela resmungou e fuzilou com os olhos George que ria descaradamente do outro lado do jardim enquanto lhe oferecia um brinde.
Passados alguns minutos, faltando apenas 30 segundos para a chegada de 1999, todos se muniram com suas varinhas e, fazendo a contagem regressiva junto com a voz do rádio, soltaram feitiços multicoloridos que desenharam vários símbolos no céu estrelado. Em meio a tudo isso, Harry e Ginny se beijaram apaixonadamente, sendo ‘copiados’ por Arthur e Molly, Gui e Fleur e Percy e Penelope; deixando Carlinhos, cujo a namorada não pôde acompanhá-lo, e Ron, Hermione e George responsáveis pelo restante da comemoração mágica:
– Ainda tem algo mal resolvido entre nós? – Ron perguntou discretamente para Hermione.
– Não. Já conversamos diversas vezes e não tem como a gente dar certo. – Hermione respondeu meio envergonhada e concentrou-se ainda mais em seus feitiços.
– Um beijinho de ano novo não mata ninguém. – Carlinhos sugeriu dando um empurrãozinho e Ron e Hermione se entreolharam nervosos.
– Roniquinho já está em outra, Carlinhos. – George disse despreocupadamente – Qual o nome dela mesmo? A garota do curso de auror?
– Não é da sua conta, já disse! – Ron o repreendeu e olhou para Hermione – Eu não tenho ninguém, Mione. George só está sendo… George.
– Ah, não tem problema você ter outra pessoa. – ela disse tentando não parecer abalada e guardou sua varinha – Eu vou tomar mais alguma coisa, daqui a pouco tenho que voltar pra casa.
– Olha o que você fez! – Ron reclamou com George que estava genuinamente confuso.
– Ah merda! Eu… eu não imaginei… – George disse e foi até Hermione – Eu não quis te magoar com meu comentário, só tava tentando ajudar.
– Como quando você me trouxe nos braços pra cá? – ela rebateu, recusando-se a olhar para ele – Eu não ligo para Ron estar namorando ou “conhecendo alguém”. Eu só… não queria saber pelos outros!
– Não fica chateada. É 1999. Você tem um novo ano e pode ser apenas o começo.
– Meu foco agora é terminar Hogwarts. – ela empertigou-se e pegou uma garrafa de vinho, quase deixando-a cair.
– Já está embriagada. – ele ralhou com ela – Não pode voltar para Londres nessas condições.
– Você acha mesmo que Ginny não vai querer o quarto só pra ela hoje?
– Obrigado por essa imagem nojenta na minha cabeça. – o gêmeo sentiu um arrepio e balançou a cabeça para espantar tais pensamentos.
– Então quer dizer que você não suporta a ideia de sua irmãzinha fazendo…
– Não termine! – ele tapou a boca de Hermione de repente, puxando-a pela cintura para ela não ter espaço para se soltar e voltar a incomodá-lo com aquelas insinuações – Podemos mudar de assunto, por favor? – pediu ele, tirando a mão da boca dela.
– Agora já sei como te irritar muito! – Hermione disse provocativa, segurando na mão dele em sua cintura.
– Por essa eu não esperava. – Percy comentou em alto e bom som.
George e Hermione olharam assustados e perceberam que todo mundo na festa os encaravam com muita dúvida do olhar. Tão rápido quanto puderam, os dois se separaram logo que se tocaram que eles estavam praticamente agarrados em público:
– Mais uma brincadeira sem graça do George! – Hermione não sabia onde enfiar a cara – Tirou a noite para me zoar!
– Eu jamais ficaria com Hermione! – ele respondeu no impulso, tentando se justificar.
– Que coisa mais horrrorrosa de se dizer! – Fleur o repreendeu – Hermión est magnifique!
– Não! O que eu quis dizer é… não tem a ver com a aparência dela! Ela é muito linda!
– “Muito linda”, hein? – Carlinhos cutucou Harry que apenas ria de tudo junto com Ginny.
– Suas festas de ano novo são sempre animadas assim? – Penélope perguntou a Percy que também estava doido para rir de tudo.
– George, querido, por que não só amarra uma melancia na cabeça quando quiser chamar atenção pra você?! – Molly reclamou – Quer que eu te coloque de castigo como uma criança malcriada?!
– Não mamãe! – George disse, nervoso – Me desculpe! Desculpe Hermio—
As palavras simplesmente não saíram mais da boca de George quando ele notou que, quase nos limites da propriedade, Hermione caminhava apressada, muito provavelmente para ir embora e não passar por mais mal entendidos e confusões nas mãos dele. Ele ainda fez menção de ir atrás dela, mas Harry tomou a frente e o impediu de causar ainda mais desconfortos:
– Melhor você ficar longe, tá bem? – Harry pediu e correu o mais rápido que pôde – Continuem a festa, eu volto logo! Hermione, espera!
– Eu preciso sair daqui. – Hermione respondeu irritada.
– Não Mione, por favor. Fica mais um pouco que a gente te protege das maluquices do George.
– Ai Harry, nem é só por isso. – suspirou – É que eu sei que Ginny vai querer um momento com você e, bem… acha que eu não sei o que acontece quando vocês saem juntos? – ela sorriu cúmplice.
– Aqui na Toca é meio complicado a gente fazer qualquer coisa, né? – ele disse sem graça.
– Tenho certeza que a Ginny vai dar um jeito e eu não vou dormir no quarto com o Ron, o Carlinhos e o George.
– Difícil argumentar nessas circunstâncias. – Harry e Hermione riram juntos e o clima ficou mais leve – Olha, só não vai embora assim. Você mal aproveitou a noite com a gente. Fica pelo menos até todo mundo querer ir descansar e eu te acompanho até em casa e volto pra cá.
– Obrigada Harry. – ela o abraçou, ficando séria de repente – Você sabia do Ron com a garota do curso que vocês estão fazendo?
– Sabia. – ele respondeu também sério – Eles não estão juntos de fato, por isso não quis dizer nada. Eu sei que no fundo você ainda sente algo por ele.
– Nem sei na verdade se eu ainda gosto dele romanticamente ou se estou apenas confusa porque ele foi o único garoto que eu gostei assim. – ela suspirou e caminhou com Harry de braços dados – Talvez foi apenas o vinho que mexeu com meu discernimento.
– É, você tomou bastante. – ele riu – Vem, vamos ficar comigo e com a Ginny.
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