Amizade Colorida

2 Faíscas por toda parte


As primeiras horas do ano foram coroadas com uma fina camada de neve que cobriu aos poucos os utensílios, mesas e cadeiras do jardim e todos se ajudaram para transferir o final da comemoração para perto da lareira. Dentro da casa, as comidas e bebidas que ainda restaram ficaram na mesa onde a família fazia suas refeições diárias e grossas colchas foram distribuídas para que eles ficassem mais confortáveis ao sentar-se nos sofás, poltronas e até mesmo no tapete felpudo.

Próximo das quatro da manhã, apenas Harry, Ron, Ginny, Hermione e George estavam ainda na sala da casa. A lareira era apenas uma leve luz alaranjada quase se esvaindo e, após um bocejo mais longo do que os anteriores, eles decidiram que já era hora de ou ir para os quartos:

– Eu vou conduzir a aparatação da Hermione para Londres. – Harry levantou-se e vestiu um cachecol, seu sobretudo e luvas – Não precisam me esperar acordados, podem ir subindo.

– Boa noite Mione, boa noite amor. – Ginny se despediu dos dois e foi a primeira a subir.

– Eu também já vou subindo. Espero que Carlinhos não esteja roncando. – Ron disse e também se despediu de Hermione com um abraço amigável – Boa noite. Vamos sair com Harry e eu antes de voltar pra Hogwarts.

– Claro. Boa noite Ron. – Hermione respondeu com um sorriso social e o assistiu seguir seu caminho – Boa noite George. – despediu-se com educação.

– Harry, você poderia nos dar um minuto? – George pediu olhando diretamente para Hermione e ela assentiu para o amigo.

– Eu vou ao banheiro enquanto isso. – Harry disse e saiu da sala.

– Desculpe pelo momento em que você chegou e desculpe pela confusão quando segurei você daquele jeito. – George disse com sinceridade.

– Olha… tudo bem. – Hermione tentou sorrir e parecer desinteressada – Foi extremamente vergonhoso, mas animou a noite. No final, foi só mais uma das suas e ninguém falou no assunto mais.

– Sobre eu ter dito que jamais ficaria com você…

– Não precisa se justificar. – ela o interrompeu incomodada – Eu não preciso saber os motivos de eu não ser namorável.

– Mas você é! – ele disse com urgência.

– Só não pra ser a sua namorada, pelo visto. – ela completou.

– Parece que você só vai acreditar com ações.

George inclinou-se para a direção de Hermione que recuou para fugir do óbvio beijo que ele queria lhe dar, mas se desequilibrou e só não caiu de costas no sofá por causa de o ruivo a ter segurado de forma desengonçada e rolado com ela no tapete até ficar por baixo dela:

– Não precisa tentar me beijar por pena. – Hermione disse irritada, mas sentindo o coração descompassado.

– Aí é que tá. Não é pena que eu tô sentindo. – George disse, ofegante, tirando o cabelo da frente do rosto dela – Eu nunca te vi como uma irmãzinha, como o Harry te vê.

– Por favor, George, não precisa mentir sentimentos que você não tem. – ela disse, ainda na defensiva, e pôs-se sentada no tapete, com ele a acompanhando.

– Você nunca percebeu como eu olhava para você na escola?

– Não força a barra… – ela insistiu – Fred e você pareciam mais interessados em confundir a Angelina Johnson do que qualquer coisa.

– Angelina era só do Fred. Eu só tentava zoar enquanto ela não admitia que gostava dele. Mas desde o meu sexto ano que você tem sido a “garota bonita que anda com meu irmão” pra mim.

– Era só ter me falado. – Hermione respondeu chocada com a informação.

– Era mesmo? E você e o Krum? E você e o Ron? – ele jogou de volta – Eu coloco minha família em primeiro lugar, então não iria me meter se você ficasse com meu irmão. Sem falar que a gente tinha um mundo mágico pra salvar. Sem tempo pra romance, não é? – ele riu de modo carinhoso, levantando o rosto dela – Não me deixo abater por paixonites que eu não conquisto, mas não suportaria você sem falar comigo porque eu passei dos limites com meu jeito de ser.

– Você não existe. – Hermione disse, rindo, e fez um carinho na mão dele – Estamos bem, de verdade.

– Sem beijinho de boa noite? – ele brincou e ela se levantou apenas rindo – Tá bom gatinha, mas eu que vou te levar pra casa. Harry subiu faz uns minutos.

– Eu nem percebi. – ela olhou rápido ao redor – É sério?

– Ele fez sinal para eu não dizer. Acho que quer dizer que ele notou que está tudo bem.

Hermione não questionou mais, apenas aceitou as roupas de frio que George lhe ofereceu e junto com ele caminhou até os limites da propriedade para desaparatar no subúrbio de Hampstead Garden.

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A rua Heathgate estava completamente vazia naquela hora da madrugada e Hermione sentiu-se sortuda por isso, pois as luzinhas coloridas dos enfeites de natal que refletiam no gelo acumulado por aí deixavam o local tão claro que, em outras circunstâncias, eles poderiam ter sido vistos surgindo no beco onde chegaram:

– Aqui nevou bem mais, como eu tinha imaginado. – ela comentou segurando-se num corrimão para não escorregar – Preciso ficar mais atenta ao desaparatar.

– Bem… está entregue. – George comentou suspirando e ajeitando melhor o cachecol em seu pescoço – Que frio aqui, hein? Ainda dá tempo de voltar pra lá e acabar com a festa do casalzinho.

– Prefiro não. – Hermione riu – Quer entrar um pouco? Está começando a nevar novamente. – George assentiu e entrou logo após Hermione, sentindo-se imediatamente melhor naquela casa silenciosa e aconchegante.

– Nunca tinha entrado numa casa de trouxas além da dos tios do Harry. – ele olhou ao redor com curiosidade – Tudo é tão… parado. – concluiu enquanto tirava as roupas pesadas e pendurava no cabideiro ao lado da porta.

– Tirando isso, eu não acho tão diferente. – Hermione disse, também pendurando seu casaco e cachecol – Meus pais já devem estar dormindo, pelo menos o aquecedor já está ligado. Vamos para a cozinha que eu vou fazer um chocolate quente pra nós.

Obedientemente, George sentou-se num banco no balcão da cozinha, observando Hermione fazer tudo ao modo trouxa, apenas usando magia quando precisou de um ingrediente que estava mais distante. Enquanto isso, eles conversaram por um tempo sobre assuntos diversos e o rapaz observava de canto de olho, com uma pontada de felicidade, que a neve caia mais e mais lá fora:

– Eu amo fim de ano com neve. – Hermione comentou finalmente olhando para fora – É tão… tão… – bocejou – tão mágico.

– Você vai cair de sono a qualquer momento. – ele comentou colocando sua xícara de lado – Eu sobrevivo o caminho até o final da rua e olho atentamente pra ver se tem alguém antes de desaparatar, prometo.

– Não seja bobo. – Hermione respondeu, bocejando novamente em seguida – Tem um divã no meu quarto que eu posso transfigurar numa cama para você, vamos.

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O quarto de Hermione era um cantinho mais familiar para George do que o restante da casa, pois era como um pedaço do mundo mágico que ele estava acostumado. Fotos em movimento, pequenos adornos enfeitiçados, símbolos da Grifinória e de outras coisas de Hogwarts e livros sobre magia estavam por toda parte e ele sorriu involuntariamente ao notar aqueles detalhes:

– O que foi? – ela perguntou, chegando já vestindo roupas para dormir e com roupas velhas do pai dela nos braços para George.

– Seu quarto tem personalidade. – ele respondeu ainda sorrindo – Dá para saber que é você quem dorme aqui.

– Não sei se isso é um elogio. – ela disse envergonhada e virou-se de costas para ele se trocar.

– Claro que é. – ele respondeu – Só tem uma coisa que não faz sentido aqui.

– Acha que estou expondo o mundo mágico? – ela preocupou-se.

– Não sobre o lugar, mas é que você podia simplesmente liberar a desaparatação ou sua lareira para eu ir para casa, não precisava eu passar a noite aqui por conta de uma nevezinha qualquer.

– O que está insinuando? – ela perguntou meio nervosa.

– Acho que você queria que eu dormisse aqui com você. – ele respondeu tocando no ombro dela e fazendo com que ela olhasse para ele – Só não sei se literalmente ou…

– Literalmente. – ela o interrompeu ficando vermelha – Queria que você ficasse. Eu estou gostando de sua companhia.

– Como… amigo? – ele insistiu e ela assentiu – Bem, melhor do que nada.

Com um sorriso no rosto, George estendeu a mão para Hermione e a conduziu para deitar-se na cama, deitando junto com ela em seguida e a abraçando por trás:

– Dorme bem, gatinha. – ele disse e fechou os olhos.

– Você também. – ela disse com um sorriso que ele não viu.

Notas finais
sim, na amizade...