Amizade Colorida
3 Todos os jogadores na mesa
Poucas foram as pessoas que acordaram cedo em 1º de Janeiro, sendo apenas próximo às 13h que os sons da vizinhança começaram a entrar pela janela do quarto de Hermione e a acordaram de um sono muito bom. Sem pressa, ela abriu os olhos e virou-se para observar George dormindo ao seu lado tranquilamente com um dos braços sob o travesseiro dela:
– Bom… dia? – disse George, acordando quando sentiu ela se mexer – Que horas são?
– Não faço ideia. – Hermione respondeu e aconchegou-se no abraço dele – Deve ser de tarde, alguma coisa assim. Sinto o cheiro de comida vindo lá de baixo.
– Já vou conhecer seus pais agora ou tenho que sair de fininho?
– Eu vou liberar a desaparatação. – Hermione passou por cima de George e alcançou sua varinha no criado-mudo, murmurando alguns feitiços – Obrigada pela companhia.
– Sempre que quiser dormir de conchinha, me chame. – ele disse rindo e sumiu de repente depois que trocou suas roupas.
Após alguns minutos, Hermione desceu as escadas terminando de pôr o suéter por cima da camisa e logo foi confrontada com olhares desconfiados de sua mãe:
– O rapaz que veio com você já foi ou está escondido em seu quarto?
– Do que está falando mamãe? – ela se fez de desentendida, quase enfiando a cabeça na geladeira para não encará-la.
– Querida, tem um sobretudo e um cachecol enormes no cabideiro ao lado do seu.
– Ah merda. – ela praguejou e bateu na testa notando o vacilo que cometera – Olha mamãe, não aconteceu nada demais. Ele só dormiu aqui, mas foi apenas isso. É um amigo e já foi embora.
– Deveria ter ficado pelo menos para o brunch. – a mãe dela sorriu – Quem é o rapaz?
– Ah, a senhora não o conheceu ainda. É um dos irmãos do Ron… eu vou devolver as coisas dele, não demoro, tá bem?
✦ . ⁺ . ✦ . ⁺ . ✦
Antes mesmo de sentir o chão sob seus pés, George já conseguia ouvir que a família estava toda reunida na casa ainda no clima de festa da noite anterior. Sem se abalar pelo fato de ter passado a madrugada e a manhã fora, ele esfregou os olhos e deu uns tapas no rosto para manter-se acordado, passando pela porta da frente como se nada tivesse acontecido:
– Olha só quem chegou. – Carlinhos falou insinuante – Foi à pé pra Londres?
– Eu não disse nada. – Harry defendeu-se ao encontrar o olhar de George.
– Nem precisava. Estava na cara depois de ontem à noite.
– Não foi nada do que vocês estão pensando. – George respondeu e sentou-se à mesa – Eu só fiz uma gentileza. Era o mínimo.
– Que cavalheiro, hein? – Percy falou por trás do jornal.
– Já chega. Deixem seu irmão em paz. – Molly os repreendeu e colocou um prato à frente dele – Se ele estava com a Hermione, estava bem acompanhado. – ela sorriu e fez um carinho no cabelo dele.
– Falando nela… – Ginny disse e levantou-se para receber a amiga que viu pela janela se aproximando – Feliz ano novo novamente, Mione! Espero que meu irmão não tenha dado trabalho.
– Claro que vocês já sabem. – ela disse envergonhada – Não rolou nada demais. Só vim deixar as roupas que ele esqueceu lá em casa.
– Entre querida! Tem sempre lugar à mesa. – Molly a chamou animada lá de dentro.
– Dessa vez vou passar. Meus pais me aguardam lá em casa. Obrigada senhora Weasley!
– Caldeirão Furado às 18h. – Harry gritou para Hermione e ela assentiu captando a mensagem das entrelinhas.
– Aqui suas coisas. – Ginny disse entregando a roupa para George após despedir-se de Hermione – Por favor não brinque com a Hermione. Ela é importante.
– Caldeirão Furado hoje? – Ron sussurrou para Harry e ele só balançou a cabeça positivamente.
– Foco em aqui e agora. Vamos comer! – Molly disse batendo palmas.
✦ . ⁺ . ✦ . ⁺ . ✦
Hermione arrumou-se com roupas casuais, porém escolhidas com um cuidado maior, e chegou pontualmente ao Caldeirão Furado. Como seus amigos ainda não haviam aparecido, ela mesma escolheu uma mesa e ficou sentada se preparando psicologicamente para o “interrogatório” que viria.
Entre uma bebericada e outra numa caneca de cerveja amanteigada, ela lembrou-se quando eles desenvolveram essa forma de mostrar uns aos outros que precisavam de uma conversa importante: eles estavam no quarto ano de Hogwarts, em meio ao torneio tribruxo, e precisavam se encontrar às escondidas para ajudar Harry com as tarefas. Começou com “Torre de Astronomia, após o jantar”, depois “limites da Casa dos Gritos, na próxima visita à Hogsmeade” e assim foi evoluindo pelos anos, com uma pausa durante à busca pelas horcruxes, até eles finalmente voltarem para Londres e passar a acontecer sempre no Caldeirão Furado:
– Preciso ficar bêbada antes de a gente ter essa conversa? – Hermione foi direta quando Harry e Ron chegaram e sentaram-se.
– Não é pra tanto. A gente só quer entender. – Harry disse, acenando para um atendente que trouxe cervejas amanteigadas para os três – Vocês estão ficando?
– Pode falar a verdade. – Ron incentivou – Isso não muda nada pra gente. Acho que até fica interessante, pois a família gosta muito de você.
– Não estou ficando com ele. – ela respondeu, desconfortável, e tomou um bom gole de cerveja – Ainda querem perguntar mais alguma coisa ou podemos apenas aproveitar a companhia uns dos outros?
– Você está sendo muito evasiva. – Harry riu e abraçou a amiga – A gente apoia, sério!
– Por Merlin, Harry! Vocês acham que eu tenho medo que vocês não queiram que eu fique com o George?! – Hermione irritou-se – Não é como se eu tivesse ficando, sei lá, com o Malfoy!
– Pegou pesado com a comparação. – Ron comentou avulso.
– Peguei, Ronald?! É que eu precisava mostrar que não há necessidade de me “pressionar” por respostas. Diferente de você que precisou seu irmão fazer uma piada sobre como você já está mais que pronto pra seguir em frente e nem pensou em me dizer sobre ela. – ela cuspiu de uma vez.
– Você disse que não se importava. – Ron irritou-se – Não vire o jogo aqui como se estivéssemos discutindo a relação!
– Hei vocês dois! – Harry falou mais alto, chamando atenção pra si – Sem brigas! Coisas mal resolvidas nós conversamos, não jogamos na cara um do outro.
– Você tem razão. – Hermione baixou a guarda e respirou fundo – Eu não me importo, Ron. Queria que você tivesse me falado.
– Eu tive medo de te magoar. – Ron também falou de modo mais calmo e segurou a mão da amiga – Não tinha certeza se estávamos nesse nível de entendimento, ainda mais estando separados com você em Hogwarts e a gente no curso de auror.
– Quero que você seja feliz. E se ela por um acaso fizer qualquer mal a você, não me interessa se ela é chefe do departamento. Eu vou atrás dela. – Hermione disse sorrindo e abraçou o amigo.
✦ . ⁺ . ✦ . ⁺ . ✦
Pouco antes das 22h, Harry, Ron e Hermione fecharam a conta e saíram juntos do bar rumo à passagem para o Beco Diagonal de onde poderiam pegar uma lareira ou desaparatar para suas casas tranquilamente. Eles caminharam pelas ruas irregulares abraçados e rindo muito enquanto cantarolavam o hino de Hogwarts como costumavam fazer quando estavam levemente embriagados, parando de repente quando passaram em frente à Gemialidades Weasley e viram as luzes acesas:
– O George está aqui à essa hora? – Ron disse desconfiado – Deveríamos entrar?
– Acho que a Mione pode cuidar disso. – Harry deu um empurrãozinho e uma piscadinha cúmplice para ela.
– Você está empenhado em fazer esse casal acontecer, não é Harry? – Ron riu – Qualquer coisa avisa, Mione. Obrigado. – disse e sumiu numa desaparatação.
– Não faça nada que eu não faria. – Harry disse e também sumiu em seguida, deixando Hermione confusa para trás.
– Hermione? – George chamou aparecendo na porta – O que faz por aqui sozinha?
– Estava prestes a ir pra casa. – ela respondeu ainda sem reação – E você?
– Vendo como estavam as coisas. Quero reabrir amanhã.
– Nossa! Que boa notícia. Embora seus produtos causem um caos na escola, faz todo mundo feliz. – ela disse sorrindo.
– Vem cá, deixa eu te mostrar umas coisinhas e alguns contra-feitiços pra elas.
Hermione entrou na loja e já foi recebida por um bonequinho que flutuava com um parapente encantado enquanto incentivava a prática de travessuras. Havia fumaças coloridas, poções borbulhantes e caixas com kits específicos para as mais diversas pegadinhas por toda parte; o que a deixou maravilhada e preocupada ao mesmo tempo:
– Você vai destruir Hogwarts qualquer dia desses. – ela disse, rindo de nervoso.
– Ah, mas você nem viu a mais nova poção daqui. Tenho certeza que vai achar menos perigosa. – George comentou trazendo uma ampola de decantação com um líquido azul brilhante – Olhe atentamente o que acontece…
O rapaz deu a volta por Hermione, ficando atrás dela e colocando seus braços ao redor de modo que a ampola ficasse bem em frente ao seu rosto. Ele chacoalhou o vidro com delicadeza e, depois de uns segundos, o destampou para que um holograma de várias constelações “explodisse” diante dos olhos dela:
– George, isso é… uau! – ela suspirou encantada e virou-se para ele – Belíssimo!
– O feitiço ou eu? – ele deu um sorrisinho e mordeu a ponta do lábio. Hermione sentiu com aquilo que seu coração batia tão rápido que ele conseguia ouvir também.
… e o brilho das estrelas que tomavam conta de boa parte do cômodo refletiu nos olhos de George que estavam presos aos de Hermione:
– Os dois. – ela respondeu quase num sussurro e inclinou-se para beijá-lo.
Fale com o autor