Amizade Colorida

4 Essa vontade insaciável


Notas iniciais
Obrigada a Mavis por deixar os primeiros comentários aqui. Finalmente não me sinto escrevendo só "pra mim" rsrs

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Carlinhos despediu-se de sua família logo após terminar a refeição e foi levado por Percy e Molly para a estação King’s Cross de onde iria pegar um trem para um vilarejo bruxo e de lá o transporte mágico para retornar à Romênia, ficando a cargo de Arthur coordenar a organização da propriedade junto com seus demais filhos e Harry que insistiu em ajudá-los mesmo sua própria casa ainda estando levemente caótica com as reformas. Eles desgnomizaram o jardim, repararam as cercas, tiraram o excesso de neve do pátio dos animais, arrumaram dentro da própria casa e recolheram mais lenha seca, tudo isso antes mesmo da matriarca retornar.

Naquele clima de união e ajuda, George percebeu que havia um lugar que ele também precisava dar atenção, um ambiente que desde a batalha de Hogwarts ele não entrava:

– Vou ao Beco Diagonal, pai. – ele disse de repente.

– Claro filho. Se precisar de qualquer coisa, nos avise. – Arthur respondeu de forma compreensiva e solidária – A lareira está liberada.

Respirando fundo, George pegou um punhado de pó de flú e gritou o nome de sua loja em alto e bom som, sentindo seu corpo ser envolvido por chamas indolores e sua visão ficar turva. Quando recobrou os sentidos, estava no chão do escritório que costumava dividir com seu irmão.

O lugar estava tal qual ele havia deixado e um simples feitiço fez a poeira e as teias de aranha desaparecerem. Na mesa do centro havia dois bottons que eles usavam como identificação (às vezes trocados para pregar peças em sua assistente, Vera) e ele não conteve as lágrimas quando pegou o do seu irmão e o apertou contra o peito:

– Fred, eu sei que você não iria querer que nosso sonho acabasse assim. – ele fungou e enxugou as lágrimas após sentir-se pronto – A reabertura será maior do que a abertura foi, em sua homenagem.

George iniciou os trabalhos e nem viu o tempo passar enquanto fazia a limpeza, organizava as prateleiras e testava os últimos projetos que havia feito antes de Fred partir. O diferencial daquele ano pós-guerra, como os gêmeos planejaram, seriam itens que de certa forma auxiliariam nos estudos como hologramas mágicos dos terrenos da escola, constelações para a aula de astronomia e outras coisas que eles achavam interessantes…

– Eu conheço essas vozes desafinadas… – ele parou ao ouvir uma cantoria na rua e desceu rapidamente para a porta principal, dando de cara com uma Hermione solitária e confusa – A pessoa perfeita para dizer se nossos projetos são realmente ‘educativos’. – pensou e a convidou para entrar.

… se ele imaginou que seu feitiço de estrelas iria ser tão eficaz que ele ganharia um beijo? Aí já foi uma grata surpresa do destino.

Com delicadeza, ele conduziu Hermione para próximo ao balcão de atendimento e pôs o frasco com segurança sobre ele para ter as mãos livres e a segurar firme enquanto se beijavam. Entre uma pequena pausa e outra, George murmurou feitiços para trancar a porta da frente e desligar as luzes do prédio, ficando apenas uma iluminação fraca que vinha da projeção da ampola. Havia tanto naquele momento a ser sentido, mas a dúvida de que aquilo seria algo que causaria arrependimento no minuto seguinte pesava nos pensamentos dele:

– Você está bêbada? – George perguntou soltando-se dela. O sabor da cerveja era inconfundível, mas não era o suficiente para ter certeza se algo nublava o bom senso dela.

– Quebrou completamente o clima. – ela resmungou irritada.

– Hei, não vai embora. – ele pediu segurando um pouco mais firme na cintura dela – Eu só queria ter certeza que não estava, sei lá, me aproveitando de você.

– Certo… – ela suspirou – não estou bêbada. Quer dizer, não a ponto de não saber o que tô fazendo.

– Coisas nerds te deixam maluquinha, né? – ele disse fazendo um carinho no cabelo dela e ela sorriu – Se eu soubesse, em vez de fogos, tinha soltado estrelas no ano novo.

– Engraçadinho. Mas ainda somos apenas amigos. – ela alertou sorrindo de forma sedutora.

– Amigos que se beijam? – ele perguntou encostando novamente os lábios nos dela – Amigos que se abraçam mais forte do que o de costume? – ele perguntou, com a voz rouca, enquanto pressionava o corpo dela contra o seu.

– Apenas… amigos. – ela insistiu sussurrando próximo à boca dele.

– Gosto de ser seu amigo. – ele disse e a levantou num movimento ágil para por ela em cima da bancada, derrubando assim a ampola no chão e tudo ficando completamente escuro.

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O sábado no Beco Diagonal estava movimentado como se fosse um dia de compras para início do ano letivo. Ruas e lojas estavam abarrotadas de pessoas e ficava até difícil caminhar por ali. Harry, Ron, Ginny e Hermione só aceitaram estar no meio dessa loucura porque George havia anunciado a reabertura da loja e precisava de mais ajuda nesse primeiro momento:

– Bom dia Vera. Onde podemos deixar nossas coisas? – Ginny cumprimentou a moça no balcão.

– Ah, bom dia pessoal. Lá nos fundos tem uma salinha. George tá lá em cima, no escritório. Preferi deixar ele ter o tempo dele pra pensar, sabe?

Vera indicou o caminho e mostrou a função que cada um exerceria na loja naquele dia. Nisso, George desceu as escadas com seu jeito animado de sempre, batendo palmas e falando palavras de incentivo para todos. Seu sorriso no rosto não se abalou nem por um segundo, mesmo quando seus olhos se encontraram com os de Hermione que estava levemente corada.

Ao abrir a porta da frente, uma enxurrada de crianças e seus pais entraram lá e trabalho não faltou com isso. Era apresentar produtos, tirar dúvidas, negociar preços de atacado, evitar acidentes e repor estoques o tempo inteiro. Os kits de pegadinhas eram sucesso de vendas, claro, mas o mais novo “kit sabe-tudo” chamou bastante a atenção de pais e rapidamente acabaram os que estavam disponíveis nas prateleiras:

– Hermione, pode pegar mais desses kits para mim no depósito? – Ron pediu passando com os braços ocupados com uma pilha de caixas.

– Mais alguma coisa para eu trazer logo? – ela perguntou para quem viu pelo caminho e todos negaram com a cabeça.

– Cuidado com as escadas, gatinha. – George sussurrou para ela, passando bem próximo e seguindo na direção oposta.

Estar no mesmo ambiente em que George estava fingindo que a noite anterior não aconteceu só não era mais difícil porque a ocupação distraía Hermione. Cada olhar e “provocação” que ele lhe lançava levava seus pensamentos aos beijos quentes que eles trocaram naquele mesmo lugar e, embora ela tenha deixado claro com palavras que não tinha passado de uma “pegação casual”, os sonhos da garota preencheram as lacunas que ficaram e ela acordou tão ofegante que jurava que sentiu tudo o que sua mente criara na pele:

– Respira, garota! – ela disse pra si mesmo ao sentir mais um arrepio – Você precisa levar umas cinquenta caixas lá pra cima com magia. Nervosa não dá.

– Eu posso te ajudar. – George disse e Hermione quase gritou de susto – Me dá alguma dessas caixas e a gente leva nas mãos mesmo.

– Ah… obrigada. – ela agradeceu e começou a empilhá-las nos braços dele – Pode… subir.

– O que foi? – ele perguntou intrigado com a expressão dela.

– Não, nada. Temos muito trabalho a fazer, não é? – ela deu um sorriso otimista.

– Claro. – ele assentiu e ambos subiram sem dizer mais nada.

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– Pessoal, agora que o movimento diminuiu eu preciso ir andando. Amanhã eu já volto para escola e tenho coisas pra organizar. – Hermione disse desanimada.

– Obrigada pela ajuda, Mione. – Vera disse e lhe deu um abraço – Boa viagem amanhã e descanse. Você parece bem abatida.

– Obrigado Mione. – George disse, ainda desconfiado do jeito dela – Eu vou mandar umas coisas pra você quando já estiver em Hogwarts.

Notas finais
Hermione só a música da Pabllo: triste com T