Amizade Colorida

5 Você não é como eles


Notas iniciais
Este capítulo contém cenas de insinuação sexual (+16)

No final do expediente, após tomar algumas bebidas com todos que ajudaram e ainda estavam lá, George despediu-se do grupo, trancou a loja e saiu pela passagem do Caldeirão Furado para Londres com sua vassoura na mão; já que com o céu bem escuro e as fortes luzes das ruas, o rapaz podia voar tranquilamente que dificilmente seria visto por algum trouxa.

George se preparou e subiu o mais alto que conseguiu, afastando-se lentamente do centro e aproximando-se dos bairros mais residenciais num trajeto de cerca de quinze minutos de duração. Lá ele pairou, observando atentamente as pessoas que andavam próximo à casa de Hermione até que viu uma oportunidade para descer e ficar no nível da janela do quarto da garota e chamar por ela:

– Gatinha, abre aqui. – ele bateu e ela quase o estuporou no reflexo.

– Você está maluco?! – Hermione reclamou e liberou a aparatação para que ele entrasse – De vassoura em Hampstead Garden?!

– Você saiu toda esquisita da loja. O que houve? – ele foi direto, colocando sua vassoura encostada na parede.

– Foi um dia cheio. Não estou acostumada com o trabalho. – ela disse desviando o olhar.

– Sim, foi mesmo. – ele suspirou e sentou-se no divã – Quero te compensar por esse esforço…

– Não precisa. – ela disse cruzando os braços – Se não tiver mais nada pra dizer ou fazer, eu preciso descansar.

– Ah, tudo bem… – George disse sem graça, levantando-se para abraçá-la – Tudo bem se eu for amanhã na King's Cross me despedir de você?

– Pode ser. – Hermione deu de ombros e desviou do gesto do rapaz.

– Você não está me contando tudo. O que diabos eu fiz hoje? – ele irritou-se – Eu não vou embora sem a gente conversar sobre isso.

Abaffiato. – Hermione conjurou em seu quarto, pois sabia que iria se exaltar e seus pais poderiam querer ir ver o que estava acontecendo – Você não percebeu a frieza com que você tava me tratando hoje?

– “Frieza”? – ele repetiu incrédulo – Hermione, eu fiz o máximo que consegui durante o turbilhão que foi a reabertura.

– Mas na hora que fomos para o estoque você sequer pareceu querer encostar em mim!

– Ora, se você queria me beijar porque você não fez isso?

– Só se eu beijasse as caixas na frente do seu rosto, George Weasley!

– Você quer saber o que eu queria de verdade? – ele disse com a voz firme, caminhando na direção de Hermione e encurralando ela cada vez mais entre ele e sua cama – Eu queria te agarrar no minuto que eu desci as escadas para abrir a loja. De fato, eu queria muito, muito mais do que só beijar você. – ele terminou quando ela caiu deitada – Hermione Granger, ou você me subestima ou se subestima.

– Acho que um pouco dos dois. – ela confessou ofegante.

– Podemos seguir em paz agora? – ele perguntou e estendeu a mão para ajudá-la a se levantar, mas quando Hermione a segurou, ela o puxou para cair ao lado dela.

– Não gosto de como você me faz agir como uma adolescente birrenta. – Hermione disse colocando-se por cima dele – E eu também quero muito mais que apenas beijar você, mas amanhã estaríamos distantes por tanto tempo que eu tenho medo de não ter significado.

– No seu tempo, gatinha. – George disse respirando pesadamente – Me diz até onde eu posso ir que eu faço exatamente como você se sentir confortável.

Hermione se inclinou e beijou o rapaz com desejo, friccionando seu baixo-ventre contra o dele de forma deliberadamente provocativa. As sensações que aquilo lhe causava eram ligeiramente familiares, pois já desejou e sonhou com momentos como aquele; contudo vivê-las era intenso e meio assustador, mas tão bom que ela não conseguia parar. George, por sua vez, não passava por nada novo, mas pela primeira vez estava experimentando com alguém com quem ele tinha uma convivência que ia além de meros conhecidos ou amantes.

Enquanto a madrugada se estendia, algumas linhas que limitavam até onde eles poderiam ir foram sendo afastadas mais e mais. O que antes não poderia passar de um toque “sem querer” sobre a roupa deu lugar a não apenas mãos, mas lábios e línguas na própria pele. Quando conseguiu descer sem sentir que estava indo longe demais, George ouviu da boca de Hermione um gemido tão alto que ficou mais excitado ainda do que já estava com esse joguinho.

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Hermione acordou no susto quando percebeu que o relógio marcava 10h e desceu agoniada com sua bagagem magicamente indo do seu quarto até próximo à porta de entrada. Ela estava ainda terminando de prender os cabelos quando sentou-se à mesa para tomar o café-da-manhã e mal cumprimentou seus pais:

– Me desculpem, mas eu dormi demais. – ela disse com a boca cheia.

– Esqueceu de pôr o despertador? – o pai dela perguntou – Não o ouvi tocar.

– Verdade. – complementou a mãe dela, desconfiada – O silêncio era tamanho que eu achei até que você nem estava em casa.

– Eu devo ter desligado o despertador muito rápido. – Hermione mentiu e levantou-se – O táxi está prestes a chegar. Eu mando uma carta assim que entrar no trem. Amo vocês!

– O que você acha que houve? – o pai de Hermione perguntou para sua esposa quando ouviu a porta bater.

– Nossa filha está se tornando uma mulher. – ela respondeu com um sorrisinho no rosto e voltou-se para suas tarefas.

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Faltavam apenas 12 minutos para a partida do Expresso de Hogwarts quando Hermione passou com tudo pela passagem entre as plataformas 9 e 10. Ela andou por um tempo procurando com o olhar algum sinal dos Weasley e de Harry e os encontrou quando viu Ginny acenando e vindo animadamente a seu encontro:

– Pensei que não ia chegar mais! – a ruiva a repreendeu e logo a ajudou com as bagagens – Tá todo mundo aqui pra dar tchau pra gente.

– Desculpe! Perdi completamente o horário. – Hermione respondeu, enfim sentindo que podia respirar – Bom dia pessoal!

– Bom dia querida. – Molly cumprimentou Hermione com um abraço caloroso – Obrigada por ajudar George ontem com a loja. Espero que não tenha sido ele o motivo de você ter se atrapalhado.

– O trabalho não me prejudicou, senhora Weasley. – Hermione tentou transparecer calma, mas sentiu que por pouco não desmaiou de vergonha.

– Ela até saiu antes da gente. – Ginny disse, vindo a seu socorro.

– Bem, melhor ir entrando, né? Nos vemos na formatura. – Hermione desconversou.

Com abraços demorados de despedida e um beijo apaixonado em Harry, Ginny foi a primeira a subir a bordo, deixando Hermione calmamente receber o carinho dos amigos e aconselhar Harry e Ron com informações teóricas sobre feitiços. Por último, quando todos já estavam prontos para voltar para casa, George aproximou-se dela com seu jeito brincalhão:

– Tire as melhores notas que aquela escola já viu, Mione. Façam todos esquecerem do chato do Percy.

– Vou fazer o meu melhor. – ela disse e o abraçou.

– Vou sentir saudade. – ele sussurrou para ela, beijando seu rosto demoradamente quando percebeu que ninguém estava prestando atenção.