Amizade Colorida
7 O chá é derramado num barril de pólvora
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– Amiga, você ainda não está pronta? – Ginny perguntou para Hermione, sentando na cama dela para terminar de abotoar as correias da sandália – Papai vem buscar a gente com a chave de portal já já.
– Temos tempo ainda. – ela disse terminando de guardar os materiais de estudo na sua cômoda – Já estou calçada e o vestido está pendurado aqui no dossel.
– Você não vai para a festa com essas botas, não é? – a ruiva cruzou os braços.
– Não gosto do scarpin machucando meus pés.
– Imaginei que ia dizer isso… – Ginny saiu por uns minutos e voltou com uma caixa – Tem um presente aqui pra você. Use hoje.
Hermione desfez o laço de cetim preto que envolvia a caixa e a abriu com cuidado, revelando para si e para Ginny uma bota de couro de salto largo, claramente de grife pelo V na lateral. De início ela não quis aceitar, pois em sua dedução ela notou que aquilo claramente parecia coisa de Harry que tinha gastado mais dinheiro do que precisava com os outros novamente. Contudo, Ginny insistiu que iria ficar melhor do que o calçado arranhado que ela pretendia esconder sob seu vestido:
– Ficou linda nos seus pés, mas combinaria mais com uma meia calça, saia plissada e uma camisa de botões. – Ginny comentou e, com um accio, trouxe mais uma caixa até elas.
– Estou me sentindo uma boneca com você me vestindo assim. – Hermione disse de forma divertida. No fundo ela estava amando não ter que se preocupar com isso.
– Bem, pelo menos a roupa já era sua. Lembrei de quando você a comprou e nunca quis usar, pois era “chique demais”. Harry fez a gentileza de ir até sua casa e pegar com sua mãe.
– Mamãe é outra que ama essas folias.
Com um feitiço bem executado, Hermione trocou as roupas que usava pelas que Ginny separou, ajustando-as perfeitamente em seu corpo. Ela deu uma boa olhada em seu reflexo no espelho e ficou satisfeita, fazendo até algumas poses de brincadeira com Ginny como se estivessem num ensaio fotográfico. Faltando apenas cuidar do cabelo e da maquiagem, as duas usaram feitiços e poções para serem mais práticas e finalizaram tudo no momento exato que Arthur Weasley pediu para chamá-las para irem para o Ministério da Magia.

Os três giraram segurando o objeto enfeitiçado e caíram de pé, porém meio desengonçados, num beco bem escondido em Whitehall. Após se recompor, eles seguiram para acessar a entrada de visitantes e pegaram o elevador até o auditório do Departamento de Execuções de Leis da Magia onde apresentaram seus convites e procuraram as mesas destinadas à Harry e Ron onde Molly, George, Percy, Gui e Fleur já esperavam:
– Uau, que lindas! – Harry comentou aproximando-se das garotas e puxando as cadeiras para elas se sentarem.
– Obrigada pelas botas desnecessariamente caras. – Hermione disse num tom ao mesmo tempo divertido e desaprovador quando Harry abaixou próximo a ela.
– Eu não te dei botas de presente. – Harry disse confuso e automaticamente os dois olharam na direção de George que estava distraído conversando com Ron – Quem diria, hein?
– George Weasley me deu Valentino. – ela riu incrédula – E eu achando que o amigo perdulário era você.
– Acho que vou ter que me empenhar mais pra competir com ele. – Harry disse divertido e sentou-se ao lado da namorada quando a solenidade deu início.
Durante a fala emocionada de abertura, o ministro da magia Kingsley Shacklebolt enfatizou sobre os momentos decisivos da guerra, de como cada pessoa que lutou bravamente na batalha de Hogwarts tinha escrito seu nome na história e alguns deles agora se tornavam parte de uma nova força de justiça que se formava treinada não apenas para combater, mas para defender todos aqueles que, não importa a origem, precisassem de ajuda. Os presentes ouviam tudo com um silêncio respeitoso, a maioria com os olhos marejados, e aplaudiram fervorosamente quando ele declarou que uma nova era de paz se iniciava.
Um a um os aurores recém-admitidos foram chamados ao púlpito para receber a certificação e posar para fotos oficiais. Quando foi a vez de Harry Potter, mal dava para ver o rapaz da mesa onde seus amigos estavam, tamanha era a quantidade de pessoas e repórteres amontoadas no pé do pequeno palco para registrar este momento.
O tumulto se dissipou no momento em que o jantar foi servido e a música começou a tocar. Arthur, ajeitando sua gravata, chamou Molly para dançar, sendo eles o primeiro casal que se retirou da mesa. Harry, para fugir de entrevistas, logo chamou Ginny também para o centro do salão e ficou por lá por um bom tempo se divertindo mais do que imaginava. Ron ainda ficou um pouco mais na mesa, mas logo sua colega de curso, Alice Dune, veio chamá-lo para ficar com ela.
… e em pouco tempo, saindo um após o outro, restaram apenas Hermione e George sentados:
– Então… vejo que está usando o meu presente. – George comentou observando Hermione com as pernas cruzadas para fora da mesa.
– São lindas, mas não deveria ter gastado tanto. Obrigada. – ela respondeu educadamente.
– Digamos que eu fiz bastante dinheiro ultimamente. – ele arrastou a cadeira para mais próximo dela – Como vão as coisas?
– Bem. Estou conseguindo manter minhas notas altas e auxiliando o professor Slughorn em projetos de poções extraclasse. E na loja?
– Estamos no momento mais focados em vender para revendedores.
– Que bom. – Hermione comentou num tom de quem encerra a conversa e bebeu um gole generoso de espumante.
– Ainda não chegou a conhecer a namorada do Ron, não é? – ele perguntou tentando manter a interação – Ela é uma garota bem legal. Combina muito com ele.
– Parece ser bem legal mesmo. – Hermione comentou olhando discretamente para o amigo de mãos dadas com a garota que o levou tirando fotos com um casal que parecia ser os pais dela – Fico feliz por todos estarem engajando em novos relacionamentos.
– Isso foi uma indireta? – ele perguntou levemente incomodado.
– Angelina e você é oficial mesmo? – ela devolveu a pergunta, olhando de canto de olho para ele.
– Nunca teve nada para ser oficial. Acha mesmo que eu seria capaz de ficar com a namorada do meu irmão?! – ele perguntou incrédulo, mas viu que não fez o melhor uso das palavras quando encarou o olhar de desaprovação de Hermione – Ah gatinha, você entendeu o que eu quis dizer! Não é a mesma coisa eu ter algo com a Angelina e ter tido algo com você.
– E o que ela pensa sobre isso? – Hermione insistiu.
– Eu sei lá, Hermione! A gente não conversa sobre namoros. – ele irritou-se – Você fica aí me cobrando e ao mesmo tempo me deixa sem resposta sobre o que estava rolando entre a gente. Chega aqui com esse ar de “não me importo com nada”, mas fica jogando na minha cara sobre relacionamentos que nem tenho! Você diz que eu te faço agir como uma adolescente birrenta, mas na verdade você faz isso consigo mesma!
Hermione, sentindo-se ultrajada, levantou-se e caminhou para uma parte do salão mais afastada, mas não sem antes catar uma garrafa de bebida aleatória e sair tomando direto no gargalo. George resmungou consigo mesmo, levemente arrependido do exagero na reclamação, e ficou um tempo sozinho na mesa pensando se deveria ou não ir até a garota:
– O que eu faço agora? – ele se perguntou e bebeu um bom gole de fire whiskey puro.
– Me conta tudo, por favor. – Hermione pediu, surgindo por trás dele e colocando a garrafa de volta na mesa – Como Angelina e você se reaproximaram?
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