Notas iniciais
Esse capítulo vai ser bem dramático, para nossas duas personagens principais. Espero que gostem...

P.o.v Marina

Minha cadeira de leis da educação especial era todas as noites. Achei que não faria mal se ficasse até mais tarde, pedindo ajuda ao professor Edgar, que prontamente fez o possível pra ajudar.

Seus olhos e cachos, meu Deus, eram de tirar uma garota do seu estado normal. Mas ele parecia nem mesmo reparar em mim, mesmo eu estando com meu short jeans e minha blusinha preta, com o allstar rasgado de botinha. Talvez ele só seja um cara sério. Ou ele não curta mais mulheres.

Perdi a hora enquanto ele me explicava a lei sobre o transporte especial. Mordi o lábio, prestando atenção mais em sua voz do que qualquer coisa que falasse.

Quando finalmente saí da faculdade, era tarde, e tudo estava muito vazio. Estudava na capital, mas morava em uma cidade por perto. A parada intermunicipal estava vazia, e não estava em uma rua movimentada nesse horário. Senti minhas pernas tremerem de medo, mas procurei ficar calma. Logo estaria em casa, e bem.

– Ei, princesa — o cara que apareceu por trás me fez pular de susto, mas revirei os olhos com a cantada idiota, ignorando. Espero que esse ônibus não demore muito, detesto homens paquerando a essa hora. Mordi o lábio.

Foi tudo rápido demais. O cara me pressionou no muro atrás de mim sem que eu tivesse tempo de me defender. Suas mãos foram direto para meus seios, e ele colocou a mão dentro da minha blusa. Tentei gritar, mas parecia que as ruas estavam mais vazias que nunca. Choraminguei.

– Não tenta se fazer de santa agora, roqueirinha — ele riu — Com esse shortinho, você pediu por isso, né?

Ainda comigo gritando, ele tentava abrir meu short para tirar, e suas calças já estavam no chão, me dando vontade de vomitar. Desgraçado.

E então aconteceu. O garoto devia ter poucos anos mais que eu. Tirou o cara de dentro de mim e o derrubou, chutando o rosto do imbécil que ficou desmaiado.

– Você tá bem? — o garoto tinha cabelo bagunçado e olhos claros, era bonito. E tava vem vestudo também. Fiz que sim com a cabeça. — É melhor a gente sair daqui. Vou ligar pra policia e depois pro meu motorista buscar a gente, tá?

Fiz que sim, agradecida.

– Sou Marina — falei, ainda atordoada.

– Meu nome é Tarso.

***

P.o.v Edgar

Tinha sorte de ter a faculdade agora. Dar aulas além de me dar um bom dinheiro, me ajudava a passar o tempo, agora que Laura tinha que consolar o marido. Mas havia nossas escapadas, claro.

Naquela sexta, eu tinha marcado com ela, pra que pudessemos ter outra noite nossa em minha casa, agora já montada. Melissa se acostumara com a ideia de ter Laura de vez em quando pelo apartamento, mesmo que pra dormir.

Não esperava que uma aluna viesse me pedir ajuda logo naquele dia, mas fiz o meu papel como bom professor e a ajudei com toda a paciência do mundo. Era preciso, fazia parte de ser um mestre.

Quando vi que ela parecia ter entendido e a mandei pra casa, fui direto a garagem e ao encontro de Laura. Ela me esperava na porta de casa com aquele ar de ansiedade nos olhos, que me apaixonava. Não via a hora de puder mostrar ao mundo que ela minha.

– Oi, meu amor — eu a beijei nos lábios.

Entramos, agradeci e paguei a babá, e comemorei por Meli estar dormindo. Agarrei Laura pela cintura e a levei ao quarto.

***

P.o.v Laura

Não vou dizer que era fácil transgredir a moral e estar com Ed, ainda mais sabendo que Rodrigo estava arrasado pela morte da filha. Mas ficar longe de Edgar me corroi por dentro, me dava nauseas. Então escolhi ceder as aventuras.

De manhã antes ainda que amanhecesse eu fui pra casa. Nâo esperei ver Rodrigo me esperando no portão de casa, mas algo no olhar dele parecia dizer alguma coisa. Desconfiança talvez, ciúmes.

Será que Rodrigo estava aceitando minha traição? Como um dia eu aceitara a dele?

Ignorei os pensamentos e o abracei. Ele me beijou com um carinho exagerado.

Esperei que ele me falasse alguma coisa, mas não houve nada.

De repente, um barulho ensurdecedor foi ouvido muito perto. Ainda abraçada com Rodrigo, senti suas costas molhadas, e ele me olhou com dor e aflição. Desdesperada, vi meu marido cair em meus braços, o sangue escorrendo pela calçada.

– Minha prenda — ele gargolejou, quase engasgado — Eu te amo, me perdoa, sei que fui um idiota. Espero que Ed possa te fazer feliz como eu não fiz.

E então vi seus olhos perderem o brilho e o movimento, e os fechei chorando mansamente sobre o corpo.

Ao longe, vi o rosto de Bento, que ne olhava com ódio e vingança no olhar.

As pessoas te maneiras diferentes de responderem a traição.

Notas finais
A pesquisa de resultado ridículo que saiu sobre estupro nos últimos dias me revoltou. Saber que o mundo ainda é tão machista parece ser coisa de filme, mas infelizmente, é nossa realidade. Há pessoas que me acham machista por eu pensar de maneiras diferente delas. Mas se tem uma coisa que abomino é preconceito. A mulher é dona de seu próprio corpo, e o usa como tiver vontade. É a escolha dela. Isso não dá direito a nenhum desgraçado violá-la. E vocês? Acham oq do resultado da pesquisa?