Notas iniciais
Gente, não me batam >< Mas precisa realmente fazer uma cena fofa com Rodrigo (eu amo ele, apesar de ser Laured =P)... Mas tudo isso vai mudar, promessa :)

(Narrador)

Rodrigo preparou tudo com antecedência, fazendo tudo para agradar a esposa. Queria se redimir, provar que a amava, e que seus erros tinham sido por fuga da tristeza que a morte da filha lhe causara. Também queria lhe fazer uma surpresa, sobre um presente que conseguira com seu amigo espanhol, Pepe, um advogado que era pintor nas horas vagas.

Havia também Dante, o novo estagiário de Rodrigo, que tinha que contar sobre ele e a ajuda que dava a ele... Era muita coisa pra contar em pouco tempo, esperava que isso, o fizesse tirar a culpa que o consumia dentro de si.

Chegou em casa e Laura estava sentada de costas, na mesa da cozinha, o choro baixinho e manso. Aquilo lhe doeu por dentro como se alguém tivesse o esfaqueando constantemente. Será que ela desconfiava de alguma coisa? Mulheres tem sexto sentido, elas sempre sabem.

Abraçou-a por trás, chorando também, uma mistura de culpa e sofrimento, saudade da filha e a tristeza por ver o amor de sua vida chorar. Laura apoiou sua cabeça no ombro dele e chorou finalmente, sem medo.

Minutos depois, ela fungou, parou o choro e olhou para o marido, sem saber exatamente o que falar pra ele. Por que aquele homem tinha aqueles olhos que chamavam os seus, como imãs? Como queria poder ter um homem como Rodrigo que a tratasse como devia, como única em sua vida... Por que ele não podia ser o homem que ela pedira e ao mesmo tempo ser fiel?

As lágrimas ainda caíam, mas ela estava calma, olhando em seus olhos.

– Rodrigo – ela suspirou – Eu sei. Das garotas, eu as vi.

Ele ficou branco como papel, surpreso, sem saber como ela poderia ter visto algo.

– Viu o quê? – ele perguntou, meio grosso.

– As garotas café com leite – ela usou a expressão de Edgar – Eu fui te levar bombons no hospital, enquanto largava Flora, Alice me deixou entrar, como se fosse engraçado pra ela que eu visse aquilo. Então eu vi.

Agora Rodrigo também chorava novamente, sem ter vergonha de ser um homem que sofria. Sua amada, sua querida, a única mulher que ele amou de verdade na sua vida, a única mulher que merecia seu respeito, tinha visto ele ser um canalha. Sentiu vontade de cuspir no próprio rosto. Dar um soco no próprio nariz. Tinha raiva de si mesmo como nunca antes.

– Eu te amo, Laura, eu sinto muito – ele chorava agora, como uma criança grande – Eu estava triste, tinha perdido minha filha, eu...

Laura ergueu-se, com raiva, agora explodindo como uma panela de pressão humana.

– Quis se confortar com duas vaginas? – ela cuspiu nele – Você é um imbécil, Rodrigo, como eu pude aguentar você até agora, deveria ter ido embora assim que vi aquela orgia dentro do seu consultório.

Ele engoliu em seco e nem sequer limpou o rosto. Ele merecia. Era um idiota. Deveria ir embora e deixar Laura em paz com Edgar, que a amava de verdade, que nunca a trairia. Por que era tão idiota, por quê? Mas que droga.

– Laura, eu sei, fui um imbécil, fui um traste, um canalha – ele tentou a abraçar, ela saiu de perto – Sou um idiota, eu sinto muito. Faça o que tiver de fazer, eu mereceria. Eu te amo, eu juro, você é a única que eu amo, a única que amei na vida.

Ela negou com a cabeça.

– Você é realmente um canalha, Rodrigo. Consegue realmente me fazer sentir um lixo e depois vir todo meloso, com essas besteiras no meu ouvido, achando que tudo vai passar, é isso?

Ele baixou a cabeça, sem saber o que falar ou fazer, ela simplesmente estava certa. Mas tudo o que dizia era verdade.

– Por que mandou as crianças para minha mãe? – ela finalmente perguntou.

Ele suspirou, tirando da maleta uma série de papéis.

– Eu falei com Pepe, ele conseguiu o que a gente queria, finalmente. – ele entregou os papéis a ela, que os segurou e leu.

Era os papéis de adoção e guarda de Júlia e Elias. Já tinham combinado isso com a mãe, as crianças, entre eles. Já sentiam como se fossem pais daquelas crianças. Ver que Rodrigo tinha tentado lhe fazer uma surpresa tão linda lhe amansou um pouco, mas ela ainda estava na defensiva.

– Rodrigo, isso é lindo, mas... – ela suspirou – Não posso viver minha vida inteira achando que você está com outra quando está longe dos meus olhos. Eu te amo, isso dói.

O som da frase fez ele recuar, tenso.

– Eu te amo, Laura, você sabe disso, eu sei que sabe – ele respirou fundo – Meu peito também dói por saber que você sofre. Eu não vou fazer mais, eu prometo, foi um deslize.

Ela fechou os olhos, para não soqueá-lo.

– Não minta pra mim, Rodrigo, eu não sou idiota.

Ele bufou.

– O que faço então, para que me perdoe?

Suma da minha frente, pensou.

– Para um pouco em casa, prove que está mudando. Me fale a verdade, sempre, mesmo que machuque. Mentiras doem mais que a traição.

Ele se surpreendeu, seus olhos arregalando.

– Minha prenda, tem certeza que quer mesmo saber a verdade sobre tudo?

Ela fez que sim, sem se importar com o apelido.

– Alice, a menina que trabalha no meu consultório.

O coração de Laura pulou. Ela também não.

– O que tem ela?

Ele virou as costas, teve vergonha da esposa. Queria puder se dar um soco.

– Ela é minha filha, Laura – ele suspirou. – Com Flora. Éramos adolescentes, ela tinha quinze anos. Eu tinha vinte. Foi uma aventura boba, ela deu a criança para um casal, que criou a menina. Ela soube da verdade a pouco tempo, por isso me odeia tanto. Mas eu dei o emprego a ela, porque os pais precisavam, eles estão em uma situação difícil.

A mão de Laura voou na direção do rosto dele, que aguentou o tapa calado. Ele merecia.

– Foi no passado, deveria ter me contado, eu não ficaria brava, Rodrigo – ela soltava fogo pelas ventas – Como você disse, eram adolescentes, todo mundo faz esse tipo de coisa quando é mais novo. Por que mente tanto pra mim?

Ele engoliu em seco.

– Desculpe, eu não tive coragem, achei que me mataria.

Ela riu.

– Agora tenho vontade – ela disse – Mais?

Ele fez que sim.

– Dante, meu novo estagiário – ele suspirou – Ele é um pouco mais velho que Alice, eram amigos de infância. Eu paguei a faculdade dele desde o começo, ele queria fazer medicina, mas não podia nem fazer uma mais barata. Fui eu quem consegui o estágio.

Laura sorriu.

– Isso é lindo, amor.

O tom de voz manso e meloso da esposa fez Rodrigo arfar. Agarrou-lhe pela cintura com todo o amor e respeito que ela merecia. Sua mulher.

– Eu te amo, minha prenda – ele disse enquanto a levava em direção a cama.

– Eu não devia, mas te amo ainda mais, seu idiota.

Não puderam mais resistir ao desejo.

Notas finais
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