Notas iniciais
Ei, garotas... Estamos encaminhando a história pro final esperado... Laured! Capítulo em homenagem ao aniversário da minha diva, Marjorie Estiano

P.o.v Laura

Quando acordei, Rodrigo já tinha saído pra trabalhar. Tomei um banho demorado, pensando com clareza em tudo o que acontecera e o que eu deveria fazer. Era difícil saber o que fazer assim, mudar tão rápido... Mas eu faria, sem me importar de estar errada.

Ia ser o melhor para meus filhos, para os meus agora filhos adotivos, e para todo mundo.

***

P.o.v Edgar

O telefone tocou na cozinha e eu corri, sabendo que era Laura. Deixei dar três toques, e atendi.

– Ei, melhor amiga – eu usei a brincadeira dela.

– Como está?

– Não importa – eu disse – Fale você.

– Hum... Tá – ela disse – Então, eu decidi, Ed.

– E? – perguntei.

– Eu o amo, e ele me ama, dei uma nova chance a ele. A minha família. Tenho 4 filhos agora – ela sorriu, eu sabia.

– Está grávida de gêmeos? – perguntei, surpreso.

– Claro que não, bobão – ela riu – Adotamos Júlia e Elias, finalmente.

– Que legal! – falei com entusiasmo – Vejo que está feliz, Laura, e isso é muito bom – sorri.

– Você é legal, Ed, o melhor amigo do mundo – eu suspirei – Que bom que entende, queria que viesse pra cá, mesmo assim, Melissa ia ter quatro primos ótimos.

Eu ri.

– É, tem razão, acho que é uma ótima oportunidade.

Ela desligou. O melhor amigo do mundo, que ótimo. Eu sei que quero que ela seja feliz, e ela está, mas ela está agindo errado. Ela está com um cara que não a merece. Não me importo que ela ache que esteja certa, ela não está.

– Melissa – a pequena vinha esfregando os olhos, acordando pra ir pra escolinha. Minha filha já tinha cinco anos, e uau, ela era linda.

– Pai? – ela resmungou.

– Vamos nos mudar, filha – eu disse – Vamos para perto da tia Laura, o que acha?

Ela me olhou, surpresa. Pobre da minha filha, estava meio triste com toda a história da mãe, era demais para uma criança tão pequena. Não queria mais fazer as tarefas na escola, nem brincar ou qualquer outra coisa. Só o que fazia era conversar com uma boneca que ela dizia que ficava viva quando estava sozinha com ela.

Achava que talvez isso melhorasse se mudássemos de vida, se ela tivesse amigos.

– Por quê? – ela perguntou.

Eu sorri.

– Você precisa de uma parte feminina na sua vida.

– Você vai casar com tia Laura, papai?

Fiz que não.

– Não, Meli, tia Laura é casada com tio Rodrigo, lembra?

Ela fez que sim e me abraçou.

***

(Narrador)

Rodrigo estava falando sério quando prometeu não fazer mais. Mas ele não contava com uma crise no casamento de Flora Quadros. A pediatra que um dia fora sua colega de escola e tivera uma filha com ele, agora era sua melhor amiga. Laura nunca teve ciúmes disso, até porque, ela também tinha seu melhor amigo, e ele era apaixonado por ela. Mas agora que ela sabia do passado deles, talvez o ciúmes viesse a tona.

Quando chegou ao hospital, Flora o chamou para uma tomografia na pequena Lucy. Esta menina de três anos, era o único caso do hospital que obrigava o antigo casal a se reunir. Essa criança tão pequena tinha dois tumores no cérebro há dois meses, e pela rapidez que se desenvolviam, Rodrigo tinha receio que não durasse muito mais.

Ele se apegou de uma maneira extraordinária nessa pequena criança. Talvez ela lhe lembrasse Anita, e seus olhos brilhavam quando o viam, o que fazia ele ficar meio bobo quando estava com ela. E a menina, que não conhecia o pai, teimava em chamar Rodrigo assim, talvez sem querer.

Entrou na ala de crianças com câncer do hospital, já agoniado por ter que ver Lucy. Ela logo veio o abraçar, e ele e Flora levaram a pequena pra ala de neurologia.

– Deite-se outra vez na máquina do tempo, princesa – falou a ela, acariciando sua cabecinha nua – Hoje vou te mandar para o castelo da Cinderela, que tal?

Ela bateu palminhas como uma bonequinha.

– Eu posso, pai? – ela estava animada – Posso mesmo?

– Não disse que sim? – perguntou, ajoelhando-se na frente dela – Deite-se lá, pequena, ou então a Cinderela não vai esperar muito!

Ela correu para a máquina, deitando-se como sempre. A mãe optou por não contar a ela que estava morrendo, e por isso mesmo, não podiam contar a verdade sobre os exames. Tudo o que Lucy sabia era que vinha ao hospital porque os médicos tentavam acabar com sua queda de cabelo lhe dando remédios, até que o cabelo dela voltasse. E Rodrigo achou lindo a história da máquina do tempo que a mãe inventou para a tomografia.

– Como está os tumores, doutor? – a mãe sussurrava, meio temerosa.

– Está aumentando, Márcia – ele mesmo estava trêmulo com a notícia.

Programou o monitor, imprimiu algumas imagens e mostrou a mulher.

– Quanto tempo acha que ela tem, doutor? – ela falou, antes que a pequena se levantasse pra contar sua aventura.

– Eu não sei, de verdade – ele torceu o lábio – Não mais do que três meses, eu acho.

A mulher segurou as lágrimas quando a filha veio correndo.

– Mãe, eu a vi, ela é tão linda! – e a mãe sorriu, as duas saindo conversando alegremente.

– Pobre da Márcia, ela só tem essa menina... – comentou Flora, balançando a cabeça.

– Nem me fala... – ele tinha a cabeça baixa, aflito.

– Gosta mesmo dessa menina, né? – Flora levantou a cabeça dele, perto demais.

– Demais – ele olhou nos olhos dela.

– Sabe qual o seu problema, Rodrigo? – Flora limitou-se a ser a conselheira habitual – Você faz as coisas erradas, mas ama Laura. Você ama demais as pessoas, e mesmo assim as machuca. Acho que faz as coisas boas pra se redimir com as coisas erradas que fez.

Ele deu o sorriso que arrebata as mulheres do mundo.

– Talvez esteja certa.

Ela balançou a cabeça, numa repreensão ao amigo.

O beijo veio por impulso, numa decisão mútua de ambos. Agora não tinha como voltar atrás.

Quem via do lado de fora, pode ver as roupas voando e os corpos se tocando cada vez mais.

Seria só nostalgia?

Notas finais
Fiz mudanças na sipnose e nas categorias, pra deixar claro o porquê de Laura ser a mistura de tantos personagens. Quem quiser dar opinião, só vir ;) E não esqueçam das sugestões ;) Até sábado que vem ;)