Amizade Colorida
4 Delírios...
Notas iniciais
Foi preciso que a história tivesse esse capítulo para tomar o rumo que eu quero... Fiquem a vontade para criticar, sei que ficou meio "pesado", mas como eu disse, era necessário...
Fiquem a vontade, e obrigada por terem favoritado :)
Era noite. Constância se distraía olhando a novela das nove e Luzia já tinha sido dispensada.
Da janela, Laura via a lua cheia que iluminava o céu naquela noite de maio. Um vento quente entrava, mas ela estava enrolada numa manta de lã. O calafrio característico da febre percorria sua coluna e pescoço mas, apesar da insistência da mãe, ela teimara em não se deitar.
Olhou o iphone mais uma vez. Nenhuma resposta. O bate-papo do facebook estava aberto nas mensagens a Edgar, que fazia dias que não lhe dava notícias.
Talvez a febre fosse isso, o emocional pelo amigo estar longe, mas não fisicamente. Talvez fosse o resfriado por causa da chuva que pegara quando tristemente resolvera voltar caminhando para casa. Talvez fosse o trauma pelo quase estupro dessa mesma caminhada, quando três caras tentaram lhe machucar, mas por sorte, o motorista que a mãe lhe mandara estava bem atrás dela.
Aconteceu na volta da casa da amiga Sandra, pouco depois de escurecer. Bem, o que passou, passou.
Suspirou fundo. Lembrou-se com clareza dos cabelos claros bem penteados e a postura de advogado do melhor amigo. O corpo vestido naquela camiseta preta da System, e a calça jeans que parecia não combinar com o novo Edgar, que estava sempre de terno. Será que todos aqueles momentos dos dois foi pura diversão? Tudo não passava de uma forma de ter seu corpo, de "pegar", para depois sair comentando com os amigos?
É isso, pensou. Edgar podia ser desses homens que só saem com a intenção de que tudo termine na cama. Se era mesmo verdade...
- Laura, querida — era o pai, que chegara do hospital onde trabalhava e passava em frente a porta do quarto da filha — Você está bem? Está quente, por que está com essa lá por cima, está com frio?
Foi se aproximando enquanto falava, e assim que terminou, colocou a mão na testa da filha.
- Está queimando, filha, o que houve, gripe?
Fez que sim, sem querer explicar o acontecido mais cedo, certa de que a mãe contaria. Sentou-se a cama, aninhando-se em baixo do cobertor, e deixou-se chorar baixinho.
- Mas o que foi? — o pai, sempre preocupado enrugou a testa, o que o fez envelhecer um pouco — Não me diga que Edgar...
Laura negou com a cabeça, constrangida.
- Ele foi um perfeito cavalheiro, pai — explicou — É só TPM, tá tudo bem — sorriu.
O pai concordou, erguendo-se. Nessa hora, Constância passou para o quarto, sem falar com nenhum dos dois. Ainda estava furiosa com a história da filha não aceitar vir de carro e acabar quase sendo mais uma vítima da violência do país.
Dr. Assunssão beijou o alto da cabeça de Laura e seguiu para o quarto, deixando Laura ali, lembrando dos últimos dias, em especial o inesquecível dia com Edgar. A cena do beijo a fez ruborizar, mesmo sozinha. Boba, pensou.
Puxou o Iphone em frente ao rosto:
"Edgar, peço desculpas mais uma vez por tudo o que aconteceu. Espero ter a chance de compensar tudo isso. Amanhã à tarde, tenho tempo livre e meus pais estarão fora. É domingo, então acho que você pode vir.
Espero ansiosa."
Não sabia ao certo se estava agindo bem, nem tampouco se estava sendo oferecida demais. Mas bem, nunca foi do tipo que se preocupa com opiniões alheias. E se para conquistar a amizade de Edgar fosse preciso se render completamente a ele, ela faria isso.
Engoliu em seco, pensando se todos aqueles pensamentos não eram apenas delírio de febre. Fungou, limpou as lágrimas e deixou que o sono a dominasse.
***
O som da mensagem soou pela sétima vez. Edgar puxou o aparelho do bolso, suspirando. Certo de que queria um tempo para esquecer Laura, ele quase ignorou novamente, mas a mensagem lhe chamou a atenção.
Leu em silêncio, tenso, sem entender plenamente o conteúdo das palavras. Laura queria compensar o que tinha feito? Seria uma conversa, um pedido de desculpas formal?
Não queria pensar na outra possibilidade. Não vindo de Laura. A pequena, inocente e doce Laura.
Deu de ombros, deixando mais uma vez a consciência de lado.
***
Laura acordou de madrugada, quase cinco horas. O sonho que tivera a atormentara. Edgar, sem camisa, lhe dava arrepios. Acordou arfando, o calor a dominando, e todo seu corpo tremendo. Seria a febre baixando ou o mais súbito desejo?
Desejo? Por Edgar?
Sim, era isso.
***
Quando os pais saíram, Laura trocou de roupa, escolhendo seu short jeans com a regata cor-de-pele. Fervia por dentro. Olhou o relógio, faltava pouco.
Sentou-se a espera. Logo tudo estaria concretizado.
Notas finais
Kisses, até a próxima ;)
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