Notas iniciais
Então, demorei muito, né? Desculpem, de verdade, eu realmente to meio sem tempo, mas to fazendo o possível para vir sempre, responder vocês :) Bem, aqui estamos com todas as respostas para as perguntas que me fizeram, confesso que também to curiosa, haha

Boa leitura

Alguns dias antes...

O fim de semana do encontro tinha ido embora, e ficara uma segunda-feira cheia de preocupações como sempre. Edgar estava no meio de um caso com um casal que se separava depois de cinco anos vivendo juntos. Provável traição. Mas bem, não era o trabalho dele especular motivos.

- Doutor Edgar, uma moça ligou, quer falar com você. Disse que é Laura, sua melhor amiga.

O coração do advogado deu um salto, mas ele logo tratou de se acalmar. Que espécie de comportamento é esse?, pensou. Esqueceu-se de imediato sua paixão boba, e entrou no papel de grande amigo que ela queria que ele fosse

- Diga para que me ligue daqui uma hora, por favor, Berenice, tenho que terminar os papéis dos senhores Fonseca.

A mulata fez que sim, o sorriso zombeteiro no rosto, virando as costas. Berenice era uma boa secretária, e tinha um sexto sentido incrível para os sentimentos do patrão. Devia ter notado que Laura não era só uma amiga para ele.

Ele ignorou, e voltou-se para o casal em crise.

- Então, querem mesmo que tudo termine com rapidez?

Ambos concordaram, aquele caso parecia ser simples.

***

O clique do telefone mais uma vez foi escutado por Constância.

- Mas que raios esse garoto pensa que é, o rei de Marte? — ela estava furiosa — Você está precisando dele, ele devia parar tudo para escutá-la.

Laura revirou os olhos, sentada no sofá com pés cruzados em cruz, o óculos escuros sobre a cabeça e vestindo uma camisa velha do Brasil e um short mais curto do que o habitual.

- Ele tem uma vida, mãe, já disseram isso para você? — ela ergueu-se de súbito — Vou dar um jeito de ir em outras escolas, preciso de um emprego. Mais tarde tento de novo.

A mãe olhou com ar de compaixão. Parecia realmente acreditar que a filha estava passando por uma paixão mal recebida.

***

- Laura? — a voz de Edgar a fez sorrir.

- Edgar! — ela falou, entusiasmada demais. — Espero não ter atrapalhado.

- Claro que não, você não atrapalhava nada — ele falou — Precisava de mim?

- Hm, é — ela sorriu — Só queria saber como você está, é estranho, mas sinto falta de falar com você.

- Claro, Laura, eu estou bem. E você, como está?

- To bem.

Fez-se silêncio, um minuto ou dois.

- Laura?

- Sim?

- Por que você não aceita ser meu namorado, e me faz feliz? Isso faria a nossa amizade ficar mais legal, não acha?

O tom era feliz. Laura mordeu o lábio, insegura.

- Edgar, eu adoro sua amizade, não estraga ela, por favor.

- Eu só quero te fazer feliz! Eu prometo que se não der certo nada vai mudar, nada!

Ela enrugou a testa. Mas que droga.

- Tudo bem, esquece — o tom de que ele desligara a pegou de surpresa.

***

Caminhava em direção ao centro, já passara em diversas escolas particulares, mas não parecia ser o tipo de pessoa que eles queriam. Cansada, resolveu dar uma passada rápida na casa de Sandra. Já fazia algum tempo que começara a procurar emprego, e a busca estava lhe saturando. Olhou o relógio. Eram pouco mais de quatro da tarde, podia ficar bem na casa da amiga.

Encontrou Sandra na porta com um homem de meia-idade, parecia bem intelectual, do tipo moderninho. O homem virou as costas no exato momento que Laura chegou no portão.

- Quem é? — perguntou, meio desconfiada.

Sandra revirou os olhos.

- Deixa de ser boba, Laura — resmungou — É um escritor, ele me contratou para digitar seus livros, não gosta de computadores ou algo assim, é um cara legal, e vai me pagar bem.

- Ah — Laura disse.

Entraram as duas, a avó de Sandra estava lá, sentada com seu livro, o óculos de leitura cuidando as duas como se elas tivessem prestes a fugir correndo.

- Oi, Laura — cumprimentou, sem muita vontade — Como está sua mãe?

- Bem, obrigada — Laura, respondeu educadamente.

Foram direto ao quarto de Sandra, onde o notebook estava em cima da cama ligado, aberto no facebook, na foto de um dos caras que andavam com o irmão de Laura. Beto, o garoto que se dava melhor no mundo, estudava em uma faculdade no Rio Grande do Sul, desde que o pai o pegara com drogas e tentara fazer algo para mudar isso. Laura não acreditava que enviar o garoto para longe dele ajudasse muito.

- E então, tem algo para me contar? — perguntou uma Sandra cheia de expectativas, que parecia saber de alguma coisa — Alguém viu você com um certo advogado rico, então eu pensei que...

- Alguém? — Laura interrompeu o devaneio da amiga — Que espécie de pessoa você anda conhecendo, Sandra, que faz fofoca para você?

Olhou de imediato a foto do cara bonito e que andava com a galera "do mal" da cidade. Sandra acompanhou o olhar e automaticamente fechou a conversa, antes que Laura pudesse ver.

Laura enrugou a testa, preocupada.

- Sandra Praxedes, o que pensa que está fazendo? — ela mordeu o lábio — Sabe que esses caras adoram "pegar" toda menina por aí, né? Eles não querem muito algo sério, não, eles querem dormir com você, entendeu?

- Teodoro não é assim, Laura — Sandra tinha uma rostinho indiscutivelmente apaixonada — Ele é bom, sabe? Um cara legal de verdade, não é como os amigos dele.

- Drogados — Laura apontava os dedos, enumerando — Pegador, jogador de futebol, sem trabalho... Sandra, não vejo por que seria diferente dos outros.

Sandra fez um gesto de "deixa-pra-lá".

- Ele não é pegador, e nem usa nada, eu sei disso — disse a confiante Sandra — Você vai ver, Laura, ele vai me fazer feliz.

Laura desistiu. Mania essas garotas tinham de acreditar no primeiro idiota que vinham na frente delas. Talvez ela fosse assim por ter o irmão para ensiná-la como os homens eram. Um bando de idiotas, que só serviam para amizade, e só queriam dormir com elas.

- Laura? — chamou a amiga, meio tensa — Vai me contar o que aconteceu ou não?

Ela sorriu.

- Ele é demais, Sandra, um cara legal demais. — as mãos eram compulsivas — Sabe aquele amigo que você esperou a vida toda? Edgar é meio assim...

Sandra fez que sim, percebendo as pequenas entusiasmadas por trás da "amizade perfeita" da amiga.

***

Laura mal percebeu que escurecera. Havia mandado um sms a mãe assim que chegara, mas não devia ter esperado tanto.

- Seu motorista está esperando, Laura — Teresa, a mãe de Laura, vinha secando as mãos em um pano de prato, sorrindo — Acho melhor você ir, tá tarde.

Laura revirou os olhos. Mas que droga, não queria ir embora de carro! A mãe fizera de propósito, claro, na intenção de humilhar Sandra e a mãe, mas nunca funcionava muito bem. Eles eram todos humildes o suficiente para entender a situação financeira melhor da família de Laura.

- Tudo bem, já vou indo então — ela se despediu da amiga com um abraço apertado e de Teresa com um beijo no rosto — Obrigada pelo café, tia.

A mãe de Sandra sorriu.

***

- Tá tudo bem, pode ir, eu quero caminhar um pouco, preciso pensar — ela falou ao Caniço, seu motorista — Tudo bem, pode ir.

Ele fez que sim, um pouco confuso, e Laura seguiu seu caminho, atalhando pelas ruelas do bairro de classe média baixa onde Sandra morava. Olhou o céu, onde as nuvens cinzas clareavam a noite, e mordeu o lábio. Era só o que faltava agora, chuva.

Apertou o passo. Seu allstars não ia proteger seus pés. Deu de ombros. Continuou andando por um tempo, o som de raios explodindo do céu. De repente, lá vinha um turbilhão de água.

Correu por uns minutos, já ensopada, até que a chuva diminuísse. Continuou atalhando, sempre em caminho de casa, até que finalmente achou uma fachada de um bar e ali ficou por um tempo.

A chuva cessou quase oito, quando ela finalmente saiu, ainda tomada de água, caminhando a passos largos. O grupo de homens que a seguia parecia rir, e ela logo começou a ficar com medo de verdade.

- Psiu — fez um deles e ela não olhou — Ei, princesa, olha aqui, ninguém vai te fazer mal.

- Fala por você, Marco — o outro riu — To louco pra fazer mal a essa aí.

Ela tentou correr, aflita, mas o medo fez com que se atrapalhasse caindo de joelhos no asfalto. O último que falara apareceu em sua frente, de mão estendida.

- Calma, prometo tentar não te machucar, ok?

Ela tremia. Ergueu-se sem a ajuda do homem a sua frente, sem coragem de gritar. Sentiu um corpo lhe puxar por trás, lhe segurando pelos seios. Estava com muito medo.

Foi muito rápido. De repente, como por mágica, Caniço estava ali, derrubando os homens com golpes de capoeira.

Era bom ter um motorista, afinal.

***

- Mas que droga, Laura, por que você tem que ser a "pobre rica" que não gosta de nada que eu faço por você? — Constância parecia querer bater na filha, mas é claro que não faria isso — O que poderia ter acontecido, você não imagina?

Estremeceu ao pensar. Não queria nem imaginar o que poderia ter acontecido se o motorista não tivesse ali. Mordeu o lábio.

- Que droga, mãe, desculpa, tá bom? Eu só queria caminhar, precisava pensar, é só isso — ela suspirou — Não sabia que ia encontrar chuva e mais um bando de estupradores por aí.

Constância pôs as mãos na cabeça, e saiu irritada, sem querer discutir mais com a filha.

Laura se enfiou dentro do quarto, enviando uma mensagem ao melhor amigo.

Notas finais
Sei que eu fiz numa ordem confusa, desculpem haha
Mas acho que dá pra entender bem, né? Bom, no próximo capítulo vocês verão (e eu também) se Edgar aceita ou não o plano de Laura, fiquem por aí ;)