Amizade Colorida
3 Apenas amigos...
Notas iniciais
Bom, aí tá a continuação do passeio, tudo contado pelo Edgar bobo pela Laura, kk... Espero que gostem, eu me apaixonei pelo capítulo :P
Eu a olhava de longe, naquele dia que nascia. O céu era cor-de-rosa, e estávamos na beira de um rio. Ela parecia olhar o vazio, sem saber se ria ou chorava.
Da madrugada até aqui, se passaram mais de quatro horas. Agora que cansara, Laura parecia a mesma mulher responsável e doce de sempre. Mas seu olhar ainda transmitia a leveza de bailarina e omagradável som de sua risada musical.
Ou talvez tudo fosse só na minha mente.
Passamos um dia bom. Tínhamos ido juntos ao cinema e ela me tratou com educação e destreza femininos e quase matriarcais. Relembrar a época em que ela era magricela e tímida e eu o galã desejado do fundamental foi engraçado, e eu me surpreendi gostando de ouvir o tilintar de sinos que soava quando ela ria. Foi o que acabou por me dar mais vontade de ser o cara engraçado de sempre.
- Quer fazer alguma coisa agora? — perguntei, sendo cavalheiro, pensando se ela escolheria algo para comer — Mc, talvez?
Ela sorriu, balançando o cabelo como uma modelo de comerciais.
- Na verdade, tenho aula de teatro agora — ela confessou — Se você quiser, pode vir comigo, e depois pedimos alguma coisa na sua casa, pode ser?
Fiz que sim com a cabeça. E foi assim que conheci a Laura menina, longe de sua máscara de responsável e adulta. Ela era uma atriz excepcional e eu fui obrigada a gostar de sua professora, Celeste. Os demais atores eram hilários. E claro, havia o contra-regra, conhecido como Quequé, que era atrapalhado o suficiente para fazer todo mundo rir.
- Você é uma gracinha atuando — comentei quando estávamos no carro em direção a minha casa — Não imaginava que gostasse de teatro.
Vi que em segundos, os olhos dela lacrimejaram e ela baixou a cabeça.
- Eu não gostava — explicou — Entrei com uma amiga, que fazia trabalho voluntário comigo no orfanato aqui perto. Tínhamos uns catorze anos, e ela amava teatro.
- E você gosta agora? — indaguei.
Ela sorriu, como se sonhasse.
- É uma das minhas paixões — sorriu — Me apaixonei pelo teatro desde que coloquei os pés lá. É como sair de mim mesma, e viver a vida de outra pessoa.
- E sua amiga? — provoquei — Não gosta mais de teatro?
Pudia dar um palpite, provável briga de adolescente, mas decidi esperar que ela respondesse.
Ela fez que sim, fungando, e conseguiu se recompor.
- Isabel amava sambar. — contou — Ia ser porta- bandeira o ano passado, e então, quando ensaiava, o lugar pegou fogo.
Engoli em seco.
- Sinto muito.
Ela sorriu, e tocou sua mão com a minha, fazendo meu coração ter um estranho ataque.
- Você é legal, Edgar — seus olhos brilharam — Isabel ia gostar de você.
Eu sorri.
***
Assistimos TV a tarde toda, ela gostava de um reality show de top models ridiculamente chato, mas eu não me importava. Prestava atenção na sua risada e no som da sua respiração.
E nela xingando as participantes.
- Não seja besta, Letícia, é pra caminhar solta, não entendeu?
Eu sempre ria. Uma hora ela se irritou comigo também.
- Que foi? — indagou, invocada — Homens não entendem esses programas — e revirou os olhos.
Eu achei graça da colocação, mas não ri.
- Tem razão — falei.
E tinha mesmo. Sobre todas as coisas que falara até agora, principalmente da parte dos homens serem bobos, que disse antes do cinema. Eu era mesmo bobo. Estava deixando uma garota mandar em mim, com horas de convivência.
É como diria Leoni, garotos perto de uma mulher, são só garotos.
***
Saímos para dançar à noite. Eu não curto esse tipo de programa, mas o convite fez ela me abraçar e soltar gritinhos.
- Adoro dançar — revelou.
A noite foi linda para ambos. Nunca a vi tão feliz, e eu, sorria só de vê-la mexer o corpo de forma tão delicada.
E então fomos parar ali, onde estávamos desde as duas da manhã. Ainda era noite quando ela correu até o rio, o vento voando nos cabelos, uma sensação de que ela podia voar. Gritou, girando como criança. Então me abraçou e me beijou o rosto.
- Obrigada por tudo, Edgar — ela sorriu — Por ter me trazido a tantos lugares, ter me feito feliz... Não me sentia assim a muito tempo, isso sim é viver!
Dei o sorriso mais sincero que já dera. Ela tirou o vestido preto por cima da cabeça e entrou correndo no rio, assim, de lingerie, e eu me contentei em sentar na beira, observando.
Agora, pouco antes do amanhecer, lembrei das palavras dela mais cedo, falando que queria alguém para amar e viver com ela. Será que sou eu?
Mas eu também não sei.
Aproveitei que ela estava ao meu lado e aproximei meu rosto, quase colando nossos lábios.
Ela virou o rosto, ruborizando
- Edgar, por favor — sussurrou — Somos apenas amigos.
Ela é tão simples quanto a poesia. Tão fácil de amar sem ser compreendida. Menina mulher, me diz, quem é você?
***
P.o.v. Laura
Só percebi que ele estava perto demais porque era evidente. Virei o rosto, e apenas sussurrei.
- Edgar, por favor. Somos apenas amigos.
Ele pareceu divagar olhando para mim, alguns segundos. Ergui-me de súbito, coloquei de volta o vestido, peguei o all star que deixara no carro e saí caminhando em direção a minha casa, que ficava a quase trinta minutos dali.
- Laura, por favor — ele vinha atrás de mim, a passos rápidos — Deixe que te leve em casa, isso não vai mais acontecer, eu prometo. Foi só um momento de devaneio.
Virei-me, a expressão meio preocupada. Ele parecia abatido, talvez estivesse magoado, mas era melhor assim. Queria que fosse um amigo.
Eu quero viver muito amores ainda, mas gosto da sensação de liberdade, de se ser dona da própria vida. E ter um amigo do lado, para fazer tudo isso comigo, é uma dádiva.
- Tudo bem — sorri — Você é um bom amigo, Edgar.
Beijei o rosto dele e entrei no carro. Demorou alguns segundos até que ele tivesse coragem de entrar no carro e me largar em frente e casa.
Notas finais
Laura deixou ele na friendzone total, coitado :/ Mas ela é assim, um pouco livre, vocês nem viram nada...
Aah, sim, matei a Isabel porque não gosto dela e ela não vai fazer falta.
Talvez tenham notado que fiz as personalidades um pouco diferentes, mas achei necessário. Afinal, se nós fossemos criados no século dezenove seriámos bem diferentes, então nada mais justo que Laura e Edgar sejam diferentes no século XXI, certo?
Até a próxima ;)
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