Amethyst no Hana - A Flor de Ametista Original

33 Capítulo 32 - Janelas Despedaçadas


No momento do intervalo, Yuuki saiu de sala e subindo as escadas, fora refletir no terraço do colégio. Pouco após, Emiko decidiu se levantar de sua cadeira, e com Shizue e Miyagi não entendendo nada, foi também até o terraço, aonde uma brisa soprava. Por sorte, somente os dois estavam ali, e o garoto estava tão fixado no céu que não notou bem ela chegar.

— Dizem que quanto mais gentil a pessoa é, pior é a dor que ela pode causar.

Pronunciou, se aproximando dele, que a fitou brevemente, antes de tornar a olhar o céu.

— Você pretende contar a ele hoje ou…

— Sim. Ele já deve saber, então não vai ser nenhuma surpresa…

— Pode até não ser nenhuma surpresa, mas vai ser bastante doloroso para ele.

— Não mais do que seria se eu decidisse adiar. Não sou cruel a ponto de fazer isso…

— Entendo… você tem razão. — Concluiu, se soltando da grade e virando-se de costas para ele. — Bom, a decisão já está tomada. Espero que ocorra tudo bem.

Sugihara estava prestes a passar pela porta, quando o garoto chamou sua atenção novamente.

— Vocês… podem confortá-lo quando ele estiver mal após isso? — E vendo ela sua bondade, sorriu ternamente.

— Ele provavelmente vai recorrer aos amigos dele, ou até mesmo vai se isolar… mas sim, a gente vai confortar ele, por mais que estejamos quase sempre com a Akane-chan.

E então ela desceu e retornou para sua classe, com ele fazendo o mesmo momentos depois. Em sala, Shizue perguntou a de cabelos roxos o que havia acontecido, com esta lhe respondendo que não havia acontecido nada. Akane, por sua própria decisão, não decidiu perguntar nem a ela, e nem a Yuuki. Lancharam com o resto do tempo de intervalo que haviam e então retornaram as aulas.

Após as últimas quatro aulas e as atividades do clube, quando abriu a porta de seu armário, Miyagi se deparou com uma carta.

— Uma carta de amor? — Questionou ela, pegando a mesma e abrindo. — “Akane-chan, não sei bem como dizer isso, mas gostaria que me encontrasse em frente ao campo de futebol. Assinado, um admirador secreto?”

A moça levantou uma de suas sobrancelhas, em dúvida. Torceu para que não fosse Tsukishima a lhe pregar uma peça, guardou a carta no bolso do suéter de seu uniforme, e indo ao local indicado, viu um rapaz a aguardar. Quando este a viu, deu um salto, assustado. Estava ansioso, nervoso, sem jeito. Ela não o conhecia por nome, porém, já o havia visto em sua sala.

— Foi você quem me chamou aqui?

— A-Ah… Akane-chan… s-sim… fui eu… — O garoto, totalmente avermelhado, e tentando não encará-la, lhe respondeu. Sua voz fora diminuindo conforme a sentença proferida. — Na verdade… e-eu… tenho algo importante a dizer…

Aquele garoto estava decidido que o dia seria aquele ao qual ele tomaria aquela difícil e arriscada decisão. Juntou toda sua coragem e então se curvou diante dela.

— Akane-chan! A verdade é que eu gosto de você! Por favor, saia comigo! — Confessou-se corajosamente seu amor pela moça, que não chegou a se surpreender.

— Você é?

— Eu me chamo Takashi! Murasame Takashi!

— Me desculpe, Takashi-kun… mas eu já tenho um interesse amoroso… — O coração do pobre rapaz quebrantou-se em pedaços ao ouvir aquilo. — … e mais… mesmo que eu não tivesse, e aceitasse sua confissão, eu tenho certeza de que não gostaria de mim.

— Por que? — Ele a perguntou, levantando sua face sem entender. Ela então se aproximou e segurou sua mão, olhando em seus olhos.

— É um segredo que infelizmente não vou poder te contar. Mas olha, eu acredito que você pode encontrar o amor. Não desista só porque eu te rejeitei, tudo bem? — Comentou ela, com uma voz serena, combinada de um olhar e sorriso ternos, o que levantou um pouco os espíritos do garoto, ainda que este estivesse desapontado.

— Obrigado, Akane-chan. Obrigado por tudo. E me desculpe pela carta.

— Não precisa se preocupar por isso, fico feliz por ter recebido uma carta de amor sua. Boa sorte.

Ele então saiu dali, enquanto ela acenava gentilmente para ele. Pouco depois, ela também saiu de seu colégio para poder ir trabalhar no Nami’s.

As horas se passaram, o sol se pôs, e sua luz natural fora substituída pelas luzes artificiais dos postes. Na hora marcada, enquanto ia para o local marcado, ele acabou por se encontrar com Akane na porta do dormitório. Ela o questionou o que este estaria fazendo, mas este lhe mentiu, dizendo que não iria fazer nada demais. É claro, ela ficou suspeita a respeito, e esperou-o ficar bem longe, para que, após ter colocado seus materiais no quarto, o seguisse em segredo.

Enfim havia chegado o tão temido momento. Naquele mesmo local, naquela mesma passarela estavam Yuuki, Megumi e Akane, que se escondia.

— Você realmente veio…

— Assim como marcado.

— ...Queria que não tivesse vindo… — Falou baixo para si, e o outro não o conseguiu ouvir. — Não é nada…

— Bom… você iria me dizer o porque de estar tão melancólica assim…

— Eu iria? — Questionou, como provocação, o irritando.

— Não me faça de bobo-

— Sim, sim, eu sei, Senpai. Eu disse que iria te contar tudo em breve, não foi? — Então este se levantou e ficou de frente para o menino. — Acho que está na hora de colocar um ponto final nisso tudo.

Por um momento, se fitaram um ao outro, Megumi com um olhar sério, como se estivesse disposto a fazer aquele sacrifício, sabendo que o mesmo iria doer, mas sem ter para onde fugir.

— Primeiro, e creio que este seja um dos maiores motivos para que nós não tenhamos dado certo: Como você disse que me via?

— Eu lembro que você havia dito que “Você era o que quer que eu quisesse que você fosse”…

— E você me disse que me via como uma garota. Suas próprias palavras. — Deu um sorriso um pouco jocoso. — Não acho que seja surpresa a essa altura, não é? Digo, olhe para mim, mais óbvio impossível. Mas é, Yuuki-senpai… querendo ou não, a verdade que transparece é que eu sou um menino, assim como você. E se estiver em dúvidas ainda… — Tsukishima então pegou sua mão e a pôs em seu peito. — ...Talvez isso… — E dali a moveu até o inferior de sua pélvis por dentro de seu shorts, aonde conseguiu tatear e comprovar, ainda que por cima de uma roupa íntima masculina, o deixando levemente desconfortável. — ...Ou até mesmo isso possa deixar tudo claro. — Removeu sua mão dali, o livrando de tal desgosto. Akane estava estupefata pela coragem do loiro por fazer aquilo, ainda mais em um lugar aberto como aquele.

— Mesmo após confirmado, realmente, não me é surpresa…

— Já faz muito tempo? Ou foi desde o início?

— Não, não faz lá muito tempo… e não, ninguém me contou…

— Não iria perguntar a respeito disso, mas tudo bem. A segunda coisa é que…

E então, ele se aproximou do rapaz, como se o fosse beijar, e isso gerou um corar no rosto de Yuuki, e em Miyagi uma chama de fúria tal qual que ela estava cogitando sair de seu esconderijo para poder fazer algo a respeito. Porém, antes de sequer chegar a encostar, este parou, e sorriu de forma irônica.

— ...Como se eu pudesse fazer tal coisa… — comentou, desviando para então beijar a bochecha do garoto, o que deixou ele ainda mais vermelho, e ela com um ciúme imensurável. Rapidamente, se desvencilhou dele. — A segunda coisa é que eu te amo, senpai. Era por isso que eu e a Akane brigavamos. Era por conta de você. Mas eu suponho que você tenha algo a me contar também… não é?

Aquele clima melancólico, pesado, não parecia sair tão fácil. Yuuki também carregava aquele peso nas costas, e precisava se abrir. Não havia outra maneira, ele precisaria dizer, ou sua consciência e coração pesariam para sempre. Ele então impôs sua mão nos ombros de Tsukishima, e abaixou sua cabeça.

— Você tem razão… — Comentou ele, e o loiro sorriu um pouco. — Tsukishima… me desculpa… mas eu não gosto de você da mesma forma que você…

— Era de se esperar.

— Na verdade… quem eu gosto é...