Amethyst no Hana - A Flor de Ametista Original
34 Capítulo 33 - Revelações
— Na verdade… quem eu gosto é…
— É a Akane-chan, não é? — Completou Tsukishima, deixando o garoto mudo de imediato. A garota, que escondida se manteve, continuou a observar a conversa deles, um pouco ansiosa. O loiro apenas sorriu. — Vamos, diga. Está mais transparente que um vidro.
— Não é fácil admitir isso assim, tá bom?
— Senpai… mas é pra mim que você está falando, não para ela. — Yuuki ficou em silêncio por alguns momentos, antes de respirar fundo e o encarar nos olhos.
— Sim, Tsukishima. Quem eu gosto é da Akane. — A moça se surpreendeu só de escutar aquilo. Seu rosto corou, seus olhos se arregalaram, e então, ela fez questão de se assentar em um dos degraus da escada que dava a passarela. Seu coração batia forte, e um sorriso bobo pouco a pouco se instalava em seu rosto, que aquecia e ela sentia isso. Tanto que apalpou o próprio rosto, sem acreditar que estava mesmo sentindo aquilo.
— Não precisa se desculpar por nada, Senpai. Foi bom eu ter te amado… pelos momentos que passamos juntos, ou pelo menos que tentamos… Não vou negar que fui feliz ao seu lado… mas uma hora, esse conto de fadas tinha que chegar ao fim.
— Tsukishima… — E então, algumas gotas começaram a cair. Uma fina garoa começava a vir dos céus. Miyagi fora pega de surpresa pela chuva que se iniciava, e desceu apressada as escadas, retornando correndo para casa.
— Bom, senpai… acho que é isso. Obrigado por tudo… bye bye… — Tsukishima acenou, como se fosse ser um último adeus. Se virou e começou a ir embora. Todavia, sem sequer esperar qualquer coisa, teve um de seus ombros ocupados pela mão do rapaz, que fez tal ação para chamar sua atenção.
— Eu que agradeço… Obrigado por tudo. E me desculpe se eu o magoei por qualquer coisa… — Megumi ficou com os olhos a lacrimejar, e um sorriso falso em seu rosto ao escutar aquilo.
— Senpai… você sabe mesmo machucar, não é? — E ditando aquilo, afastou a mão do moreno, e sem olhar para trás, foi embora, sem se importar com a garoa que caia. Yuuki também tornou a voltar para o dormitório, pegando uma chuva mais pesada no meio do caminho enquanto corria.
Já no local, ao abrir a porta, Akane se deparou com a professora, que estava a passar pelo corredor que dava para a entrada.
— Ah, Miyagi, timing impecável. Eu estava mesmo procurando por você.
— Sensei… estou um pouco molhada, preciso trocar as roupas…
— Que ótimo, era justamente a respeito disso que eu estava pensando. Poderia vir comigo? — A moça não entendeu muito bem a respeito, e a seguiu até a sala do dormitório, aonde fechou a porta, para que tivessem privacidade. — Sabe, eu estava aqui lembrando de quando você chegou no dormitório, e teve aquele episódio com o Yuuki. — Ela arrepiou, sabendo do que se tratava. — Miyagi… por um acaso, você é um menino? — Eis a questão que era motivo de pânico interno da morena. Seu coração bateu forte com a adrenalina, estava a suar de nervosismo. Nesse mesmo instante, Hisashi adentrava ao local.
— S-Sensei, o que você está falando? É óbvio que não, eu por um acaso pareço um menino? — Questionava ela, e o jovem, do corredor acabou escutando ela a perguntar. Estava ensopado pela chuva, e adentrando ao quarto para pegar suas roupas, acabou ficando mais um pouco para escutar através da parede, ainda que levemente abafado, já que era bem próximo a sala.
— Parecer você não parece. Mas de verdade, você achou mesmo que ficando atrás do Yuuki eu não perceberia que você tinha algo igual ao dele no meio das suas pernas? No meio de dois pares de pernas? — Miyagi ficou atônita de vermelha em seu rosto, sem acreditar no que ouvira.
— Sore sekuhara desu yo!
— Acha que é? Eu nem encostei em você, eu só olhei. Agora, eu deixei isso passar porque não quis incomodar, e o assunto certamente seria incomodo pra você. Mas a gente já tem bons meses desde lá, e eu não poderia deixar isso passar por mais tempo…
— E por causa disso, vai me mandar aqui pra baixo, não é? Mesmo eu tendo vivido como todas as outras meninas aqui…
— É esse o ponto. Você me diz isso mas com essa descoberta, como que vou poder confiar na sua palavra?
— Então a Sensei desconfia mesmo de que eu possa estar me aproveitando?
— Não é bem isso o que--
— Sensei, não adianta esconder de mim, porque está muito óbvio. — Retrucou ela, cruzando os braços, com um semblante sério. — Vou tornar a deixar bem claro, aqui mesmo: Meninas não são o meu tipo, e mesmo que eu tenha intimidade com elas, jamais me aproveitaria de qualquer situação para assediá-las. Com o mesmo respeito que me tratam, eu as retribuo em igual tratamento. Agora, você ainda não respondeu a minha pergunta: Você vai me colocar aqui nos dormitórios dos garotos por conta disso, não vai?
A mulher ficou em uma situação difícil com a fala da jovem moça, que a encarava de forma madura.
— Eu vou chamar as meninas e, dependendo do que elas disserem, eu--
— Por que vai envolver as outras pessoas? Isso é entre nós duas.
— Não, não é mais. Não depois disso. Isso também envolve elas. Então eu preciso da opinião delas para poder decidir com calma e clareza.
— Certo, se é assim que quer, chame as meninas… — Articulou Miyagi, após ter soltado um suspiro de decepção. Para si, era algo inacreditável, mesmo após todo aquele tempo.
Assim fez a mulher, saindo daquele cômodo e subindo o lance de escadas, a chamar todas as garotas, cada uma em seu quarto. Elas então a seguiram, sem entender um pingo sequer do que estava se tratando o chamado. Foram com sua professora até a sala de estar, aonde a vítima se encontrava.
— Bom, meninas, eu chamei vocês aqui pois tenho algo a dizer. — E assim, ela explicou a situação. A reação das garotas já era de se esperar: olhavam umas para as outras e se questionavam, enquanto lançavam olhares para a morena, que já se sentia triste por dentro. — ...Então, preciso da ajuda de vocês e da opinião de vocês. Em relação a essa nova informação, o que me dizem?
— Sensei, me desculpa, mas eu acho difícil acreditar que a Akane seja um garoto… — Comentou uma das jovens.
— Eu não vejo um traço de masculinidade nela. — Outra proferiu.
— Mas tem aqueles que são mais femininos que as próprias meninas, não tem? — Retrucou a respeito da moça de antes, questionando-se. As discussões continuaram por um momento, e o que parecera somente uma conversa, não parecia chegar a lugar nenhum tanto para a Sensei quanto para Miyagi.
— Olha, eu sei que é dificil mas--
A morena respeitosamente pediu para que pudesse se explicar para as garotas. Explicou a situação e até permitiu que a tocassem para que se confirmassem suas suspeitas. Ela não se incomodou com os toques, mesmo em suas intimidades sobre as roupas.
— Akane-chan, do que você gosta? — Perguntou uma das garotas.
— O que quer dizer?
— Digo, de garoto, de garota…
— Eu prefiro meninos.
— E sobre meninas?
— Não tenho interesse, nem romântico, nem sexual. Zero interesse nesses quesitos.
— Nenhum mesmo? Nem bate um pouco de curiosidade?
— Está achando que eu quereria invadir o quarto de vocês só pra fazer sabe-se lá o que com vocês? Não tenho interesse no corpo feminino, e mesmo que visse qualquer uma de vocês nua na minha frente, não me faria diferença alguma, só se fossem vocês que me vissem nua. Aliás, é justamente por isso que eu espero todas as garotas se trocarem no vestiário: não quero que se espantem comigo.
Com todo aquele interrogatório, enfim findou-se a briga a respeito daquilo. Quanto a decisão da mulher, a permitiram que ela ficasse no quarto das meninas. A mulher, entretanto, havia dito que ficaria mais atenta nela, o que Miyagi sentiu como sendo algo incômodo, mas não havia nada de fazer a respeito, pois se o fizesse, não sabia o que poderia acontecer a si. Todas retornaram a seu quarto exceto pela morena e a sensei, que permaneceram na sala por mais um tempo.
— Espero que isso tenha respondido qualquer dúvida que a Sensei pudera ter a respeito de tudo isso. Não precisa me vigiar, eu sei bem como me comportar. Só não tenho a necessidade de te mostrar que eu posso ser a menina que sou; até porque eu já fiz isso e a sensei viu mas não sabia de tudo.
E com isso, ela também subiu ao seu quarto. O dia então terminou com todos indo a dormir após a discussão acalorada.
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