Amethyst no Hana - A Flor de Ametista Original

32 Capítulo 31 - O Tic-Tac dos Ponteiros


No dia que Yuuki enfim retornara ao colégio, uma brisa leve fazia seu uniforme a mover. Na porta do colégio, uma cena incomum: Tsukishima já estava lá e ao vê-lo, somente acenou e chamou seu nome, agradecendo por este ter melhorado. O moreno retribuiu suas palavras e adentrou ao prédio.

Naquele momento, o loiro sentiu o início de sua angústia, o medo, a ansiedade. Sem dizer nada mais, foi para sua sala após trocar os sapatos e mascarou seu sentimento tão perfeitamente a ponto de não perceberem sua dor. Ainda assim, Riku, Endo e Saito o observavam; após os eventos passados, não tinham como não saber do estado do rapaz.

Horário do recreio, e como de praxe, as garotas juntaram suas mesas. O único que faltava ali era Hisashi, que de contrário, se levantou sem dar mais explicações. Elas estranharam por um momento, e ao se levantarem, imaginando o que poderia se prosseguir, Akane as barrou, e pediu-lhes que o deixassem sozinho, ao qual elas concordaram. Yuuki então saiu à procura de Megumi, e o encontrou, sozinho, no corredor externo, de frente para a saida do local. Seu semblante parecia desanimado.

— O que está fazendo aqui, Megumi? — Perguntou enquanto se aproximava e este o encarava.

— Senpai… não é nada. Só estou aproveitando meu horário de intervalo sozinho.

— Alguma coisa te incomoda? Se quiser--

Sem dar chance de o menino terminar de falar, Tsukishima o abraçou e recostou seu rosto em seu peito.

— Só me deixe ficar… só por este momento…

Proferiu ele, enquanto permaneciam abraçado a ele. Quase como se entendesse sua dor, o abraçou e afagou seus cabelos. Para o de olhos cor âmbar, estar em seus braços era, ao mesmo tempo acalentador e doloroso. Sua dor se exprimiu em um apertar mais forte do uniforme de Yuuki, antes de soltar-se. Pôs suas mãos sobre o rosto dele e colocou um terno sorriso em seu rosto.

— Eu vou te contar tudo em breve. Prometo. — Falou, deixando sua mão ir e voltando-se para o colégio.

— Megumi! — Chamou sua atenção, e este retornou o olhar para ele. — Se quiser lanhar com a gente--

— Não se incomode com isso, senpai. Agradeço sua oferta, mas vou recusá-la. — Retrucou, e acenando, se foi. O moreno também retornou a sua sala, e ao chegar, sentou-se junto das meninas, e já fora questionado a respeito. Akane o defendeu, dizendo que os assuntos dos dois só se remetiam a eles, mas ele disse que estava bem em contar. A garota continuou a insistir que o melhor era ficar calado, e após um pouco de teimosia, quieto se manteve sobre o assunto.

Após os quatro últimos períodos terem terminado, o jovem se preparava para ir para seu clube e Akane para o dela para discutirem sobre as atividades do dia. Na sala do loiro, este estava a ver o tempo a se fechar pela janela de sua classe, quase como se estivesse hipnotizado.

— Ei, as aulas já acabaram. Você não tem que ir para o clube? — Perguntou Kamigasawa.

— Clube, clube… — Este então se levantou, mas sem tirar seus olhos do cenário do lado de fora. — ...Sabe… eu acho que vou sair do clube de kendô…

— Por que?

— Ah… kendô não combina comigo…

— E o que sequer combinaria com você, hein? — Sua questão fora deixada o silêncio como resposta. — Deixa pra lá. Faz o que você quiser, isso não é da minha conta. — Proferiu, saindo a frente dele, sem se importar e sem mesmo sequer olhar para trás.

Após alguns momentos, este fora mesmo a sala de seu clube, e pediu sua desassociação. Os membros do clube tentaram evitar, porém, ainda que hesitantes, o deixaram ir, removendo seu nome.

Era de noite, quando Yuuki estava a voltar de uma loja de conveniências, quando avistou o loiro, sentando em um banco, se aproximando deste.

— O que está fazendo aqui, sozinha?

— Senpai… não te disseram que é perigoso sair a noite?

— Eu não sou mais criança…

— Não é necessário que você seja criança para isso…

— Está desviando da minha pergun--

— Estou relaxando um pouco… ou pelo menos, tentando…

— Não minta para mim. Você parece tão melancólica…

— Está tão na cara assim? — Questionou, sorrindo. — Bom, eu não vou te incomodar, você parece ocupado. Podemos conversar amanhã, talvez… — O replicou, olhando para as mãos do garoto que seguravam algumas bolsas.

— Você me aguarda aqui?

— Por que eu faria isso? Está tarde.

— Não vou demorar--

— Não teime, Senpai. Só vá. Amanhã nos falamos.

Hisashi não teve outra opção a não ser desistir de seu objetivo. Todavia, quando estava para ir embora, Megumi parou ao seu lado, sem explicação.

Me encontre amanhã, mesmo lugar, às 20:00 — Sussurrou este em seu ouvido, antes de se despedir e ir embora.

No dia seguinte, tudo aparentava ocorrer de forma costumeira. As garotas se encontraram com Yuuki e Akane. Todavia, Tsukishima não os veio encontrar. As três inicialmente estranharam aquele comportamento esquisito do mesmo. Mas logo assimilaram sobre.

— Yuuki…

— …vocês conversaram, Yuuki-kun?

— Eh? Sim, conversamos. Por que?

— E você notou alguma reação nele? Algo diferente?

— Bem… realmente, ele parecia um tanto triste.

— Não é de se surpreender que ele ficasse assim. — Argumentou a moça de cabelos alaranjados.

— Não vamos assumir as coisas aqui, gente. As vezes, o Yuuki-kun pode ter dito algo diferente do que a gente possa estar imaginando. — Akane respondeu, como uma voz da razão. — Ainda assim, para ele estar assim melancólico, ele deve suspeitar de algo. — Cogitou, relacionando os pontos.

— Eu também acho que ele já deve saber… — Hisashi assim o disse.

— Daqui para um desastre então é um pulo. — Falou Shizue.

— Vai ser inevitável. — Emendou Sugihara.

— “Vai” não. É inevitável. — Miyagi contraditou-a. — Ele não quis ouvir de vocês, ele não vai querer ouvir de mim, por mais que eu queira dizer. Agora, se for o Yuuki-kun…

— Ele não vai querer ouvir--

— Mas ele vai ouvir. Querendo ou não, ele vai ter de escutar o que você tem a dizer. — Comentou, chegando enfim no colégio. — A escolha está em suas mãos. Mas o resultado não vai mudar. Você pode adiar, mas não vai poder ficar adiando para sempre. Pense no que eu disse. — Finalizou seu argumento, então caminhando para os armários.

Naquele momento, Yuuki havia uma escolha difícil a fazer: ou ele contava tudo para Tsukishima e tirava ali um peso de suas costas e consciência, ou ele adiava para contar a verdade. No final, não teria outra saída, outro caminho, outro jeito. Uma catástrofe emocional estava para abalar o mundo de Megumi, e somente quem decidiria quando isso aconteceria era o jovem moreno. Apesar de o resultado ser previsível, nada impediria que tudo pudesse ocorrer de uma forma diferente do que se pode imaginar.