— Yuuki-kun!

A passos apressados se aproximava ela a lhe chamar, interrompendo gradualmente seus passos e mostrando-se ligeiramente ofegante.

— Me desculpa… pelo atraso… — Ela disse, enquanto usava os ombros do rapaz como apoio. Ele observava cada movimento que ela fazia, além de sentir o macio toque de sua pele.

— Não se preocupa, pelo contrário, você até chegou cedo.

— Só que se eu não corresse…

— Fica tranquila, Akane. Se você se atrasasse, ainda estaria te esperando aqui. Não marcamos esse compromisso à toa, não foi?

As palavras que ele desferira em direção a ela a atingiram como uma flecha de cupido, fazendo seu olho levemente brilhar. Ela podia sentir a maçã de seu rosto levemente a esquentar e um sorriso a se formar. Sua reação mais natural foi envolver o braço do menino, que se surpreendeu com tal feito.

— E então? Vamos?

Caminharam lado a lado, colados um ao outro. Miyagi não se importava com o que quer que pensassem a respeito daquilo: estar ao lado de Yuuki era o que a fazia feliz. Nada mais lhe era de suma importância ao momento entre eles. Hisashi, por outro lado, ficara levemente sem jeito com aquela situação. Estava perdido em sua mente, não sabia como reagir, todavia, não reclamou de estar daquela forma com ela. Brevemente ele olhou para ela de forma discreta, e tendo-a observado, não imaginaria que seria capaz de ver tamanha beleza em alguém. A seus olhos, Akane estava tão linda e bem arrumada ao ponto de fazê-lo se questionar se merecia mesmo alguém como ela.

De início, se ativeram a ir a uma cafeteria, aonde conversaram e riram por alguns bons minutos. Pela janela, em um momento, viram passar Satomi, a representante da classe de ambos. Porém, de tal como ela estava distraída, não notou a presença dos dois por ali no café, e saiu do campo de visão dos dois. Também não havia muito que os dois pudessem fazer, havia um vidro que os separava, e este também isolava acusticamente o som lá de dentro para o som lá de fora, e vice-versa.

Tendo saido dali, continuaram a andar de braços dados pela cidade. As vitrines ao lado chamavam a atenção da garota, que vez ou outra interrompia seus passos para denotar sobre as vestimentas em amostra. Ele somente dava sua opinião enquanto tentava imaginar a moça com as roupas as quais apontava.

Pouco depois o levou ao mesmo Shopping Center no qual encontrou as colegas de Shizue (agora suas colegas) à algum tempo atrás. Não somente ela, como ele também houvera de ficar impressionado. Cores por todos os lados, luzes, sons, odores, além do movimento que se era esperado de um centro comercial. Era impossível não se extasiar, mesmo o mais distraído ser. Puxando-o pelo pulso, o levou a uma loja de roupas e por lá se divertiram bastante enquanto avaliavam as roupas um do outro. Novamente, eram abordados como casais, que por parte dela, não se importava, diferente dele, mas ela dava um jeito de fazê-lo tirar aquilo da cabeça. Saindo de uma destas lojas, porém, ambos não aguardavam se deparar com uma tamanha surpresa.

— Ara… mas olha só quem eu encontrei por aqui… — Uma voz familiar aos ouvidos de Miyagi ressoava, chamando não somente sua atenção mas a do garoto também, que se virou para se deparar com a figura loira a sua frente.

— Nakamatsu-san!

— Pode me chamar de Mira-chan se quiser… — Aproximou-se deles com um sorriso em seu rosto, a acenar.

— Só está você aqui?

— É, eu só vim dar uma pequena olhada nas modas… — Replicou, fitando-a cuidadosamente ao lado do jovem. — E você… passeando com seu namorado, não é?

A menina sem hesitar muito puxou ele pelo braço e com um sorriso no rosto lhe respondeu, confiante.

— É, pode-se dizer que é isso mesmo.

A afirmação segura deixou Yuuki totalmente avermelhado e sem jeito. Tentou chamar sua atenção, para nenhum sucesso.

— Bem, como é um encontro, não vou incomodar... — Ela então chegou mais perto de Miyagi, próximo ao seu ouvido. — mas se você usar batom, ele vai ficar caídinho por você — Sussurrou, a pegando de surpresa e ruborizando seu rosto. Mirano então se despediu dos dois, novamente acenando enquanto gradualmente se distanciava.

— Batom, não é...Pensou a morena a fitar o chão. Não ficou muito tempo somente imaginando aquilo, tirou tal ideia de sua cabeça e tornou a continuar com ele. Ela podia muito bem procurar contextos para poder surpreende-lo, todavia, percebeu que para o primeiro encontro, não daria certo, não naquele momento, e abdicou-se de tal conceito.

Enquanto caminhavam lado a lado, por um breve momento, suas mãos chegaram a tocar uma a outra, quase como se fossem dar as mãos um ao outro. Claramente aquilo gerou insegurança aos dois, todavia, a morena quebrou todas as expectativas por juntar sua coragem e realmente segurar a mão dele. E tendo ela segurado sua mão, decidiu por si que não a soltaria, demonstrado por um sorriso singelo em seu rosto a qual Hisashi fitava. Surpreso estava, sem ter relutado contra o que ela fizera.

De mãos dadas andaram, ambos com o coração a flor da pele. E não fora demorado para se tornarem um imã de atenções. Uma ótica mirou na morena como alvo perfeito para prestar serviços.

— Ah! Você! — Exclamou a garota que na porta do estabelecimento ficava. — Não gostaria de provar alguns óculos? — Questionou ela, deixando Akane um pouco sem jeito.

— Mas… eu não tenho problemas de visão…

— Não faz mal, nós temos modelos sem grau também, não vão prejudicar sua visão. — Tentou-a convencer. Sem lhe dar muita chance para pensar ou dizer algo, a puxou para dentro da loja. — Vamos, vamos! Tenho certeza que seu namorado vai adorar.

Yuuki entrou, e assim aguardou. A mulher então procurava por entre as estantes os óculos que não haviam lentes, e havendo ela encontrado, pegou um deles e o entregou a jovem, que estava de costas para ele.

— ...Como estou? — Se virou e com o olhar um pouco “apreensivo”, de cabeça levemente baixa. Quando viu aquilo, o coração do rapaz palpitou com certa intensidade, seus olhos arregalados estavam em surpresa, e seu rosto? Corado e rosado. Parecia que a beleza de Akane havia ficado fora do normal, para além do que ele sequer esperava. Tanto que toda a reação que lhe sobrava era um confiante e determinado joinha. Ela, que antes estava ansiosa para com a resposta dele, ficou levemente ruborizada, e um sorriso bobo começou a tomar seu rosto.

Imediatamente se virou para a atendente, questionando se aqueles óculos lhe custariam caro. Por ver a “paixão” daquele casal, ela decidiu fazer um desconto, além de uma oferta, a qual se Akane levasse aquele modelo, ela levaria outro da escolha dela sem custo adicional. A menina, claro, aceitou a proposta. E assim, ela provou outros modelos, e os mostrou a Yuuki, ao qual julgava quais ficavam bons ou ruins.

Sairam então da loja com uma pequena bolsinha dentro das outras maiores. O sorriso bobo ainda não saia do rosto dela, assim como seu coração que batia com certa velocidade. Estava feliz demais, a ponto de ela pensar que aquilo parecia bom demais para ser real.

Próximo à saída, eles se depararam com algumas máquinas de pelúcia. Vendo que ela se encantava por estes, afinal, seu olhar estava travado neles, o menino então apostou em pegar aqueles para ela. Colocou uma moeda e tentou. Primeira tentativa frustrada, mas ela estava pondo todas as suas fichas no jovem, que tentou novamente, e após duas tentativas, na terceira, conseguiu pegar a pelúcia que ela tanto queria, e a entregou em suas mãos.

“Um presente do Yuuki-kun…” Pensava ela com os olhos a brilhar vendo o bichinho em suas mãos, ao qual abraçou com certa força. — Vou cuidar muito bem dele. É meu. Só meu. — Exclamou, antes de notar o que havia dito. — Ah… quer dizer, nosso! É só nosso! De mais ninguém.

— Tudo bem se quiser ficar só para você…

— Não, Yuuki-kun! O que é meu, é seu também. Já sei! — E em forma de retribuição, a menina também tentou pegar outra pelúcia, mesmo que este houvesse dito que não lhe era necessário. Sua teimosia foi seu maior motivador para conseguir o dito cujo, o entregando em suas mãos. Desse jeito, ambos tinham um presente um do outro.

Todavia, ela notou que não poderia finalizar sem a chave de ouro. Então, sem dizer muito e o deixando no mistério, puxou Yuuki pelo pulso até uma cabine de fotos. Pediu-o para que segurasse sua pelúcia enquanto ela também o segurava. Tiraram a foto, a qual os mostrava lado a lado, com um sorriso no rosto enquanto seguravam os bichos de pelúcia. Assim então, enfim, retornaram para Nozomi-sou.