Amethyst no Hana - A Flor de Ametista Original

22 Capítulo 21 - O Preço da Ingratidão


Pela consequente manhã, um clima diferente se sentia. Como de praxe, a morena o aguardava ao portão do dormitório Nozomi, ficando de braços dados na primeira oportunidade dada. O evento de dois dias atrás não saiu da mente da garota, e também havia ficado um pouco na mente dele, dada sua reação de vergonha. Mas não adiantava reclamar, pois ela estava decidida a andar daquela maneira.

A reação? Não poderia ser outra: Sugihara ficou com os olhos a brilhar por ver tal cena, mesmo que a distância. Quando pensou em correr para perguntá-los, uma convencida Nakajima, com seu sorriso no rosto, a segurou pelo colar, negando-lhe aquele prazer somente com um aceno. Só que elas sabiam que tinha outro empecilho que poderia atrapalhar os pombinhos, e algumas ruas antes, tomaram um desvio para que pudessem agir.

Estando próximo de onde os dois estariam, Megumi esperava como sempre cumprimentar seus senpais. Foi surpreendido por ser puxado de última hora. Irritado, mal teve a oportunidade de levantar sua voz, a qual fora tapada sua boca.

— Calado, vão nos ouvir.

— Tsukishima-kun, shh.

Ele estava sem entender absolutamente nada, enquanto se afastaram dali, e se esconderam atrás de um poste mais próximo. Aguardaram por alguns momentos até então poderem sair, e ao sairem, deram de cara com alguns dos colegas de Tsukishima.

— O que vocês estão fazendo? — Perguntou um deles, os olhando com certo desdém.

— É isso que eu quero descobrir, o que está acontecendo aqui?! — Exclamou o loiro antes de começar a raciocinar. — Não me diga que vocês estão de complô com a Akane e ela mandou vocês aqui para que eu não o visse? — As garotas até tentaram se explicar, mas ele não as deu chance. — Isso foi muito baixo de vocês… Pois eu vou ir ver o Yuuki-senpai de qualquer maneira! — E logo após isso, se pôs a correr, as pegando de surpresa. Correram atrás, tentando-o segurar pelo pulso a qualquer custo, sem muito sucesso, até que viram os dois a distância. Dali, pararam, pois sabiam que o desastre era certo.

Em passos apressados, o loiro foi em direção a Yuuki, e o abraçou, logo olhando com certa frieza para a moça.

— Qual é a da cara fechada?

— E você ainda tem a coragem de perguntar… desculpa, mas não vai ser hoje que você vai conseguir separar o Yuuki-senpai de mim.

— Hã?! Do que você tá falando, garoto?

— Não vem com essa que eu sei! Você quem armou um complô com aquelas duas pra me separar do Yuuki-senpai!

A garota ficou estupefata. Em sua vida, jamais havia escutado tamanha baboseira a seu respeito, ainda mais aquilo. Se aproximando, tanto as garotas quanto os amigos de Tsukishima observavam a cena que o loiro fazia por conta do menino.

— Como é que é?! Eu não armei coisa alguma! Mas olha, bem que eu deveria, já era um chilique a menos no meu ouvido.

— E tem a cara de pau de dizer isso!

— Já de manhã e uma briga entre vocês dois… — Shizue questionava enquanto Emiko se escondia por detrás dela. Akane tornou sua atenção para elas.

— Afinal, que desgraças de complô é esse que esse moleque tá falando de mim, hein?

— Não tem complô nenhum, Tsukishima. Eu fiz aquilo por conta própria, e você, como bom estraga-festa, fez questão de ir lá e estragar o clima desses dois.

— Vamos, Yuuki-kun. Senão vamos nos atrasar para a aula.

O tomando pela mão, poderia até ter-lhe deixado encabulado, porém, toda aquela situação nem o fez pensar na circunstância do que estava acontecendo entre os dois. Megumi, que não é bobo, fez questão o segura-lo pelo pulso, impedindo-os de ir. Sentindo o “puxão” de não conseguir ir a frente, sua testa franziu-se ligeiramente, e largando mão de Yuuki por um tempo, novamente se virou para o loiro, pronto a afastar sua mão da dele.

— Garoto, vê se se enxerga e vai procurar o teu boy, tá? — Reclamou ela indo separar a mão dos dois. A loira a impediu com a mão que estava livre e havia anteriormente largado a mochila.

— Eu não preciso procurar o meu “boy” porque o meu “boy” tá bem aqui. É você quem não quer largar dele. — Retrucou, face a face com a garota. A encarou, sem medo.

“ Minha vontade era de esfregar essa tua cara no asfalto” era o que pensava a morena, de ódio da inconveniência que este os causava. Tentou se livrar da mão do garoto e não conseguia.

— Meninas… por favor, a gente vai se atrasar… não vamos--

Hisashi tentou intervir enquanto os outros seguiam em frente, mas de nada adiantou.

— CALADO!

Era tamanha hostilidade que simplesmente se calou ali mesmo. Os amigos de Tsukishima seguiram em frente para não se associarem com toda aquela disputa.

— Chega, Tsukishima-kun. Você está sendo inconveniente demais logo de manhã. — Shizue articulou, o separando de Yuuki, e o empurrando levemente pra trás. Akane novamente tomou o menino pela mão e se pôs a andar, ficando o loiro ver aquela cena, irritado e de braços cruzados. A alaranjada colocou a mão no ombro do mesmo. — Não vê que essa relação entre eles é natural? — E assim se pôs a andar, o deixando pra trás.

No horário do intervalo, ao se levantar de sua cadeira, os rapazes aparentavam saber do que poderia se tratar. Um de cabelos pretos foi o primeiro a correr e segurá-lo pelo pulso.

— Me deixe, Saito-kun…

— Já chega, Tsukishima. Você já fez cena demais.

O garoto apertou o pulso do mesmo, que tentou por se livrar, sem conseguir. E quanto mais tentava, mais Saitou apertava.

— Saito-kun…

— Você vai ficar aqui…

— Saito-kun, me larga…

— Se eu te largar, você vai fazer estardalhaço de novo

— Me larga, Saito-kun…

— Eu já disse que--

— ESTÁ DOENDO, SEU IDIOTA!!! — Gritou, desferindo-lhe um tapa a face logo após reclamar. Claro, não somente a voz alta, como o tapa dado chamou a atenção de toda a classe. Saito não lhe deixou impune, e o largando, o deu um soco como retribuição pela ingratidão recebida. Caiu, assentado sobre as próprias pernas, lágrimas em seu rosto, que doía. Chorou silenciosamente, enquanto seus outros amigos o ajudavam a levantar-se.

— Vocês viram o que ele fez comigo. Se eu fosse vocês, o deixaria sozinho. — Comunicou, retornando ao seu assento. Decidiram o ignorar, e o levaram a enfermaria, ajudando-o a caminhar, já que estava com as pernas levemente bambas.