Amethyst no Hana - A Flor de Ametista Original
20 Capítulo 19 - Memórias
— Lembra do que eu disse depois de sair do colégio? Pois é… agora você quem vai me compensar…
— O que você vai fazer? — A menina não respondia, somente pedindo para que ele se deitasse. Sem entender, ele a obedeceu, e logo após, ela se deitou atrás dele, lhe abraçando. A reação de Yuuki inicialmente fora de surpresa, antes de se afastar um pouco. — Espera aí, não era pra eu estar atrás de você?
— Não é o que você está pensando, seu sem vergonha. — E acabou por chamar sua atenção ao abraçá-lo e puxá-lo para próximo de si. — Fique tranquilo, não vou fazer nada com você. Agora vamos dormir.
— Mas e amanhã, como que--
— Yuuki-kun, você não deveria estar fazendo perguntas, e sim fechando seus olhos e se deixando levar pelo sono. — A garota lhe disse, tirando as mãos da cintura do menino e cobrindo seus olhos, puxando de leve suas pálpebras abaixo. Ele estava um pouco nervoso na situação que se encontrava, enquanto ela estava plenamente tranquila, se abraçando a ele e recostando seu rosto próximo ao ombro do garoto. O jovem tentou o máximo que pode ficar acordado, todavia, o cansaço lhe venceu pouco tempo após.
Em seu sonho, estava novamente no parque de sua infância, que assim como naquele dia estava repleto de crianças. A cena aparentava ser como uma distante memória. À sua frente estava Miyagi, que tinha por volta de sua idade naquela época. Todavia, sua aparência era um pouco diferente, já que seu cabelo não era tão longo como ele já estava acostumado.
— Yuuki-kun… quando eu e você crescermos… você casaria comigo?
— Você quer dizer tipo papai e mamãe?
— Sim, juntos feito papai e mamãe. E então?
O menino pensou e não se demorando muito, deu sua resposta.
— Sim, eu caso.
A menina então pulou de alegria com a resposta que recebera dele. Abraçou-o e então ficou de frente para ele novamente.
— O que acha de praticar?
Ele nada disse, porém, seu silêncio já falava por si, dando a ela seu consentimento, ao qual ela segurou suas mãos e o fitou nos olhos. Levantou uma de suas mãos e com a outra, simulou segurar um anel e o colocar no dedo do menino, que acompanhava seus movimentos.
— Com esse anel eu firmo minha aliança com você, Yuuki-kun. Prometo te amar e te respeitar na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza até que a morte nos separe. — Falou ela com um terno sorriso em seu rosto. O coração dos dois estava pulsando por conta da ansiedade, por mais que fosse uma brincadeira. Para eles, aquilo era real até demais. — Agora é a sua vez, Yuuki-kun.
E então ele também fez assim como ela, levantando uma de suas mãos e com a outra, simulando a por-lhe a aliança em seu dedo, também recitando o que ela havia dito. Havendo ele finalizado, agora eles estavam na parte final daquela cerimônia.
— Agora é a hora daquilo… né? — Objetivou a menina, juntando suas mãos a frente, e também deixando o menino sem jeito. — Yuuki-kun… fecha os olhos, por favor. — Ela pedia, e como se ele estivesse com o coração na mão, fechou seus olhos. Ela assim também o fez, e então pouco a pouco aproximou-se dele até que seus lábios se tocaram. Uma sensação estranha e quente se apossou do corpo de ambos, como se toda aquela ansiedade houvesse sumido de uma só vez. As crianças, que antes ao redor brincavam, naquele momento observavam aquela cena abismados. Algumas meninas ficaram com brilhos nos olhos e um sorriso em seu rosto.
Todavia, quando tudo aparentava estar bem, o despertador tocara, quebrando toda aquela cena. Yuuki levantou-se, seu coração parecia bater mais rápido que o habitual, e do seu lado, se sentava sobre os joelhos Miyagi, esfregando seus olhos.
— Bom dia, Yuuki-kun…
Dizia ela, sonolenta, bocejando. O garoto não poderia acreditar em tudo que estava acontecendo. O sonho, a proposta, o beijo e ela, com quem ele havia dormido junto na noite passada.
A moça se levantou então da cama do jovem, se espreguiçando. Ele se manteve a observá-la, corado. Pouco após despertar completamente, ela se lembrou do sonho, que ambos haviam tido. Seria uma coincidência? O destino? Nem mesmo a própria sabia a resposta para tal questão. Todavia, fitando-o, sorriu ternamente. Ele então levantou-se, e imediatamente fora pedido para que este fechasse seus olhos. Seu coração saltou algumas batidas, seu rosto se avermelhou, e por saber do que se tratava, fechou os olhos. Suas batidas aceleravam cada vez mais e mais, até que sentiu algo lhe tocar em um local peculiar. Ele se afastou, pedindo desculpas, e de curiosidade, ela olhou para baixo e viu a fonte do problema.
— Ah… claro… isso acontece… mas pode ignorar isso por enquanto? É só por esse momento. Por favor, volte a fechar os olhos… — Solicitou ela, e lembrando-se do sonho, acabou por confiar em sua palavra novamente, e fechou seus olhos.
Desta vez, fora diferente. Sentiu um toque suave na área de sua narina, como se lhe acariciasse, e então se afastasse. Ao abrir novamente os olhos, se deparou com Akane ostentando um sorriso gentil e terno.
— Não conte para ninguém, tá? É mais um segredo nosso.
Hisashi estava sem palavras, e mesmo que as tivesse, não saberia o que falar, como articulá-las. Seu rosto estava avermelhado, sua mente estava ligeiramente leve, e tudo que lhe sobrou foi ver ela a sair do quarto. Espera, saindo do quarto? Essa não, isso é problema, pensou ele, correndo para lhe segurar pelo pulso.
— A sensei não sabe que você está aqui, e não lá no seu quarto. — Sussurrou ele, preocupado com a mesma.
— Eu me entendo com a sensei, fique tranquilo. Você não vai ter culpa nessa.
Assim ela o assegurou, saindo do quarto do mesmo. Subindo as escadas, parou e se virou. — Ah sim, Yuuki-kun… que tal um encontro? — Sugeriu ela, fazendo ele ficar ainda mais vermelho
— A-ah… bem… claro, por que não? — Respondeu-lhe, esta o agradecendo com um lindo sorriso, e explicando que daria os detalhes mais tarde.
Como era final de semana, eles não precisaram se preocupar em respeito a escola. As horas então se passaram, e ele, já ciente dos detalhes, fora tomar banho e se arrumar com uma roupa um pouco casual. Saiu do dormitório e fora até o local de encontro, em frente a um parque. Não vendo a moça pelos arredores, aguardou um pouco.
Em passos apressados vinha ela, chamando sua atenção por gritar seu nome, ao qual quando cruzou seus olhos, havia dificuldade de acreditar que aquela cujo ele via era ela.
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