American Psycho

6 Wolf and Raven


Notas iniciais
I had a nightmare
The Wolf eating The Raven
Entrails of life on my plate
And I ate 'em...

– Mutilada?


Arthur olhou para o seu amigo. As espessas sobrancelhas juntas demostrando a clara irritação que sentia. Kiku assentiu e continuou:


– Encontraram a jovem na Baker Street. Suas roupas estavam ensanguentadas, os membros separados e não foi encontrada a cabeça. Os pedaços foram encontrados dentro de sacos plásticos de lixo.

Arthur encostou-se a cadeira e juntou as mãos em frente ao rosto. Seus olhos verdes encararam profundamente os castanhos.


–Eu tenho um palpite que nosso “amigo” psicopata está por trás disso. Vamos ver se eu estou certo.


Ouviram algumas batidas na porta e com a permissão do detetive, o jovem alemão adentrou.


–Kirkland, a equipe forense está no local. Parece que foi encontrado um DNA diferente nas unhas da jovem.


Os olhos do detetive arregalaram-se e ele sorriu triunfante.


–Já estava na hora daquele filho da puta deixar algum rastro.


Arthur levantou-se, pegou seu casaco e o vestiu. Ao sair da sala deu algumas ordens para os policias o seguirem e dirigiu-se ao local. Não conseguia esconder a empolgação por finalmente estar avançando mais no caso.

O local, como de costume estava um caos. Pessoas estavam ao redor tentando ver por trás da barreira que a Polícia Metropolitana havia armado. Alguns haviam conseguido tirar algumas fotos, gravado vídeos e estavam distribuindo pela rede. A mídia estava no local também para fechar o cerco. Arthur passou por toda aquela multidão, inclusive pelos repórteres que insistiam em tentar falar com ele e se dirigiu até a cena do crime.

Os policiais forenses já estavam no local analisando os vestígios deixados para trás. Arthur aproximou-se do chefe da equipe, um rapaz moreno, com cabelos castanhos que chegavam a até a base de seu pescoço e disse:

– Quais as boas notícias, Héracles?


Héracles que analisava um dos braços da vítima levantou-se e encarou o detetive.


–Foi encontrado restos de tecido epitelial nas unhas. Estamos coletando a amostra e ela será levada ao laboratório para ser analisada. Olhamos mais a fundo, mas nada mais foi encontrado.


–Encaminhem o corpo para o necrotério. Preciso conversar com Scott sobre isso.


Gilbert foi ao seu encontrou enquanto retiravam o cadáver e disse:

–Pelo visto ele caprichou dessa vez ksekseksekse.


–Tsc, pelo menos conseguimos algumas amostras de DNA.


–Não fique tão animado. Não sabemos a quem pertencem elas.


–Foi o melhor que conseguimos até agora. Além do mais, aquele nerd ficará satisfeito com isso.


Gilbert riu com o comentário referindo-se a um dos melhores investigadores forense que a Scotland Yard possui. Eduard Von Bock sempre foi reconhecido por seus grandes talentos. De origem estoniana ficou famosos ao ajudar a policia local a prender um suspeito de assassinato que ia ser solto pela falta de pistas. Graças a uma gota de suor encontrada no corpo da vítima, Eduard conseguiu identificar o assassino e o suspeito foi preso. As habilidades do estoniano fizeram com que ele fosse chamado para Scotland Yard, onde trabalha desde então.

O fato de ter sido encontrado amostras de tecido epitelial era de grande ajuda para eles. Agora, era preciso esperar os resultados e checar o banco de dados.


~ 0 ~


Alfred xingou pela centésima vez. Estava em frente ao espelho, nu, observando algumas marcas que se espalhavam pelo seu corpo e um fino e longo corte na bochecha. Como aquela puta ousou danificar seu lindo corpo? Era o que pensava o tempo todo.

Havia trazido Michelle para seu apartamento e ela estava se insinuando para ele o tempo todo. O jeito como ela se ajeitava no carro, fazendo seu apertado e curto vestido subir mais revelando toda a sua coxa. As palavras sensuais, sempre mandando indiretas sutis do que estava por vir. Alfred sorria por dentro. Precisava de uma foda para se distrair.

Já dentro, ele fez a jovem gritar seu nome várias vezes naquela noite, mas não era para ela que ele estava se empenhando tanto. Estava mais concentrado em sua satisfação pessoal e o fato dele ser tão bom naquilo só aumentava seu ego. Chegou ao ponto de observar seu próprio reflexo enquanto transava com Michelle.

O único problema era que ela era curiosa demais. Enquanto Alfred estava dormindo, Michelle acordou e indo para cozinha encontrou a agenda em cima da mesa da sala. A jovem abriu e leu seu conteúdo. Michelle gritou assustada ao ler as anotações e percebeu que estava na casa do serial killer que rondava Londres. O grito acordou Alfred que não se preocupou em colocar alguma roupa. Quando viu a jovem com a agenda nas mãos, uma raiva descomunal se apossou dele. Quem ela pensava que era para tocar no seu mais precioso tesouro?

Eles se encararam. Michelle tentou escapar, mas Alfred foi mais rápido e a agarrou pelos braços. Ela se debateu tentando se libertar e acabou arranhando os braços e o rosto dele. Se Alfred já estava com raiva, ela aumentou ainda mais ao perceber que foi ferido. Tampou a boca de Michelle com uma das mãos e arrastou a jovem até o quartos de hospedes atirando-a lá. Foi até o seu quarto e da cabeceira retirou sua faca de estimação. A morte de Michelle não estava em seus planos, mas agora não podia deixá-la sair ilesa depois do que viu. Além do mais, ela teve a ousadia de feri-lo.

Michelle gritava e batia na porta do quarto. Alfred xingou mentalmente. Precisava dar um jeito nela rápido. Abriu a porta do quarto e segurou a jovem antes que ela pudesse sair correndo. Puxando-a pelos cabelos, jogou em cima da cama e a prendeu na mesma com seu corpo. Alfred, em seu estado de frenesi matou a jovem rapidamente com uma facada no coração. Levantou-se observando o corpo espalhado na cama e o sangue descendo pelos lençóis. Teria que dar um jeito nela, ou tudo iria por água baixo.

Com um machado separou os membros e a cabeça do tronco colocando-os em sacos plásticos de lixo. Assim, não causaria tantas suspeitas. Limpou-se e limpou o local também. Vestiu-se, usando luvas para colocar os pedaços dentro dos sacos e continuou usando as luvas. Aproveitou que era tarde da noite para levá-los para longe dali. Manteve a cabeça consigo e jogou em um depósito abandonado fora da cidade, o mesmo depósito que ele deixou outros membros que havia retirado de outras vítimas. Em breve os cachorros dali iriam se alimentar.

Agora depois de ter resolvido seu problema encarava os hematomas com extrema irritação. O que o confortava era o fato de a jovem já estava morta e bem longe dali. Com certeza Arthur iria investigar aquela morte. Sorriu para si mesmo. Iria usar aquela situação ao seu favor e divertia-se imaginando a expressão do detetive ao ver o presente que ele havia deixado para eles.



~ o ~


Dois dias se passaram desde que a amostra de tecido epitelial foi encontrada e finalmente os resultados saíram. Arthur aguardava ansiosamente em sua sala. Ouviu batidas em sua porta e convidou o jovem investigador a entrar. Eduard entrou na sala com um envelope na mão e ajeitou os óculos. Arthur sempre achava engraçado o jeito do estoniano, com um suéter por cima de uma blusa social e uma gravata, calça social e um sapato igualmente. O seu forte sotaque sempre que ele pronunciava as palavras em inglês e comparava seu cabelo com o de Paul McCartney no início dos Beatles, só que loiro.

Olhou para o jovem e disse:


–E então Eduard, quais são as boas noticias?


O estoniano ajeitou novamente os óculos e disse:


–Encontrei o dono das amostras de DNA que estavam nas unhas da jovem – e com isso colocou o envelope em frente a Arthur. – O único problema é que o suspeito não é fichado. Não foi encontrado nada no banco de dados.

Arthur juntos as sobrancelhas em sinal de confusão. Réu primário? Mas isso não era possível ou será que aquilo não era obra do serial killer? Impossível. A espiral estava lá quando tinha foi ver o corpo no necrotério. Foi tirado dos seus pensamentos pelo estoniano.


–Senhor?


–Hum?


–Mais alguma coisa?


–Não. Obrigado, Eduard. Pode se retirar.


Eduard virou-se e saiu da sala deixando Arthur sozinho com seus pensamentos.

O detetive lembrou-se da conversa que teve com o legista, logo após terem encontrado o corpo da vítima. Scott contou que a vítima tinha sido morta com um golpe de faca, assim como outras vítimas, e que a perfuração era muito semelhante às outras. Disse também que os membros foram separados após sua morte e que a vítima lutou contra seu agressor, dada algumas manchas nos braços.

O mais surpreendente daquilo foi achar o que procurava. A espiral estava marcada no órgão genital, bem na parte externa.

“Ele está ficando cada vez mais criativo” – pensou, abrindo o envelope e analisando o conteúdo. “Bom, pelo menos já temos alguma pista.”

O detetive continuou trabalhando em outros casos e encerrou o seu expediente. Ao sair, entrou no seu carro. Estava bastante cansado, mas não tinha vontade de ir para casa. Não queria admitir, mas precisava distrair-se um pouco. Finalmente decidiu ir para o clube de xadrez.

Chegando lá, dirigiu-se para a sua habitual mesa e surpreendeu-se ao encontrar Theodore ali. Arthur parou por um momento e observou como ele estava concentrado no jogo. Suas sobrancelhas juntas, uma mão nos lábios, os óculos que desceram um pouco pelo seu nariz, os cabelos loiros sempre arrumados. Notou suas roupas também. Theodore usava uma blusa de manga comprida branca com listras horizontais azuis, uma calça jeans azul escura e basqueteira preta. Nunca o detetive o achou tão atraente.

Foi tirado dos seus pensamentos quando percebeu que Theodore havia levantado o olhar. Ao perceber que estava sendo observado sorriu para o detetive que sentiu as bochechas queimarem. Seu sorriso era lindo.


–Olá, Arthur – disse, ainda sorrindo.


O detetive desviou o olhar e sentou-se murmurando um “oi” para Theodore. Estava evitando olhar para o seu rosto, mas no momento que seus olhos observaram melhor, ele percebeu um leve corte, quase desaparecendo na bochecha direita do rapaz. Theodore seguiu seu olhar e rapidamente acrescentou:


–Isso que dá fazer a barba nas pressas. Acabei me cortando, hahaha.


Arthur nada disse a respeito do comentário, apenas arrumou as peças nos lugares como se ambos tivessem um acordo mútuo de sempre jogarem um contra o outro.

Assim que terminaram de arrumar as peças, começaram a jogar. Arthur, que tinha as peças brancas iniciou a partida. Ao longo do jogo, a manga da blusa de Theodore subiu um pouco e ele notou algumas marcas quase apagadas no pulso do mesmo. Arthur fingiu não ter visto nada e prosseguiu com o jogo.


–Xeque-mate – disse o detetive ao final da partida.


–Finalmente conseguiu ganhar de mim, huh? Acho que estou me descuidando.


–Não se pode ganhar todas, Theodore.


Ambos se encararam por um momento. Arthur não conseguia tirar da cabeça as marcas que viu no pulso de Theodore. Eram semelhantes a do rosto e pareciam... arranhões? Encarou os orbes azuis e imaginou se aquele homem a sua frente poderia ser o psicopata que tanto procurava. Sabia por experiência que por trás de um rosto bonito escondia-se uma mente diabólica, mas não podia tirar conclusões precipitadas. Não agora.


–Eu sabia que era bonito, mas você está me deixando encabulado, Arthur.


Arthur sentiu o rosto esquentar pela segunda vez naquela noite.


–I-idiota! Não estava olhando para você.


–Jura? Pois eu podia apostar que estava admirando a minha beleza assim como você fez ao entrar no clube.


Arthur levantou-se mais vermelho do que antes e deu meia volta indo em direção à saída. Odiava aquela situação e odiava ainda mais o fato de ter se envergonhado como uma adolescente. Estava já na saída quando foi impedido por Theodore.


–Ora eu só estava te provocando. Vamos fazer o seguinte, eu deixo você olhar o quanto quiser e não comento nada. O que você acha?


Arthur bufou irritado e disse:


–Não tenho tempo para suas estúpidas brincadeiras. – e sem se virar, disse – Eu tenho que trabalhar amanhã. Boa noite.


Mas ao invés de soltar a sua mão, Theodore passou o braço por cima do ombro de Arthur e o trouxe mais para perto de si. O detetive ficou sem reação e por um momento respirou o cheiro do perfume de Theodore, embriagado pela sensação. Voltou a realidade quando ouviu a voz dele dizendo:


–Ora Arthur, não se comporte como um velho. Ainda é cedo para ir para casa. Você me deve uma revanche.


O detetive percebeu a situação em que se encontrava e separou-se rapidamente.


–Eu não te dei essa liberdade. – com isso foi até a mesa e sentou-se. – Só vou jogar essa partida porque quero tirar esse sorriso confiante do seu rosto.


Theodore lambeu os beiços, excitado. Quanto mais o detetive o empurrava, mas ele desejava aproximar-se. Sentou-se e disse:


–Claro, mas não pense que irá ser tão fácil.


Continua...

Notas finais
EU... EU.. EU POSTEI *chora litros*
Me desculpem pela minha ausência.
Eu achei que ia conseguir escrever nas férias, mas tanta coisa aconteceu, que escrever foi a última coisa que fiz.
Enfim, espero que tenham gostado. Irei me esforçar para não demorar tanto no próximo.
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