American Psycho
7 Coming Closer
Notas iniciais
You know this is your fate.
Are you feeling lonely? So lonely, lonely.
Cry to the wind.
Arthur observou o relatório que Eduard havia o entregado. Tinha todas as informações acerca do assassino, mas para a sua infelicidade ele não era fichado. Não acreditava que o suspeito fosse réu primário, afinal aquelas mortes eram provocadas por alguém que sabia o que estava fazendo. Lembrava-se também que a polícia do Reino Unido havia recolhido dados de quase todos os cidadãos há anos atrás. Como ele poderia ter escapado disso?
Suspirou e deixou o arquivo cair em cima de sua mesa. A equipe forense estava bastante ocupada procurando por DNAs parecidos e Arthur estava ansioso para obter algum resultado. Aquela caçada estava começando a ficar exaustiva.
Ouviu uma batida em sua porta e em seguida ela foi aberta revelando seu amigo Kiku.
-Algum progresso? – perguntou o detetive.
Kiku balançou a cabeça negativamente e disse:
-Ainda não. Nenhum DNA bate com o do suspeito.
Arthur franziu as sobrancelhas e bateu com o punho na mesa.
-Como isso é possível? Esse desgraçado não tem família? É como se ele tivesse vindo do nada.
Ambos ficaram em silêncio por um momento. Kiku foi o primeiro a dizer algo.
-Ele pode ser um estrangeiro.
Arthur balançou a cabeça e disse:
-Mesmo que seja um estrangeiro, ele precisa passar pelo departamento de imigração. Teríamos algo.
A expressão do japonês mudou com aquela última sentença.
-E se ele foi trazido para cá e depois ganhou a sua cidadania?
O detetive encarou o seu amigo e um flashback passou por sua mente.
“Esses são meus pais. Sou adotado e eles me trouxeram da América quando ainda era uma criança.”
Aquela era uma lembrança, quase esquecida de quando tinha ido a casa de Theodore pela primeira vez. Pensando bem, o americano havia demostrado sinais que chamaram sua atenção. O livro de Oscar Wilde, as marcar em seu rosto e pulsos, o constante interesse nos casos. Se ele for o suspeito, isso explica porque não conseguiam encontrar um DNA igual ao seu. Os pais adotivos de Theodore estavam mortos, mas ele podia pesquisar sobre eles.
-Kiku – disse ao amigo – Começamos de forma errada. Procure informações sobre a família Chase. Quero também os papeis de adoção do filho do casal, Theodore.
O japonês surpreendeu-se com decisão.
-Achamos o nosso suspeito?
-Não tenho certeza. Por enquanto é um tiro no escuro.
Apesar disso, Arthur gostaria de não acertar Theodore.
~ o ~
Alfred estava em sua Mercedes andando pela avenida. Vinha direto do trabalho e sentia-se aliviado por deixar aquelas pessoas irritantes para trás. Todos pareciam estar sempre querendo o agradar ou o desafiavam. Sem falar no sorriso falso que tinha que manter todos os dias. Aquelas pessoas eram tão incomodas que ele nem sentia vontade de matá-las.
Por sorte era noite e depois de ter realizado seu papel diário, poderia ser ele mesmo. Sorriu ao lembrar-se do seu atual entretenimento: Arthur.
Desde que começara aquele jogo de gato e rato havia se divertido como nunca. Podia satisfazer seu desejo de matar e ainda se entretinha seduzindo o detetive.
Chegou até o seu destino e estacionou o carro. Estava mais uma vez no clube de xadrez. Ultimamente aquilo havia se tornado uma rotina na vida dos dois. Arthur pelo prazer de jogar com alguém a sua altura e Alfred pelo desejo de saber o quanto o detetive estava progredindo.
Entrou no estabelecimento e olhou ao redor na esperança de encontrar o detetive, porém ele não o teve sucesso. Franziu as sobrancelhas, estranhado o fato de não ter o encontrado lá. Decidiu sair do clube e tirou o celular do bolso, discando um número. Alguns segundos depois e a linha foi atendida.
-Kirkland. – disse a voz do outro lado.
-Hey, Arthur. – respondeu Theodore.
-Estou ocupado, Theodore. Ligue-me uma outra hora. — respondeu o detetive.
Ao contrário do que o detetive esperava, Alfred não desligou. Muito pelo ao contrário.
-Ow! Desculpe-me. Eu sabia que só podia ser algo assim para te tirar do clube de xadrez.
-Que?
-Deixe-me adivinhar. Ele é moreno, olhos claros, porte atlético e você o conheceu em um Pub, certo?
Alfred ouviu o detetive permanecer em silêncio por um momento, até responder, irritado.
-Não! – respondeu rapidamente. – Eu estou ocupado trabalhando!
-Que? Não acredito que está desperdiçando a sua noite.
-O que você quer Theodore?
Alfred sorriu. Sabia como conseguir a atenção do detetive.
-Estava me perguntando o que levou um velho como você mudar seus hábitos.
-Estou com muito trabalho. Fizemos alguns avanços no caso do “Assassino de Senhoritas...”
Alfred riu ao escutar aquele nome. Então era assim que ele era chamado?
-Eu sei. Também acho ridículo. A imprensa adotou esse nome e alguns policiais também. Acabei me acostumando.
Alfred podia sentir sua curiosidade crescendo.
-E então, quais as novidades?
-Sabe muito bem que não posso revelar isso a você.
-Você sempre corta a diversão, Arthur. Tive uma ideia. Que tal largar esse trabalho chato e irmos nos divertir essa noite?
-Theodore, é por causa de pessoas como eu que não largam o “trabalho chato” que pessoas como você dormem tranquilamente.
-Na verdade, é por causa de uma boa companhia, mas podemos fazer do jeito que você disse.
-Foda-se.
Em seguida Alfred ouviu a linha ser cortada. O detetive havia desligado em sua cara. Sorriu e refletiu sobre a conversa que tinham acabado de ter. Então ele estava avançando? Precisava descobrir o que era afinal era seu jogo.
Sorriu para si mesmo. Sabia exatamente como conseguir aquilo.
~ 0 ~
Quando o detetive desligou, colocou o celular de lado e encostou-se na cadeira, esfregando os olhos. Estava cansado e podia sentir isso. Olhou para os papéis na sua frente e suspirou. A família Chase era uma tradicional família inglesa e Theodore era tão entediante quanto qualquer outro empresário. Cresceu em uma família rica, estudou nos melhores colégios e se formou em uma grande universidade. A única coisa estranha foi os documentos da adoção que não foram encontrados. Brand Chase e sua esposa Wendy registraram a criança como sua, porém isso foi tudo que ele conseguiu encontrar
O detetive não conseguia tirar da cabeça que havia algo errado ali. Se ele foi adotado, como não foi possível achar os documentos que comprovam isso?
Apesar de ser muito suspeito, até agora não tinha provas contra ele. A única forma de saber mais era se tornando mais próximo.
Arthur encarou o teto e fechou os olhos. Por enquanto ele queria descansar.
~ 0 ~
Havia se passado dias desde que Arthur havia saído de casa, a não ser que fosse para trabalhar. Sua casa estava uma bagunça e ele não estava tendo tempo para limpá-la. Papéis estavam espalhados pela sua mesa junto com xícaras de chá. Arthur não sabia cozinhar e geralmente ele costumava almoçar fora. Como estava passando mais tempo em casa, começou a pedir comida. Isso aumentava a pilha de caixas em cima da pia e no lixo.
Resolveu dar uma pausa e foi fazer um pouco de chá. Fez uma careta ao olhar o estado do cômodo. Disse a si mesmo que quando terminasse aquele caso iria tirar umas férias só para arrumar a sua casa. O detetive era uma pessoa extremamente asseada e detestava ver sujeira. Infelizmente ele era mais viciado no trabalho.
Ao terminar de fazer o seu chá, ele foi até a varanda de sua casa e sentou em uma das cadeiras. Sorveu um gole da bebida e desfrutou o seu sabor. Earley Gray, seu chá favorito.
Ficou um tempo pensativo. Estavam chegando perto de encontrar o psicopata mais procurado da Grã-Bretanha. Tudo que precisava fazer era aproximar-se mais de Theodore e confirmar suas suspeitas.
O detetive tomou mais um gole da sua bebida e deixou-se pensar no americano. Admitia que o achava atraente, mas mesmo que sua mente continuasse pregando peças fazendo-o imaginar os lábios dele contra a sua pele, continuaria insistindo que não passava disso. Para piorar sua sorte, o americano parecia estar interessado nele também.
Arthur arrepiou-se ao pensar nisso. Tinha que ter cuidado, afinal ele era um suspeito.
“Por mais sedutor que ele pareça ser” – pensou o detetive, perdido em pensamentos.
Suspirou. Há quanto tempo ele não namorava? Já não lembrava mais. Seu trabalho havia se tornado parte de si e ele mal arranjava tempo para poder fazer tais coisas. Seu último relacionamento havia sido curto e arrebatador.
-Nunca mais irei namorar um estrangeiro – disse para si mesmo – ainda mais um maldito francês.
Seu último namorado, Francis, havia sido umas das experiências mais traumáticas da sua vida. Ambos haviam se conhecido quando Arthur tinha acabado de ser promovido ao cargo de detetive. Os dois viviam juntos e o detetive sentia-se satisfeito de todas as maneiras. Infelizmente, seu parceiro não parecia compartilhar dessa ideia e Arthur teve que lidar com um namorado infiel.
O detetive ouvia suas desculpas e por mais que quisesse terminar sempre acabava perdoando o outro. A gota d’água veio quando em uma noite, ele acabou pegando o namorado na cama com outra mulher. Desde então nunca mais havia se encontrado com ninguém.
O detetive foi tirado dos seus pensamentos pelo toque do seu celular. Olhou para tela e surpreendeu-se ao ver o número de Theodore na tela. Justamente quem ele não queria ver.
-Kirkland – disse o detetive.
-Arthur! Como vai? – respondeu o rapaz.
-Bem. O que foi dessa vez, Theodore? – perguntou o detetive.
-Eu não posso ligar para ver como anda um amigo meu? –
Theodore parecia ofendido e aquilo irritou o detetive.
-Tsc, corte esse falatório. Você tem sempre algo a dizer. – disparou.
-Você sabe que me magoa assim.
-Diga logo ou eu vou desligar na sua cara de novo.
Arthur ouviu Theodore ri em seguida dizer:
-Estava pensando se você não gostaria de sair essa noite.
-Theodore, você sabe muito bem que eu estou ocupado com...
-O assassino de senhoritas, eu sei. Ora Arthur, há quanto tempo pretende usar isso como desculpa para não sair de casa?
-Isso não é uma desculpa. Eu realmente tenho o que fazer!
-Eu sei, eu sei, mas seria bom sair um pouco, não acha? Daqui a pouco você vai ficar louco de tanto trabalhar!
Arthur suspirou e fechou os olhos. Por que ele insistia tanto em sair?
-E então, vamos?
Arthur manteve-se quieto por um momento e finalmente disse:
-Está bem. O que você pretende fazer?
-Eu sabia que você não ia resistir. Então, podemos ir para a Cruz 101*.
Cruz 101? Onde ele já havia ouvido aquele nome?
-Hoje terá um evento especial na boate e tenho certeza que irá agradá-lo...
Boate... Cruz... Boate gay!
-Espere – disse Arthur – Só porque eu sou gay não significa que quero ir a boates gays. Eu odeio aqueles lugares.
-Você é realmente entediante, huh? Qual ao problema das boates?
-Porque são lugares onde pessoas vulgares arranjam para poder fazer sexo e se drogarem em público.
-E qual é o problema em se drogar e fazer sexo em público?
-Theodore...
-Qual é Arthur, vamos nos divertir!
-Me dê uma boa razão para ir.
-Eu estarei lá.
-Rá, outra.
-Porque... a noite é uma criança, Arthur e ela pode trazer muitas surpresas prazerosas.
O detetive sentiu um frio na espinha e mordeu os lábios. Ele está sugerindo o que ele estava pensando?
-E-Está bem, mas não pense que estou indo por sua causa.
-Claro. A boate Cruz fica em Manchester no endereço...
-Eu sei onde é.
O detetive podia ouvir a voz divertida do outro.
-Oh! Para alguém que detesta boates, você sabe bem sobre a Cruz.
-Que horas, Theodore? – cortou.
-Hã? Ah, ás 23:00hrs
-Ok. Se não tem mais nada a acrescentar, eu gostaria de voltar ao trabalho.
-Tudo bem. Mal posso esperar.
Arthur desligou e ficou encarando o celular.
Talvez aquela seja a chance que ele estava esperando.
Continua...
Notas finais
GALERA, EU SEI. Estou demorando demais!!! Mas por favor entendam faculdade é coisa do demônio *chora*
Eu estou muito ocupada esse semestre e por isso foi difícil arranjar tempo para escrever (sem falar que passei por um bloqueio artístico horrível), mas eu nunca esqueci que tinha que escrever e finalmente terminei esse capítulo.
Eu iria colocar algumas coisas nele, mas achei melhor deixar para o próximo. Irei tentar escrever o capítulo 8 mais rápido, mas se eu demorar, vocês já sabem porquê. Enfim...
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