Notas iniciais
Considerações:Os pubs na Inglaterra fecham ás 22:00. A frase usada é de autoria de Oscar Wilde. Poeta e escritor irlandês. Quem quiser saber mais sobre ele, vai ao Wikipédia que tem algumas informações.

Os Pubs de Londres são o lugar de encontro de muitas pessoas. Muitos vão até eles para poder descontrair, beber um pouco e encontra-se com amigos. Casais e solteiros dividem o mesmo ambiente, todos com um mesmo objetivo: beber e se divertir.

Alfred estava em um Pub naquela noite. Encontrava-se no fundo do estabelecimento, encostado a parede. Seus olhos observavam as pessoas, analisando-as, como um predador analisa sua presa. Até que, seus olhos repousam em uma moça, sentada em uma das cadeiras, que ficam em frente ao bar. Tinha longos cabelos loiros, soltos, olhos verdes e usava um vestido branco, que chegava até seus joelhos e um blazer preto, por cima do vestido. Ela parecia estar sozinha e balança de leve sua bebida, lançando olhares para as pessoas em suas mesas. Era a vítima perfeita e o rapaz aproximou-se dela.

-Boa noite – disse, sorrindo.

A jovem o olhou e respondeu, educadamente:

-Boa noite.

-Importa-se de eu me sentar ao seu lado?

-Claro que não.

-Eu reparei que você está desacompanhada e perguntei-me com uma jovem tão bela poderia estar sozinha aqui.

A loira sentiu suas bochechas esquentaram com o comentário do rapaz e com um sorriso triste, disse:

-Na verdade, eu tinha marcado para me encontrar aqui com uma amiga minha, mas pelo jeito eu levei bolo.

-Não diga. Que coincidência! Eu marquei com um amigo meu aqui e levei bolo também.

-Sério?

-Sim.

-Qual o problema com nossos amigos? – perguntou a loira, suspirando.

-Pelo jeito, não são tão amigos assim. – disse, sorrindo

-Pois é.

Os dois conversaram por bastante tempo e Alfred chamava o barman, pagando bebida para os dois. A jovem começou a encartar-se pelo loiro. Era bonito, charmoso e ainda por cima parecia ter muita coisa em comum com ela. Suas histórias também eram fascinantes.

-E então eu disse para ele ir embora ou iria tirá-lo eu mesmo. – disse o rapaz.

- Você é tão corajoso Alfred. Parece um herói – respondeu a moça, admirada.

-Nah. Eu só não gosto de baderneiros. Então Alice, já são quase 22:00*, que tal se formos para outro lugar? – disse, pegando na mão na jovem.

Alice olhou para a mão e em seguida para o jovem e sorriu timidamente.

-Seria maravilhoso.

Alfred sorriu animado. Entretanto, nada tinha a ver com a jovem a sua excitação.

-Ótimo. Meu carro está aqui perto. Vamos?

Ambos seguiram para fora do Pub, que dava indícios de que já ia fechar e caminharam para o estacionamento. A garota olhou para os poucos carros, que estavam ali e perguntou para o loiro do seu lado:

-Qual desses é o seu?

-Meu carro não está desse lado. Está daquele lado – respondeu, apontando para uma rua, aparentemente deserta.

-Ah... Por que tão longe? – disse insegura a jovem.

-Estava lotado por aqui quando eu cheguei e por isso tive que estacionar lá.

Alice apenas concorda, balançando a cabeça e segue o jovem pela rua.

-Está com medo, Alice? Não se preocupe. O herói está aqui. –disse sorrindo.

Caminharam em silencio por um tempo e a rua foi ficando cada vez mais deserta, deixando a jovem ainda mais apreensiva.

-Alfred? Tem certeza de que é por aqui?

-Claro. Basta ir mais em frente, que chegaremos.

Alfred desacelerou o passo, fazendo com que a jovem ficasse na sua frente e discretamente tirou uma faca do bolso. Lambendo os beiços, aproximou-se da jovem e com um rápido movimento, tampou a boca da loira e encostou a faca em seu pescoço. Alice assustou-se e com o movimento brusco, a lâmina passou por sua pele, provocando um pequeno corte.

-Shh. Não se mova demais ou você vai acabar com a diversão muito rápido.

Ele a encosta na parede de um prédio abandonado e encostou os lábios em sua orelha.

-Se você gritar, eu vou cortar a sua língua e vou obrigá-la a engolir.

A jovem olhou aterrorizada para o loiro e acenou, concordando. Alfred tirou a mão lentamente e quando percebeu que estava livre, a moça desobedeceu a ameaça e tentou gritar por socorro:

-Me Ajudem! Eu...

Não teve tempo para continuar, por causa de uma dor dilacerante que a atingiu no rosto. Havia levado um soco e com o impacto, caiu no chão.

-Sua puta! Eu disse para não gritar!

A jovem cuspiu sangue e tentou afastar-se.

Alfred chutou a jovem na barriga, agachou-se do lado dela.

-Eu ia fazer isso rápido e indolor, mas você preferiu o oposto.

Ele levantou-se, puxando a mulher pelos cabelos, que ainda tentava respirar graças ao chute que levara e a jogou no chão. Com a faca, começou a fazer cortes, começando pelas coxas. Alice ainda tentava produzir algum som, porém toda vez que gemia, levava um soco.

-Cale-se. – disparou o loiro, olhando-a com frios olhos azuis.

Alice tampou a boca com ambas as mãos, abafando os sons, enquanto o jovem continuava a retalhar o seu corpo. Depois de um tempo, Alfred parou e encarou a jovem, machucada, quase desfalecendo pela a perda de sangue. Olhou-a, enjoado.

-Eu pensei que você iria me divertir, mas acabou sendo uma perda de tempo.

Com um único movimento, atravessou a faca do peito da moça, matando-a na hora. Sangue começou a manchar o vestido branco e ele retirou a faca. Levantou-se, limpando a lamina em um pano e chutou o corpo sem vida da jovem.

-Puta imprestável.

~ o ~

Arthur estava no clube de xadrez West London em uma das suas visitas corriqueiras. Era noite e havia passado grande parte do dia no escritório, analisando os casos. Ele encontrava-se em sua tradicional cadeira e jogava sozinho como de costume. A última vez que estivera ali havia encontrado um jovem que aparentemente tinha a mesma habilidade que a sua, talvez até melhor. Aquilo tinha chamado a sua atenção e mesmo sem querer admitir, ansiava encontrá-lo novamente. Lançava olhares em direção à porta e censurava-se por esperar tanto por uma pessoa que ele tinha acabado de conhecer. Ele não era assim, não condizia com o jeito calmo e controlado que demostrava todos os dias na Yard. Tentou concentrar-se no jogo.

Alguns minutos se passaram e o jovem chamado Theodore adentrou no clube. Arthur o olhou discretamente e fingiu não ter o visto entrar. O loiro cumprimentou algumas pessoas e aproximou-se do detetive, que continuava fingir que não sabia de sua presença ali.

-Olá Arthur.

O menor levantou o olhar e fingindo surpresa, respondeu:

-Olá Theodore. Não o vi se aproximar.

O jovem sentou-se na cadeira, ficando em frente ao detetive.

-Continua tão concentrado que não percebe as coisas ao seu redor, huh?

-O que posso fazer? Preciso me concentrar para poder jogar bem.

-Entendo. Estava olhando os jornais e adivinha quem eu vi estampado na primeira página? Você. Quer dizer que temos o famoso detetive Arthur Kirkland como membro do clube.

Arthur franziu as sobrancelhas e disse:

-Eu não sei quanto ao famoso, mas sim, sou eu.

-Isso é incrível, quero dizer... todos aqueles casos resolvidos. Você é um verdadeiro herói. Fico feliz em conhecê-lo.

Arthur sentiu as bochechas esquentarem. Claro que sabia de sua fama, mas nunca ninguém parecia tão empolgado com o detetive.

-Eu apenas faço meu trabalho. Nada demais

Os olhos azuis contemplaram o detetive e um grande sorriso se fez no rosto do jovem.

-Quer dizer que temos um novo assassino na cidade, huh? Como anda tudo?

Arthur moveu-se desconfortável e lançou um olhar irritado.

-Isso é confidencial.

O sorriso do jovem aumentou.

-Ora, Arthur. Só entre nós dois. Ninguém mais está prestando atenção.

O menor olhou as pessoas ao redor. Realmente, todos estavam concentrados em seus jogos e ninguém parecia dar a mínima para os dois. Mesmo assim, sabia que devia ser cauteloso. Com a voz baixa, disse:

-Estamos na pista de um serial killer. Ele escolhe vítimas do sexo feminino e por algum motivo, desenha espirais em seus corpos.

-Espirais? Mas por que espirais?

-Ainda não sabemos ao certo. Estamos investigando isso, mas meu palpite é que tem algo a ver com o bandido.

-Ele deve ser um ótimo assassino, quer dizer, está driblando toda a Yard e o detetive Kirkland.

Arthur perfurou o loiro com o olhar:

-Ele não está driblando ninguém. É só uma questão de tempo até pegarmos esse maldito.

Theodore apenas sorriu e nada disse.

O detetive começou a sentir-se incomodado com toda aquela conversa e mudou de assunto.

-Isso não é de sua conta. Não sei por que estou te contando isso.

-Tudo bem. Que tal jogarmos mais uma partida? Ou ainda está intimidado com minhas habilidades?

Arthur levantou uma sobrancelha e olhou para o jovem a sua frente:

- Intimidado? Ora, não ache que só porque você ganhou uma vez que pode ganhar todas.

-Eu gostaria muito de ver isso. – disse, lançando um olhar divertido.

Arthur ia começar a desarrumar as peças, quando seu celular tocou. Ele fez sinal de licença e foi para um canto atender. Theodore ficou observando ele da mesa com seus olhos azuis, inexpressíveis. Quando o detetive voltou, ele tratou de se desculpar.

- Tenho que ir. Recebi uma ligação do trabalho e preciso correr.

O jovem fingiu desapontamento.

-Mas eu acabei de chegar e...

-Já disse – cortou, dando as costas – Estou com pressa.

-Que tipo de trabalho é esse que chama as pessoas ás 20:00?

-O tipo que você precisa salvar o rabo das pessoas. Tenha uma boa noite.

O jovem lançou um olhar preocupado e disse:

-Tome cuidado. Você nunca sabe o que pode acontecer.

Arthur o olhou por cima do ombro. Os olhos verdes encararam os azuis por um tempo, antes de desviarem e o detetive deixou o estabelecimento.

Theodore observou o menor fazer seu caminhou até o carro e depois desaparecer de vista. Sorriu e começou a andar, indo em direção à saída.

~ o ~

As ruas de Londres estavam bastante movimentadas. Carros iam e viam cada um em suas direções. Arthur estava com pressa. Dirigia com bastante imprudência e apenas lançava olhares irritados para os motoristas que se atreviam a xingá-lo. Chegou em uma parte afastada da cidade e estacionou o carro. Várias pessoas estão presentes ali e ele driblou a todos, principalmente a imprensa, que insistia em chamá-lo. Aproximou-se dos seus subordinados e passando a faixa amarela por cima de sua cabeça, observou a cena que se estendia diante dos seus olhos. O corpo de uma jovem estava estendido no chão. Seus braços estavam abertos e as pernas cruzadas. O sangue que escorreu do corpo da mulher, fazia uma grande poça de um vermelho escuro, manchando a superfície e escorrendo pela calçada. Olhando mais de perto ele observou que o sangue escorreu de todas as partes do corpo da jovem, principalmente do peito, onde era presente um ferimento, provavelmente feito por uma faca. Observou o rosto da jovem e notou a face horrorizada, em um misto de agonia e desespero. Na parede ao lado do corpo, uma grande frase estava estampada, escrita com sangue, que muito provável, pertence a jovem. A frase dizia:

“O mundo pode ser um palco.

Mas o elenco é um horror.”*

O detetive franziu os olhos ao ler aquela frase. Onde tinha ouvido ela antes? Tinha certeza que ela era conhecida. Alguns policiais estavam tirando fotos, como evidência, para serem analisadas depois e ele notou o seu parceiro Kiku aproximando-se.

-Bastante bizarro o que aconteceu aqui, não acha? – perguntou o japonês.

-Esse filho da puta já está passando dos limites. O que ele pretende agora com essa frase?

-Ou ele quer chamar a nossa atenção ou está querendo passar alguma mensagem.

-Tsc – respondeu mal humorado o detetive.

Arthur aproximou-se dos policiais forense e disse:

-E então, o que encontramos aqui?

Um dos rapazes, moreno de olhos castanhos, respondeu ao detetive:

-A vitima levou vários cortes. Provavelmente foi torturada antes de ser morta. A causa de sua morte foi este ferimento no peito, que alcançou seu coração.

-Isso até eu consigo perceber. Estou perguntando se vocês encontraram alguma coisa diferente.

Apesar do jeito rude, o rapaz não se abalou. Com a mesma voz baixa e calma, respondeu:

-Encontramos uma espiral no corpo dela.

Os olhos do detetive correu rapidamente o corpo da jovem antes de responder.

-E onde a espiral foi encontrada dessa vez?

-Na língua.

-Na língua?- repetiu o loiro — deixe-me ver.

O moreno pegou um envelope de plástico, que estava do seu lado e mostrou ao detetive. O órgão encontrava-se dentro do recipiente, machado de sangue na base e no meio uma espiral estava desenhada. Arthur fez uma careta ao ver aquilo.

-Ele retirou a língua da vítima depois que ela foi morta e desenhou a espiral. – disse o policial forense. – Quando chegamos, ela estava do lado do corpo.

Aquele realmente não era seu dia. Com extrema irritação o detetive falou aos seus subordinados.

-Escutem todos. Quero um relatório sobre esse caso em minha mesa ainda essa noite. Kiku, você vem comigo.

-Aonde iremos detetive Kirkland?

-Vamos interrogar as pessoas da região.

O loiro correu os olhos pelos oficiais até avistar o que procurava.

- Beilschmidt!

O alemão de cabelos acinzentados virou-se ao ser chamado. Ele sorriu para seu comandante e disse:

-Sim?

-Quem foi que encontrou o corpo dessa vez?

-Uma mulher chamada Elizabeth.

-E onde ela está no momento?

-Está sendo mantida sobre custódia. A imprensa estava caindo em cima dela quando chegamos.

-Esses abutres. Sentem o cheiro da carniça de longe. Limpem a área e dispensem essa multidão. Eu vou até a Yard para interrogá-la.

-Entendido e... Kirkland?

O menor estreitou os olhos e respondeu:

-Sim?

-Espero que esteja pronto. A mulher está histérica ksekseksekse

O detetive rolou os olhos ao ouvir aquela estranha e característica risada. Dando as costas ele acenou para seu parceiro e juntos eles driblaram as pessoas, indo até o carro do loiro.

Na delegacia, ele teve que se controlar para não gritar com a mulher. É verdade que as pessoas costumam ficar chocadas quando se deparam com tal cena, mas aquela mulher estava passando dos limites. Todas as tentativas do detetive de tentar acalmá-la falharam e ela não respondia a nenhuma das perguntas. Estava balbuciando uma reza e vivia dizendo que todos estavam condenados. Teria explodido se não fosse Kiku, que se ofereceu para interrogá-la no seu lugar.

Arthur massageou as têmporas enquanto esperava seu parceiro. Podia sentir uma dor de cabeça chegando e desejou estar em sua casa, onde ele poderia descansar. Depois de alguns minutos, o japonês aproximou-se e tocou no seu ombro, avisando que havia terminado.

-E então? – perguntou o detetive.

-Ela concordou em responder as nossas perguntas assim que se acalmar.

-Não podemos perder tempo Kiku. Quanto mais rápido interrogarmos ela, mais rápido teremos resultados.

-Tenha calma. Ela passou por um estresse mental muito grande. Se a pressionarmos agora, teremos o mesmo resultado de antes. Não se preocupe. Ela ficará aqui e temos uma equipe com ela. Assim que ela se sentir pronta, irá nos chamar.

-Assim eu espero. Se eu a ouvir novamente dizendo que estamos todos perdidos, eu juro que tranco ela dentro de um hospício.

O japonês sorriu para seu amigo e disse:

-Vejo que ela não foi a única a sofrer com isso.

O inglês lançou um olhar irritado ao amigo e respondeu:

-Eu não estou estressado. Apenas um pouco cansado. Eu não estou dormindo direito esses dias.

-Acho melhor você ir para casa.

-Eu estou bem. Um pouco de chá e eu estou cem por cento.

-Se você está dizendo...

-Não se preocupe. Agora vou para minha sala. Apresse aqueles relatórios, pois teremos uma longa noite.

-Sim.

Arthur deixou a sala de interrogatórios e foi até seu próprio escritório. Chegando lá, sentou-se na cadeira e com um suspiro, olhou pela janela. Sentia que estava deixando alguma coisa escapar, mas ainda não sabia o que era. Inclinou a cabeça no encosto da cadeira e fechou os olhos. Talvez Kiku tivesse razão sobre estar estressado. Deixou-se levar pelos pensamentos. Cinco minutos assim não ia fazer mal.

Continua...

Notas finais
Capítulo três baby =D Gostaria de agradecer a todos que estão acompanhando. A fic, eu dedico a todos vocês *-* Reviews?