American Movie
13 You are the best!
Notas iniciais
POV Austin — 25 de dezembro de 2015
Deitamo-nos um ao lado do outro, abraçados.
– Ally?
– Ahn?
– Eu te amo, meu amor — admiti, abraçando-a.
– Eu também te amo, Austin.
– Tudo ficará bem, você verá. Teremos dois filhos, dois cachorros e uma casa bem grande.
– Eu não quero uma casa grande — contrariou — Eu quero um sobradinho, com três quartos. Um para cada filho e um nosso.
– Tudo bem, tudo bem. Faremos do seu jeito. Mas antes de tudo isso, tem um passo que não podemos pular.
– Qual?
– O nosso casamento — sussurrei em seu ouvido.
(...)
– Não quer mesmo ensaiar? – insisti – Não falo por malícia, mas a peça é quinta e essa apresentação será a responsável por toda a nossa nota do trimestre.
– Acho que é melhor não... – ela riu fraco, tímida.
– Tudo bem, fique tranquila. Dará tudo certo.
– E se eu não souber o que fazer? – perguntou, nervosa.
– Se não souber o que fazer, faremos do nosso jeito – pisquei e logo ri, perverso – Se é que você me entende...
POV Ally – 21 de fevereiro de 2014
O som de “She Looks so Perfect” do 5SOS soou no quarto, acordando-me.
Austin também acordou, um pouco atordoado pelo barulho inicial da música.
– Bom dia, Allycia.
– Bom dia, Austin.
Permanecemos deitados por uns cinco minutos. Minha cabeça descansava em seu peito e seus braços rodeavam minha cintura.
Estávamos tão... Íntimos, ultimamente.
Depois do beijo, Austin e eu estamos mais próximos do que nunca. Andamos um ao lado do outro o tempo todo, e ele até vai me buscar na sala, após o término das aulas, para que voltemos ao quarto juntos.
Sobre o beijo, bem, nós não estamos mais desconfortáveis em falar sobre ele. Até fazemos brincadeirinhas um com o outro sobre isso.
Mas tem uma coisa boa em toda essa aproximação: Eu nunca me senti tão protegida. E eu me sinto bem assim.
Passamos a semana toda ensaiando para a peça, que...
– AI, MEU DEUS! AUSTIN, A PEÇA!
Austin deu um pulo da cama, correu até seu guarda-roupa e pegou a sua roupa. Entrou no banheiro rapidamente, sem dizer nada. Corri até a minha parte do armário, pegando meu longo vestido de princesa.
Sim, de princesa. Conversei com a nossa professora de teatro, expliquei a situação e, graças a Deus, ela compreendeu e disse que poderíamos fazer playback das músicas. Assim, eu seria a princesa e Austin, o plebeu. Para deixar a peça engraçada, apenas daríamos entonação, pois o vocabulário em si, já era engraçado.
Antes que eu pudesse sair para me trocar, ouvi:
– Não dá tempo de ir até o banheiro, temos cinco minutos. Troque-se ai e me avise quando eu puder sair.
Assenti, mesmo sabendo que ele não veria. Comecei a despir-me e procurar, por entre tanto pano, o que colocar primeiro.
– Pode sair – avisei.
Austin saiu do banheiro, sorrindo um pouco. Ele estava lindo.
– Uau.
Ri fraco, envergonhada.
– Obrigada. Você pode fechar atrás para mim, por favor – pedi.
Austin andou até estar atrás de mim e afastou meu cabelo gentilmente. Ele subiu o zíper, lentamente, prendendo um pequeno fecho no final. Senti seus lábios quentes em meu pescoço, onde a marca que Dallas havia deixado ainda estava presente. Estremeci.
– Aus... Temos que ir.
Austin desgrudou seus lábios de meu pescoço e colocou meu cabelo de volta no lugar. Coloquei minha tiara e me virei para ele.
– Vamos?
– Vamos.
POV Austin
Saímos correndo como dois loucos até o teatro. Todos os alunos já estavam lá.
– Finalmente chegaram. Vamos, subam no palco e comecem – pediu Jade, a professora.
Subimos no palco rapidamente e começamos a contracenar. Tudo ocorreu bem. Esquecemos a fala umas duas vezes, mas um sempre ajudava o outro. Estava tudo ótimo, até o momento do beijo chegar.
– Oh, doce desejo insano, creio que estou apaixonada – disse “Allycia”, evidentemente mais nervosa.
– E por quem te enamoraste, doce amada?
– Por um doce jovem, meu desejo.
– E qual o nome desse jovem, amada minha?
– És tu, doce desejo insano.
Aproximei-me de Allycia, tomando em rosto em minhas mãos e depositei um longo selinho em seus lábios doces e quentes.
– Casar-me-ei amanhã, doce desejo. Por que não te quedas aqui está noite? – perguntou, com a voz um pouco falha.
– Em seus aposentos? Claro, às suas ordens, minha princesa amada.
Pulei a janela do quarto improvisado. Allycia me olhou, apreensiva. Aproximei-me e a beijei. Um beijo técnico, como havíamos combinado. Allycia mordeu meu lábio e eu gemi de dor. A menina cerrou os olhos fortemente, culpando-se. Ambos seguimos o beijo até eu me deitar sobre Allycia, na cama. Seu corpo, embaixo do meu, estava tenso.
Separei nossos lábios e olhei fixamente em seus olhos. Allycia me encarou com dúvida, provavelmente questionando o motivo de eu ter parado o beijo. Toquei seu rosto delicadamente e a beijei novamente, deslizando minha língua pelo seu lábio inferior, tornando do beijo técnico um beijo real. Allycia estremeceu, mas logo correspondeu. Sua mão tocou meu abdômen e eu retirei seu casaquinho. O beijo era calmo, apaixonado, mas eu ainda apertava sua cintura com força e tentava colar mais nossos corpos. Eu queria sorrir, mas por que o faria? Esse era um beijo entre Maximiliano e Genevive, não entre Austin e Allycia. Separei nossos lábios e beijei seu pescoço novamente.
– O que está fazendo, Austin? – o morena sussurrou.
– Quando você parar em frente ao espelho e olhar essa marca em seu pescoço, não pensará mais no Dallas.
– Ahn?
– Pensará em mim.
Em seguida, chupei seu pescoço, ao lado da marca roxa, deixando outra.
– Aus... – Allycia gemeu, baixinho.
Voltei a beijar seus lábios e remexi meu pé, sinalizando para a professora que a cena havia acabado.
As cortinas se fecharam e eu permaneci sobre Allycia.
A garota me encarava ofegante.
– Acha que fomos bem? – perguntou, corando em seguida.
– Acho – respondi, sorrindo fraco.
Levantei-me e estendi uma mão para Allycia, ajudando-a a se levantar. Ajeitamos nossas roupas rapidamente e voltamos aos nossos lugares.
Outra dupla subiu no palco, mas eu mal pude prestar atenção.
Céus, aquele beijo não sai da minha cabeça!
Olhei para a pequena garota ao meu lado. Ela encarava o palco com um sorriso. De repente, soltou uma gargalhada. É, parece que a peça está sendo engraçada. Sorri, só de ver a menina gargalhar.
Meus olhos desceram um pouco. Em seu vestido, havia um pequeno rasgo, próximo à cintura. Provavelmente fui eu.
Voltei a observar seu rosto. Uma lágrima solitária escorreu em sua bochecha e eu a limpei.
– O que foi, Allycia?
– Você não tem coração? – perguntou, apontando para o palco – A Meredith e o Thomas estão se separando – ela fungou – Muito triste.
Ri fraco, deitando sua cabeça em meu ombro. A morena sussurrou um “obrigada”, antes de limpar o nariz em minha camiseta. Ugh, que nojo.
E assim foi, durante todas as peças. Allycia ria, chorava e eu apenas a observava.
POV Ally – 23 de fevereiro de 2014
Finalmente sábado chegou. Essa semana parece ter ficado presa em um congestionamento de tartarugas.
Abri meus olhos, desligando o despertador. Austin estava com a cabeça deitada em minha barriga.
– Austin... – o chamei – Austin...
Senti minha barriga tremer e ri. Austin estava me fazendo cócegas com a boca!
– Pare, seu bobo.
Austin levantou a cabeça, e beijou minha bochecha.
– Bom dia.
– Bom dia, Austin. Posso trocar-me em seu banheiro?
– Claro, fique à vontade.
– Obrigada.
Entrei em seu banheiro e coloquei minha roupa em cima da pia. Ajeitei meu cabelo, que mais parecia com um ninho de ratos, e escovei meus dentes.
Troquei-me rapidamente e sai do banheiro.
Ajeitei minhas coisas rapidamente.
– Austin, eu estou indo, tudo bem? Se precisar de mim, pode ligar.
Ontem, Austin e eu fugimos da escola para comprar um celular para ele. Agora, se ele precisar falar comigo, é só me ligar.
– Claro, até.
Austin parecia meio decepcionado, quando eu saí do quarto, mas acho que é só o cansaço mesmo. Peguei meu carro e dirigi até em casa, preparando-me para receber um “não” bem grande da pergunta que eu faria ao meu pai.
(...)
– NÃO!
– Mas por quê? – perguntei, brava.
– Porque não.
– Mas pai, ela é minha mãe! Por que eu não posso ligar pra ela?
– Porque eu tenho a sua guarda e eu decido o que você faz ou não. Se ela quiser falar com você, ela te liga!
– Mas pai...
– Mas nada, Allycia. Você não vai ligar e pronto.
Que ódio!
– Eu te odeio! – gritei, exasperada – Eu preciso falar com a minha mãe, eu preciso de um conselho materno!
– Foda-se sua mãe e seu conselho materno! Você está de castigo! Não sairá de casa esse final de semana.
Não, era só o que me faltava. Que merda.
Corri para o meu quarto e desabei na cama.
Tudo bem, eu não posso sair de casa, né? Ok.
Disquei o número do Austin rapidamente.
LIGAÇÃO ON
– Alô?
– Oi, Aus.
– Ah, oi Allycia – ele parecia meio entediado.
– Quer vir aqui em casa?
– Hm, não sei.
– Por favor! Eu vou reformular minha pergunta: Você pode vir aqui em casa?
– Ainda não sei, Allycia. Eu não tenho como ir e eu gastei todo dinheiro que eu consegui com as aulas pro John nesse celular, não dá nem pra pegar um táxi.
– Eu peço ao meu motorista que vá te buscar, por favor. Eu preciso de você.
Ele soltou um pouco de ar. Parecia um suspiro.
– Tudo bem, eu vou. Mas pra que precisa de mim?
– Estou de castigo.
– Ah. Tá, eu vou esperar seu motorista na porta da escola, ok?
– Obrigada, Austin! Você é o melhor!
LIGAÇÃO OFF
Esperei uns quarenta minutos até Austin entrar em meu quarto. Ele estava sem camisa, apenas com uma bermuda azul.
– Tá a fim de ir à piscina? – perguntou
– Oi pra você também – ironizei — Nem posso. Estou de castigo, lembra?
– Eu já conversei com seu pai. Ele disse que se for comigo, ele deixa você ir. E disse que se quisermos sair mais tarde, podemos ir também.
Sorri internamente. Pulei nos braços de Austin, em um abraço.
– Obrigada, obrigada, obrigada! Você é meu anjo da guarda, meu salvador, meu Deus!
Austin riu.
– Eu sou um Deus grego, fala ai.
Separei-me do garoto, envergonhada, afinal, ele ainda estava sem camisa.
– Vou colocar um biquíni, vá indo.
– Coloque um biquíni vermelho – pediu.
– Ahn, por quê?
– Porque eu fiz um Facebook.
– Tá, o que você disse não faz nada de sentido com o que eu disse.
Rimos.
– Minha sunga é vermelha. Você coloca um biquíni vermelho. Tiramos uma selfie. Marcamos o Dallas e a Kira.
Arregalei os olhos perante a maldade do loiro. Rimos novamente.
– E, além disso, você ia ficar super gata em um biquíni vermelho.
– Seu tarado, sai do meu quarto.
Austin saiu do meu quarto, rindo. Abri meu guarda-roupa à procura de um biquíni descente.
Após trocar-me, caminhei até a piscina, onde Austin nadava tranquilamente, usando uma sunga vermelha, como me havia dito.
– Sabia que você colocaria um biquíni vermelho, caso eu pedisse – disse, convencido.
– Não pense que foi porque disse que eu ficaria super gata! Foi só por causa da maldade com o Dallas.
– Sei.
Soltei meu cabelo, que estava preso em um coque, e pulei na água.
– Sua obesa, tirou toda a água da piscina – brincou Austin.
Pulei em suas costas, prendendo meus pés em sua barriga e meus braços em seu pescoço.
– Sou obesa? – perguntei, sussurrando, ao pé de seu ouvido.
– Não, pelo contrário.
Sorri, enterrando minha cabeça em seu ombro.
– Ahram...
Levantei minha cabeça e encontrei meu pai observando-nos com um sorriso.
– Está se divertindo, Allycia?
Que idiota. Parecia até outro homem.
– Estou, papai.
– Que bom.
Ele desviou os olhos e pareceu focar em algum lugar como o meu pescoço. Oh, não, meu pescoço.
– Allycia, o que é isso?
Desci das costas de Austin, parando ao seu lado.
– Bem, pai, isso é, bem, você sabe, é, isso, é, aham.
Lester me olhou com uma sobrancelha arqueada e um sorriso malicioso. Que vergonha!
– A culpa é toda minha, senhor Dawson, eu lhe peço mil perdões.
– Fique tranquilo, Austin. Eu não estou bravo. Aliás, estou feliz. Já oficializaram o namoro? – perguntou, parecendo curioso.
Austin me encarou, arqueando uma sobrancelha, assim como meu pai.
– Não somos namorados, papai. Somos apenas amigos.
– Amigos? – ele riu ironicamente, encarando as marcas roxas em meu pescoço – Tudo bem. Sejam amigos, então.
Meu pai saiu da piscina, deixando-me sozinha com o loiro.
– Ér, desculpa pelo meu pai. Ele é assim mesmo.
– Está tudo bem, relaxa. Agora me conta... Por que brigaram?
– Bem, eu pedi a ele para que me deixasse ligar para minha mãe. Sabe, já é dia 23 e ela não me ligou. Estou preocupada.
– Hm, eu imagino. Bom, se quiser ligar do meu celular... – ofereceu, se achando por ter um celular.
– Você é um babaca, Austin Moon.
– E você é linda, Allycia Dawson.

Fale com o autor