American Movie
16 What we are?
Notas iniciais
03 de janeiro de 2016 — Autora
Allycia chorava, abraçada aos joelhos. Austin a encarava, sem chão.
– Vai dar tudo certo, pequena – ele a abraçou.
– Certo? Certo, Austin? Estamos falidos! Sem nada! Vamos morrer de fome! – gritou a menina, exasperada.
– Allycia, acalme-se. Não é para tanto! Ficará tudo bem, contanto que estejamos juntos.
A garota aninhou-se no colo do loiro e chorou em seu peito.
– Você nunca vai me deixar, não é?
– Nunca, Ally. Jamais.
A menina sorriu, em meio as lágrimas.
– Me desculpe...- pediu, murmurando, minutos depois.
– Pelo quê, princesa?
– Eu já cheguei a pensar que nunca mais voltaríamos – sussurrou.
– Quando isso? – perguntou Austin, surpreso.
– Quando eu fui embora. Lembra-se? Quando meu pai descobriu tudo sobre nós e eu fiquei alguns meses fora...
O menino assentiu. Como poderia esquecer-se?
– Sim, eu me lembro, claro. E depois você me enviou um telegrama dizendo que me amava, lembra?
– Sim, sim. Isso foi alguns dias depois, quando eu notei que estava sendo idiota. Afinal, não importa a distância... Sempre seremos um do outro.
Austin assentiu, beijando delicadamente os lábios de Ally.
– E lembra-se quando eu fui buscar você no aeroporto, alguns dias depois?
– Sim, sim, eu me lembro. Você correu em minha direção e me beijou – disse a menina, corando levemente.
– Sim, e você disse que me amava. Nosso primeiro “Eu Te Amo” pessoalmente.
Ambos sorriam. O choro da menina já havia cessado. Austin beijou a ponta de seus dedos, como sabia que Ally gostava.
– Eu te amo, meu amor – sussurrou ele.
– Eu também te amo, Aus.
(...)
Ficamos em silêncio, por alguns minutos, mas eu me pronunciei.
– E você, gosta dela?
– Da Ally? Não, claro que não, eu não!
– Não da Ally, Dez! Da Trish!
– Ah – ele desviou o olhar e encarou o corredor vazio que dava acesso as salas – Gosto, gosto sim.
– Estamos ferrados, amigo.
– É, estamos sim.
POV Ally – 25 de fevereiro de 2014
Deitei-me ao lado de Austin. Já era tarde.
Austin e eu – e bom, Trish e Dez – passamos o dia conversando e nos divertindo. Não fomos a nenhuma aula.
Trish decidiu – sim, ela decidiu – que amanhã iríamos a um parque aquático.
O inspetor bateu na porta.
– Entre! – gritei.
Meu velho amigo entrou, sorriu, piscou e fechou a porta, saindo.
– Como foi seu dia, pequena? – perguntou Austin, virando-se de frente para mim.
– Foi bom e o seu?
– Foi ótimo. Ver Trish e Dez é realmente gratificante.
Eu ri fraco.
– Gostou deles? – perguntou, parecendo incerto.
– Gostei. Eles são engraçados, Trish então... É um amor de pessoa! – sorri, contente.
– Fiquei com medo de vocês não se gostarem – ele riu – Sabe como é né, brigarem por minha atenção e tals...
– Há há, que engraçado, Austin Moon.
Caímos na risada. Como conseguíamos ser tão bobos?
Austin beijou minha testa e sussurrou:
– Boa noite, pequena.
Sorri, envolvendo seu corpo com meus braços e recostando minha cabeça em seu peito.
– Boa noite, Austin.
O loiro fechou os olhos, mas eu permaneci com os meus abertos. Encarei Austin com atenção.
Seus lábios eram finos e perfeitamente desenhados. Atrativos e convidativos. Seus olhos pareciam gotas de chocolate, perfeitos. Sua pele assemelhava-se a algodão.
Toquei sua bochecha, com carinho.
– O que houve, pequena? — perguntou, abrindo os olhos.
Suspirei.
Havia uma pergunta que eu desejava fazer, que estava me inquietando.
– Posso fazer-te uma pergunta? — pedi
– Claro! Sempre pode.
Respirei fundo. Sentei-me na cama, virada de frente para ele. Minhas pernas estavam cruzadas em "perna de índio" e minhas mãos estavam descansando nelas. Desviei o olhar e indaguei.
– O que somos?
Austin pegou em minhas mãos, fazendo-me olhar para ele. Ele sorriu, sem jeito, e se sentou também. Agora, estávamos sentados, um de frente para o outro.
– Como assim?
Senti minhas bochechas corarem.
– Não somos só amigos, somos? — ele fez uma careta — Mas tampouco somos amigos coloridos ou... — encarei a parede — namorados.
– Eu... Não sei o que somos — admitiu, envergonhado — Sabe que não sei muito sobre relacionamentos. Esperava que você soubesse o que somos — murmurou.
– Nós... estamos ficando? — perguntei. Agradeci pelas luzes estarem apagadas.
– Acho que estamos, mas — ele parou por um momento — Eu não quero ser seu "ficante" ou seja lá como você chama.
– Não quer? — murmurei.
– Não — respondeu, com convicção — Eu quero mais que isso, Allycia. Eu acho que tenho sentimentos por você...
Meu coração disparou. Fechei meus olhos, sentindo meu corpo entrar em erupção. Céus! Ele tem sentimentos por mim! Eu... Ah, meu Deus.
– Somos amigos coloridos? — perguntou, tímido.
– Não — respondi, pensativa — Amigos só se tornam coloridos após um pedido e... Bom, não se tem sentimentos em uma amizade colorida.
– Ah.
– Somos, hãn, namorados? — perguntei.
– Eu não sei — respondeu, sinceramente — Eu acho que não estou pronto pra isso. Quero dizer, sim, estou pronto, mas... Eu não tenho certeza se gosto de você mesmo e eu não quero te iludir. E além disso, tem seu pai e, bom...
Assenti.
– Acho que nenhum dos dois sabe o que somos, né? — perguntou.
Assenti novamente.
– Eu prometo que quando tiver certeza do que sinto, pedir-te-ei em namoro — sussurrou, beijando o canto de minha boca.
– E se eu te pedir em namoro antes? — indaguei, rindo, apesar da vergonha.
– Você? Mas você é a garota... Eu que tenho que te pedir!
Encarei-o, abismada.
– Isso é machismo! Nós, garotas, podemos fazer tudo que vocês fazem, com apenas uma diferença! — ele me encarou, com dúvida — Nós fazemos tudo isso em cima de um salto 15 — pisquei pra ele.
Austin sorriu, travesso.
– Tudo bem, Allycia, você pode me pedir em namoro se quiser — ele riu — Mas vamos deixar isso pra outra hora, tudo bem? — sussurrou.
– Sim, claro, eu... também não tenho certeza se gosto de você, então...
Austin sorriu e eu enrubesci.
– Vamos dar tempo ao tempo, pequena — sussurrou, beijando meus lábios delicadamente.
Meu corpo amoleceu. Deite-me ao seu lado e nos cobri, com o fino cobertor.
– Durma bem, minha princesa — beijou minha testa, e em seguida, meus lábios.
– Você também, meu príncipe.

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