American Movie
24 We are dating
Notas iniciais
– Isso foi...
Levantei-me e a abracei. Um abraço forte, necessitado, quase como se ela não conseguisse ficar em pé sem mim.
– Foi intenso – concluiu – Demais. Você me deixa tão cansada, Austin – murmurou, em meu pescoço.
Desliguei o chuveiro e nos enrolei na única toalha disponível. Torcemos nossas roupas íntimas e as deixamos no tanque, enquanto nos trocávamos.
Allycia me secou, em todos os lugares, e em seguida me vestiu, exceto pela cueca, que estava molhada. Também a sequei, às vezes com a toalha, às vezes com as mãos. Coloquei sua camisola de seda, quase transparente, e constatei que qualquer um que passasse no corredor naquele momento notaria que Ally estava nua por baixo da camisola.
Que excitante.
Voltamos para o quarto e nos deitamos, esquecendo apenas das nossas roupas íntimas dentro do tanque do banheiro masculino.
POV Ally — 05 de março de 2014
– TODOS OS ALUNOS DEVEM COMPARECER AO PÁTIO EM DEZ MINUTOS! – repetia aquela voz irritante no alto-falante, pela terceira vez.
Eu estava cansada e, com certeza, não iria levantar para ver o que o nosso querido diretor queria nos dizer.
– TODOS OS ALUNOS DEVEM COMPARECER AO PÁTIO EM OITO MINUTOS!
Argh.
– Alls? Alls...?
– Hm.
Entreabri meus olhos inchados. O corpo de Austin pendia sobre o meu e ele sorria de canto.
– Bom dia, pequena.
– Não quero levantar – murmurei, apertando os olhos.
– Vamos, minha preguiçosa... O diretor quer todo mundo no ginásio...
– TODOS OS ALUNOS DEVEM COMPARECER AO PÁTIO EM SEIS MINUTOS! – o aviso interrompeu a fala de Austin.
– Bom, o diretor quer todo mundo no pátio.
– Meu pai diz que eu não sou todo mundo – resmunguei.
– Meu Deus, você acordou preguiçosa hoje, hein?
Austin se levantou e procurou alguma roupa no armário. Puxou de lá uma calça jeans azul desbotada, uma cueca Box vermelha e uma camisa polo da mesma cor. Abriu a segunda porta e pegou um vestidinho vermelho, com um cinto branco na cintura. Jogou-o em cima de mim.
– Troque-se.
Bufei, sentando na cama, mas não me troquei. Fiquei apenas assistindo Austin retirar sua roupa, mordendo o lábio inferior. Ele riu, jogando a camisa que usava como pijama em mim.
– Deixa de ser tarada, Allycia. Troque-se.
– Quero que você me troque – pedi, inocentemente.
– Ai, meu Deus, Allycia.
Ri, colocando os braços acima da cabeça. Austin, já trocado, sentou na cama e retirou minha camisola, deixando-me nua.
Beijou meu pescoço três vezes. Três beijos molhados.
Em seguida, colocou o vestido em meu corpo, fechando o zíper atrás.
– Vamos logo.
Calcei minhas sapatilhas e escovei o cabelo rapidamente. Puxei as duas primeiras mechas do meu cabelo para trás, prendendo-as com um laço vermelho de pano.
Saímos do quarto, apressados. Chegamos ao pátio no mesmo momento em que o diretor anunciou:
– Dois alunos estão bem ferrados.
Todos ali estavam em pé, assistindo o anúncio do diretor à frente. Este estava sobre o grande e alto tablado de madeira, que mais parecia um pequeno palco.
Austin se recostou na videira e puxou-me, colando minhas costas em seu peito. Seus braços me rodearam, forte e possessivamente. Encostei minha cabeça em seu peito, quase em seu ombro.
– Ontem à noite, após a inspeção, uma garota entrou no banheiro masculino.
Arregalei os olhos e apertei as mãos de Austin, nervosa.
– Como eu sei? Bom, simples. O casalzinho esqueceu suas roupas íntimas no tanque... – sua voz era carregada de ironia.
Droga.
Fechei os olhos com força, não acreditando na estupidez.
– Merda – ouvi Austin murmurar.
– Os alunos têm duas opções! A primeira é se entregar agora, nos próximos cinco minutos em que ficaremos aqui. Caso isso ocorra, ambos receberão uma suspensão e uma visitinha dos pais. A segunda opção é esperar que eu assista às imagens das câmeras de segurança do corredor e expulse os alunos responsáveis.
– Que triste, não, Ally?
Dallas. Argh.
– O que quer, Dallas? – perguntei, cansada.
– Nada. E ai, qual vai escolher? A primeira opção? Vai se humilhar aqui, na frente de todos? Ou prefere ser expulsa?
– Não serei expulsa – revirei os olhos, soltando-me de Austin – Meu pai dá um jeito nisso.
– E quanto ao Moon?
Soltei-me do loiro, encarando seus olhos. Ele olhava para baixo, deprimido.
– Vem, vamos nos entregar – sussurrei, beijando sua bochecha.
– Não precisa fazer isso, Alls.
– Ah, Austin, por favor, né? Não começa...
– E então? – perguntou o diretor – Os responsáveis vão se entregar?
Levantei a mão, sentindo todos os olhares caírem sobre mim.
– Alguma pergunta, Dawson? – questionou o diretor.
– Estou me entregando.
Um coro de “oh” soou no ambiente, quando Austin também levantou a mão. Sr. Franklin, o diretor, sorriu, chamando-nos até ele.
– O que fazia no banheiro masculino? – questionou.
– Eu... – minha voz falhou.
– Ela estava tomando um banho – Austin respondeu por mim.
– Um banho? E por que ela não foi ao banheiro feminino?
Todos riram e eu senti meus olhos lacrimejarem.
– Ela estava com frio, tremendo. Ela... – Austin pareceu procurar Kira, que meneava a cabeça, fingindo cortar o pescoço com os dedos. Austin engoliu em seco – Ela caiu na piscina, que, por algum motivo, estava muito gelada.
– E vocês tomaram banho juntos?
– Eu dei banho nela. Ela não conseguia se mexer direito. Tomamos um banho, com as roupas íntimas e depois, ao sairmos, as retiramos, para colocar uma roupa seca. Acabamos por esquecê-las no tanque.
Sr. Franklin assentiu, encarando-nos desconfiados.
– Para a minha sala, por favor. Chamarei os pais de vocês. Estão dispensados.
Todos os alunos seguiram para suas aulas, deixando apenas Austin e eu no pátio.
– Shh, tá tudo bem agora.
– Não, não tá — discordei, com a voz embargada – Todos ficaram caçoando você, chamando-o de frouxo por não ter feito nada comigo... Você não ouviu?
– Claro que ouvi, Alls – ciciou, secando as lágrimas que desciam em minhas bochechas – Mas eu não me importo.
Funguei, secando os olhos.
POV Austin
Estávamos sentados na sala do diretor, aguardando-o. Ele resolvia alguns papéis ou algo do tipo na secretária, e disse que voltava em alguns minutos.
Penny entrou na sala e Allycia a abraçou.
– O que faz aqui, mamãe? Não ia visitar a tia Jackie? – perguntou Allycia.
– Eu ia. Acontece que eu estava saindo de casa, quando o telefone tocou. Eu atendi e recebi o recado da direção de que Austin Moon e Allycia Dawson estavam metidos em problemas, então achei melhor não dizer nada ao seu pai.
– Por que não? – indagou Alls, confusa.
– Austin Moon – murmurei.
Allycia levou as mãos à boca e suspirou aliviada.
– Meu Deus, que bom que não foi papai quem atendeu ao telefone, não é?
– Vocês tiveram sorte.
Sr. Franklin entrou na sala, sorrindo. Sentou em sua cadeira e começou o interrogatório:
– Vocês tiveram alguma relação sexual naquele banheiro?
– Não, não tivemos – menti – Eu já lhe disse: Apenas ajudei Allycia a tomar um banho. Ela estava tão gelada...
Penny nos encarou com o canto dos olhos. Ela sabia que eu estava mentindo. De repente, senti muita vergonha.
– Certo. Temos apenas um problema aqui. Penny assinará a suspensão de Allycia, mas Austin não tem um responsável legal que assine por ele. Nesse caso, tudo leva a expulsão.
– Eu assinarei por Austin – Penny interrompeu – Ele passa os finais de semana em casa com Ally, são muito amigos. Não vejo por que não.
– Tudo bem – Sr. Franklin concordou – Você terá de assinar um termo de comprometimento. Sempre que Austin precisar de um responsável legal, você será chamada, tudo bem?
– Claro, claro – concordou Penny, assinando um papel.
Ally suspirou e sorriu para Penny. Segurou minha mão, apertando com força.
– Ally, só me responde uma coisa. – pediu o diretor – A água da piscina é aquecida. Como ela estava fria, a ponto de “te deixar gelada”?
– Alguém alterou a temperatura da água para 6° — respondeu ela.
– Hm, certo. Vou olhar as câmeras e punir o responsável, tudo bem?
– Kira Star – murmurou.
– Kira? Oh, claro, isso faz sentido! – Sr. Franklin meneou a cabeça em negação – Essa menina não tem mais jeito...
POV Ally
Mamãe, Austin e eu estávamos sentados no sofá de casa, encarando um ao outro.
A suspensão seria de apenas dois dias, visto que “não havíamos feito nada”.
Quando papai chegou, as coisas ficaram bem estranhas. Estava na hora de contar a eles que estávamos namorando e, assim, mamãe saberia que havíamos mentido.
Meus pais se sentaram no sofá, enquanto Austin se colocava ao meu lado, segurando minhas mãos.
– Estamos namorando – contei, de uma vez.
– Já sabíamos, – respondeu mamãe – era óbvio.
Austin beijou minha testa, abraçando-me por trás.
– Sr. Lester, eu gostaria de conversar com você. O senhor me permite?
– Claro, claro – concordou, levantando-se.
– Aliás, acho que Allycia tem muito que contar para sua mãe, certo, Alls? – perguntei, observando seu rosto corar.
– Certo – murmurou, enterrando o rosto em meu pescoço, quando seus pais fizeram caras maliciosas – Você me paga, Moon.
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