American Movie
25 Tell me!
Notas iniciais
POV Autora – 20 de dezembro de 2015
Lester entrou no banco, retirou uma senha e aguardou ser chamado. Não entendia o motivo de sua conta bancária estar zerada, já que era um dos mais famosos empresários dos Estados Unidos.
Quando o número que correspondia a sua vez apareceu no telão, Lester se levantou e, sem nem ao menos cumprimentar a gerente, disse:
– Quero saber pra onde minha fortuna foi.
A gerente abriu os lábios, pronta para pedir que o homem fosse mais educado, mas calou-se e pediu que ele se sentasse.
– O senhor poderia me fornecer o seu cartão e carteira de identidade, por favor? – pediu a ruiva, com um sorriso agradável no rosto – Vou consultar seu saldo e extrações.
Lester, de muito mau gosto, entregou os documentos à mulher.
– Senhor Dawson, o seu saldo foi debitado para pagar o aluguel e despesas de suas franquias.
– Eu sou podre de rico – resmungou o homem – Deve ter algum engano.
– Não, senhor. A sua filial faliu.
Lester levantou-se da cadeira em um sobressalto. Levou as mãos à cabeça, nervoso. “É um erro, com certeza” pensou, massageando as têmporas.
– Como eu não fui avisado disso? – indagou, sentando-se novamente – O que eu posso fazer para recuperar o dinheiro?
– Desculpe-me intrometer em seus assuntos profissionais, mas alguém retirou todo dinheiro do cofre de sua empresa e esvaziou a conta corrente. O debito foi feito em dinheiro, há quatro dias.
“Não é possível” pensou ele. Sabia que os únicos que tinham acesso ao cofre era Joseph, além dele. Onde estaria o homem agora? E o que ele poderia fazer? Se Joseph era seu sócio, o dinheiro também era dele.
Estava perdido.
Tentou telefonar a Penny, mas esta recusou todas as suas ligações. Estava em Cancun, com seu novo namorado.
Ally não o atenderia. Certamente estava com Austin, recuperando o tempo perdido.
– O que eu posso fazer? – implorou à gerente, a ponto de chorar.
– O senhor pode realizar um boletim de ocorrência. Se o senhor me dá licença, vou chamar o próximo.
Lester sentiu uma forte dor de cabeça. Seria esse o preço pelo que fizera com Austin e Ally? Se fosse, Deus era justo. Importara-se mais com o dinheiro do que com o amor da vida. Agora, a vida lhe tirara ambos.
Meus pais se sentaram no sofá, enquanto Austin se colocava ao meu lado, segurando minhas mãos.
– Estamos namorando – contei, de uma vez.
– Já sabíamos, – respondeu mamãe – era óbvio.
Austin beijou minha testa, abraçando-me por trás.
– Sr. Lester, eu gostaria de conversar com você. O senhor me permite?
– Claro, claro – concordou, levantando-se.
– Aliás, acho que Allycia tem muito que contar para sua mãe, certo, Alls? – perguntei, observando seu rosto corar.
– Certo – murmurou, enterrando o rosto em meu pescoço, quando seus pais fizeram caras maliciosas – Você me paga, Moon.
POV Ally — 05 de março de 2014
Mamãe encarava-me curiosa. Possuía um sorriso malicioso no rosto, esperando respostas.
– Meu Deus, – cobri o rosto com as mãos – o que é?
Estava corando. Sentia minhas bochechas esquentarem.
– Como foi? – perguntou, sentando na cama ao meu lado.
– Depende. Como foi o quê? – fiz-me de desentendida.
– Você. Austin. Sexo.
Tá, agora eu corara de vez.
– Bom – respondi apenas.
– Bom? – perguntou.
– É, mãe, bom.
– Hm, — seu semblante ficou decepcionado – não acredito que você não vai me contar como foi.
Revirei os olhos, rendendo-me. Tirei as mãos no rosto e encarei a mulher, que fazia falsamente cara de deprimida.
– O que quer saber? – perguntei.
– Você vai me contar? – questionou, animando-se.
– Não vou contar nada. Você pergunta e eu respondo.
– Certo! – comemorou, segurando minhas mãos – Como foi?
– Ai, meu Deus, mãe! Eu já disse que foi bom.
– Tá, – reclamou – vocês usaram camisinha?
Minha bochecha ardeu.
– N-não, – gaguejei – mas eu tomei anticoncepcional a viagem toda – justifiquei-me.
Mamãe assentiu, mas não deixou de reforçar:
– Sempre use, Ally. Não importa se você toma pílula ou não.
Assenti, encarando o cobertor cor-de-rosa.
– Você foi ativa ou passiva? – perguntou, voltando a se animar.
– Ai, mãe, por favor, né... – resmunguei.
– Me conta! – pediu, gargalhando.
– Passiva – murmurei.
– Uau. Eu jurava que você comandaria, já que era a primeira vez de Austin.
– Tivemos outras oportunidades – brinquei, e logo percebi que ela começaria a perguntar sobre isso também.
– Quero saber de t-u-d-o-! – exigiu.
Cedi, contando a ela todas as nossas vezes, com todos – ou quase todos – os detalhes.
– Não acredito! Ele tem dedos habilidosos? – perguntou curiosa.
– Dedos e boca – respondi, já sem vergonha.
Penny sorriu pervertida.
– Seu pai também. Havia me esquecido de como ele era bom de cama.
Calma, o quê?
– Mãe, você e o papai transaram? – indaguei, um pouco alto demais, com nojo.
– Como você acha que você nasceu? – ironizou.
– Você entendeu o que eu quis dizer...
– Sim, nós transamos. Seu pai mudou, minha filha – mamãe suspirou apaixonada – Nós voltamos a namorar.
Abri a boca para dizer algo, mas nada saiu. Permaneci encarando minha mãe, incrédula. Isso era bem estranho. Quer dizer, ambos haviam se separado quando eu tinha seis anos e agora, depois de dez, estavam voltando? Uau. Será que sentimentos permanecem assim por tanto tempo?
– Eu o amo – mamãe admitiu.
Revirei os olhos, fazendo uma careta.
– Ei, o que foi? – perguntou.
– Essa coisa toda de amor não existe – grunhi, revoltada – Todos dizem “Ah, eu te amo, blá blá blá”. Nunca é verdadeiro. A pessoa sempre vai embora e te deixa cheia de expectativas.
– Você sofreu por amor, querida? – perguntou mamãe, preocupada – Você amava Dallas?
– Não, mãe, claro que não. O amor não existe, você não ouviu? Não o amava, porque esse sentimento não existe. Eu tinha uma queda por Dallas.
– Tava mais pra abismo – sussurrou.
– Não importa – tratei de acabar logo com a conversa – O amor é algo que só acontece em filmes e estórias. Não é real.
– O que Austin pensa disso? – minha mãe perguntou.
– Ele tem a mesma opinião. Não acredita no amor, acha que tudo não se passa de historinha que mães contam para crianças sobre príncipes e princesas.
– Nossa – respondeu Pen, seca – Isso acaba com o dia de qualquer um, credo! Um dia você vai se apaixonar desesperadamente e perceber que o amor existe sim.
– Que esse dia chegue, — ironizei – amém.
Mamãe revirou os olhos.
POV Austin
Lester e eu nos sentamos em sua sala. Ele parecia já ter uma ideia sobre o que eu falaria, o que deixaria a conversa bem mais fácil e rápida.
– O que quer, Austin? – foi direto ao ponto, curioso.
– Eu queria pedir ao senhor o quarto 06.
Lester sorriu. Abriu a segunda gaveta de sua escrivaninha e retirou um molho de chaves. Entregou-me, com um sorriso pervertido.
– Faça minha filha feliz, tudo bem, Austin?
Sorri.
– Eu farei, senhor. Obrigado.
– Por nada.
Levantei-me da cadeira e caminhei em direção à porta.
– Austin, espere um minuto – interrompeu Lester – O que acha de chamar seus pais para um jantar amanhã à noite? – sugeriu.
Meu coração bateu forte. Ally e Penny apareceram no mesmo momento, na porta.
– O jantar está a servir. Vamos? – Penny chamou.
(...)
– Sabe, eu estava pensando em chamarmos os pais de Austin para um jantar amanhã à noite.
Ally largou os talheres na mesa e abriu a boca. Penny também parou de comer.
– O que foi? – perguntou Lester – Disse algo de errado?
– Não, não – Penny desconversou – É só que os pais de Austin... Ahn...
– Eles estão na Noruega – Ally terminou a frase.
– Isso! – concluí – Eles estão na Noruega, comemorando a terceira lua de mel.
Lester sorriu, assentindo.
– Bom, deixemos para a próxima.
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