American Movie
7 Thanks, daddy.
Notas iniciais
– Ér, você está me chamando para um encontro? — perguntou, sorrindo de canto.
– O quê?! Não, eu, não... Eu... — cobri o rosto com as mãos, envergonhada.
– Hey, é brincadeira! Sim, pode ser. Será legal.
– Sério? — perguntei animada.
– Sim, sim.
Sorri, entusiasmada. Amanhã será um dia e tanto!
16 de Fevereiro de 2014, 6h40min
POV Ally
O barulho irritante do despertador acordou-me de meus sonhos. Joguei-o longe, antes de tentar abrir meus olhos.
Eu estava, novamente, agarrada ao Austin. Dessa vez, uma de suas mãos estava na minha cintura, e a outra, na minha bunda. Meus braços estavam envolta de seu pescoço e minha perna esquerda puxando sua cintura.
Separamo-nos envergonhados.
– Acho que nunca vou me acostumar com isso — disse Austin, rindo fraco — Urgh, você quebrou meu despertador — disse olhando para as peças jogadas no chão.
– Desculpe-me — pedi, sentindo minhas bochechas queimarem.
Austin apenas deu um sorriso forçado. Lembrei-me de que iríamos sair hoje.
– Coloque uma roupa confortável para sairmos hoje, ok? Nada muito formal.
– Tudo bem, eu não tenho mesmo — disse Austin, rindo — Coloco algo em especial?
– Coloque... Ahn, uma sunga — disse sorrindo.
– Ahn, sunga? Bem... Eu não tenho — disse, envergonhado.
– Ahn, tudo bem, então... Eu te compro uma quando chegarmos ao clube.
– Não precisa me comprar nada... Eu tenho dinheiro — disse como se não precisasse de nada vindo de mim — E... Clube? — perguntou, surpreso.
– Sim, sim. Será divertido. Eu prometo.
Ele sorriu e eu apenas pisquei. Peguei uma roupa e sai do quarto, indo em direção ao banheiro. Felizmente, o lugar estava vazio. Escolhi um trocador e troquei-me rapidamente.
Voltei ao quarto e encontrei Austin já trocado.
– Wow — disse apenas, ao me ver.
Abaixei a cabeça, corada.
– Vamos? — perguntei, pegando minha bolsa.
– Vamos — respondeu, com um pouco de nervosismo.
Saímos do quarto e caminhamos por entre os corredores movimentados do Marino.
– Nossa, você vai mesmo levar esse tipo de gente pra sua casa?! — perguntou Dallas, passando ao nosso lado.
Revirei os olhos e mostrei o dedo do meio.
– Quanta falta de classe — disse Kira, com sua voz enjoada.
Austin caminhava de cabeça baixa. A meu ver, as ofensas dos populares o afetavam. Respirei fundo e segurei sua mão.
– O que está fazendo? — sussurrou.
– Nada... — respondi inocentemente.
Entrelacei nossos dedos e o loiro me olhou, com um sorriso malicioso, entendendo.. Depois, beijou minha cabeça e passou o braço pelo meu ombro.
Ri fraco quanto vi Dallas soltar Kira e caminhar em passos rápidos para a saída da escola. Mesmo depois de sairmos da escola, Austin não me soltou. Entrei no meu carro e coloquei minha bolsa no banco de trás.
– Esse carro é seu? — perguntou Austin, boquiaberto, sentando no banco do passageiro.
– É sim, por quê? — perguntei
– Eu não tenho dinheiro nem pra comprar um fusca...
Sorri vitoriosa e dei partida. Antes de ir ao clube, paramos em uma loja de roupas de banho para comprar uma sunga para o loiro.
Chegamos no clube em alguns minutos.
– Nome? — pediu um cara na recepção. Seu nome, pelo que estava escrito no crachá, era Carlos.
– Allycia Marie Dawson — respondi, entregando a ele meu crachá de identificação.
– E você? — perguntou ao Austin.
– Ele ainda não tem cadastro — respondi por ele.
Carlos assentiu e entregou uma ficha para preenchermos.
– Aqui pede meu endereço... Vou colocar o da Marino — disse, rindo irônico.
Sorri fraco e esperei que o loiro terminasse de preencher a ficha. Entregamos ao Carlos e entramos no clube.
– Quer que eu os avise quando a piscina abrir? — perguntou Carlos, simpático.
– Gostaríamos, sim. Obrigada — agradeci.
– Bom, a piscina está fechada, então... Vamos jogar algo? — sugeri
– Eu sei jogar basquete e golfe — respondeu indiferente
– Sou baixinha demais para o basquete, e não sei jogar golfe.
– Eu te ensino — disse sorrindo.
Pegamos duas mochilas com os tacos e bolinhas e caminhamos até o campo.
– Golfe é fácil — começou o loiro — Incline um pouco o corpo e segure o taco com as suas mãos. Puxe o taco um pouco para o lado direito e... Bata com a força necessária.
Olhei para ele, sem entender nada. Austin apenas riu.
– Eu te mostro.
Austin se aproximou e me virou, de costas para ele.
– Segure o taco com as duas mãos — o comando, sussurrado em meu ouvido, me fez estremecer. Apenas o obedeci.
Austin colou seu corpo no meu. Eu podia sentir cada gominho de seu peitoral em minhas costas. Meu coração acelerou e minhas pernas fraquejaram.
Austin levantou um pouco meu braço e bateu na bolinha, acertando-a no buraco.
– Viu? É fácil — disse sorrindo, virando-me de frente para ele.
A distância era perigosa. Estávamos apenas a alguns centímetros de distância. Austin pareceu finalmente perceber que estávamos próximos demais. O loiro pareceu não ter consciência de seus atos, assim como eu, pois ao em vez de se afastar, começou a se aproximar mais. Nossos narizes roçaram.
Alô, consciência?! Alô, sanidade?! Tem alguém ai?!
Flexionei meu dedos, ficando na ponta do pé. Nossos lábios agora a alguns milímetros.
– A piscina está aberta! — gritou Carlos, assustando-me.
Nos separamos atordoados. Olhei para o garoto, corada.
– Desculpe-me — pediu.
– Não... Ér, está tudo bem... Esquece isso... Vamos? — perguntei, tentando parecer indiferente ao nosso quase-beijo.
– Vamos.
POV Austin
Alguém repassa pra mim: Eu quase beijei a metidinha? Tá, ela não é tão metida quanto eu pensava, mas porque diabos eu quase a beijei?! E eu ainda queria isso! Estou pirando.
Chegamos à piscina. Allycia começou a se despir, ficando apenas com um biquíni vermelho, que a deixava ainda mais sexy.
A piscina era enorme. Pude contar, pelo menos, 6 toboáguas gigantes. Além disso, em uma parte, havia um toldo enorme, para caso chovesse. Ao lado desta piscina, havia outra com raias, trampolins e bases, provavelmente, para os nadadores.
Envergonhado, tirei minha blusa branca e a coloquei sobre a cadeira. Tentei evitar olhar para a deusa grega que havia em minha frente, para que meu amiguinho não ficasse animado. Afinal, eu usaria apenas uma sunga. Retirei meu shorts, jogando-o ao lado da cadeira.
Entrei na água. Estava realmente gelada.
– Não vai entrar? — perguntei à Allycia.
– Sim, vou... É que está fria — respondeu, colocando apenas os pés dentro da água.
– Vamos lá, Allycia. Ou eu vou ter que te puxar? — ameacei, mas ela apenas riu.
Nadei até a borda pra piscina e em um ato rápido, a puxei para dentro. Allycia afundou, e logo voltou a superfície. Ela parecia enojada.
– Idiota — me xingou
– Bravinha — retruquei, colando-a na borda da piscina.
– Tonto.
– Metida.
– Eu não sou metida! — disse, parecendo ofendida — Você que é irritante — mostrou a língua.
– Quem mostra língua, pede beijo — disse, fazendo-a me olhar incrédula.
– Eu não quero te beijar! — disse, corando.
– Não foi o que pareceu, lá no campo de golfe.
Allycia arregalou os olhos. Ela parecia extremamente constrangida.
– Hey, é brincadeira! — eu disse, sorrindo.
Ela colocou os braços em volta do meu pescoço, e me abraçou, enterrando a cabeça na curva do meu pescoço. Eu não sabia o motivo dela estar me abraçando. Provavelmente, para esconder a vergonha... Coitadinha, eu peguei pesado.
Afinal, eu também queria a beijar.
Ela se desvencilhou do abraço e sorriu, tímida.
– Vamos nadar? — perguntei
– Não, a água está gelada. Eu vou sair... Tomar um pouco de sol — disse sorrindo e saiu da água.
Allycia se secou na toalha e deitou no chão, de barriga para baixo.
– Austin? — chamou.
– Sim?
– Você pode passar protetor em mim? — pediu
– Claro.
Sai da água e peguei o fraco de protetor em sua bolsa. Sentei-me ao lado da garota, coloquei um pouco do líquido em minhas mãos e comecei a espalhá-lo por suas costas.
– Solte o nó do meu biquíni, por favor — pediu e eu estremeci.
Soltei delicadamente o nó de seu biquíni e continuei a passar o protetor.
– Pode passar em minhas pernas também? — perguntou — Se eu não estiver abusando, claro — riu fraco.
"Está abusando, sim. Está abusando da minha inocência." Pensei
Sentei-me um pouco mais para baixo e passei o protetor por suas pernas macias. Eu estava em um sonho, porque isso não podia ser real.
– Prontinho — disse, guardando o protetor.
– Obrigada — agradeceu.
Allycia se levantou , segurando a parte da frente do biquíni.
– Você pode amarrar para mim, por favor? — pediu.
Puxei as cordinhas da peça e dei um laço. Não pude deixar de reparar em uma mancha roxa em seu pescoço. Toquei-a delicadamente e ela sorriu, sem humor.
– Dallas.
– Ah — eu disse apenas. Não acredito nisso. Eles já...?! Argh.
Vi os olhos de Allycia marejarem. Sem pensar em mais nada, beijei seu pescoço, sobre a mancha. E a garota, pela segunda vez em menos de cinco minutos, me abraçou. Dessa vez, eu sabia o motivo.
POV Ally — 21h37min
Austin e eu passamos o dia todo no clube, jogando, nadando e cavalgando (N/A Sem pensar besteira, hein...). À noite, resolvemos ir a uma baladinha que tem aqui perto. Eu usava um vestido colado e Austin uma camisa da mesma cor.
O lugar possuía várias luzes coloridas. Na pista, as pessoas estavam ou bebendo, ou se comendo. Olhei para o Austin, que me olhava com um sorriso malicioso.
– Vamos beber? — perguntou
– Com certeza.
Andamos até o bar e pedimos nossas bebidas. Tomamos a dose toda em dois goles e fomos para a pista dançar.
Austin segurou minha cintura, enquanto minha mão repousava em seu peito. Dançávamos animadamente a música Tik Tok da Ke$ha.
Austin parecia não ter a mesma resistência a bebidas que eu. Em alguns minutos, o loiro já estava cambaleando e rindo sem motivos. Era uma cena engraçada.
– Eu quero muito te beijar agora — admitiu, enquanto apertava minha cintura.
– Quem sabe quando você não estiver bêbado, não é mesmo? — respondi rindo.
– Você queria me beijar hoje. Eu sei que queria.
– Não, Austin. Eu não queria — respondi, olhando em seus olhos.
– Não queria? — perguntou e começou a chorar.
– Calma, não fica assim. Respira... Respira...
– Você vai me beijar ou não? — perguntou irritado.
– Vou, mas não aqui. Nem agora.
– Tá me devendo, hein.
Ri, sabendo que ele não se lembraria disso amanhã.
(…)
Depois de algumas horas dançando, Austin, que já havia recuperado a sanidade, e eu resolvemos voltar para casa. Paramos em frente a minha "humilde" residência.
– Uou. Sua casa é maior que o Marino.
– Não exagera. Ela só é grande...
Ele riu, irônico. Entramos em casa, em silêncio. Me surpreendi ao ver meu pai sentado no sofá.
– Quem é esse, Allycia? — perguntou autoritário.
Eu gelei. O que ele estava fazendo aqui? O que eu diria a ele?
– Papai, esse aqui é o Austin. Austin, esse é Lester, meu pai.
Austin apertou a mão do meu pai.
– Sobrenome? — perguntou meu pai.
– Turner — respondi rapidamente — Austin é o primo de Cassidy. Não está vendo a semelhança? — perguntei sorrindo, descaradamente.
– Muito prazer, Austin — disse meu pai, sorrindo satisfeito. Austin me olhou como quem perguntasse "Que merda é essa?!" — Onde está seu namorado, Allycia?
– Eu terminei com Dallas, papai.
– O quê?! Por quê?! — perguntou, aumentando o tom.
– Ele não está recebendo muita atenção na escola, sabe... Ele estava atrapalhando minha popularidade, ofuscando meu brilho — respondi, sorrindo. "Ofuscando meu brilho"? Uou, minha imaginação foi fundo agora...
– Ah, claro. Entendo. Você está certa, minha filha.
– Austin dormirá aqui, tá bom, papai? — perguntei sorrindo, inocentemente.
– Claro, minha filha. Mostre a ele o quarto de hóspedes.
Assenti e subi as escadas, mas parei quando me lembrei de uma coisa:
– Pai, o que faz aqui? Você não deveria estar viajando?
– Sim, sim. Eu adiei a viagem. Irei amanhã. Pedirei à Mayra que prepare algo para vocês comerem. Se precisar de algo, o meu cartão de crédito está na gaveta do quarto 13.
– Obrigada, papai! — agradeci, animada.
Austin e eu subimos para o meu quarto. Deitei-me em minha cama, e suspirei aliviada.
– Tá, o que foi isso? Austin Turner? Sério? — perguntou irritado.
– Desculpe-me. Acho que você não conhece meu pai... Ele só me deixa andar com pessoas ricas... Ele te expulsaria ao gritos daqui se ele soubesse sua verdadeira condição — eu expliquei, olhando para o chão.
– Eu vou ter que mentir a ele? — perguntou nervoso
– Por favor, Austin. Eu estou começando a gostar da ideia de ter um amigo verdadeiro, que não está comigo apenas pelo meu dinheiro. Deixe-me tentar... Por favor — pedi, sentindo meus olhos lacrimejarem.
– Tudo bem, tudo bem. Faça o que achar melhor. Afinal, eu também estou feliz em ser seu amigo– disse sorrindo, convencido.
Bobo. Esse loiro não tem jeito mesmo!

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