American Movie
8 Can I kiss you now?
Notas iniciais
Leiam as notas iniciais ♥
– Por favor, Austin. Eu estou começando a gostar da ideia de ter um amigo verdadeiro, que não está comigo apenas pelo meu dinheiro. Deixe-me tentar... Por favor — pedi, sentindo meus olhos lacrimejarem.
– Tudo bem, tudo bem. Faça o que achar melhor. Afinal, eu também estou feliz em ser seu amigo– disse sorrindo, convencido.
Bobo. Esse loiro não tem jeito mesmo!
POV Ally
Alguns minutos em silêncio se passaram. Austin permaneceu em pé, admirando o quarto.
– Seu quarto é muito bonito.
– Obrigada — agradeci.
Eu realmente gostava do meu quarto. Eu mesma o decorara, há alguns anos.
– Você que o decorou? — perguntou, encantado, e eu apenas assenti — Legal. Não achei que gostasse do contraste entre azul e rosa.
– Você sabe algo sobre mim? — perguntei, um pouco irônica.
– Na verdade, quase nada. Deveríamos tentar nos conhecer melhor.
– O que propõe? Um jogo?
– Eu acho uma boa — respondeu, sentando-se na cama.
– Ok... Mas eu não faço ideia do que perguntar. Ninguém nunca quis saber nada sobre mim além da minha conta bancária... — rimos.
– Bom, eu também não faço ideia. Vamos começar com coisas simples, tipo, cor favorita?
– Rosa — respondi de imediato.
– Azul, eu acho — respondeu sorrindo.
– Tá, ahn... Comida favorita?
– Panqueca! — respondeu, quase gritando — E a sua? — disse um pouco mais baixo, envergonhado pelo tom que usara.
– Picles! — sorri animada.
– Eca, isso é nojento.
– Como assim?! Picles são uma delícia!
– São verdes! — disse, incrédulo — Têm cor de mato!
– Panquecas são cor-de-pele! Têm cor de gente! — contrariei
– Argh, você me dá nojo...
Revirei os olhos.
– Sua vez, loiro.
– Tá, ahn, deixe-me pensar... Lugar favorito?
– A Biblioteca Charlies da rua Constant Beach.
– O parque Malcolm da rua Constant Beach — gritou animado.
– Esporte favorito?
– Basquete e o seu? — perguntou
– Eu gosto de vôlei.
O jogo estava sendo bem divertido. As perguntas eram simples, nada que eu não pudesse responder. Estava indo tudo perfeitamente bem.
E eu estava até estranhando isso.
Austin perguntou:
– Primeira amiga ou primeiro amigo?
– Eu nunca tive um verdadeiro, mas a Cassidy, eu acho.
– Dez, que eu me lembre.
Percebi que depois dessa pergunta, o jogo tomaria um rumo diferente. Arrisquei-me em perguntar:
– Primeira namorada?
– Eu... Bom, eu nunca tive uma — respondeu, olhando para o chão.
– Dallas — sussurrei.
Austin olhou para mim, respirou fundo, tomando coragem, e perguntou:
– Primeiro beijo?
– Dallas e você?
– Bethany.
– Quem é Bethany? — perguntei
– Bom, minha... prima.
Ele pareceu envergonhado pela minha descoberta. Senti um pouco de dó do loiro. Aproveitei o clima tenso para fazer a pergunta que ambos sabíamos que seria a próxima.
– Primeira vez?
– Ér, não.
– Dallas — respondi novamente.
Austin balançou a cabeça negativamente, descontraído.
– Você tem algum medo? — perguntou, parecendo curioso.
– Cantar em público, sem dúvidas — respondi rápido.
– Perder meus amigos.
– Agora para finalizar... Um segredo?
– Eu não tenho muitos segredos, mas acho que posso te contar uma coisa — assenti — Naquele dia, no pátio, eu estava chorando, pois lembrei-me de meus pais. Eu sinto falta deles. Eu os perdi quando tinha apenas oito meses, nem consigo me lembrar de seus rostos. Eu fui morar com meus avós, mas no dia em que completaria quatro anos, eles faleceram em um acidente de carro. Sem família, fui enviado a um orfanato em Los Angeles — Austin respirou fundo e continuou — Com 10 anos, decidiram que eu deveria começar meus estudos, então fui enviado para um colégio interno, lá mesmo. Vieram umas confusões com os populares da outra escola e, enfim, acabei sendo transferido para o Marino — Ele suspirou — Só estou cansado de tudo. No dia em que te encontrei, estava indo ver se a foto que eu tinha jogado fora dos meus pais ainda estava no lixo, mas meus planos mudaram e... Bom, eu nunca mais verei aquela foto novamente.
Uma lágrima solitária escorreu por sua face. Senti uma enorme pontada no coração. Culpa, talvez.
A foto... Então o pequeno garoto da foto é Austin Moon? Interessante.
– Eu sinto muito — disse verdadeiramente, sentindo uma enorme culpa em meu peito.
– Não tem problema. Eu.. Eu estou bem — tentou sorrir. Meio que conseguiu.
– Certo, vou lhe contar meu segredo agora. Você é único que sabe disso! Se meu pai descobrir que te contei, me mata, então... — coloquei o dedo em minha boca, indicando silêncio. Austin assentiu — Você já reparou que eu nunca faço a aula toda de música? — Austin fez uma careta e eu ri — Pois, eu nunca faço. Eu saio na metade, ou seja, faço apenas a parte teórica. Como eu já te contei, tenho pânico de palco. Meu pai paga a professora para que eu faça as aulas práticas separadamente e ela arquiva minhas notas como se eu realizasse as aulas junto com todos.
Austin parecia surpreso.
– Isso não é proibido? Digo, pelo contrato da Cinthia?
– Por isso que é um segredo, bobão.
– Ah... — ele coçou a nuca — Allycia, eu preciso te dizer uma coi...
Toc, toc.
– Allycia, o Austin está ai? — perguntou meu pai, do lado de fora do quarto.
– Sim, papai. Pode entrar.
Meu pai entrou e sorriu.
– Atrapalho? — fez uma cara maliciosa.
– Ahn, não... — respondi incomodada.
– Por que Austin não está no quarto de hóspedes então? — perguntou
– Pois estávamos conversando...
– Hn, ok. Quero que saiba que se quiserem privacidade, posso pedir para Mayra preparar o quarto 6.
O QUÊ? Que horror!
– Pai, Austin e eu somos apenas amigos — respondi, sentindo minhas bochechas corarem.
Lester revirou os olhos.
– Se precisar do quarto, sabe que dou todo apoio, certo, Sr. Turner?
– O quê? Ah, sim, Sr. Dawson, eu... acho — respondeu Austin, todo atrapalhado.
Meu pai saiu do quarto e Austin me olhou, confuso.
– O que tem no quarto 6? — perguntou.
– Nada demais — respondi, sentindo o rubor tomar conta de meu rosto — Apenas uma cama de casal redonda, uma banheira de hidromassagem e espelhos no teto — completei, irônica.
– Ah — Austin corou — Acho que vou me deitar.
– Ahn, eu te levo.
Ele sorriu agradecido. Caminhei em direção ao quarto 4, de hóspedes.
– Uau — disse apenas — Esse é o quarto de hóspedes?
– É o quarto masculino de hóspedes — ri fraco.
– Quantos quartos têm aqui? — perguntou.
Abri a gaveta da cômoda ao lado de sua cama. Lá havia um pedaço de papel plastificado com o número de cada quarto e sua utilidade. Ao lado de cada porta, há um pequeno vaso com revistas, e o número do quarto em questão.
01- Quarto do Lester
02- Quarto da Ally
03- Escritório do Lester
04- Quarto de hóspedes (masculino)
05- Quarto de hóspedes (feminino)
06- Quarto do casal
07- Sala de Jogos
08- Sala de música
09- Sala dos brinquedos
10- Piscina coberta
11- Sauna
12- Dispensa
13- Sala Economica (cofre)
14- Quarto das empregadas
15- Jardim Botânico.
Austin apenas encarava o papel abismado.
– Como alguém pode ser tão fútil? Ninguém precisa de tanta coisa! Você é mesmo muito mimada.
– Eu não sou mimada. E muito menos fútil. Tenho sim uma casa grande e tudo o que eu quero, mas eu nunca pedi nada disso — afirmei — Poderia muito bem viver em um sobrado com dois quartos, um banheiro, uma sala e uma cozinha. Eu não pedi ter tudo isso, Austin — Segui aumentando um pouco meu tom — Eu poderia até mesmo viver no Marino. A única coisa que eu sempre quis, não só do meu pai, mas de qualquer pessoa é amor. E essa, infelizmente, foi a única coisa que eu nunca tive de ninguém. Então você fica quieto e não fala o que você não sabe — terminei, sentindo as lágrimas brotarem em meus olhos.
Austin abaixou a cabeça, surpreso.
– Me desculpe.
O garoto olhou o quarto em volta. Seu olhar pairou sobre um violão, no canto da cama.
– Posso? — pediu e eu assenti, tentando controlar as lágrimas.
Austin sentou-se na cama, com o violão no colo. Sentei-me ao seu lado.
Today I feel like running naked through your street
To get your attention, oh oh oh
I broke up with my girl so tell me where to meet
Did I mention? Oh oh oh
O que era isso? Por que diabos Austin estava cantando?
Dream on, dream about you
What can I do to make you feel alright?
Baby, I don’t wanna see you cry, no
I wanna see you smile ah, ah, ah
I wanna see you smile ah, ah, ah
Senti minhas lágrimas cessarem aos poucos. A música era, realmente, para mim?
Today I feel like blowing all my cash on you
I’ll buy you anything, until I’m broke
(Until I’m broke, broke)
Today I wanna turn your skies from gray to blue
And if it rains on you
I’ll be your coat, oh oh oh
Dream on, dream about you
What can I do to make you feel alright?
Baby I don’t wanna see you cry, no
I wanna see you smile
I wanna see you smile
A música se aplicava exatamente ao momento. Alegrei-me em saber que Austin realmente cantava a música para mim.
Let me take your picture, baby
I’ll save it for a rainy day
I don’t need much I guess
I’m just old fashioned in that way
So on the count of three let’s see you
One, two
One, two
One, two, three
Smile
(I’m gonna make you smile)
(Oh oh)
I wanna see you smile
It’s the thing to do
I wanna make you smile
Um sorriso brotou em meus lábios, involuntariamente. Austin percebeu que eu sorria, e sorriu também.
– Bem melhor agora — disse sorrindo
– Obrigada — agradeci e o abracei.
Austin beijou o topo de minha cabeça. Estranhei o gesto, mas apenas aproveitei a sensação de tê-lo tão perto.
– Estou com sono... — reclamou, fazendo-me rir.
– Vamos dormir. Segunda feira é o dia da entrega dos presentes do amigo secreto... — desvencilhei-me do abraço — Você já tem o seu presente?
– Droga, tinha me esquecido — disse revoltado — Não, e nem tenho dinheiro! — Austin jogou a cabeça para trás — E nem sei o que essa metidinha gosta.
– Você tirou quem?
– A Cassidy — respondeu.
– Hm, eu posso te ajudar. E quanto ao dinheiro, eu posso pagar pra você.
– Já disse que não preciso do seu dinheiro...
– Não precisa? — perguntei irônica. Era incrível como conseguíamos brigar logo depois de um momento tão fofo.
– Tudo bem, mas eu vou te devolver depois!
Sorri.
– Amanhã procuramos algo para a loira, ok?
– Ok. Boa noite.
– Boa noite, Austin.
Caminhei até o meu quarto. Procurei um pijama. Entrei no banheiro e tomei um banho bem demorado. Aproveitei para pensar em tudo que me aconteceu desde minha última vinda a minha casa.
(…)
Dizer que não senti falta do loiro na minha cama durante a noite seria uma total mentira.
Acordei na manhã seguinte com um corpo pulando sobre o meu.
– O que quer, viado?
– Nossa, magoou.
Revirei os olhos e sai debaixo do garoto.
– Você trouxe roupa? — perguntei, vendo que o loiro já estava trocado. Seu cabelo também estava molhado, o que denunciava o fato dele ter tomado banho.
– Hm, não. Seu pai me deu essa roupa depois de conversarmos.
– Vocês conversaram? — perguntei surpresa, pegando uma roupa qualquer no meu guarda-roupa.
– Sim, e foi muito estranho.
– Conta — pedi, entrando no banheiro.
Fechei a porta e escutei o loiro falar, do outro lado:
– Ele veio com uma história de "logo vocês vão começar a namorar e eu não quero que você decepcione minha filha".
Agradeci por ter uma linda porta separando-nos.
– Ele disse? — perguntei, envergonhada.
Terminei de me trocar e comecei a pentear meu cabelo.
– Sim, disse. E disse que conhecia bem os garotos do meu tipo...
– Tipo? — ri.
– É, ele disse que eu sou do tipo que fica com uma garota por uma noite e depois joga fora. E depois ele perguntou se já tínhamos transado.
Senti meu rosto queimar.
– E quando eu disse que não, ele disse que isso era apenas questão de tempo — ele riu — Allycia, você morreu ai dentro?
Abri a porta, dando de cara com o loiro.
– Desculpe-me se escovar essa belezinha demora — respondi, apontando para o meu cabelo, e tentando, de certa forma, mudar de assunto. O garoto revirou os olhos — Tá fazendo essa cara, porque é só você passar a mão bagunçando que o seu já fica bonito — mostrei a língua.
– Já disse que quem mostra língua pede beijo. E, ah, acha meu cabelo bonito, então?
Coloquei a escova sobre a pia e olhei para o garoto com desdém, tentando não demonstrar meu nervosismo.
– Já disse que não quero te beijar.
Austin colocou uma mão em minha cintura, discretamente, colando nossos corpos. Levou a outra até o meu rosto, e acariciou minha bochecha com o dedão.
Meu coração batia descompassado. Senti minhas mãos suarem e minhas pernas fraquejarem. Temi que ele descobrisse os efeitos que tem sobre mim.
Austin aproximou seu rosto do meu e sussurrou em meu ouvido.
– Ah, e você está me devendo um beijo, lembra?
Senti um arrepio percorrer minha espinha.
"Sim, Austin, eu lembro. Aliás, esperava mesmo que você lembrasse. Posso te beijar agora?"
Nunca que eu diria isso.
Austin percebeu que suas palavras sussurradas ao pé do meu ouvido me fizeram estremecer. Logo mordeu o lóbulo de minha orelha e olhou em meus olhos.
– Posso te beijar agora? — pediu.

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