American Movie
9 Let's do it
Notas iniciais
– Ah, e você está me devendo um beijo, lembra?
Senti um arrepio percorrer minha espinha.
"Sim, Austin, eu lembro. Aliás, esperava mesmo que você lembrasse. Posso te beijar agora?"
Nunca que eu diria isso.
Austin percebeu que suas palavras sussurradas ao pé do meu ouvido me fizeram estremecer. Logo mordeu o lóbulo de minha orelha e olhou em meus olhos.
– Posso te beijar agora? — pediu.
POV Austin
Percebi Allycia corar diante de mim. Ela encara meus olhos, nervosa. Gargalhei.
– É brincadeira.
Allycia soltou um suspiro, aliviada. O rubor ainda era presente em sua face. Esse fato me fazia continuar a rir.
– Não ria, seu idiota! – disse tentando parecer brava – Não é nada engraçado!
Parei de rir aos poucos. A garota me encarava de olhos semicerrados. Conforme o riso desaparecia, eu recobrava minha consciência.
Ela ainda estava em meus braços.
Allycia sorriu. Um sorriso quase malicioso.
– Eu deveria estar rindo – começou – Afinal, foi você quem bebeu. E foi você quem admitiu querer me beijar – terminou, sorrindo vitoriosa.
– Mas foi você quem ficou me devendo um beijo.
– Porque você estava bêbado, dãh! Se eu dissesse “não”, você começaria a chorar.
Soltei uma risadinha irônica.
– Precisamos ir comprar seu presente para Cassy.
– Você já comprou o seu? – perguntei, curioso.
– Não... – ela sorriu animada, como uma criança que acabara de ganhar seu doce favorito – Eu vou dar à pessoa uma coisa que já pertence a ela.
Franzi o cenho, confuso.
– Quem você tirou? – perguntei
– Amanhã, loiro, amanhã...
(...)
Argh, acho que acabei de lembrar-me do motivo pelo qual odeio shoppings.
Eu e Allycia já havíamos percorrido o shopping inteiro mais de três vezes. Allycia insistia em negar isso.
– Achei! – gritou para mim, quando paramos em frente a uma loja. Allycia entrou no estabelecimento, animada.
“Pink Heart” dizia o letreiro.
– Eu não vou entrar ai de jeito nenhum.
– Ah, Austin, vamos lá! – pediu, através do vidro da vitrine – A Cassy ama essa loja!
Revirei os olhos e adentrei a loja.
– O que vai querer, senhor? – perguntou uma garota de cabelos longos e escuros. Ela aparentava ter uns quarenta anos.
– Ahn, eu só estou acompanhando a morena ali – apontei para a Allycia.
– Hm, claro. Ela é sua namorada? – perguntou, curiosa.
– O quê? Não, não! Ela é só... uma amiga. Eu acho.
– Ah, já entendi sua situação! Ela era sua amiga, vocês começaram a ficar e nenhum dos dois sabe o que são um do outro! Fique tranquilo! Tenho um anel de diamantes incrível para um pedido de namoro! – disse, em disparada.
Arregalei os olhos, incrédulo.
– Desculpe-me a grosseria, mas você é louca – afirmei, correndo para perto de Allycia.
A garota pareceu ter percebido minha cara de assustado, pois começou a rir.
– Ela vai gostar desse colar de ouro branco — disse apontando para um colar bem delicado.
– Quanto custa? – perguntei.
– Bom, ele custa $80, mas eu acho que consigo abaixar para $50.
– Deixe $80 mesmo. Vamos.
Allycia assentiu. Pagamos o colar e saímos do inferno.
– Para onde vamos agora? – perguntou
– Não sei você, mas eu estou com fome...
– Vamos comer algo, então.
Caminhamos até a praça de alimentação. O local estava cheio, muito cheio. Consegui localizar uma mesa vazia.
– Ali – apontei.
– Ah, não! Olhe quem está sentado ao lado!
Olhei para a mesa do lado.
Dallas.
Ele estava sentado com Kira, enquanto comiam e riam.
– Vamos lá.
Allycia meneou a cabeça, nervosa.
– Eu vou embora.
A garota virou as costas e saiu andando, apressadamente.
– Sabe que você está fazendo exatamente o que ele quer, não é? – gritei, chamando sua atenção. Allycia parou de andar e se virou – Ele só quer te ver sofrer. Matar aulas para evitá-lo, chorar por sentir falta dele, deixar de fazer o que gosta para não conviver com ele! Isso é errado, Allycia. Mostre a ele como você é forte. Mostre a ele que você é forte o suficiente para encará-lo de frente.
Allycia respirou fundo e assentiu.
– Vamos fazer isso.
(...)
Sentamo-nos ao lado do casal. Allycia sentou a minha frente, colocando sobre a mesa seu pequeno prato, que continha apenas uma folha de alface, um tomate, uma bisteca de porco e uma colher de arroz.
– Tá, vamos provar que você é feliz sem ele.
Ela me olhou, confusa.
– Eu tenho uma piada! – ela riu — O Batman pegou seu bat-móvel, colocou seu bat-terno e saiu. Pra onde ele foi?
Allycia me encarava, curiosa.
– A um bat-zado!
A menina riu alto, fazendo-me sorrir. Dallas pareceu finalmente ter notado nossa presença.
– Anda me seguindo, Ally? – perguntou, irônico.
– Só nos seus sonhos, idiota.
– O que você tá fazendo com... ele? – perguntou Kira, olhando para mim, desgostosa.
– Estamos em um encontro, não está vendo? – perguntou Allycia. Espera, o quê?! '-'
– Hm, bom proveito.
Os dois se viraram e continuaram a conversar. Allycia me olhou, envergonhada.
– Tá... – tentei quebrar o clima estranho – Por que a loira toma banho de porta aberta? — Allycia nada disse — Pra ninguém espiar pela fechadura!!
Allycia soltou uma gargalhada.
– Eu tenho uma também! – começou – Por que a loira toma banho de chuveiro desligado?
Pensei em uma resposta, mas nada vinha na minha cabeça. Neguei.
– Porque o xampu dela é pra cabelos secos!
Nós dois começamos a rir como dois loucos. Dallas e Kira se levantaram irritados e caminharam até a saída do shopping. Allycia deu de ombros.
– Tá, tá, lá vai outra... Como as enzimas de reproduzem? – perguntou e eu, novamente, neguei – Elas ficam uma enzima da outra!
Eu ri, balançando a cabeça, negativamente. Essas piadas são horríveis!
Allycia terminou de comer e me olhou, ansiosa.
– O que foi? – perguntei, terminando de comer também.
– É sua vez de contar-me uma piada!
Ri. Isso estava sendo realmente divertido. Pensei em outra.
– Hm, já sei. Um garoto vira pra uma garota e pergunta “Você acredita no amor de Deus?”. A garota diz que sim e o garoto continua “Então, pelo amor de Deus... Fica comigo?”
Allycia riu: — Essa foi péssima! Tenho outra melhor... Por que os homens têm consciência limpa?
Esperei que ela continuasse.
– Porque eles nunca a usaram!
Começamos a rir novamente.
– Espera... Eu sou homem! – parei de rir.
– Eu duvido, loirinho. Eu duvido – riu. Estirei a língua para ela, que completou – Tem razão. Você é infantil demais para ser homem.
A garota, assim como eu, mostrou a língua e se levantou.
– Quem mostra língua quer beijo – repeti, levantando-me.
– Você mostrou a língua primeiro! – ela sorriu, vitoriosa, parando em minha frente.
– Eu nunca disse que não queria um beijo.
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