American Movie
10 How?
Notas iniciais
– Espera... Eu sou homem! – parei de rir.
– Eu duvido, loirinho. Eu duvido – riu. Estirei a língua para ela, que completou – Tem razão. Você é infantil demais para ser homem.
A garota, assim como eu, mostrou a língua e se levantou.
– Quem mostra língua quer beijo – repeti, levantando-me.
– Você mostrou a língua primeiro! – ela sorriu, vitoriosa, parando em minha frente.
– Eu nunca disse que não queria um beijo.
POV Ally
Apenas murmurei “idiota”. Ele riu de minha infantilidade e me seguiu.
Decidimos, enquanto voltávamos para minha casa, que dormiríamos lá. Austin concordou sem relutar.
Desci do carro, em frente à minha grande mansão, e entreguei a chave para que o manobrista o estacionasse.
Creio que era a primeira vez que eu voltava do shopping sem nenhuma sacola na mão. A sensação era diferente.
– Quer que eu te leve até o seu quarto ou já sabe onde fica? – perguntei.
– Pode deixar, obrigado – Austin se aproximou e beijou minha bochecha – Boa noite.
Ele saiu do quarto em seguida. Levei minha mão até minha bochecha, onde o loiro beijara segundos atrás. Por que ele o fez?
Deitei-me na cama e, sem ao menos trocar de roupa, adormeci.
POV Austin – 18 de fevereiro de 2014
Acordei com o barulho irritante do celular apitando, lembrando-me de que hoje tenho aula.
O visor de meu celular marcava 6:35. Allycia não me acordara. Talvez, nem mesmo ela estivesse acordada. Coloquei a mesma roupa que usara no dia anterior, e que havia retirado para dormir. Ajeitei meu cabelo, calcei meu tênis velho e caminhei até o quarto de Allycia. Bati na porta.
– Entre.
Entrei no quarto, encontrando a garota prendendo um lindo laço de cetim azul no cabelo.
– Está linda – elogiei.
Allycia sorriu, com as bochechas avermelhadas, e olhou para o chão.
– Obrigada – agradeceu, quase sussurrando.
– Você está corada – observei.
A menina revirou os olhos. Resolvi quebrar o clima estranho:
– É impressão minha ou Allycia Dawson está indo para a escola sem uma roupa decotada? – perguntei, fingindo surpresa.
– Há há há – riu ironicamente – É impressão minha ou Austin Moon está cada dia mais idiota?
Antes que eu pudesse responder, uma mulher, que aparentava ter uns 40 anos, entrou no quarto. Ela usava uma roupa ridícula de empregada.
– Senhorita Dawson? – chamou
– Sim, Magarette?
– Está na hora de ir à escola – ela olhou para mim — Oh, perdão. Você deve ser o Senhor Moon, as suas ordens – disse, generosamente.
– Ah, relaxa ai, tia. Pode me chamar de Austin, beleza? Se precisar de ajuda lá, pode me chamar.
Margarette me olhou com um sorriso agradecido e surpreso.
– Com licença.
Allycia me olhou com os olhos semicerrados.
– Tia? Beleza? Austin, imagina se meu pai fica sabendo disso.
Bufei.
– Desculpe-me, senhorita Dawson.
– Vamos. Estamos atrasados.
Allycia pegou uma sacola azul marinho e sua bolsa. Eu carregava uma pequena sacola com o colar de Cassidy.
Olhei o relógio: 2 minutos.
Allycia e eu saímos correndo do carro. Entramos na sala e logo ouvimos o sinal. A professora de Filosofia e os alunos nos olhavam, assustados.
Quando o olhar de Allycia cruzou com o meu, começamos a rir. Estávamos desajeitados e ofegantes. Sentei-me no fundo da classe, ao lado da garota.
– Bom, vamos começar com a entrega dos presentes?
Todos nós assentimos.
– Vejamos... Carla, por favor, comece.
POV Ally
Carla levantou da cadeira e foi ao lado da professora, na frente da classe.
– Bem, meu amigo secreto é muito legal, pervertido, joga basquete, é moreno...
– Jackson! – alguém gritou. A menina assentiu.
Jack sorriu, pegando o presente.
– Minha amiga secreta é uma garota – Jack começou.
– Não me diga! – gritou Gavin.
– Cala a boca, imbecil – zoou Jackson – Ela é linda, perfeita, a menina mais doce e gata que eu já conheci.
Sem que ninguém dissesse nada, Bianca se levantou e pegou o presente, sorrindo. Ela o abriu. Era um lindo anel de compromisso.
Eles se beijaram rapidamente. Bianca começou:
– Minha não amiga secreta é uma vadia.
Todos – ou quase todos – gritaram “Kira” no mesmo momento.
– Nossa, não sabia que eu era tão boa em descrição — bia brincou.
Kira levantou, pegou o embrulho e jogou na mesa, sem nem ao menos abrir.
– Minha nunca amiga secreta é uma perdedora, idiota, filhinha de papai, corna... Já sabem quem é, não é?
Levantei-me da cadeira, tentando não demonstrar que estava magoada com o que ela dissera, e caminhei até ela.
O embrulho era retangular, parecia com um livro. Abri-o. Era nada mais, nada menos que “As vantagens de ser invisível”.
– Bem, agora que você é invisível, talvez possa usar esse livro como um livro de auto ajuda.
– Obrigada, Kira – agradeci, verdadeiramente. Eu realmente gostara do meu presente.
Coloquei-o sobre minha mesa e caminhei até o centro da sala.
– Meu amigo secreto é...- suspirei – Meu amigo secreto é uma pessoa que mesmo não conhecendo direito é importante para mim. Nunca conversamos ou nos divertimos antes, como estamos fazendo ultimamente. Estamos andando juntos há pouco menos de uma semana e eu já sinto que posso confiar nele – percebi que Austin me olhava sorrindo – Eu... – suspirei novamente – Obrigada por tudo.
Austin levantou e caminhou até mim. Eu o abracei com força.
Ouvi a professora dizer algo como “Finalmente alguém que está sendo agradável com o outro”.
Entreguei ao Austin o pequeno embrulho. O garoto abriu curioso.
Seu olhar caiu sobre o presente e depois sobre mim. Seus olhos marejaram.
Austin encarou por mais alguns segundos sua foto com seus pais, agora emoldurada, que eu tivera um trabalho e tanto para deixar inteira novamente. Seus braços fortes me abraçaram, carinhosamente.
– Obrigado, Ally.
Sorri, emocionada, por ver o garoto tão feliz com um simples pedaço de papel.
– Você me chamou de Ally – sussurrei de volta, rindo.
Ele nada disse, apenas beijou minha bochecha com carinho.
Voltei ao meu lugar.
O resto da aula passou normalmente: Austin entregou o colar à Cassie, que pareceu surpresa com o bom gosto do menino. A garota, por sua vez, tirou o Victor, dando a ele uma camiseta polo. Victor tirou Jackelline, e deu a ela um vestido preto. Jackie tirou Gabi, que ganhou uma pulseira. Gabi entregou um par de tênis para Dallas. O filho da mãe deu um jogo de videogame para Fabricio. Fab deu um cupom de vale-desconto na livraria mais famosa da cidade para Elliot, que deu ao Gavin um celular. Gavin presenteou Fernando com um óculos de sol. Nando tirou Piper, dando a ela um par de brincos dourados. Piper, por fim, tirou Carla, que ganhou uma capinha para o seu celular.
Até que foi bem divertido.
POV Austin
O horário de almoço não demorou muito para chegar.
Allycia e eu estávamos na fila do refeitório, aguardando nossa vez, para pegarmos a comida.
Eu ainda não consigo acreditar que Allycia encontrou minha foto. Meu Deus, ela deve ter tido um trabalhão para deixá-la inteira...
E bem... No calor do momento, eu a chamei de Ally.
Pode não parecer grande coisa, mas a partir do momento em que você apelida uma pessoa, vocês passam a ter intimidade. E, por mais que isso esteja realmente acontecendo, eu ainda não sei se posso confiar em Allycia.
Peguei um pouco de lasanha e um copo de suco de morango.
Allycia e eu nos sentamos, um ao lado do outro, em uma mesa vazia. Allycia olhou para a mesa da frente, onde Kira beijava o rosto todo de Dallas.
A menina suspirou e abaixou a cabeça.
– Já chega. Hey, Dallas! Hey, Kira! – ambos me olharam – O Sr. Lester disse que se vocês precisarem, vocês podem usar o quarto 06.
Dallas me olhou, incrédulo.
– Como sabe sobre quarto 06?
Eu ri.
– Bom... Digamos que nós – olhei para Allycia – tivemos lindos momentos lá, não é mesmo?
Allycia assentiu, envergonhada.
– Ainda não sei como você acha que ela não é boa de cama... Bom, acho que ela não deve ter feito com você tudo que fez comigo – dei um sorrisinho irônico e olhei para a menina extremamente vermelha ao meu lado – Quer esquecê-lo? – perguntei, apenas para ela, que assentiu – Eu posso te ajudar com isso.
Aproximei meu rosto do da menina. Rapidamente, seu semblante mudou de decepcionado, para surpreso.
Desviei meu olhar de seus olhos para o seus lábios. Allycia estava corada, muito corada. Nossos lábios a apenas dois centímetros de distância.
– Como? – perguntou, timidamente, fazendo-me sorrir.
Continua...

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