American Movie
12 Technical Kiss
Notas iniciais
O loiro tocou minha bochecha gentilmente, e roçou seu nariz ao meu.
– Por que me beijou, pequena? — perguntou, em um sussurro. Senti meu corpo todo estremecer, tanto com a proximidade, quanto ao meu novo "apelido".
– Só... esquece isso, tudo bem? — pedi, abraçando-o com força.
Eu não tinha mais como negar.
Austin Moon era meu doce desejo insano.
POV Ally — (Ainda 18 de fevereiro de 2014)
Austin e eu estávamos no quarto, sentados lado a lado na escrivaninha.
Após o beijo no corredor, não nos falamos mais. Eu não proferi nenhuma palavra a ele, e nem ele a mim. Acho que ambos estávamos com vergonha.
Flashback ON
“Entrei no quarto rapidamente, sendo seguida pelo loiro. Peguei um livro de Biologia em minha mochila e sentei-me na cama, abrindo-o. Austin fez o mesmo, porém sentou-se na escrivaninha.
– Ahn, você não prefere, ahn, sabe, sentar aqui na mesa?
Envergonhada, assenti. Levantei-me e me sentei ao seu lado.”
Flashback OFF
E agora estávamos aqui. Ambos ridiculamente envergonhados, enquanto fingíamos que estávamos estudando.
– Allycia, acho que precisamos conversar.
Um pouco assustada ao escutar sua voz ecoar pelo quarto, pela primeira vez em uma hora, deixei minha caneta cair.
Abaixamo-nos ao mesmo tempo para pegar a caneta.
Estávamos tão perto...
Tomei a caneta em minhas mãos e desviei o olhar. Levantei-me e me endireitei na cadeira, suspirando.
– Desculpe-me – pedi.
– Pelo que você está pedindo desculpas, exatamente? – perguntou, com as bochechas um pouco coradas.
– Bem, você sabe... Pelo, ahn, pelo beijo.
– Sabe que não precisa pedir desculpas, não sabe? Eu não me arrependi de corresponder, então não me sinto na obrigação de me desculpar...
– Austin, não torne isso mais difícil.
– Allycia, você me beijou. Eu correspondi. Acabou. Foi um beijo, apenas isso. Uma hora ou outra isso aconteceria conosco. Sempre acontece com os amigos próximos.
– “Próximos”? – perguntei
– É, próximos. Dormimos na mesma cama – disse, sarcasticamente.
Suspirei.
– Você pode até estar certo, mas não era pra ter acontecido. Foi errado e... nós conhecemos há apenas alguns dias. Digo, nos conhecemos verdadeiramente há alguns dias.
– Allycia, eu não me importo com o tempo que nos conhecemos. Eu quis te beijar. Simples assim.
Suspirei novamente, cansada daquela conversa.
– Tudo bem – concordei – Mas como você mesmo disse foi apenas um beijo, não acontecerá de novo – ele assentiu, concordando – Continuaremos sendo amigos, da mesma maneira que antes, né?
Austin assentiu novamente.
Isso era ridículo. Parecíamos dois macacos combinando que não comeríamos bananas. Ou então, duas crianças combinando que não brincariam mais.
Eu queria beijá-lo novamente.
– Então... – eu comecei.
– Na verdade, não era exatamente isso que eu queria falar.
– Ahn?
– Sobre o beijo.
– Ah.
– Eu queria saber por que me beijou.
Essa era uma boa pergunta, Austin. Uma ótima pergunta.
– Te respondo se me responder por que correspondeu.
– Ok. Eu correspondi, porque 1) Esse era, na verdade, meu primeiro beijo de verdade – ele sorriu, tímido – e eu não queria me lembrar dele como “o beijo que eu empurrei a garota” 2) você estava perto demais e seu cheiro estava me embriagando. Eu odeio ter que admitir isso, mas eu nem sabia o que estava fazendo e 3) Eu meio que... queria aquilo.
Olhei para o chão, sentindo meu rosto queimar. Austin não estava diferente. Parecíamos pimentões.
– Eu acho que te beijei por causa da proximidade, sabe? Eu fiquei um pouco irritada ao perceber que o beijo anterior era apenas um desafio e bem, te beijei novamente. E eu meio que também queria aquilo.
Sorrimos um para o outro, rubros.
– Você, ahn, quer ensaiar Sweet Insane Desire? – perguntou, tentando mudar de assunto.
– Sim, sim, claro.
– Precisamos ensaiar todas as cenas várias vezes! – ele sorriu, animado.
– Todas? – eu ri fraco, imaginando que ele não havia lido a peça toda.
– É, por quê? – perguntou desconfiado.
– Leia a cena 16 e descubra – pisquei – Vou tomar um banho, já venho.
Austin assentiu, confuso. Peguei uma roupa da minha parte do armário e sai do quarto.
POV Austin
Abri o roteiro e comecei a lê-lo.
“-Oh, doce desejo insano, creio que estou apaixonada.
– E por quem te enamoraste, doce amada?
– Por um doce jovem, meu desejo.
– E qual o nome desse jovem, amada minha?
– És tu, doce desejo insano.
*Pebleu Maximiliano toma o rosto da Princesa Genevive com as mãos, e a beija*
– Casar-me-ei amanhã, doce desejo. Por que não te quedas aqui está noite?
– Em seus aposentos? Claro, às suas ordens, minha princesa amada.
*Max pula a janela do quarto de Genevive e a beija novamente. Ambos seguem o beijo até Max deixar-se sobre a menina, na cama. Genevive passa a mão no abdômen de Max, enquanto este retira a jaqueta da garota.”
Abri a boca, surpreso.
Quando Allycia e eu finalmente resolvemos esquecer o beijo e prosseguir em frente, aparece isso.
A menina entrou no quarto e sorriu travessa.
Céus, ela está me provocando...
– Ainda quer ensaiar a cena? – perguntou, rindo.
– Com você nessa camisola? Sim, quero.
Allycia arregalou os olhos, mas não conteve o sorriso.
– Seu tarado! – reclamou, batendo em meu peito.
Eu ri, fazendo-a rir também.
Peguei uma blusa que costumava utilizar como pijama e entrei no banheiro para me trocar.
(...)
Encontrei Allycia deitada na cama, virada de frente para a parede.
Deitei-me ao seu lado.
– Está acordada? – perguntei
– Estou – respondeu virando-se de frente para mim.
Então ali estávamos. Eu deitado de barriga para cima e Allycia, de lado, virada para mim.
– Faremos a cena? – perguntou, timidamente.
– Bem, se quisermos nota... – continuei — Será um beijo técnico, não verdadeiro.
– É, bem, é que eu nunca dei um “beijo técnico”, não sei o que é isso.
– É um beijo de língua, sem língua, entende?
Ela riu.
– Na verdade, não, mas tudo bem. Eu tentarei.
– Podemos ensaiar agora se você quiser... – sorri, maliciosamente.
– Cala a boca – ela riu.
Allycia encostou sua cabeça em meu ombro e segurou meu braço com as duas mãos. Uma de suas pernas se entrelaçou nas minhas.
– Tens sono?
– Um pouco – admitiu.
– Não quer mesmo ensaiar? – insisti – Não falo por malícia, mas a peça é quinta e essa apresentação será a responsável por toda a nossa nota do trimestre.
– Acho que é melhor não... – ela riu fraco, tímida.
– Tudo bem, fique tranquila. Dará tudo certo.
– E se eu não souber o que fazer? – perguntou, nervosa.
– Se não souber o que fazer, faremos do nosso jeito – pisquei e logo ri, perverso – Se é que você me entende...
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