American Movie
4 She just hugged me.
Notas iniciais
Pensando em Dallas, decidi ver se o moreno estava bem.
Caminhei por entre os escuros corredores do Internato Marino. A essa hora não havia nenhum aluno por ali. Entrei no prédio em que ficavam os quartos.
4107, 4108, 4109, 4110, 4111... Parei na porta do 4112, nosso quarto, mas não a abri. Ouvi alguns barulhos estranhos vindos de dentro do ambiente. Curiosa, girei a maçaneta e, ao abri a porta, arregalei os olhos.
– O que está acontecendo aqui?!
POV Fran (Autora)
A morena assistia a cena desesperada e se perguntava o que estava acontecendo ali. Enquanto lágrimas ameaçavam escorrer em sua face, Kira procurava suas peças de roupas que estavam espalhadas pelo chão do quarto, com a intenção de vestir-se.
– Ally? O que faz aqui a essa hora? — perguntou Dallas colocando uma bermuda.
– O que essa vadia está fazendo aqui? — perguntou Ally, cerrando os punhos.
– Olha, Ally, eu...
– Você o caralho, Kira! — gritou Ally andando em direção à menina — Eu vou te matar, sua filha da puta! Você estava transando com meu namorado? — gritou puxando o cabelo de Kira.
– Ain, Ally, está me machucando. Para!
– Chega as duas — disse Dallas, separando-as — Allycia, não começa com drama, okay?
– Drama?! Você vai ver o drama no teu rabo! Você me traiu, seu infeliz!
– Não é a primeira vez que isso acontece... — cantarolou Kira, com um ar de superioridade .
– Ah, cala a boca, sua quenga!
– CHEGA, ALLYCIA! Porra, eu já disse pra parar de drama! Era só uma transa... Uma transa casual, nada demais.
– Uma o quê?! Por Deus, olhe o que você está falando! Você estava transando com ela! Me traindo!
– Tá, querida, já acabou? — perguntou Kira, debochada, antes de receber um tapa na cara.
– Não ouse olhar na minha cara de novo, sua vaca! — gritou Ally, estapeando Kira.
Ally, a essa altura, já chorava. Seus olhos estavam totalmente borrados, devido ao lápis e ao rímel que a morena passara pela manhã. Seu rosto estava inchado e suas bochechas vermelhas. A garota tentava controlar a respiração, inutilmente.
– Dallas. Está tudo acabado entre nós — disse olhando para o chão, segurando-se para não acertar a cara do menino.
– Ah, garota inocente. Nós nunca tivemos nada... Estava com você para manter minha popularidade, já que sua família é nobre. Agora eu tenho Kira e já não preciso de você. Não é só nosso namoro que está acabado... Você já não pertence ao nosso grupo — disse rindo ironicamente. Kira o acompanhou.
– Eu o quê? — perguntou Allycia, um pouco mais baixo, tentando acreditar nas palavras que ouvira.
– Você não é mais popular. Adeus, Allycia.
POV Ally
Antes de sair do quarto, apenas virei minha mão em seu rosto, marcando meus dedos.
– Eu quero que você morra, seu viado! — gritei, antes de bater a porta.
Corri até o pátio. O lugar estava vazio. O céu já enegrecia. Diferentemente dos filmes americanos, não chovia, mas ventava forte.
Abri meu camafeu, um pequeno colar em forma de coração, e tirei de lá minha foto com o Dallas. Rasquei-a e joguei no lixo. Lá, vi outra foto rasgada. Parece que alguém também não teve um dia bom... Peguei a foto, mas não consegui reconhecer a criança. Algo me disse que eu deveria guardar aquela foto e assim o fiz.
Corri até a videira¹ do pátio e sentei-me, lembrando do último acontecimento.
Uma pontada de dor atingiu meu peito. Eu havia acabado de ser traída pelo garoto que eu, de certa forma, gostava e ainda havia perdido tudo o que eu construíra durante oito anos no Internato Marino.
Com quem eu andaria?
Com quem me sentaria no intervalo?
Com quem faria dupla nas aulas?
Aonde dormiria?
Tantas perguntas e uma resposta: Eu não tenho amigos.
Papai, sem dúvidas, ficará furioso quando descobrir. Como pude ser tão idiota?
Permiti-me chorar por mais alguns minutos. Eu certamente dormiria alí, debaixo daquela árvore, e no dia seguinte, iria à diretoria explicar o ocorrido e pedir uma transferência de quarto.
Abracei meus joelhos, sentindo frio. Ali, enterrei minha cabeça e culpei-me, internamente, por ter sido tão estúpida.
POV Austin
Após terminar a aula de música, todos os alunos correrram desesperadamente até os seus quartos. Eles tinham duas horas até o diretor começar a inspeção noturna. Entrei no meu quarto e encostei a porta.
– Odeio estar sozinho — reclamei para mim mesmo.
Sentei-me na escrivaninha e liguei meu notebook. A imagem de fundo logo apareceu: era a mesma foto que eu havia rasgado hoje e jogado no lixo. Senti-me culpado por ter rasgado algo tão precioso para mim em um momento de fraqueza. "Será que a foto ainda está lá?" pensei.
Decidi ir olhar. Não custava nada, não é mesmo?
Mas ao chegar ao pátio, minha atenção não se voltou ao lixo, e sim a uma garota que chorava debaixo da videira.
Aproximei-me tentando ver quem estava ali e me assustei ao perceber que era Allycia.
– Allycia?
A garota me olhou e arregalou os olhos. Logo tratou de esconder o rosto entre as pernas.
– Allycia, por que está chorando?
– E-eu não estou chorando — respondeu levantando o rosto e limpando as lágrimas que desciam pela sua face.
– Allycia, eu não sou idiota.
A menina não disse nada, apenas voltou a enterrar seu rosto nos joelhos. Se ela estivesse bem, teria feito alguma piadinha do tipo "É sim".
– Allycia, porque choras?
– Você não se importa... — disse com uma voz tão meiga, que me deu vontade de abraçá-la.
– Sim, eu me importo, não está vendo? O que houve?
– Se importa? — pergunta fungando, olhando para mim com seus grandes olhos castanhos marejados.
– Por que não está em seu quarto?
– Não quero ver Dallas.
– Por quê? — perguntei curioso
– Ele me traiu — ela fechou os olhos com força — Com a Kira.
– Você viu os dois se beijando? — perguntei tentando não parecer atônito, mas a menina negou — Alguém te disse? — perguntei e ela negou novamente — Então não entendi...
– Eu vi, Austin...
– Mas eu perguntei e você disse que não tinha visto...
– Eu não vi eles se beijando. Eu os vi transando.
Arregalei meus olhos, surpreso. Wow. Nunca pensei que diria isso, mas tenho dó dessa menina.
– E-eu sinto muito.
– Não, não sente — disse voltando a chorar — Acho que o karma² existe mesmo. Estou tendo tudo que mereço.
– Não, claro que não! Ninguém merece uma coisa dessas!
Pensei que ela diria algo, mas não. Ela apenas me abraçou.

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