American Movie
6 I'm freaking out
Notas iniciais
Allycia sorriu de canto.
– Acho que os outros alunos não ficaram felizes em saber que você deixa os mais ricos transarem no colégio... — Allycia disse, chantageando-o.
– Tudo bem, tudo bem! Vocês podem dormir juntos! Mas não leve isso para outros lados, okay?
– Obrigada, diretor — disse Allycia, sorrindo convencida.
15 de Fevereiro de 2014, 9h24min– Sexta
POV Austin
Acabei de perceber que eu nunca tive nada, pois tudo nesse mundo é baseado no dinheiro. Quero dizer, se você o tem, pode ter tudo que quiser.
Após conversar com o diretor sobre a situação de Allycia, sentamos no pátio e aguardamos o recreio chegar. Faltavam apenas 6 minutos, mas o silêncio entre nós fazia parecer mais tempo.
– Austin? — chamou Allycia
– Sim?
– Obrigada — agradeceu, olhando para o chão.
– Não há problema — respondi, sem saber ao certo pelo que ela estava agradecendo.
A garota sorriu singelamente. Eu queria saber o que se passava em sua mente nesse instante.
– Em que pensas? — perguntei, curioso.
– Não tenho com quem lanchar — disse e riu brevemente.
Suspirei.
– Bom, já vai dormir comigo... Meia hora a mais não fará diferença. Se você quiser, é claro.
Allycia fixou seu olhar em mim. Seus olhos encaravam os meus, semicerrados, sem expressão. Ela parecia tentar decifrar o que havia em mim, e estava, de certa forma, me assustando.
– Por que está fazendo tudo isso por mim? — perguntou em um sussurro
– Olha... Eu não sei. Eu já pensei sobre isso e não sei a resposta, então se você descobrir, me avisa, ok? — disse e rimos.
Admito que era a primeira vez que eu ria de verdade, desde que Trish e Dez se mudaram. Allycia parou de rir e sorriu, agradecida.
O sinal tocou.
– Eu iria adorar.
POV Ally
Conversar com o Austin me faz realmente bem. Ele parece ser um garoto bom, inteligente... e bonito. Mas, quando eu olhei em seus olhos, pude perceber que estavam sem vida. O que será que esse garoto esconde? Seus pais devem brigar em casa! Ou ele pode ser um adolescente rebelde! Ou então, ele pode ter um irmão gêmeo! Ou mais provável ainda... Ele pode ser um extraterrestre!!
Tá, chega, isso é ridículo.
Levantamos e caminhamos até a cantina. Entramos na fila e aguardamos chegar nossa vez. Peguei um copo de suco e logo lembrei-me do que eu havia feito com o loiro.
– Não vai comer nada? — perguntou
– Não tenho fome, obrigada.
– Coma um pouco — pediu.
Suspirei derrotada, peguei um lanche natural e coloquei em meu prato.
– Satisfeito?
– Estou sim — sorriu.
Dallas passou ao nosso lado, acompanhado de Kira. O garoto segurava sua cintura.
– Uou, eu sei que você precisa andar com alguém, mas o Austin, sério? Decaiu, hein... — disse Kira
– Cala a sua boca, vadia. O Austin é mil vezes melhor do que você.
Kira revirou os olhos e deu um selinho em Dallas.
– Vamos, amor.
Os dois voltaram para suas mesas e eu senti meus olhos marejarem.
– Não chore — advertiu Austin – Mostre a eles que você é forte.
– Mas eu não sou — disse fechando os olhos e apertando meus pulsos com força.
– Então finja ser.
Caminhamos até a mesa. Piper e Gavin me encararam desgostosos. Austin disse que eu sentaria com eles e os mesmos assentiram, desconfortáveis.
– Se não tiver problema, é claro... — eu disse — Quer dizer, eu posso lanchar sozinha.
– Não, está tudo bem — disse Piper, sorrindo torto.
Agradeci e voltei a comer, em silêncio.
– E então, já sabem o que comprarão para o amigo secreto? — perguntou Gavin, tentando quebrar o clima estranho.
– Não tenho ideia — admiti.
Eu simplesmente não sei o que comprar ao meu amigo secreto. Ele tem dois olhos castanhos lindos, lábios finos e um cabelo loiro sedoso. Sim, meu amigo secreto é o Austin.
– Nem eu — disse Austin — Eu sei lá o que essa criatura gosta...
– Bom, eu tenho uma ideia do que comprarei — disse Piper, tomando um gole de seu suco.
– É, eu também — disse Gavin, encerrando o assunto.
Um barulho estridente tocou, fazendo-me suspirar.
– Aula de química — disse ao Austin – Vamos, parceiro?
(…)
Após algumas aulas extremamente chatas, decidi ir ao quarto de Dallas, para buscar todas as minhas coisas.
Entrei e peguei tudo antes mesmo que o garoto voltasse das aulas. Decidi deixar um bilhete em sua escrivaninha.
"Espero que você apodreça no inferno. Com "amor", Ally D."
Peguei tudo o que eu tinha ali e levei ao meu novo quarto.
– Allycia, o que é tudo isso? — perguntou Austin, olhando para as minhas coisas.
– Eu trouxe minhas coisas para cá — eu disse, envergonhada. O loiro riu.
– Tudo bem, tudo bem. Não precisa corar — riu mais ainda — Vem, eu te ajudo.
(Ainda) 15 de Fevereiro de 2014, 19h43min
POV Austin
O diretor avisou que tinha um aviso de extrema importante para dar-nos, então agora estamos todos no auditório do Marino, aguardando.
Allycia está sentada ao meu lado. Ela está realmente linda. Hoje, a ajudei com suas coisas e achei que nunca terminaríamos, mas agora está tudo arrumado.
Meu quarto tem um teclado agora. Tem livros de drama e romance, secador de cabelo, chapinha, babyliss e algumas maquiagens. Estou surtando.
– Bom dia, alunos.
– Bom dia! — todos dissemos em uníssono.
– Bom, venho avisar-lhes que a partir de hoje, eu não irei mais fazer a inspeção nos quartos, por motivos que não precisam saber — disse olhando para Allycia.
Todos os alunos vibraram contentes. Juro que vi uma garota chorando de emoção na fileira na frente.
– Mas... O inspetor Marcus voltou — todos reclamaram — Espero que se comportem. Obrigado.
Todos saíram do auditório mais cabisbaixos do que antes. Apenas Allycia sorria animadamente.
– O que foi? — perguntei
– Marcus é amigo de minha mãe — ela disse sorrindo — Ele ia em casa todo dia, antes de... — ela parou.
– Antes de quê? — perguntei, incentivando-a.
– Não, nada... Esquece.
Continuamos andando, mas ela parou no meio do caminho.
– Antes dos meus pais se separarem e minha mãe ir morar na África.
– Ah — abaixei a cabeça — Eu sinto muito.
– Ela devia ter me ligado hoje — disse deixando uma lágrima escorrer — mas ela deve ter esquecido. Isso não é nada importante, não é? Eu sou apenas filha dela.
Allycia já chorava, novamente. Não me importei em estarmos no meio do corredor, apenas a encostei delicadamente na parede e acariciei seu rosto, secando suas lágrimas.
A menina arregalou os olhos e olhou para o chão, corada.
Risadinhas ecoaram atrás de mim e eu rapidamente a soltei.
– Já vai pegar, Mônica? — perguntou Dallas, sorrindo irônico — Você deu sorte de Marcus voltar, Ally — disse rindo — Ah, Mônica, só pra te avisar... Ela não é boa de cama — disse e piscou.
Allycia encostou a cabeça na parede, cerrando os olhos.
– Ele é um idiota — eu disse, aproximando-me.
– Só... Me dá um abraço, por favor — pediu enroscando seus braços em meu pescoço.
Ficamos abraçados durante alguns minutos. Allycia molhava minha camisa e eu não me importava. O corredor já estava vazio.
– Acho que devia ligar para ela — sugeri.
– Não, sem chances. Meu pai me mata se descobrir — disse, saindo do abraço.
– Pode ligar do meu celular — ofereci.
– A ligação para África é cara, Austin.
Assenti, derrotado.
– Vem, vamos — disse, puxando meu braço.
POV Ally
Chegamos no quarto às 20:02. Austin disse que tomaria um banho e eu aproveitei para me trocar.
Às 20:34, Marcus passou nos quartos. Conversamos um pouco e ele disse que tinha que ir. Assenti e me despedi.
Agora eu e Austin estamos deitados, tentando dormir. Amanhã seremos liberados para visitar nossos parentes. Eu amo sábado.
– Verá seus pais amanhã? — perguntei
– Não, eu... — ele abaixou a cabeça — Eu não tenho pais.
Senti uma pontada no coração. Como assim ele não tem pais?
– Verá seus tios? — perguntei e ele negou — Você tem alguma família? — perguntei, delicadamente.
– Não... — respondeu, abaixando a cabeça.
– Ah, meu Deus! Me desculpa, Austin, eu não sabia! — Estava me sentindo um lixo agora — Eu nunca soube — disse um pouco mais baixo.
– Não, tudo bem. Eu estou acostumado...
– Por isso estava chorando ontem? — perguntei e ele assentiu — Gostaria de ir passear comigo amanhã?
– Eu? — perguntou surpreso
– Sim, você. Meu pai está viajando a trabalho e... Se vai ficar aqui, acho que não há problema. Podemos ir ao parque, ou à piscina, ou então tomar um sorvete! — sugeri.
– Ér, você está me chamando para um encontro? — perguntou, sorrindo de canto.

– O quê?! Não, eu, não... Eu... — cobri o rosto com as mãos, envergonhada.
– Hey, é brincadeira! Sim, pode ser. Será legal.
– Sério? — perguntei animada.
– Sim, sim.
Sorri, entusiasmada. Amanhã será um dia e tanto!
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