American Movie
22 Carpe Diem
Notas iniciais
– Quer namorar comigo? — pedi, ignorando-a.
– Sim — respondeu, imediatamente.
Beijamo-nos.
Sim, beijamo-nos, urgentemente, como se nossas vidas dependessem daquilo.
– Com licença — pediu o garçom — Ér, não-casal...
Separamo-nos, ofegantes. O garçom sorriu, culpado, e colocou nossos pratos sobre a mesa.
– Na verdade... — comecei — Agora somos um casal.
Allycia sorriu, tímida, e apertou minha mão com força. Seu rosto estava vermelho e eu tinha um sorriso sacana no rosto.
Duas semanas.
Duas semanas e eu havia conquistado essa morena.
Minha morena.
POV Ally
– Você não acha que estamos sendo precipitados? – indaguei, um pouco preocupada.
– Não, não acho. Você acha?
Estávamos passeando em um parque. Já era noite, um pouco mais de oito horas. Austin caminhava ao meu lado direito e eu segurava seu braço esquerdo com as minhas duas mãos, apoiando minha cabeça em seu ombro.
– Não sei – suspirei – Eu gosto de você, Austin, de verdade.
Mesmo namorando-o, permiti-me corar ao admitir.
– Mas nos conhecemos de verdade há duas semanas — continuei — Duas semanas é muito pouco tempo.
– Mas foi tempo suficiente para nos apaixonarmos – repetiu, pela quinta vez na mesma noite.
– E se nos machucarmos? – parei de andar e estremeci, só de pensar na ideia de ter o coração partido mais uma vez.
– Se está pensando que eu vou te machucar como Dallas fez, está muito enganada – afirmou, tocando minha bochecha com carinho, enquanto se posicionava em minha frente – Eu não sou o Dallas e garanto que jamais ousaria fazer o que ele fez .
– Por que a Kira não te dá bola... – murmurei, magoada.
– Não... Porque eu nunca senti algo por ninguém como eu sinto por você.
– Você me ama? – perguntei, de maneira doce e inocente, encarando seus olhos.
Ele riu fraco e beijou minha testa.
– Como eu amo esses seus olhos grandes e meigos... – ciciou.
– Austin... – insisti – Você me ama?
Ele suspirou, derrotado.
– Ah, Allycia, é complicado. Sabe que eu não acredito no amor...
– Você não me ama – assenti, entendendo e ele me encarou, receoso – Fique tranquilo, não é um problema. Eu também não acredito no amor, lembra?
– Sim, sim. Em um amor entre um homem e uma mulher...
– Exato – concordei – Estamos bem então, não é?
– Sim, estamos sim.
POV Austin – 01 de março de 2014
Acordei de madrugada, com uma forte dor de cabeça. Allycia levantou-se um pouco e encarou-me, sonolenta.
– O que houve, Aus?
– Dor de cabeça – gemi baixo.
– Vou pegar-lhe um remédio.
Levantou-se e pôs-se em pé. Sorri ao vê-la tomar um pequeno susto com a gelidez do chão. Seus pés estavam desnudos. E bom, ela toda.
– Aqui está – ofereceu-me uma aspirina e um copo d’água – Acho que alguém pegou um resfriado, não é mesmo?
Sorri sem humor e tratei de tomar o comprimido. Allycia colocou-se sobre o meu corpo, de modo que este ficasse entre seus braços e pernas. Ela estava praticamente de quatro.
– Você fica linda assim, sabia? – rocei meu nariz no seu.
– Assim como? – questionou.
– Nua – murmurei, beijando seus lábios carinhosamente.
Ela gargalhou, deitando-se novamente ao meu lado.
– É, você fica também.
Cobriu-nos, deitou a cabeça em meu peito e adormeceu.
POV Ally
O despertador soou, acordando-me. Levantei assustada à procura do objeto irritante.
– Bom dia, pequena!
– Ainda não sei por que você insiste em colocar essa coisa pra apitar – resmunguei – Hoje é sexta!
– Mas eu aposto que você quer aproveitar o dia.
– Ah, claro, Carpe Diem – murmurei, irônica.
– Vamos, amor. Levanta essa bunda da cama e vamos fazer algo.
Corei ao ouvi-lo chamar-me de ‘amor’.
– Ér, eu...
– Desculpe-me – pediu – Eu não quis... Ahn...
– Não, tudo bem. Eu entendi – dei um sorriso forçado e peguei uma roupa para trocar-me.
POV Austin
Estávamos em um museu. Sim, um museu. Coisa chata, né? Sim, insuportável. Mas Allycia queria vir e eu cedi aos seus desejos.
– Isso não é incrível? – ela murmurou encantada com uma estátua que eu não fazia ideia do que se tratava.
– Sim, incrível – concordei, visivelmente desanimado.
– Por que veio, se não queria?
– Porque você queria – sorri, dando-lhe um selinho.
– Ah, Aus, não, assim não. Essa é a nossa viagem. Faremos algo que os dois tiverem interesse!
– Tudo bem. Quer ir aonde agora?
– Almoçar. Estou faminta.
(...)
– Acho que se pedirmos esse salmão grelhado à la carte dá para nós dois dividirmos. O que acha? – perguntou, sorrindo de canto.
Olhei o cardápio rapidamente. Allycia havia escolhido o prato em promoção e nós o dividiríamos.
– Acho que parece ótimo para mim. Você gosta de salmão, certo?
– Sim, sim, eu gosto – ela riu.
Indiquei ao garçom o prato que queríamos e ele rapidamente se retirou.
– Então... Allycia Marie Dawson está viajando de ônibus, dormindo em um hotel barato, caminhando até os restaurantes e escolhendo os pratos da promoção? Acho, realmente, que você está se tornando uma mulher menos consumista.
Allycia riu e segurou minhas mãos, acariciando-os.
– Obrigada – agradeceu, com a face avermelhada.
– Pelo quê, meu anjo?
– Você sabe... Por isso. Por me mudar dessa maneira.
Oh. Não. Eu... Eu não fiz isso.
– Ally, – seus pelos do braço se arrepiaram ao ouvir o apelido – eu não acho que fui eu quem fez isso.
– Obrigada mesmo assim – ela fez uma breve pausa — Eu não sei... Por me suportar? Por me acolher? Por... ser tão bom comigo? – sua voz falhou e eu senti que o clima estava ficando tenso. Allycia começara a se referir a noite em que eu a acolhi no pátio.
– Eu fiz o que meu coração disse para fazer.
– Eu sei, você tem um coração enorme. E eu sei que já te agradeci mais de mil vezes por ter me levado ao seu quarto naquele dia, mas eu realmente sinto que preciso te agradecer mil vezes mais. Se não fosse você, se você tivesse apenas me ignorado ou rido da minha cara, nós não estaríamos passando por nada disso agora – ela concluiu, deixando uma lágrima solitária descer pela sua bochecha.
– Oh, Ally...
– Pare de me chamar assim – pediu, com os lábios trêmulos.
– Mas... Todos te chamam de Ally... – eu disse normalmente, mas sabendo que aquilo a afetara.
– Mas com você é diferente, Austin. Com você, tudo é diferente! Ouvir-te chamar-me de Ally faz meu coração dar piruetas e meu corpo todo tremer. Você... me deixa tão nervosa.
– Alls... Por que tudo isso agora? – perguntei.
– Porque eu não sei se consigo fazer isso, Austin.
Allycia abaixou a cabeça e soltou minhas mãos.
– Eu não sei se estamos prontos — terminou, baixinho.
– Ally, começamos a nam...
– NÃO ME CHAME DE ALLY! – Implorou, começando a chorar.
– Allycia, Allycia, acalme-se.
– Não em público. Por favor, não me chame assim em público!
– Em público? – perguntei, não entendendo mais nada.
– Eu... Não consigo me controlar quando você me chama assim. Soa tão... sexy – ela mordeu o lábio e foi minha vez de corar – Meu corpo fica tão quente e eu... Ai, meu Deus. Eu preciso parar com isso...
– Hey, está tudo bem, meu anjo... – levantei-me e ajoelhei-me ao seu lado. Colei minha testa na sua.
– Em casa, no carro, em qualquer outro lugar, contanto que estejamos sozinhos. Ai sim você pode me chamar de Ally, porque se eu perder o controle, ao menos estaremos sós.
– Ahn, tudo bem. Acho que posso tentar.
Ela respirou profundamente.
– Sei que parece bobagem, mas ninguém nunca fez com que eu me sentisse assim. Ninguém nunca teve esse efeito sobre mim. Por favor, Austin, tente entender e não me achar louca.
– Não, não, claro que não – beijei seus lábios diversas vezes, a fim de acalmá-la – E também não é cedo para nada, entendido? Se estamos juntos agora é porque estivemos prontos para um “sim”.
– Eu não quero voltar atrás.
– E não vamos. Eu prometo.
Fale com o autor