American Movie
23 Are you hotter?
Notas iniciais
Notas Iniciais não são enfeites. Não leu? Volte e leia.
POV Autora – 12 de janeiro de 2020
Austin beijava Ally com carinho. Meg, a pequena criança de apenas dois anos de idade, assistia ao Bob Esponja na televisão.
– Mamãe, tem “mazã”? – perguntou ela, jogando um ursinho de pelúcia azul em Austin.
– É sua vez de pegar a maça – murmurou Ally para Austin.
– Papai, cê vai me dá mazã? Eu quero mazã! – gritou a menina, revoltada.
Austin correu até a cozinha, cortando uma maça em pequenos pedaços. E antes que pudesse colocá-las em um pratinho, Meg apareceu na porta.
– Papai, tem banana?
– Tem, Megan.
– Então eu não “quelo” mais mazã, “quelo” banana.
Pois é, Austin. Vida de pai não é fácil. Ally riu, abraçando seu marido por trás e beijando seu pescoço.
– Megan, o que acha que pedirmos um lanche? Você quer um hambúrguer? – perguntou Ally.
– “BÚGUER” – gritou Meg, animada, jogando todos os seus bichinhos para o alto – Papai, eu não quero mais banana, quero “búguer”.
Parece que é Ally quem manda na casa...
– Em casa, no carro, em qualquer outro lugar, contanto que estejamos sozinhos. Ai sim você pode me chamar de Ally, porque se eu perder o controle, ao menos estaremos sós.
– Ahn, tudo bem. Acho que posso tentar.
Ela respirou profundamente.
– Sei que parece bobagem, mas ninguém nunca fez com que eu me sentisse assim. Ninguém nunca teve esse efeito sobre mim. Por favor, Austin, tente entender e não me achar louca.
– Não, não, claro que não – beijei seus lábios diversas vezes, a fim de acalmá-la – E também não é cedo para nada, entendido? Se estamos juntos agora é porque estivemos prontos para um “sim”.
– Eu não quero voltar atrás.
– E não vamos. Eu prometo.
POV Ally — 03 de março de 2014
Arrumávamos nossas malas para a volta.
Os quatro dias que ficamos aqui se basearam em três coisas: parques, restaurantes e sexo.
Eu nunca havia feito tanto sexo em minha vida. Austin é realmente um namorado muito melhor do que Dallas.
Falando no moreno, eu recebi uma mensagem dele, há algumas horas.
“Kira é uma vadia melhor do que você”, dizia a mensagem.
Sendo bem grossa, porém sincera, quem perguntou isso a ele?
– Allycia? – Austin me chamou.
Depois da minha crise sobre o meu apelido, Austin decidiu que eu deveria ter um novo e, por isso, agora me chama de Alls. Mas isso só ocorre às vezes.
– Diga.
– Você não quer me ajudar a me trocar? – perguntou enlaçando minha cintura. Sorri, colocando minhas mãos em seu peito e tocando seu queixo em minha cabeça.
– Até posso ajudar, mas só se você me ajudar também...
Austin gargalhou. E como era bom ouvir sua risada!
– Anda, – sussurrou em meu ouvido – o ônibus sai em duas horas.
(...)
Eu estava exausta. Era apenas meio-dia, mas eu nem conseguia manter meus olhos abertos.
– Você está quase dormindo – Austin provocou, fazendo cócegas em minha barriga.
– Talvez seja porque eu não consegui dormir essa noite – respondi, mal-humorada.
– Uai. Você que resolveu que passaríamos a noite toda acordados.
– E você não discordou – rebati, deitando a cabeça na janela.
– É claro, eu sou homem.
Revirei os olhos e os fechei em seguida.
– Vou dormir, está bem? – murmurei.
– Quer que eu te chame quando chegarmos? – perguntou, selando nossos lábios enquanto tocava de leve minha bochecha.
– Não, quero que você me abandone aqui – debochei, separando o beijo.
– Dorme, vai – resmungou, deitando minha cabeça em seu ombro.
POV Austin — 04 de março de 2014
Eu odiava segunda-feira quase tanto quanto beterraba. Talvez odeie até mais, já que gosto de rosa e beterrabas são rosas.
Dormi na casa de Allycia, em seu quarto e em sua cama. Mas apenas dormimos, pela primeira vez desde que começamos a namorar. Allycia parecia muito cansada durante as preliminares, então deixei quieto.
Sinceramente, acho que finalmente sei o que é gostar realmente de alguém. O prazer que sinto durante nossas relações sexuais não é por estarmos nos relacionando carnalmente. E sim, por estarmos juntos. Mesmo quando estou apenas dormindo ao seu lado, sinto meu coração bater mais forte e meu corpo tremer.
O que sinto por Allycia é forte demais.
– Então, Austin, você pode me dizer qual é a resposta da dois? – perguntou a professora de física, tirando-me de meus devaneios.
– Ér, a dois é... – eu estava perdido. Não havia nem feito a 1, quanto mais a 2...
– O vetor a = (2,6) e o b = (4,-8). Assim, a resposta de a+b = (6,-2) – Allycia, ao meu lado, murmurou.
– 6 e -2, professora – respondi.
– Ótimo, perfeito!
Alls sorriu convencida, fazendo um certinho ao lado de seu exercício dois.
– Obrigado, amor – sussurrei.
Fechou os olhos e sorriu carinhosamente, colocando a cabeça em meu ombro.
– Não há de quê.
– Eu costumava ser o nerd da relação – brinquei.
– Parece que sua cabeça estava em outro lugar... – ela justificou, segurando minhas mãos – Em que pensava?
– Em você – admiti e observei seu rosto corar.
(...)
Allycia foi a biblioteca há quase uma hora, mas ainda não voltou. Eu já estava começando a ficar preocupado.
Eram 19h32min. Eu estava em meu quarto, deitado na cama, lendo uma revista em quadrinhos sobre um cara louco e tapado chamado Sandman.
E então Ally entrou no quarto, toda molhada. Seu rosto estava inchado e lágrimas escorriam por entre suas bochechas. Seus lábios estavam roxos e ela tremia.
– Meu Deus. O que houve, amor? – murmurei, abraçando-a, afim de esquentá-la.
– Afaste-se – sussurrou – Eu estou toda molhada...
– Não me importo – contrariei, apertando-a mais contra mim – O que aconteceu?
– Kira me empurrou na piscina, na volta da biblioteca. Ela ajustou o controle de temperatura da água e colocou a 6°. A água estava congelando.
– Nossa... – murmurei, incrédulo, sentando-me na cama e colocando-a em meu colo, para não molhar os lençóis – Fique aqui abraçadinho comigo um pouco e quando você estiver ganhando calor novamente, tomaremos um banho. Não quero você com uma hipotermia.
– Obrigada.
Puxando seus cabelos para trás com cuidado, inclinei sua cabeça e tomei seus lábios com os meus, em um beijo quente e caloroso. Sua língua pediu passagem, rapidamente cedida. O beijo era agitado, rápido. Sugávamos as línguas um do outro com pressa, afobados.
– Não tem como tomarmos banho juntos, Aus – ciciou, rindo fraco, quando nos separamos.
– Daremos um jeito.
Devagar e com cuidado, caminhamos até o banheiro masculino, que ficava mais perto do meu quarto. Ninguém nos vira durante o trajeto, mas para a nossa sorte – note-se a ironia – ninguém mais, ninguém menos do que Dallas usava o banheiro.
– Ally! Que surpresa! Depois que terminamos resolveu implantar um pênis?
Allycia encarou Dallas com repulsa.
– Diga a sua namoradinha que se ela me jogar na piscina mais uma vez, ela sofrerá as consequências. A água da piscina estava a 6°, mas conheço lugares em que posso congelá-la, literalmente – ameaçou minha namorada.
– ELA TE JOGOU NA PISCINA?! – Dallas caiu em risadas, colocando a mãos na barriga, como se até doesse de tanto rir – E agora você vai dar um banho nela para esquentá-la? – perguntou a mim, com ironia – Nossa, como são fofos! Você tomou coragem e transou com ela ou ainda é frouxo?
– Dallas, eu não sei por que você ainda usa a palavra “transar”. Sinceramente, essa palavra não faz parte do seu vocabulário e agora eu sei disso – debochou Ally.
– Vai dizer que não sente falta dos meus dedos dentro de você? – perguntou Dallas, tocando o rosto de Allycia. Eu juro que iria virar a mão na cara dele, porém Ally fechou os olhos e respirou fundo. Que merda era aquela? – Vai dizer que não sente falta de meus lábios em seu ombro? Em seus seios? Em sua barriga? Em sua vagina?
Meu sangue subiu. Por que diabos aquele idiota estava falando merdas para a minha namorada e ela estava ofegando? E na minha frente!
– Sei que sente minha falta, Ci – continuou e beijou seu pescoço – Dê banho na sua menina, Moon, eu não vou dizer a ninguém que estão aqui. Dê um banho nela, apesar de eu achar que ela não precisa mais ser esquentada...
Em seguida, saiu do banheiro, deixando-nos sozinhos.
– Que merda foi aquela? – trinquei os dentes, cerrando os punhos.
– E-eu...
– Allycia, que merda foi aquela? Por que ele disse tanta merda? E “Ci”? Que porra foi aquela?!
Eu estava irritado. Sim, eu estava muito irritado. Ally não me respondeu, apenas me puxou para dentro de uma das cabines. Desabotoou minha camisa em silêncio, retirando-a. Depois, puxou minha calça para baixo, deixando-me só de cueca. Retirou sua própria roupa, ficando apenas de calcinha e sutiã, e ligou o chuveiro.
Suspirou, quando a água quente caiu em seu corpo. Ela não havia respondido nenhuma das minhas perguntas, mas eu não a pressionei, pois senti que ela me explicaria tudo. E foi o que aconteceu.
– Dallas me chamava de Ci, durante o sexo. AllyCIa. Era só... Uma maneira diferente de me chamar quando estava excitado – explicou, ensaboando-se, de costas para mim.
– E quanto a todas as outras merdas?
– Austin, nós namorávamos, tudo bem? – seu tom foi grosso e eu recuei um passo, na medida do possível – Nós transamos sim e você sabe disso. Qual é o problema então? O que ele disse que foi demais?
– O problema não foi o que ele disse, Allycia! Foi o jeito que você reagiu! Você até gemeu, quando ele beijou o seu pescoço! – me revoltei, aproximando-me. Ally se afastou, com os olhos arregalados, e atingiu a parede, que aparentemente estava gelada.
– Austin... Eu gostava de Dallas, enquanto namorávamos, ok? Eu gostava dele. Gostava de estar com ele e de beijá-lo. É horrível admitir e nem acredito que eu tenha que fazer isso, porque, meu Deus, nós dois estamos namorando, mas... Dallas ainda tem efeitos sobre mim. E eu preciso de tempo até que esses efeitos cessem.
– Quer um tempo de nós?
– Não! – ela praticamente gritou, exasperada – Eu preciso que você compreenda que, enquanto namoramos, Dallas pode fazer joguinhos comigo. E eu preciso que você saiba que eu vou cair em seus joguinhos, porque eu sou fraca demais para resisti-los. Mas o que eu sinto por você, Moon, não se compara ao que eu sinto por ele. Não chega nem perto. Por ele eu sinto ódio, apesar dos efeitos que ele ainda possui. Mas Austin, eu juro, por tudo de mais sagrado nesse mundo que, se o “amor” existisse, eu te amaria.
Fechei os olhos com força, sentindo o peso daquela palavra.
– Mas sabemos que o amor não existe, certo? Não sentimos amor por nada e nem ninguém, não é? – confirmou, colando nossas testas – Então não se preocupe. Não estou dizendo que te amo, porque não amo. Mas eu te adoro.
– Eu também te adoro, Alls. Te adoro com todo o meu amor – ironizei, roçando seu nariz no meu.
Ally riu. Abri os olhos rapidamente só para constatar o que já sabia: seus olhos também estavam fechados. Fechei os meus novamente.
– Está mais quentinha?
– Estou, obrigada.
– Ótimo. Então o que acha que eu tentar entender exatamente o que Dallas estava falando? – perguntei, descendo minha mão pelas suas costas e desabotoando seu sutiã.
– Aus, estamos no banheiro da escola...
Sorri, mordendo o lábio. Isso me soava erótico, apesar de saber que podíamos ser pegos.
– Seremos rápidos, eu prometo – garanti, tirando a última peça que faltava em seu corpo.
A água caindo em nossos corpos me fazia esquecer tudo ao meu redor. A escola, o diretor, Dallas... Tudo.
– Seja rápido, Austin – murmurou Ally, afobada, colando seu corpo ao meu.
– Não. Hoje eu farei tudo o que Dallas citou.
Beijei seu ombro, sua clavícula, seus seios.
– Que tortura – gemeu, puxando meus cabelos.
Beijei sua barriga e, ajoelhando-me, sua virilha. Introduzi um dedo em sua entrada e senti Ally se contrair em volta dele, fazendo-me colocar mais um. Minha morena rebolou em meus dedos e gemeu baixinho:
– Por favor, Aus, beije-me.
Aprendi, com a prática, que “beije-me” não se referia aos seus lábios. Pelo menos, não aos lábios que ficavam em seu rosto.
Beijei-a então e em poucos segundos Ally chegou ao orgasmo, apertando meus braços para não cair.
– Isso foi...
Levantei-me e a abracei. Um abraço forte, necessitado, quase como se ela não conseguisse ficar em pé sem mim.
– Foi intenso – concluiu – Demais. Você me deixa tão cansada, Austin – murmurou, em meu pescoço.
Desliguei o chuveiro e nos enrolei na única toalha disponível. Torcemos nossas roupas íntimas e as deixamos no tanque, enquanto nos trocávamos.
Allycia me secou, em todos os lugares, e em seguida me vestiu, exceto pela cueca, que estava molhada. Também a sequei, às vezes com a toalha, às vezes com as mãos. Coloquei sua camisola de seda, quase transparente, e constatei que qualquer um que passasse no corredor naquele momento notaria que Ally estava nua por baixo da camisola.
Que excitante.
Voltamos para o quarto e nos deitamos, esquecendo apenas das nossas roupas íntimas dentro do tanque do banheiro masculino.
Fale com o autor