American Movie
18 A little surprise
Notas iniciais
Soltei outro murmúrio, ao sentir sua mão tocando meus seios, por cima do tecido do biquíni.
– Austin, não. Pare. Precisamos parar.
Austin não parou, apenas retirou sua mão de meus seios e impulsionou-me para cima. Enrosquei minhas pernas em sua cintura e voltei a beijá-lo.
Eu o desejo. Meu Deus.
Separamo-nos ofegantes. Meneei a cabeça em negação e ele sorriu arrependido.
– Allycia, eu não consigo mais me controlar quando estou perto de você.
Assenti, demonstrando que o mesmo ocorria comigo.
– Eu não quero que você me ache abusado, mas eu te desejo totalmente e espero que da próxima vez que nos beijarmos dessa maneira, estejamos em uma cama, sozinhos.
POV Austin — 27 de fevereiro de 2014
Senti uma forte pontada no coração. A mesma situação de semanas atrás se repetia e isso me machucava.
– Sentirei sua falta — abracei Dez, que chorava impiedosamente.
– Não me deixe sozinho com a Trish, Austin!
Allycia sorria fraco, encarando a despedida de Dez e Trish em silêncio. Estávamos no aeroporto.
– Vamos, Dez! — chamou Trish — Vamos perder o voo.
Dez assentiu, enxugando as lágrimas e enviou um beijo no ar para Allycia, que devolveu da mesma maneira.
– Ally, mantenha-me por dentro das novidades! — pediu Trish — Sabe do que eu estou falando, não sabe?
Allycia corou e eu não precisei fazer muito esforço para perceber que era sobre mim que as duas falavam.
– Sei, Trish, eu sei. Vou sentir sua falta! Ligue-me quando precisar!
– Pode deixar!
As duas se abraçaram rapidamente, para que Trish e Dez pudessem, finalmente, avançar o portão de embarque.
Em alguns segundos, Allycia e eu estávamos sozinhos.
– Você está bem? — perguntei, reparando na feição amuada que a menina apresentava.
– Estou — respondeu simplesmente — Vamos?
Caminhamos lado a lado até o estacionamento, onde o carro de Allycia estava estacionado. No caminho, segurei sua mão e sorri quando ela tomou a iniciativa de entrelaçar nossos dedos. Sua outra mão segurou meu braço, na altura do bíceps, e ela recostou a cabeça em meu ombro. Sua testa estava quente.
– Pequena, você está mesmo bem? — perguntei, preocupado.
– Estou.
– Tem certeza?
– Aham.
– Promete-me?
– Não.
Sua voz saiu embargada. Paramos de andar, no meio do estacionamento.
Seus braços se enroscaram em meu pescoço e ela me abraçou.
– Vamos para o carro. Lá conversamos, tudo bem? — perguntei.
– Tudo — respondeu, sua voz carregada de mágoa.
Segurei-a em meu colo, carregando-a estilo noiva, com cuidado com o seu vestido. Ela não reclamou, apenas recostou a cabeça em meu peito e chorou ali.
– Se não se importa... Prefiro que conversemos em casa... — ela balbuciou.
– Seu pai não estará lá? — perguntei, temendo que ele descobrisse que estávamos matando aula.
Ela negou. Entramos no carro, eu no banco do motorista e ela, no do passageiro. Dirigi, um pouco atrapalhado, até sua casa.
(…)
– Está triste por causa de Trish? — perguntei.
Estávamos sentados em sua cama. Mayra havia trazido algumas rosquinhas e suco, e prometeu que não contaria nada para o Sr. Dawson.
– Um pouco, mas não é só isso... Bem, a presença de Trish aqui me distraiu um pouco, mas agora que ela se foi, eu me lembrei de que minha mãe não me ligou.
Oh... Então era isso.
– Ela devia ter me ligado no dia 15, Austin! Hoje é dia 27! Eu não tenho notícias dela há mais de um mês! Imagina se algo aconteceu?
Puxei seu pequeno corpo para mais perto, recostando-me na cabeceira e sentando-a em meu colo, de lado. Seu corpo estava entre minhas pernas, que por sua vez, estavam cruzadas. Ela chorou em meu pescoço.
– Eu sinto falta dela, Austin. Sinto falta do meu pai. Sinto falta da família que eu tinha antes. Sei que é extremamente egoísta de minha parte pensar assim, já que eu tenho um pai e uma mãe e não deveria estar reclamando, mas é como se eles não existissem, entende? — Não respondi, deixei que ela continuasse — Eu os amo mais do que tudo!
Alguns minutos de silêncio pairaram no ar.
– Você acredita no amor? — perguntei, curioso.
– Eu? Sim, eu acredito. Não acredito que eu vá um dia sentir o amor por um homem, mas creio que exista entre pais e filhos. E você?
– Não. O amor não existe — suspirei — Se existisse, as pessoas não partiriam.
POV Ally
– Mas isso se chama destino, Austin.
– Não. Eu nunca tive ninguém que me amasse e ninguém para amar. Como vou acreditar que um sentimento existe, se nunca o senti?
Suspirei.
– Eu só queria vê-la. Abraçá-la. Ter uma conversa de mãe para filha como há tempos não temos.
Os músculos de Austin se tencionaram em baixo de mim, e eu senti que havia algo errado.
– O que foi? — perguntei, tocando seu rosto com carinho. Austin fechou os olhos e sorriu.
– Nada, pequena.
– Conte-me — pedi.
– Eu só me sinto tão bem com você... Tenho vontade de te manter no meu colo para sempre.
Meu coração falhou uma batida. Awn, Austin, por que tão fofo?
– Se um dia eu sentir o amor, Allycia, pode ter certeza que será p...
Sua fala foi interrompida por um toque de celular. Seu celular.
Austin encarou o visor com dúvida e sorriu, retirando-me do seu colo, com cuidado.
– Eu tenho que atender — avisou — Já venho.
E ele saiu. Deixando-me com a simples dúvida:
"Se um dia eu sentir o amor, Allycia, pode ter certeza que será p..."
"Por você?"
POV Austin
Sorri animado ao desligar o telefone. Nem acredito que isso dará certo.
Entrei no quarto e a encontrei chorando novamente.
– Oh, princesa, não chore mais... Eu tenho uma ideia. Vamos à praia?
Allycia assentiu.
– Tudo bem se eu não colocar biquíni? — perguntou, envergonhada.
– Não, tudo péssimo. Vá se vestir.
(…)
Eram 16:46. Allycia estava linda! Usava um biquíni tomara-que-caia azul-bebê e uma saída de praia branca por cima.
– Vamos? — perguntei, segurando sua mão.
(…)
A praia estava ótima. O mar parecia calmo, sereno, mas decidimos que devido ao vento que fazia, não entraríamos. Colocamos os chinelos na sacola que levávamos para poder pisar na areia macia.
Allycia andava de cabeça baixa, deixando-me guiá-la. Seus dedos quase nem apareciam em nossas mãos entrelaçadas.
Eu poderia conviver com isso. De verdade.
Meu celular vibrou. Encarei a mensagem e sorri.
– Allycia, você lembra o que você ganharia caso tivesse vencido a aposta que fizemos na piscina?
– Hm, você teria que convencer meu pai a me deixar ligar para mamãe.
Assenti.
– Apesar de só querer seu bem e ter tentado falar com seu pai, mesmo com você perdendo a aposta, ele não deu permissão para que você ligasse para ela, sinto muito.
Allycia respirou fundo, ainda de cabeça baixa.
– Pequena, olha para cima — pedi, acariciando sua mão com meu dedão.
Allycia obedeceu, e ao realizar a ação, paralisou.
– Mamãe? — perguntou, com os olhos marejados, encarando a mulher que se encontrava a alguns metros de nós.
– Ally... — Penny sorriu, emocionada.
Allycia correu de encontro a sua mãe e a abraçou. Apesar de um pouco distante, eu podia escutá-las.
– Como, mãe? Como veio parar aqui?
– O seu pai disse que eu poderia vir e ficar alguns dias, querida!
Allycia sorriu, em meio as lágrimas, e abraçou novamente.
– Mas por quê, mãe? Por que o papai mudou de ideia?
Penny sorriu para mim.
– Então você é o Austin? — sorri, assentindo — Obrigada, Austin, eu realmente precisava disso.
Allycia me encarou, ainda longe, sem entender.
– Seu pai não deixou que você ligasse para sua mãe, porque eu consegui convencê-lo a trazê-la aqui.
A menina sorriu, encantada e um pouco surpresa. Penny gargalhou de sua feição e deu um pequeno empurrãozinho em seu ombro.
Allycia, então, correu em minha direção. Suas pernas envolveram meu corpo, assim como seus braços. Levei minhas mãos a seu quadril, para segurá-la melhor.
– Obrigada, Austin! Obrigada — murmurou, chorando novamente em meu pescoço.
Ainda em meu colo, ela se afastou um pouco, apenas o suficiente para colar seus lábios aos meus, beijando-me em frente a sua mãe. Não me importei com esse último detalhe, pelo contrário, levei uma das mãos que estavam a segurando até seu rosto, emaranhando-a em seu cabelo e aprofundando o beijo.
Era impressionante o choque eu sentia quando sua língua tocava a minha. Ficamos ali, apenas demonstrando o quanto estávamos conectados, por alguns minutos.
Separamo-nos, sem ar. Allycia encarou sua mãe, envergonhada. Soltei-a. Seus pés tocaram o chão de maneira tão delicada, que ela quase caiu. Segurei sua cintura, colando seu corpo ao meu.
– Espero que você tenha gostado da surpresa — murmurei, ofegante.
– Eu amei, Austin. Obrigada.

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