American Gurls

16 You're Worth It.


Notas iniciais
Olha só quem está vivinha da silva... Eu! Hahaha vocês devem estar querendo me enforcar, né? Mas não façam isso até o fim da história, por favor. Apesar da demora, acredito que caprichei nesse capítulo que é extremamente Jamessica (Essa junção de nomes ficou uma vergonha, mas tudo bem). Eu até mostrei o final para a minha amiga que me inspirou a personagem da Jessica e, sem querer me achar hehe, ela gostou muito. Espero que eu consiga agradar a vocês também! Sei que vocês esperaram muito tempo por este capítulo, então o mínimo que eu posso fazer é fazer vocês felizes agora. Depois que lerem NÃO esqueçam de deixar a review, por favor! Vi que meu número de leitores aumentou consideravelmente, então não tenham medo de falar comigo porque eu adoraria de saber a opinião de todos vocês! Boa leitura lindezas, xoxo!

Logan

Segunda-feira, alguns minutos depois das oito da manhã. Como de costume eu, Kendall, Carlos, porém sem o James, estamos imóveis em frente ao prédio da Rocque Records. Qualquer um que passe por aqui pensaria que nós éramos três estátuas. Aliás, três estátuas de expressões muito nervosas.

– Ainda dá tempo de chamar o nosso James falso... – Carlos insistiu pela milésima vez em seu plano "genial".

– Carlos, quantas vezes vou ter que te dizer que o Gustavo com certeza não vai cair nessa de que o Budda Bob disfarçado de James é mesmo o James? – Kendall o repreendeu, e eu controlei o riso pressionando os lábios. O nosso zelador vestido de James é hilário, eu tirei várias fotos de lembrança.

– E então o que nós vamos fazer? Gustavo vai nos fuzilar! – Carlos se desesperou.

– E-eu sei lá o que vamos fazer!... Logan, você é o inteligente, pensa em alguma coisa. – E como eu já esperava, jogaram o peso pra cima das minhas costas.

– O quê? Oh, ok. O-ok... – Mordi o lábio inferior, apreensivo porque eu não conseguia pensar em nada. Vamos, Logan, pensa... Coloquei as mãos na cintura e comecei a encarar um ponto a minha frente para tentar clarear a mente, mas não funcionou muito bem. – Já sei!... Ah, não, isso não. Urgh, desisto. – Frustrei-me. – O melhor que consegui pensar foi que... Temos entrar por essas portas, rezamos um pouco no elevador, e depois a gente vê o que acontece.

Kendall e Carlos, e, apesar de eu ser bem racional na maior parte do tempo – menos quando estou sozinho com Barbara –, eu fui mesmo rezando até chegar ao andar do escritório do Gustavo. No entanto eu também não conseguia parar de pensar: Em que foi que James nos meteu?!

– Garotos! – Kelly nos assustou no momento que cruzamos o corredor. Ela parecia tão aflita que nem pareceu notar que faltava o mais alto de nós, mas se ela notou, com certeza não estava se importando. – Desculpem-me por não ter avisado antes, devo ter esquecido, mas vocês ganharam com o resto da semana de folga.

– Sério?! – Exclamamos ao mesmo tempo, por o destino tem conspirado a nosso favor e ter facilitado as coisas. Uma semana de folga era o tempo perfeito que precisávamos para trazer o James de volta para casa sem que o Gustavo não desconfie de nada. E isso era como se tivessem me tirado aquele peso das costas.

– Hum, mas só por curiosidade, porque estamos de folga? – Perguntei tentando parecer indiferente, apesar de curiosíssimo.

– Bem, Griffin enlouqueceu e ordenou que Gustavo achasse “mais uma máquina de fazer dinheiro e que canta” o mais breve possível, ou seja, nós vamos passar a semana toda procurando por uma “estrela” que aceite assinar um contrato com a Rocque Records.

– Uau, eu não quero nem saber como vocês vão conseguir fazer isso. Boa sorte! – Kendall disse, puxando Carlos e eu pelos braços para irmos embora dali antes que a nossa sorte momentânea passasse.

– Meninos! – Paralisamos no lugar. Droga, porque ela tinha que nos chamar quando a gente estava praticamente virando o corredor? – Esqueci de perguntar. Cadê o James?

– U-uh... – Kendall empurrou meu ombro, me obrigando a pensar mais rápido numa resposta. – Ele dormiu demais e nós desistimos de esperá-lo. Até semana que vem, Kelly! – Dei a desculpa mais esfarrapada que me veio em mente e acenei para trás antes de sumirmos completamente do campo de visão dela.

Quando finalmente entramos no elevador, Kendall, Carlos e eu compartilhamos high-fives e comemoramos o sucesso do meu plano de “rezar e ver o que acontece”.

James

– Boa tarde, preguiçoso! – Exclamou a voz que, se eu não me engano, era a mais bela que eu já ouvira. Óbvio que eu estou falando sobre Jessica.

Uma luz repentina dominou no quarto e eu cerrei os olhos desacostumados com a claridade.

De repente acabei lembrando que eu não estava mais no meu apartamento em Hollywood, e sim no Rio de Janeiro, Brasil, uma cidade que eu mal conhecia. Além da claridade, eu não havia me acostumado ainda com a realidade. Eu havia mesmo feito essa loucura.

Esfreguei as pálpebras e tentei levantá-las para poder enxergar o motivo da minha insanidade. Jessica estava parada com os braços cruzados ao lado do interruptor de luz da parede, o que explicava o fato de eu quase ter sido cegado.

– Que horas são...? – Perguntei assim que consegui me sentar na cama, ainda tonto de sono.

– São uma da tarde. – Ela respondeu enquanto se dirigia à janela, então acabei notando que ela estava vestida com o uniforme escolar, uma calça jeans escura e uma blusa de mangas curtas com o nome da escola escrito no peito. Até aquela roupa ficava adorável nela. – Você não devia ter dormido tanto. Mal cheguei da escola e a mamãe já veio reclamar no meu ouvido sobre o quão preguiçoso você é. Acabei tendo que dizer a desculpa do fuso horário pra ela. – Ela contou abrindo as cortinas e em seguida as janelas, deixando o vento quente e o sol forte entrarem.

A verdade é que eu não estava nem mais lembrando o que Jessica havia acabado de falar. Eu só conseguia notar os raios de sol refletindo sobre aquela pele morena... Uau, calma coração.

– Aham, o fuso horário... – Foi o que eu consegui dizer. O sono também não me ajudou muito a raciocinar.

– Lerdo. – Jessi riu. – Ei, eu estava pensando o seguinte: Já que eu não tenho que retornar à escola hoje à tarde, eu vou tomar um banho, me arrumar, e você faz o mesmo. Aí quando terminarmos a gente se encontra lá embaixo. Nós saímos pra almoçar e te mostro um pouco da Cidade Maravilhosa, ok?

– Parece ótimo.

Jessica sorriu satisfeita e, assim que saiu do quarto, eu me apressei a tomar banho e me arrumar. Não que eu precisasse de muito tempo pra ficar mais bonito.

Tomei uma ducha morna, coloquei roupas leves caso aqui fosse quente como dizem, passei bastante perfume e enfim saí do quarto para encontrar com Jessica no andar de baixo. Do alto da escada vi que Jessi estava escorada no corrimão ao fim da escadaria com uma bela cara de tédio. Aliás, ela estava lindíssima.

– Finalmente! Você demora como uma garota pra se arrumar, cara. – Jessi disse assim que me viu. Levei seu comentário na esportiva e ri junto com ela.

– Bem, eu estou vestido apropriadamente para sua cidade, não estou?

– É, pelo menos você não está que nem aqueles turistas que se vestem como se aqui fosse o Hawaii.

Eu ri, mas a minha vontade era de segurá-la pela cintura e beijar aquela boca risonha.

– Olha, enquanto você tomava banho, eu chamei o táxi, e ele chegou ainda agora. Só me espera um pouco que eu vou avisar pra mamãe que a gente já está indo.

Eu esperei do lado de fora da casa, deixando a porta da frente entreaberta enquanto Jessi ia lá em cima. Acenei simpaticamente para o taxista que estava dentro do seu carro, parado na rua. Então o que era pra ser só um breve aviso, deu pra escutar daqui de baixo que se tornou uma discussão. Um momento depois, Jessica apareceu, ela não aparentava brava, só estava séria.

– O que aconteceu lá dentro? – Perguntei enquanto caminhávamos pro táxi.

– Ah, minha mãe me tirando do sério como sempre. – Paramos um instante e eu fiz questão de abrir a porta pra Jessi entrar antes de mim. Quando nós estávamos já dentro, ela disse para o taxista em português para onde íamos. Depois eu olhei para ela, esperando-a contar o que ela e sua mãe discutiram. – Minha mãe reclamou que a gente podia muito bem almoçar em casa, em vez de ficar gastar dinheiro por aí. Eu falei que eu só ia te mostrar a cidade, então ela disse que eu devia estar estudando pra passar no vestibular, a não ser que agora eu tenha decidido ser guia turística. Eu gritei com ela, dizendo: "E daí? Você não sabe se é isso mesmo que eu quero. E se eu não quiser fazer vestibular? A vida é minha!". Aí depois disso eu não sei o que ela disse por que eu saí.

Fiquei sem saber o que falar, afinal não sou muito bom em dar conselhos. No fundo senti uma pontada de culpa, pois tecnicamente elas brigaram por minha causa. E, acredite ou não, eu senti um pouco de inveja de Jessi. Eu queria ter a mesma coragem que ela de levantar a voz assim pra minha mãe.

– Ãn... Sinto muito que você e sua mãe brigaram. – Foi o melhor que eu pude dizer, e pra compensar caprichei na minha expressão de compaixão.

– Tudo bem. – Jessi deu ombros, como se não se importasse por já estar acostumada.

De repente um celular começou a tocar, e não era o meu. Só sei que a minha voz estava cantando nesse celular. O toque era Worldwide, a canção que descrevia parte dos meus sentimentos por Jessica. E ela escolheu como toque do seu celular. Será que ela conseguia entender que aquela canção era dedicada à ela?

Ela tirou o telefone – que tinha uma enorme capa de panda – da bolsa e atendeu.

Alô?... Barbara!... Hã? Ah, ele tá aqui sim... Peraí. – A única coisa que eu consegui entender foi "Barbara". – Ela quer falar com você. – Jessi me estendeu o telefone extremamente confusa, e acabou me deixando confuso também. Peguei o celular e coloquei no meu ouvido.

– A-alô?

– James! Que parte de "me liga quando chegar ao Rio de Janeiro" você não entendeu? – Certo, eu já esperava por uma bronca.

– Tecnicamente você me disse pra ligar só se houvesse um problema...

– Não interessa! – Ok, péssima hora pra contrariar Barbara. – Era pra você ter ligado para ao menos dizer que estava vivo!

– Foi mal.

– Foi mal?! Ok! Agora me responde por que eu não consigo ligar pra porra do seu telefone! – Naquele momento dei graças a Deus por eu não estar em Los Angeles agora. Senti pena do Logan por ter que aturar a Barbara de TPM.

– Oh, eu acho que me esqueci de tirar ele do Modo Avião.

Barbara respirou fundo, mas acho que não adiantou muito.

– Então aproveita compra um remédio pra essa tua amnésia! – De repente escutei um barulho com o telefone no outro lado da linha, e a voz que falou comigo não era de Barbara agora.

– E aí, cara! Como é que é aí no Rio? – Perguntou Logan. Eu fiquei curioso pra saber como ele arrancou a celular das mãos de Barbara.

– E aí! Eu ainda não tive chance de ver muita coisa desde que cheguei, mas a Jessica disse que vai me mostrar a cidade.

– Hum, então aproveita bastante aí, porque eu tenho boas notícias. O Gustavo está procurando por um novo talento pra gravadora, e enquanto ele não acha, nós ganhamos uma semana de folga.

Esta notícia não podia ter vindo em melhor hora. Uma semana de folga! Uma semana ao lado de Jessica. Pode até parecer pouco, mas cada momento a mais que eu posse estar com ela, é ótimo. Quero dizer, é mais que ótimo. É perfeito.

– Sério?! – Exclamei sem conter o sorriso.

– Aham. Pode ficar sem se preocupar durante uma semana, mas não vai resolver ficar por aí, ok?

– Isso não posso prometer. – Brinquei e Logan riu comigo. Porém tomei um susto quando consegui escutar Barbara gritando "Logan, vem aqui agora!".

– Uh, James, vou desligar. A Barbara não está num humor muito bom hoje.

– É, eu percebi. Boa sorte.

– Valeu, e na próxima vez que decidir atravessar o continente, avisa, viu?

– Pode deixar. Tchau, cara.

– Calma, Barbara! – Logan exclamou para sua namorada antes de desligar. Devolvi o celular pra Jessica, e ela me olhou com curiosidade.

– Sobre o que você ficou tão animado?

– Parece Gustavo está procurando um novo talento pra gravadora, e deu pra mim e pra banda uma semana de folga enquanto ele procura.

– Sério? Então você vai passar o resto da semana aqui, sem nenhum problema?

– Yeah!

– Que ótimo, James! – Então Jessica me abraçou. Eu não esperava por isso. Eu não esperava que ela ficasse tão animada quanto eu. Num instante quase acreditei que ela sentia o mesmo que eu. E por um momento, esqueci que nós estávamos dentro de um táxi, e a abracei mais forte. Senti Jessi se confortar nos meus braços, e eu me dopei pelo cheiro doce do seu cabelo. Agora eu tinha o resto da semana pra admirá-la, protegê-la, amá-la. Cada segundo ao lado dela seria aproveitado.

Infelizmente nós nos afastamos. Jessi parecia envergonhada, desviava o olhar todo o tempo, como se tivesse sido impulsiva demais. Mas eu não liguei. Acho até que ela reparou a cara que eu fazia ao olhar para ela. Meus sentimentos por ela estavam todos ali, estampados no meu rosto. Se Jessica não percebeu que eu estou perdidamente apaixonado por ela, ela precisa urgentemente de óculos.

Jessica abaixou a cabeça e virou-se pra olhar na janela. A minha esperança se apagou, e eu fiquei encarando meu colo até chegarmos ao destino. Jessi pagou o táxi e nós descemos na frente do que eu tinha quase absoluta que era um restaurante japonês.

– Por um acaso gosta de sushi? – Ela perguntou com um sorrisinho de canto.

– Quem não gosta, né?

Jessi riu e nós caminhamos para dentro do restaurante. Logo um garçom – que falava inglês! – nos conduziu a uma mesa e nos entregou os cardápios, deixando-nos sozinhos para escolher. Mas o cardápio estava em português, quero dizer, menos os nomes dos pratos que era todos em japonês, o que me deixou mais aliviado. O garçom voltou e Jessi pediu um Hot Temaki de salmão e uma porção de hot sushi de salmão. Uau, eu não sabia se aquilo era fome ou era porque ela amava muito sushi. Eu pedi um Temaki de salmão e meia porção de Sashimis de Kani. Para beber eu só pedi uma água, e Jessica pediu um negócio chamado "guaraná". Nós conversamos um pouco sobre o que faríamos e que lugares visitaríamos durante minha semana de folga, até que a nossa comida. O brilho nos olhos de Jessica foi instantâneo, tanto que eu queria que ela olhasse pra mim como ela olhava praquele Temaki. Jessi tentou inutilmente me ensinar a usar aqueles palitos que ela chama Hashi da forma correta, mas acabei desistindo e comendo Sashimi no espeto.

Terminamos nosso almoço, cada um pagou sua parte – apesar de eu ter insistido em pagar tudo – e Jessica sugeriu irmos andando até a famosa praia de Copacabana, que era à duas ou três quadras daqui. A caminhada serviu pra fazer a melhor digestão de toda aquela comida japonesa, e acabei notando que comida japonesa tinha o mesmo efeito em Jessica que o chocolate tinha em mim. Ela estava mais animada. Ao chegar à avenida, eu me deparei com o calçadão e em seguida a praia do outro lado da pista. Aquelas imagens que eu só havia visto na televisão, internet e etc, estavam no meu campo de visão. Jessica e eu atravessamos a avenida e começamos a caminhar pelo calçadão. O dia estava quentíssimo e ensolarado, eu estava suando à beça, mas Jessica parecia não ligar, por já estar acostumada. Eu preciso comentar o quão radiante ela estava ao sol?

– Amanhã eu te levo ao Cristo Redentor e de lá a gente vem pra praia, o que acha? – Jessica sugeriu, e eu somente concordei. Depois, eu insisti pra gente tirar fotos juntos ali. Após as fotos, passou um cara empurrando um carrinho de picolé, e eu comprei um de morango pra mim e Jessi comprou um de "tapioca" pra ela. Essa tarde me fez ter certeza que eu podia facilmente passar todas as tardes da minha vida com Jessica. Mas se ela ao menos soubesse disso...

Nós sentamos num banco e ficamos virados de frente pra praia e aproveitando as sombras das árvores dali, e conversamos bobagens e sentimos o vento quente bater nas nossas caras por um tempo. Às vezes eu olhava pra Jessica e não conseguia acreditar que ela estava aqui ao meu lado, mas ela estava. Porém mesmo assim eu não podia segurar a mão dela. Frustração era a definição do que eu estava sentindo no momento.

Eu não conseguia mais aguentar ficar nessa situação. A zona da amizade é a pior coisa que existe. Se ainda fosse virtual, aí tudo bem, porque pelo menos antes eu me conformava de que não havia nada que eu podia fazer. Mas agora Jessica está aqui ao meu lado, saboreando seu picolé e rindo do moleque que tropeçou e caiu com a cara na areia! A vida está praticamente esfregando na minha cara a oportunidade perfeita de ter Jessi só pra mim agora. E eu não vou deixar ela escapar.

– Jessica. – Falei seriamente, fazendo-a parar de rir e olhar pra mim.

– O que foi?

É agora.

Eu segurei o queixou de Jessica, e colei seus lábios nos meus.

Jessica

Meu picolé de tapioca despencou da minha mão. Eu não havia nem fechado os olhos com de tanto choque. Fui muito de repente... Em um momento eu estava rindo do garoto que caiu com a cara na areia, e de repente, no outro momento, eu estava com meus lábios grudados nos de James. Porque ele estava fazendo isso?

Tudo que sei é que meu estômago não estava com um simples friozinho, era mais uma rajada de vento das montanhas. Mas percebendo que eu não havia retribuindo ao beijo, senti que James estava se afastando, mas eu não o deixei fazer isso. Estranhamente, eu desejei que ele prosseguisse. Então eu fechei os olhos, passei meus braços em volta do pescoço dele e cedi ao charme de James Diamond.

Quando ele percebeu que eu havia retribuído ao seu beijo, senti os lábios dele formarem um breve sorriso. Escutei um barulho de algo caindo, acho ele havia jogado o picolé dele no chão. James tirou de mim a sua mão que ainda segurava meu rosto, e junto com a outra mão livre, ele segurou firmemente minha cintura, trazendo-me mais pra perto. Eu estava adorando só a pressão dos lábios de James sobre os meus, mas ele decidiu aprofundar o beijo. E eu deixei, apesar de estar muito nervosa por dentro. Não pensei que um dia chegaria a confiar em alguém novamente a ponto de deixá-lo me beijar de verdade. Mas James era diferente, eu sempre confiei nele, e sei que ele nunca me faria nenhum mal.

A boca de James tinha gosto de picolé de morango. Como eu já suspeitava, ele beijava maravilhosamente bem. Era como se ele já possuísse um mapa da minha boca, portanto já sabia que caminho percorrer com sua língua. Eu não sentia o chão abaixo dos meus pés, eu estava nas nuvens. Rápido era pouco para a velocidade em que meu coração batia.

Infelizmente, como tive a impressão que eu estava beijando James há uma eternidade, nós afastamos aos poucos, terminando o beijo com uns selinhos. Quando abri meus olhos, eu me dei conta do que havia acontecido. Aquele beijo teve tantos significados que seria mais fácil anotar tudo num caderno. O significado mais importante era que James sentia muito mais que amizade por mim, e eu... Também sentia o mesmo. Não havia imagem melhor no mundo que a do olhar de avelã de James assim tão perto de mim. Era como a porta para o paraíso. James não conseguiu conter o sorriso, e acabou me contagiando. Ele tirou as minhas mãos da nuca dele e firmemente as segurou em cima do meu colo, acariciando minha pele com o seu polegar, enquanto ainda me encarava com um pequeno sorriso.

– Há quanto tempo você...? – Eu não soube como formar direito aquela pergunta, mas a minha curiosidade me obrigou a fazê-la. Pelo menos James entendeu.

– Há quanto tempo eu gosto de você? Ah... Faz muito, muito tempo mesmo, Jessi. Mas valeu a pena esperar. Você vale a pena.

Senti-me envergonhada por nunca ter percebido, mas agora tudo parecia mais claro. A maneira como James se preocupava comigo, como ele sempre se esforçava em me fazer rir, como ele me ajudava até nas piores horas, como ele nunca deixou de manter contato comigo... E como ele viajou o continente todo por mim. De repente, percebi que James Diamond era muito, muito mais que só um cara egocêntrico e vaidoso. Ele tinha um coração que, nesse momento, batia por mim. E o meu, bem... Batia por ele.

Dessa vez, eu tomei a iniciativa e beijei James. Avancei para os lábios dele como se fosse necessário para minha sobrevivência, e o beijei lentamente para aproveitar cada segundo daquele gosto de morango. Qualquer pessoa que me esperasse por tanto tempo, e que depois atravessasse o continente sem se importar com as consequências só para me ter, com certeza essa pessoa merecia meu amor.

Como antes eu fui tão cega pra não enxergar que tudo que eu precisava estava bem aqui ao meu lado?