Notas iniciais
OOOOOOOOOOOI LEITORES LINDOOOS. MIL PERDÕES PELA DEMORA IMENSA SORRY SORRY SORRY. Mas eu tava com dois problemas hórriveis: Falta de Criatividade e Preguiça. Foi uma luta pra eu conseguir escrever esse capítulo, mas em compensassão, ele está enooooooorme! A partir de agora vou dar um pouco mais de foco na Jessica até as coisas da vida dela se resolverem e só depois vou começar a postar todas as maldades que eu tenho planejadas pra Barbara coitada hahahaha.Bem, é isso. Es peor que gostem e tenham uma boa leitura!Xoxo!

Playlist:

Cry – Kelly Clarkson

Because of You – Kelly Clarkson

Give me Love – Ed Sheeran

Carry You Home – James Blunt

Alguns dias depois...



Jessica

Acordei novamente, urgh. Nem fiz questão de levantar da cama como sempre, afinal, pra quê? Não faria diferença nenhuma, pois eu não faço diferença. Abracei meu urso panda com a cabeça costurada e apenas fiquei encarando o teto por um tempo, pensando na vida e... Uau, como foi que o mundo começou a conspirar contra mim tão de repente? É tanta coisa acontecendo comigo, e olha que eu mal saio do quarto ultimamente. Nem pra ir pra escola. Meus pais acham que eu fiquei maluca, que eu mesma destruí meu quarto quebrando tudo e jogando todos os presentes fora, e entrei numa depressão profunda só porque ele terminou comigo. Pois é, eles não sabem do que aconteceu. Quando me viram toda machucada, eu disse que eu havia caído da escada. Mentira perfeita, né? Eles acreditaram direitinho, mas inventaram de querer me levar pro hospital pra fazer um “check-up completo” e ver se eu não havia tido nenhum ferimento sério. Eu não concordei, claro, eu não podia correr o risco de eles descobrirem por um médico o que realmente havia acontecido. Por essas e outras razões eu não saio mais de casa. As outras razões é... O medo. Sim, eu sinto um medo do caralho de por o pé pra fora de casa e dar de cara com... Ele. Prefiro ficar sozinha, na segurança do meu quarto, longe de tudo que possa me fazer mal.

No entanto, confesso que às vezes sinto saudades de muita coisa. Tipo dos meus amigos da escola e do teatro e principalmente daqueles amigos que estão lá do outro lado do continente vivendo suas vidas perfeitas e sendo felizes. Barbara e James, que saudades. Os melhores amigos que eu já pude ter, eu não posso mais manter contato. Meus dedos coçam para ligar o celular, que está desligado há dias, e discar o numero de algum deles só pra... Desabafar. Dá um aperto no peito por guardar esse sofrimento pra mim. É como um balão que vai se enchendo de ar... Até que uma hora estoura.

Do lado de fora do quarto, escuto as vozes dos meus pais no corredor. Estavam discutindo mais uma vez. Bufei e passei a mão no rosto. As coisas tem piorado cada vez mais, de todas as maneiras. Minhas vidas social, amorosa e familiar andam um lixo. Comecei a prestar mais atenção na discussão, pois meu pai falava tão alto que chegava a quase gritar. Se bem que eu tinha quase certeza de sobre o que eles brigaram.

–... Se aquela menina não sair daquele quarto, eu vou atrás daquele ex-namorado dela! – Papai exclamava. – Eu sabia que não ia dar certo, Mônica. Mas aí você veio com essa história de “Deixa a garota namorar, já tá na idade”, e olha só no que deu! Isso tudo é culpa sua!

– Para com isso, Eduardo. A Jessica só tá um pouco abalada. Isso é normal no fim dos namoros, vai passar.

– Normal? Nossa filha tá numa depressão e você diz que isso é normal?! O que é que tem de normal nisso, se daqui a pouco ela vai precisar de um psicólogo?!

– Olha, eu não sei! Mas eu vou dar um jeito, vou falar com ela. Nossa Jessica não precisa de psicólogo.

– Eu acho bom. – Depois disso só escutei passos fortes descendo a escada.

Que ótimo, meus pais estavam brigando por minha causa novamente. E se tinha como eu me sentir pior, eu me sentia.

– Filha... – Ouço a voz da minha mãe ao abrir a porta do meu quarto devagar.

– Mãe! Eu já disse pra você bater antes de entrar, que droga! – Afundei minha cabeça no travesseiro com revolta.

– Desculpa, mas a gente precisa conversar.

– Eu não quero conversar, vai embora, por favor?

– Jessica, você precisa me contar o que está acontecendo com você!

Senti minha garganta doer e meus olhos começarem a transborar, embaçando minha visão. Escondi-me completamente debaixo do edredom, na esperança de que minha mãe não visse minhas lágrimas. Mas ela podia escutar meu soluço.

– Jessica... Não chora, filha. – Percebi que o colchão havia afundado um ponto ao meu lado. Minha mãe havia sentado, e tirara o edredom da minha cabeça e começara a fazer carinho no meu cabelo. – Por favor, me conta o que está acontecendo. Eu não aguento mais te ver desse jeito. Há dias que você não sai desse quarto, só come se eu trouxer a sua comida aqui, se recusa a ir pra escola e até pro teatro. O que foi? Tem haver com o... Diego?

Meu corpo se arrepiou dos pés a cabeça só de ouvir aquele nome. Virei o rosto para olhar para minha mãe. E ela me encarou como se soubesse a resposta.

– É por ele, não é? – Ela suspirou e enxugou minhas lágrimas. – Eu sei que você gostava muito dele, dá pra perceber, mas você não pode ficar sofrendo por causa de um término pra sempre, minha filha.

Se ela ao menos soubesse que não era nada disso... Ah, mas eu preferia mil vezes que ela acreditasse que era por esse motivo que eu estava assim. Era bem melhor.

– Eu sei que deve estar sendo difícil pra você, mas não fique assim. Você não merece ficar chorando por causa de homem nenhum, viu? Diego não merece suas lágrimas. Afinal, você sempre foi uma menina tão forte... – Ela torceu a boca e acariciou meu rosto. Era doloroso ver minha mãe triste por minha causa. Ficamos em silêncio por um tempo. – Vá tomar um banho, coloque uma roupa bonita e eu te levo no shopping, ok?

Eu assenti e forcei um pequeno sorriso.

– Te amo. – Ela se inclinou e beijou minha testa, depois saiu do quarto sem esperar que eu dissesse nada em troca.

Uou, avalanche de sentimentos. Estou começando a me acostumar com isso. Raiva, tristeza, mágoa, culpa, saudades... A vontade que eu tenho é de comprar uma máquina do tempo, voltar pra um ano atrás e fazer tudo de novo. Só que fazer tudo certo dessa vez. Começando por não aceitar o pedido de namoro de Diego. Esse sim foi um grande erro, mas eu estava tão apaixonadinha que nem percebi que era a maior roubada da minha vida. Agora depois do que ele fez comigo, lembrar dele é como cutucar uma ferida infeccionada. Uma ferida que não fecha nunca.

Com coragem e lentidão me levantei da cama. Minha cabeça girou um pouco, afinal não era nada fácil levantar depois de tantos dias. Fui ao banheiro e tomei um banho super demorado, quando sai coloquei uma roupa básica e puxei mais um pouquinho de coragem do fundo do peito pra sair finalmente daquele quarto. Desci as escadas lentamente e caminhei para a sala. Meus pais estavam assistindo televisão, mas na mesma hora que eu apareci eles se viraram para mim e me encararam completamente surpresos.

– Vamos? – Chamei minha mãe. Ela se levantou e veio até ainda assustada. – Tchau pai, até mais tarde.

– T-tchau, filha. – Ele disse e sua expressão surpresa desapareceu, dando lugar para um sorriso.

Minha mãe e eu saímos de casa, fomos pro carro e mamãe dirigiu em direção ao shopping. O resto da tarde havia sido incrivelmente normal, mas mesmo assim eu fiquei nervosa em alguns momentos. Tive medo de virar o rosto e dar de cara com Diego, ficava olhando para os lados a todo instante, mas depois tentei me distrair e tentar não me preocupar. Minha mãe e eu fomos ao cinema, lanchamos na praça de alimentação, conversamos à beça sobre vários assuntos, fizemos compras, e conversamos um pouco mais. Porém no caminho de volta para casa, mamãe tocou num assunto inexperado.

– Você tem falado com a Barbara... Ou com aquele seu amigo dos Estados Unidos?

– Não.

– Ah. – Falou de um jeito como se já soubesse, e já tivesse um plano de conversa traçado. – Bem que você podia visitá-los nas férias, sabe? Devem estar morrendo de saudades de você lá, você pode até passar o mês todo em vez de uma semana só.

– Mãe, e não sei...

– Filha, pelo menos pensa sobre isso. É só o que eu te peço. Eu acho que... Vai ser bom pra você.

Respirei fundo e olhei para as minhas mãos no meu colo.

– Tá, vou pensar.

Minha mãe parecia estar fazendo todo que podia pra me ver feliz de novo. Apesar de que eu acho que vai ser difícil voltar a ser como era antes. Mas... Não dá pra ficar me escondendo pelo resto da vida, eu tenho que encarar a realidade, certo? Tenho que começar a perceber que as coisas não vão se acertar se eu continuar dentro do meu quarto. Diego é apenas um capítulo passado da minha vida, e está na hora de seguir em frente. Vai ser muito difícil esquecer tudo que aquele canalha fez pra mim, eu sei, mas eu só vou saber se eu tentar. Sei que essa ferida não vai sarar da noite pro dia, pois ela está muito profunda e às vezes tende a sangrar. Mas eu vou tentar superar isso. É pro meu próprio bem, e... Eu sinto muitas saudades de Los Angeles. Tanto da cidade quanto das pessoas. Na verdade, principalmente das pessoas.

Quando chegamos em casa, separei minhas compras das de minha mãe, dei um beijo no rosto de meu pai – nem preciso comentar que ele ficou super surpreso – e subi pro meu quarto. Procurei meu telefone que estava guardado há dias desligado na gaveta e criei um poço de coragem para enfim ligá-lo. Assim que ele iniciou tomei um baita susto. Uou, haviam quase cem chamadas não atendidas de James. Eu devia tê-lo deixado muito preocupado. Eu queria ligar pra ele, mas algo me impedia de fazer isso. Eu tinha medo só de imaginar que tipo de perguntas ele faria. Não ia dá. Resolvi então ligar pra minha velha amiga Barbara. Nossa... Que saudades. Tomara que ela não note nada de diferente em mim, mas do jeito que ela me conhece é bem capaz.

James

Perdi a conta de quantas vezes apertei o botão de chamar no meu telefone só hoje. Minhas unhas estão todas ruídas. Preocupação e Aflição já estão virando meu sobrenome. Há dias que Jessica sequer me dá um sinal de vida. Sempre com o telefone desligado e nunca mais a vi online no Skype. Eu só queria saber... O que aconteceu? Ah, eu não aguento mais de curiosidade. Não quero mais sentir isso. Eu não quero mais sentir meu peito ser esmagado pelo desespero, pois é, sem dúvidas, a pior sensação da minha vida. Sinto um aperto no coração apenas em relembrar daquele momento, a voz de Jessica estava áspera como uma pedra, se é que me permite o uso de uma prosopopéia. Tudo estava fora do lugar, e pensando bem, até agora não arrumei essa bagunça que me persegue desde que ela desligou aquela ligação e me deixou sem ação tendo como consolo um breve “tu, tu, tu”.

Resolvi largar o celular por um momento, deduzi que não iria me levar a nada ficar tentando o dia inteiro. Coloquei um calção de banho, peguei uma toalha e calcei uma sandália. Ao passar pela sala vi Kendall, Carlos, Logan e Barbara jogando vídeo game e Drianna estava por trás do sofá exclamando e balançando os ombros de Carlos. Pelos gritos e xingamentos felizes de Barbara e as caras de raiva dos meus amigos, aprecia que eles estavam perdendo para uma garota.

– Galera, vou dar um pulo na piscina. – Avisei, mas ninguém me deu atenção. Saí assim mesmo e peguei o elevador.

Ao chegar lá, vi que o sol brilhava bem forte hoje. Avistei uns colegas, e algumas gatinhas, jogando vôlei na piscina e me chamaram para participar. É claro que eu entrei no time das gatas, afinal velhos hábitos nunca mudam. Brincamos até o sol se por e confesso que foi muito divertido. Eu estava realmente precisando esquecer um pouco as preocupações e relaxar. As garotas do meu time até me deram os telefones delas antes de eu subir de volta pro apartamento, e só pra deixar o dia delas mais felizes eu dei aquela minha piscadela mágica em resposta. Mas não tem chance de eu sair com algumas dessas algum dia, pelo simples fato de elas não serem a Jessica. Estranho, né? Ainda não me acostumei com isso, mas agora eu não consigo mais me imaginar estando com outra pessoa a não ser ela.

Quando voltei pro 2J com a minha toalha molhada sobre os ombros, Carlos estava na cozinha com Drianna, e Kendall, Barbara e Logan estavam os três na frente do notebook fazendo um Ustream.

– E aí, James, chega mais! – Kendall me chamou. Eu me olhei dos pés a cabeça, e... bem, eu estava com o cabelo molhado jogado pra trás, sem camisa e com o calção de banho encharcado. As fãs iriam pirar. – Onde você estava?

– Na piscina. Eu avisei pra vocês.

– Quando? – Logan perguntou.

– Quando vocês estavam jogando vídeo game... – Os três continuaram com as caras confusas. – Ah, esquece. – Rolei os olhos e aproximei-me do notebook. – E aí, Rushers! – Acenei me exibindo na frente da tela. – Eu acabei de voltar da piscina, o sol hoje estava maravilhoso! – Empurrei Kendall pro lado para eu poder me sentar e conseguir aparecer na câmera. – Parece que eu cheguei na hora certa, sobre o que vocês falavam?

– Hum... Ah! Eu havia acabado de ler uma pergunta sobre como é conviver vocês, seus quatro malucos. – Barbara respondeu com um riso.

– E você ainda não respondeu. – Logan notou.

– Ah... É, tipo, uma aventura todo dia. Eu praticamente moro aqui nesse apartamento, o meu aqui do lado tá só de enfeite. – Riu. – É como viver com... Irmãos, melhores amigos.

– OWNNNN. – Nós três dissemos uníssono e demos um abraço grupal nela.

– Já chega de grude! Já chega! – Barbara reclamava apesar de estar rindo, mas nós a ignoramos e a apertamos mais.

– Awn eu também quero esmagar a ruivinha! – Carlos disse, sem muita demora também se juntou a nós.

– Não dá pra r-respirar...! – Barbara ofegou e nós finalmente a largamos com gargalhadas e Carlos voltou pra cozinha onde Dria abafava seu riso para não fazer nenhum som. – Eu odeio vocês. – Ela disse com a mão no peito ainda recuperando o fôlego.

– Mentira! – Logan a contrariou cutucando-a na barriga.

– Ai! Não faz isso. É verdade sim, eu odeeeio vocês! – Barbara reafirmou com um sorriso no rosto.

– Retire o que disse. – Logan cutucou-a novamente.

– Para, Logan. Não faz.

– Só se você retirar o que disse.

– Nunca!

– Você que pediu. – Então Logan começou a provocar cócegas por todos os pontos dela. Ela chorava de rir e implorava pra Logan parar, e então Kendall e eu começamos a bater fotos com nossos celulares daquela cena. Até que ela se remexeu tanto que caiu do sofá. Nós gargalhamos exageradamente sem parar.

– O-ok! Ok! É mentira! – Barbara se rendeu antes que Logan viesse pra cima dela de novo, e ele deu um riso satisfatório e estendeu a mão para ajudá-la a subir no sofá. – Mas agora eu te odeio, Logan... Brincadeira! – Ela se corrigiu antes que Logan mencionasse matá-la de cócegas novamente. – É brincadeira, eu te amo.

– Hum... Melhor assim. Te amo também. – E os dois trocaram um selinho. Ah, como eu odeio servir de vela pra esses dois, eu não nasci pra isso.

Após isso respondemos mais três perguntas até Carlos anunciar que o jantar estava servido.

– AH FINALMENTE, EU ESTAVA MORRENDO DE FOME! – Barbara exclamou e foi correndo pra mesa. Kendall, Logan e eu olhamos assustados para ela.

– Ela anda bem esfomeada ultimamente. – Sussurrei para Logan e Kendall, que concordaram.

– U-uh, enfim... Acho eu nós ficamos por aqui, pessoal. Foi ótimo responder as duvidas de vocês. – Kendall despediu-se.

– E... Até a próxima. Tchau! – Logan acenou.

– Não esqueçam, Rushers: Amamos vocês! – Eu falei sorridente para a câmera, e então Logan esticou o dedo até o notebook em cima da mesa e parou a transmissão. Kendall e eu levantamos do sofá e nos juntamos a Carlos, Drianna e Barbara na mesa.

– Você não vem, Logan? – Barbara perguntou com a boca cheia de frango grelhado e arroz. Ew.

– Só um instantinho. – Logan disse com o rosto praticamente grudado na tela. – Uau! Tivemos muitos viewrs hoje.

– Quantos? – Sem perceber perguntamos todos ao mesmo tempo. Nós nos olhamos e demos risada.

– 100 mil.

– Wow. – Kendall surpreende-se verbalmente, mas o resto de nós ficamos bem boquiabertos. Barbara até deixou um pouco de arroz cair de volta no prato... E Dria cuspiu de volta o suco no copo. Ew, de novo. Essas garotas tem que parar de conviver com a gente, senão sabe Deus no que elas vão se tornar.

– Os comentários mais falados no chat são “AH MEU DEUS, O JAMES ESTÁ SEM CAMISA!” – Logan escandalizou que nem uma garotinha e nós rachamos de rir. Mas eu, em particular, ri bastante satisfeito afinal se tinha como o meu ego e minha auto estima subirem mais... Eles subiram. – E em segundo lugar de mais falados são... De fãs tristes porque Carlos quase não apareceu.

– Bem... Eu tinha um jantar a fazer! Esqueceu que eu sou o único que cozinha decentemente aqui?

É, tivemos que concordar, mas no fundo era como se todos nós estivéssemos pensando a mesma coisa. Carlos vinha tentando esconder seu namoro o quanto podia, pois tinha medo do Gustavo e de magoar as fãs. Pois é... Ele acaba pensando mais nos outros do que em si mesmo. Parecia que está vamos vendo a repetição da confusão que Logan fez no ano passado com esse lance de “namoro às escondidas”. Só sei que alguém tem que chamar Carlos pra uma conversa séria, antes que o pior aconteça. E o coitadinho só queria ter um relacionamento normal... Ah, ainda bem que eu nunca tive e espero nunca ter problema com essas coisas. Parece até que é uma maldição dos casais de Hollywood, eu hein, que Deus me livre e guarde disso.

Nós seis jantamos descontraidamente, contando piadas e achando graça das coisas bizarras que aconteciam no nosso dia a dia corrido, e assim que terminamos cada um foi lavar sua própria louça, por que nesse apartamento agora as coisas eram assim: Sem a Srta. Knight por perto a gente tinha que se virar cada um por si. Ah... Imagina a confusão que é pra decidir quem vai à lavanderia durante a semana e separar as roupas brancas das coloridas de todo mundo. E pra limpar o apartamento então? Só quando ele está em estado crítico, tipo uma vez por mês no máximo duas quando a Barbara e a Drianna começam a reclamar. O lema pra tudo é: Se não fede ou não está manchado, não está sujo. É meio grotesco, mas isso é que dá morar num apartamento cheio de cães.

– James, eu preciso falar com você. – Barbara me chamou quando eu saí da cozinha enxugando as minhas mãos molhadas na minha calça jeans.

– Fala.

– Em particular.

Comecei a pensar em todas as coisas erradas que fiz durante o mês que pudessem ser usadas contra mim neste momento. Será que ela iria me esfaquear por eu ter “pegado emprestado” seu spray de cabelo? Ai, ai, e se não foi isso? Não gosto de conversas particulares com garotas comprometidas, pois fiquei com medo só da cara de Logan ao olhar para nós ao atravessarmos o apartamento. Ela foi na frente, caminhando até a porta do antigo quarto de Katie. Nós entramos, em seguida ficando completamente a sós lá dentro.

– Então... O que você me dizer? – Perguntei extremamente inquieto para saber. Barbara respirou fundo encarando o chão, como se tentasse me passar a sua angústia e de algum modo eu pudesse adivinhar o que estava acontecendo. Pelo jeito não era coisa boa.

– Jessi me ligou hoje à tarde, depois que você foi pra piscina.

Ok, por um momento não pude ver como aquilo não era bom. Jessica havia ligado! Aquilo era ótimo pra mim. Meu coração bateu imensamente rápido e um sorriso escapuliu de meus lábios ao finalmente receber notícias dela.

– Sério? E como ela está? O que ela te disse?

– Calma, James. Ela não me disse nada demais... Só que está com saudades de nós e que está vindo pra cá em Julho. – Aquele meu sorriso se iluminou três vezes mais, apesar de Barbara passar a me encarar com uma expressão preocupada.

– Mas isso é ótimo! Porque você está com essa cara?

– Ai... Eu não sei se você acredita nessas coisas, James, mas... Eu não estou com um bom pressentimento. Eu conheço Jessica há muito tempo, e pelo que notei do jeito que ela falava, o tom de voz dela... Ela está diferente. Eu até cheguei a perguntar o que havia acontecido, mas ela dizia que não era nada e que estava bem, mas... Infelizmente eu não caí nessa. Aconteceu alguma coisa, James, eu tenho certeza. Algo que a deixou muito mal. Algo que ela não contar pra mim, nem pra você.

Naquele exato momento, Barbara disse tudo que eu me impedi de acreditar nesses últimos dias. Aquele sumiço todo, com o telefone sempre desligado, perda de contato repentina... Tentei achar que talvez Jessica não quisesse conversar, só isso, mas agora era mais que óbvio... Estava na cara que alguma coisa havia mesmo acontecido pra ela se afastar desse jeito. E eu sabia exatamente de quem era a culpa.

Maldito Diego.

– Eu sabia. – Murmurei com os dentes trincados, dando um soco na parede para liberar a raiva.

– Hã? Calma. Você sabia o que? Você sabe de alguma coisa? – Barbara questionou com um pouco de desespero.

– Não. Mais ou menos, quero dizer, não sei por que Jessi está assim, mas eu tenho quase certeza de quem a deixou assim. – Calei-me por um momento e sustentei o olhar de dúvida de Barbara. – Diego, aquele namoradinho idiota dela.

– O Diego? – Barbara piscou algumas vezes seguidas pra se fazer acreditar. – Mas ele ama a Jessica, porque ele a magoaria?

– Sério mesmo que você pensa que ele a ama?

– Eu acho... Pelo menos é o que Jessi me diz.

– Mas por um acaso a Jessica nunca te contou que eles vivem brigando por qualquer coisa? Ou que eles terminavam e voltavam quase toda a semana? Contou que ela estava cansada dele, mas não conseguia arranjar um jeito de terminar definitivamente com ele, pois ele sempre a convencia a voltar senão ele ficava tão bravo que chegando a ameaçá-la? Que tipo de amor é esse que o Diego sente por ela? Porque pra mim isso é maluquice, e Jessica é outra maluca por aguentar esse babaca na vida dela. Eu não duvido nada de que ele tenha feito alguma coisa, e posso ser sincero? Na melhor das hipóteses, ele a ameaçou proibindo-a de falar com a gente. Principalmente comigo.

Barbara estava chocada com aquelas informações. O fato de eu saber aquelas coisas todas não parecia ser nada confortável para a melhor amiga da Jessica.

– Jessi nunca me disse nada disso. – Ela disse quase num sussurro sem piscar dessa vez, me encarando surpresa e sem reação. – Na verdade... Ela só me contava as coisas bonitinhas que Diego fazia pra ela. Mas... Porque ela não me contou nada disso?

– Eu sei lá. – Dei ombros. – Talvez seja pra não preocupar você. – Barbara refletiu sobre a minha resposta por um instante. Ela parecia saber que não era por causa daquilo, mas preferia se conformar com aquela explicação.

– James, por favor. – Ela segurou meu braço com firmeza e me fez encarar profundamente seus olhos verdes. – Descobre pra mim o que aconteceu com a Jessi. Por favor, eu te imploro. E se esse Diego fez ou falou alguma coisa pra ela eu juro que eu...

Ela não conseguiu completar a frase, pois seus olhos transbordaram em lágrimas. Senti um aperto no coração, eu não aguento ver uma garota chorando na minha frente. Abracei-a bem forte sem nem pensar duas vezes, afinal o que mais eu podia fazer? Se eu sabia exatamente como ela se sentia? Nós dois amávamos aquela morena, sentíamos muito a falta dela e estávamos bastante preocupados. Como eu havia dito, na melhor das hipóteses ele só a proibiu de se comunicar com a gente, mas e na pior das hipóteses? Tenho medo de saber o que ele pôde ter sido capaz de fazer. Nós rezávamos pra que ela estivesse realmente bem.

Eu iria ajudar Barbara a descobrir o que estava acontecendo com Jessi. Não só porque ela me pediu pra fazer isso, mas também porque eu me sinto com o dever de fazer isso, e que não é mais do que a minha obrigação. Afinal, por mais que esse sentimento não seja recíproco, eu amo a Jessica e faria qualquer coisa para vê-la feliz de novo.

Notas finais
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